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Investigação

Rudi Fiorese teve carreira consolidada e virou gestor de bilhões antes de ser alvo em operações

Preso na terça-feira pelo Gecoc na Operação Buraco Sem Fim, o ex-secretário municipal chegou à presidência da Agesul pela indicação do secretário estadual de Infraestrutura, Guilherme Alcântara

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Às 6h da manhã de terça-feira (12), quando a cidade ainda acordava, oito agentes do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) do Ministério Público de Mato Grosso do Sul bloquearam as saídas do Edifício Solar das Garças, condomínio de alto padrão na zona central de Campo Grande. O alvo: o engenheiro civil Rudi Fiorese, 63 anos, ex-secretário municipal de Infraestrutura e, até a manhã de terça, diretor-presidente da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul). 

Às 9h em ponto, ele saía pela porta traseira do prédio como preso preventivo do Estado, detido no âmbito da Operação Buraco Sem Fim. Na varredura do imóvel, os investigadores encontraram R$ 186 mil em cédulas, guardados na residência.

A queda de Fiorese é apenas a história de um servidor com décadas de cargos em obras públicas.

Engenheiro resolutivo de Três Lagoas

Graduado em Engenharia Civil pela UFMS em 1983, ele construiu nome e capital político em Três Lagoas, polo industrial a 338 quilômetros da capital. Foi lá que comandou obras de infraestrutura pesada, entre elas a complexa ampliação do aeroporto local, empreitada que lhe conferiu credenciais com a classe empresarial e política da região. Com currículo sólido e trânsito entre fornecedores de asfalto, brita e aço, Fiorese era o engenheiro resolutivo ao Poder Público.

Em 2017, primeiro mandato de Marquinhos Trad (PV) na prefeitura de Campo Grande, Rudi chegou ao comando da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep). 
Iniciava-se ali um ciclo de hegemonia que duraria seis anos ininterruptos, sobrevivendo à alternância de mandato e às primeiras denúncias do Ministério Público. 

Fiorese permaneceu porque era resolutivo: controlava o fluxo das obras de pavimentação e drenagem, entregava asfalto nos redutos de vereadores aliados e neutralizava a oposição na Câmara com cimento.

Palácio Estadual

Exonerado da Sisep em 11 de janeiro de 2023 pela prefeita Adriane Lopes, sucessora de Marquinhos após a renúncia deste para concorrer às eleições de 2022, Fiorese não ficou no ostracismo por muito tempo. Em menos de sessenta dias, a estrutura bilionária do Governo do Estado de Mato Grosso do Sul o recolheu.

Em 10 de abril daquele ano, o Diário Oficial do Estado publicava sua nomeação para a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), como assessor especial em cargo comissionado.

Até então, o secretário de obras era o ex-prefeito de Ponta Porã, Hélio Peluffo. Na secretaria, ele tocava o dia a dia por vezes substituindo o titular da Agesul, Mauro Azambuja Rondon.

Com a anuência do novo secretário de obras Guilherme Alcântara , o engenheiro de Três Lagoas migrou da assessoria para a diretoria executiva de Infraestrutura Rodoviária da Agesul, e dali ao posto de Diretor-Presidente da agência, cargo que assumiu em fevereiro de 2026, colocando nas suas mãos o controle sobre os orçamentos asfálticos que irrigam os 79 municípios sul-mato-grossenses e orçamento superior a R$ 1 bilhão por ano.

Quem indicou Fiorese para a presidência da Agesul sabia, ou deveria saber, do gigantesco passivo jurídico que ele carregava? A resposta, qualquer que seja, é constrangedora para o compliance estadual. Quando a Operação Cascalhos de Areia deflagrou, em junho de 2023, Fiorese já figurava explicitamente como alvo de mandados de busca. Ainda assim, ao invés do afastamento cautelar, o que veio foi a promoção.

Dinheiro vivo

A Operação Buraco Sem Fim descortinou uma arquitetura de corrupção na secretaria de obras municipal. Segundo o Gecoc, a organização converteu os contratos de aquisição e aplicação de concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ), o popular tapa-buraco, em fonte de extração de recursos públicos. 

