A universidade ficou na faixa considerada insatisfatória do Enamed, exame que mede o conhecimento dos estudantes formandos no curso de medicina
A Faculdade UniCesumar de Corumbá está na lista de universidades de medicina obrigadas pelo Ministério da Educação (MEC) a reduzir o número de alunos aceitos no curso.
A Instituição de Mato Grosso do Sul faz parte da lista de 33 faculdades em todo o País que ficaram com Conceito Enade 2 e foram punidos com redução de 25% de alunos novos.
A lista das instituições de ensino superior punidas por baixo desempenho no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) foi divulgada nesta terça-feira (17) pelo MEC.
Entre as punições, estão a redução do número de novas vagas oferecidas e a proibição do ingresso de novos alunos, a mais severa. No total, 52 faculdades brasileiras privadas estão com número de vagas limitadas e sete estão impedidas de aceitar novos alunos.
Além disso, todas elas estão impedidas de firmar contratos pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), terão processos regulatórios para o aumento de vagas suspensas e também não poderão participar de outros programas federais de acesso ao ensino.
Veja as faculdades de cada lista a seguir:
Impedidas de ter novos alunos
Recebem a punição máxima as instituições que ficaram com Conceito Enade 1 e menos de 30% dos estudantes com pontuação aceitável.
- Universidade Estácio de Sá (Angra dos Reis - RJ)
- União de Faculdades de Grandes Lagos (São José do Rio Preto - SP)
- Centro Universitário de Adamantina (Adamantina - SP)
- Faculdade de Dracena (Dracena - SP)
- Centro Universitário Alfredo Nasser (Aparecida de Goiânia - GO)
- Faculdade Metropolitana (Cáceres - MT)
- Centro Universitário Uninorte (Porto Velho - RO)
Redução de 50% de novos alunos
Recebem a punição as faculdades que ficaram com Conceito Enade 1 e entre 30% e 40% de alunos concluintes proficientes.
- Centro Universitário Presidente Antônio Carlos (Juiz de Fora - MG)
- Universidade Brasil (Fernandópolis - SP)
- Universidade do Contestado (Mafra - SC)
- Universidade de Mogi das Cruzes (Mogi das Cruzes - SP)
- Universidade Nilton Lins (Juiz de Fora - MG)
- Centro Universitário de Goiatuba (Goiatuba - GO)
- Centro Universitário das Américas (São Paulo - SP)
- Faculdade da Saúde e Ecologia Humana (Vespasiano - MG)
- Centro Universitário Ceuni - Fametro (Manaus - AM)
- Faculdade São Leopoldo Mandic de Araras (Araras - SP)
- Faculdade Estácio de Jaraguá do Sul (Jaraguá do Sul - SC)
- Faculdade Zarns - Itumbiara (Itumbiara - GO)
Redução de 25% de novos alunos
Recebem a punição as instituições que ficaram com Conceito Enade 2 e entre 40% e 50% de concluintes proficientes no Enamed.
- Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Penápolis
- Universidade de Ribeirão Preto
- Universidade Iguaçu
- Universidade Iguaçu
- Universidade Santo Amaro
- Universidade de Marília
- Universidade Paranaense
- Universidade Anhembi Morumbi
- Afya Universidade Unigranrio
- Centro Universitário Serra dos Órgãos
- Universidade de Cuiabá
- Centro Universitário Maurício de Nassau de Barreiras
- Centro Universitário Estácio de Ribeirão Preto
- Centro Universitário de Santa Fé do Sul
- Afya Centro Universitário de Porto Velho
- Centro Universitário Ingá
- Faculdade de Medicina Nova Esperança
- Afya Faculdade de Ciências Médicas da Paraíba
- Faculdade Atitus Educação Passo Fundo
- Afya Centro Universitário de Itaperuna
- Centro Universitário Maurício de Nassau
- Faculdade Morgana Potrich
- Afya Faculdade de Porto Nacional
- Faculdade Uninassau Vilhena
- Centro Universitário Famesc
- Faculdade de Medicina de Olinda
- Faculdade Estácio de Alagoinhas
- Faculdade Atenas Passos
- Faculdade Estácio de Juazeiro
- Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes
- Faculdade Unicesumar de Corumbá
- Faculdade Estácio de Canindé
- Afya Faculdade de Ciências Médicas de Santa Inês
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) disse que recebe a lista com preocupação, mas que não é uma surpresa.
“A ABMES reafirma seu apoio ao Enamed como instrumento de avaliação e aprimoramento da formação médica no país, desde que suas regras sejam claras, previamente estabelecidas e amplamente conhecidas pelas instituições de ensino superior. Ainda assim, as punições impostas às instituições que não obtiveram conceitos satisfatórios na avaliação demandam atenção, especialmente quanto aos seus impactos no ambiente regulatório”, afirmou a nota.
Também reforçou que a adoção de medidas com efeitos sancionatórios, sem a devida regulamentação, pode “afetar o equilíbrio do sistema regulatório e comprometer a relação de confiança entre o poder público e as instituições de ensino”.
“A criação de parâmetros punitivos exige regulamentação clara, por meio de ato normativo próprio. Além disso, a adoção de uma lógica predominantemente sancionatória se afasta dos princípios da Lei do Sinaes, que estabelece a avaliação como instrumento formativo e indutor de qualidade. Quando não há clareza nos critérios e se prioriza apenas a punição, perde-se a capacidade de promover a melhoria efetiva do ensino superior”, destacou o diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz.
Nesta edição da aplicação do Enamed, dos 351 cursos do País que passaram pela avaliação, 30% ficaram na faixa considerada insatisfatória. Dois deles, em Mato Grosso do Sul: da Universidade Anhanguera Uniderp e da Faculdade UniCesumar de Corumbá.
Outra polêmica
A UniCesumar também é alvo de processo jurídico por estudantes do curso de medicina por não conseguir iniciar a residência por falta de documentos que deveriam ser emitidos pela instituição.
Ambos os estudantes foram aprovados pelo Exame Nacional de Residência (Enare) e poderiam atuar no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro. Porém, perderam as vagas por falta de documentação solicitada à universidade, que não atendeu ao prazo da demanda.
Além disso, os alunos também solicitaram a antecipação da colação de grau para que pudessem dar início às especializações em que foram aprovados, já que já teriam completado mais de 7,5 mil horas-aula, carga acima do mínimo exigido. O pedido foi negado pela UniCesumar, que alegou que precisariam cumprir as últimas 13 semanas de curso até a colação.
Os dois estudantes pontuaram que até mesmo as centenas de horas de internato e plantões que cumpriram entre julho de 2025 e março deste ano no sistema público de saúde de Corumbá não estavam disponíveis para serem acessadas em documentos oficiais.
Em nota, a instituição chegou a afirmar que atua com “responsabilidade para garantir que a formação de seus alunos seja concluída de forma completa, segura e com a qualidade exigida para o exercício da profissão” e que a decisão “está em consonância com o posicionamento do Conselho Federal de Medicina”.