Fiscais forjavam pesagens, manipulavam volumetrias e chancelavam recebimentos por tonelagens de asfalto que jamais foram despejadas nas ruas de Campo Grande. A investigação identificou o desvio de exatos R$ 113,7 milhões, canalizados ao longo de oito anos, de 2018 a 2025, para a principal construtora do esquema, via sucessão de aditivos contratuais.

No total, a força-tarefa recolheu R$ 429 mil em cédulas distribuídas entre os imóveis dos alvos, papel-moeda físico, fora do sistema bancário, fora do alcance do COAF.

Além de Fiorese, outros seis foram presos preventivamente: dois empresários do setor de construção civil, pai e filho da família Pedrosa, sócios da Construtora Rial Ltda, e cinco servidores e ex-servidores da Sisep, incluindo Edivaldo Aquino Pereira, o coordenador de tapa-buraco que, curiosamente, não apenas sobreviveu à Cascalhos de Areia em 2023 como foi promovido a fiscal dos novos contratos de CBUQ. Sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão foram cumpridos.

A reação do governo estadual foi de contenção cirúrgica e distanciamento rápido. Mal Fiorese pisou na calçada do Solar das Garças sob a custódia da polícia, a Casa Civil já providenciava sua exoneração da Agesul. A Seilog emitiu nota destacando que a investigação se restringia à atuação de Fiorese na Secretaria Municipal de Campo Grande e que a estrutura logística do estado não era alvo das investigações.

Do outro lado do espectro político, o ex-prefeito Marquinhos Trad, o primeiro grande padrinho de Fiorese, correu às câmeras para declarar ter "a mais absoluta certeza de que ele é correto e íntegro". Invocou estudos do CREA e da UFMS para justificar o astronômico volume de recursos gastos no tapa-buraco e insinuou que a operação teria motivações eleitorais.

A história de Rudi Fiorese é, em última análise, a história de como o Brasil desperdiça décadas combatendo corrupção enquanto o sistema político continua recrutando os mesmos operadores de prefeitura em secretaria estadual, de escândalo em escândalo, desde que haja um padrinho disposto a assinar o decreto. O buraco, como sugere o nome da operação que o prendeu, não tem fim. Mas desta vez chegou às algemas.

O Correio do Estado tentou contato com a assessoria do secretário Guilherme Alcântara e com a defesa de Rudi Fiorese. Até o fechamento desta edição, não houve retorno.

NOITE VIOLENTA

Adolescente sai ferido de triplo homicídio registrado no interior do MS

Crime foi registrado no distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina; quatro foram presos até o momento e polícia procura ainda por um quinto suspeito de participar do ataque

20/09/2026 12h30

Uma criança também foi encontrada no interior do imóvel, sem ferimentos aparentes, deixada inicialmente sob os cuidados de uma vizinha.

Uma criança também foi encontrada no interior do imóvel, sem ferimentos aparentes, deixada inicialmente sob os cuidados de uma vizinha. Reprodução/Jornal da Nova

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Distante aproximadamente 242 quilômetros da Capital, o distrito de Nova Casa Verde, em Nova Andradina, tornou-se palco de uma noite de terror nas últimas horas deste último sábado (19), após a execução de um triplo homicídio na rua  Avelino Maraia, que terminou ainda com um adolescente gravemente ferido após ser atingido pelos disparos. 

Até o momento, quatro acusados foram presos por agentes da Força Tática e equipes da Polícia Militar do distrito de Nova Casa Verde, como publicado pelo portal regional Jornal da Nova. As forças de segurança indicaram que um quinto suspeito ainda estaria foragido e as buscas seguem ativas.  

Esse caso mobilizou ainda as forças da Seção de Investigações Gerais (SIG) da Polícia Civil e também a Polícia Científica, que agiram para apurar a dinâmica do crime após a área ser isolada pelos policiais militares que acionaram inclusive apoio da Força Tática que também se dirigiu até o distrito.

Conforme narrado em boletim de ocorrência, até o momento foi indicado a identificação de apenas duas das três vítimas, sendo: Daniel Matos Alves e uma mulher de 37 anos natural de Ivinhema batizada de Eliane Franco. 

Para além do terceiro óbito, essa noite de crime deixou marcas também dois menores de idades, sendo um adolescente de 13 anos atingido pelos disparos e encaminhado para atendimento médico no Hospital Regional de Nova Andradina, e ainda uma criança encontrada sem ferimentos aparentes no interior do imóvel que foi deixada sob os cuidados de uma vizinha. 

Prisões

Antes dos primeiros raios de sol deste domingo (20), cerca de quatro indivíduos foram capturados por agentes da Força Tática e Polícia Militar, sendo posteriormente presos. Porém, como bem acompanha o Jornal da Nova, um quinto suspeito ainda estaria foragido, com as buscas ainda em sequência por área de mata. 

Além das prisões, os agentes das forças de segurança também conseguiram apreender uma motocicleta que, como descrito em B.O, teria sido usada na execução deste triplo homicídio no interior do Estado. 

Sendo que entre os capturados até o momento estão relacionados três masculinos e uma mulher, informações preliminares indicam que dois dos presos seriam, inclusive, e que a presa teria chegado no distrito vinda de Bataguassu. 

A dinâmica desenhada até o momento indica que dois indivíduos teriam chegado de moto até o local do crime, efetuando os disparos ao adentrarem na casa. Novos desdobramentos da investigação devem evidenciar a real motivação deste ataque e o trabalho de cada indivíduo. 

 

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INTERIOR

Colisão entre carro e carreta de celulose deixa três mortos na BR-158

Acidente foi registrado próximo à ponte sobre o Rio Sucuriú, a suspeita é que chuva tenha dificultado visibilidade e que carro de passeio teria invadido pista contrária

20/09/2026 11h30

Veículo de passeio teve a frente completamente destruída

Veículo de passeio teve a frente completamente destruída Reprodução/24h MS News/Eliton Chaves

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Acidente registrado no fim de uma noite chuvosa de sábado (19), em Três Lagoas, terminou com três homens mortos após o carro de passeio em que estavam colidir frontalmente com uma carreta de celulose no quilômetro 251 da BR-158. 

Esse acidente aconteceu por volta de 21h30, conforme apurado in loco pelo portal local 24h MS News, próximo à ponte do Rio Sucuriú. 

Para o atendimento desta ocorrência foram mobilizadas equipes do Corpo de Bombeiros Militar, Perícia Criminal e das polícias Civil e Rodoviária Federal (PC e PRF). As forças de segurança ainda devem indicar as reais circunstâncias que levaram à batida. 

Porém, é possível observar pelos registros fotográficos do repórter Eliton Chaves que a pista no local do acidente ainda encontrava-se molhada, o que levanta a hipótese de chuva no trecho ainda no momento da colisão. 

Entenda

Apurações preliminares identificaram dois dos três mortos neste acidente, que tratam-se de: 

  • + Jeferson Mateus de Souza Andrade, 27 anos
  • + Hércules Douglas da Silva, 28 anos. 

Jeferson seria morador de Inocência, município distante aproximadamente 331 quilômetros da Capital, e ainda não há a identificação do terceiro óbito registrado, mas os três amigos estariam em um rancho que fica nas proximidades da ponte. 

Conforme narrado preliminarmente, esses indivíduos teriam se deslocado até um posto de combustíveis local em busca de comprarem alguns produtos e teriam batido o carro justamente na volta ao rancho. 

Contratado como motorista do veículo de carga, o carreteiro a serviço da empresa de celulose "Suzano" indicou aos agentes policiais que seguia no sentido Selvíria até Três Lagoas. 

Conforme o carreteiro, ele teria sido surpreendido pelo Pálio após atravessar a ponte, e afirma que o carro de passeio teria invadido a pista contrária durante uma curva. 

O veículo de passeio teve a frente completamente destruída, com os três ocupantes tendo ficado presos entre as ferragens, motivo pelo qual o Corpo de Bombeiros até foi acionado, mas já encontrou os três rapazes já sem vida.  

Com isolamento feito por parte da PRF, seus corpos somente puderam ser retirados após o trabalho da perícia. Houve o encaminhamento em seguida até o Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol) para os procedimentos necessários para proceder com a liberação aos familiares. 

 

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