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APRENDIZADO

Seis meses de programa de tempo integral começa a dar resultado no ensino

Comportamento, aprendizado e evasão escolar melhoraram

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Passaram-se seis meses da implantação do tempo integral em escolas estaduais conforme determinou portaria do Governo Federal de outubro de 2016. Nesse período, quem vive a rotina escolar avalia que já é possível identificar melhorias no desempenho e comportamento dos estudantes que fizeram parte dessa mudança estrutura em unidade de Campo Grande.

Com atividades diversificadas e voltada ao protagonismo do aluno, as intituições, na avaliação de coordenadores, profesores e dos próprios estudantes, tornaram-se mais atrativas e humanas.

Em Campo Grande, são oito escolas estaduais que oferecem o programa, denominado Escola da Autoria, são elas: Amélio de Carvalho Baís, José Barbosa Rodrigues, Lúcia Martins Coelho, Maria Constança Barros Machado, Professor Emygdio Campos Widal, Professor Severino Ramos de Queiroz, Waldemir Barros Silva e Manoel Bonifácio Nunes da Cunha.

A proposta é trabalhar sobre a perspectiva da formação do jovem autônomo. Para isso, a matriz das escolas atendem as disciplinas da Base Nacional Comum, que são as matérias como português e matemática, e a parte diversificada, que incluem disciplinas eletivas, projeto de vida, estudo orientado, práticas experimentais, entre outros.

Na Escola Estadual José Barbosa Rodrigues, a diretora adjunta Célia Ferreira Gonçalves dos Santos disse ao Portal Correio do Estado que com várias atividades, estudantes podem escolher opções que se encaixem em seus perfis, o que aumenta o interesse pelo ambiente escolar.

“O comportamento muda bastante. Para nós, um problema que tínhamos muito era a evasão. Agora nós não temos, melhorou bastante, só fica o aluno que quer mesmo estudar”, disse.

Dados da Secretaria Estadual de Educação (SED) apontam que, no ano passado, taxa de evasão escolar foi de 25% em todas as escolas da rede estadual. Neste ano ainda não foram divulgados dados oficiais, mas expectiva é que o percentual diminua com as escolas de tempo integral.

SONHO DOS JOVENS

Célia disse ainda que o projeto de vida auxilia os jovens para além do ambiente escolar. 

"Tem o tutor que acompanha cada aluno, então ele vai falar: 'qual o seu sonho?, o que você precisa para conseguir sua meta?, qual disciplina precisa melhorar?, como você pode melhorar suas notas?, o que você está fazendo para alcançar os seus sonhos?'. Porque muitos pensam que por ser de classe baixa e escola pública não têm condições de realizar os sonhos, então a gente trabalha isso, de que eles conseguem, sim", explicou Célia.

O coordenador pedagógico José Carlos Ferreira acredita que as melhorias devem ser mais significativas a partir do segundo semestre.

“Já é notável uma mudança de comportamento, mas seis meses ainda é muito pouco para colher grandes frutos. No próximo semestre teremos o nivelamento de habilidades, que são orientações especificas, de agosto a novembro, onde terá tutor para conhecimentos como leitura, cálculo, para cada área que o estudante não domina”, disse.

COMPORTAMENTO E POLÊMICA

Na escola, professores e direção evitam entrar na polêmica que envolve a lei que ficou conhecida como Lei Harfouche, que prevê penalização para estudantes com mau comportamento. Em Campo Grande, a regra é válida, mas a Assembleia Legislativa tentou aprovar a medida válida para todo o Estado. Discussões contrárias conseguiram paralisar a tramitação da proposta.

Ao mesmo tempo, é unâmine a opinião de que o ensino integral auxilia no desenvolvimento pessoal dos alunos, em questões como vida em comunidade, trabalho em grupo e respeito.

Professora de língua portuguesa, Suzy Ranielly Roberto Ferro, responsável pela eletiva "Meu informante é você", onde alunos produziram um jornal da escola, afirma que as atividades desenvolvem várias capacidades dos alunos, como responsabilidade, compromisso com prazo e saber lidar com as pessoas.

"Está acontecendo muita coisa na escola por conta do (tempo) integral, então além das aulas normais, que a gente chama de Base Nacional Comum, tem essas diversificadas. Eles têm projetos de vida, estudo orientado, avaliação semanal, tem a eletiva, no horário do almoço tem os clubes. É muita função para eles na escola", disse.

OPINIÃO DOS ALUNOS

Estudantes do 1º ao 3º ano do Ensino Médio afirmam que a adaptação foi a parte mais difícil do processo, já que até ano passado o ensino era regular, em apenas um período. No entanto, os alunos ouvidos pelo Portal Correio do Estado são unânimes na opinião de que melhoraram tanto no aprendizado quanto nas expectativas para o futuro.

Wendy Fabielly, 14 anos, está no 1º ano e disse que é cansativo passar o dia todo na escola, no entanto, como as atividades são dinâmicas, acaba despertando o interesse e ajudando no desempenho escolar. 

"Por mais que seja cansativo e desgastante, algumas coisas acabam influenciando muito o nosso futuro e ajuda bastante", reconhece.

Os adolescentes citaram a base diferenciada de projeto de vida, onde um tutor auxilia os estudantes nas buscas pelos seus sonhos e a projetar o futuro.

João Gabriel Chaga, 17 anos, estudava no noturno e mudou de horário por conta das atividades oferecidas na modalidade integral. Segundo ele, além da carga horária maior nas matérias da base comum, as atividades diversificadas permitem um aprofundamento do conhecimento.

"A escola estava igual a nós, imaturos. Nós não estávamos preparados, mas com isso a gente foi se adaptando, tanto a escola quanto os alunos. Agora está tendo projetos novos. Tanto é que as eletivas do segundo bimestre são mais interessantes que as do primeiro, porque a escola está tentando se adequar e agora todo mundo está mais confortável, são coisas mais interessantes para fazer", revela.

Diretora adjunta, Célia explicou que as matérias eletivas e diversificadas, citadas pelos alunos, são atividades feitas de modo lúdico, mas aliada às da base comum. Os professores sugerem os projetos e os alunos se inscrevem e participam das que tenham a ver com seus perfis. Essas atividades não valem nota.

Aluna do 3º ano, Thais Malta, 17 afirma que, com mais responsabilidades dadas aos alunos, eles adquirem maior capacidade de entendimento e respeito, além de dar voz aos jovens. "A escola vai mudando e a gente vai ajudando".

FEIRÃO DAS ELETIVAS

Desenvolvidos pelos alunos desde fevereiro, nove projetos das disciplinas eletivas foram apresentados nessa semana durante a "Feira das Eletivas",  realizada pela primeira vez na Escola Estadual José Barbosa Rodrigues.

Foram apresentados projetos das eletivas chamadas de  "Desvendando os mistérios do corpo humano", "Educação em direitos humanos", "E se Joana D’arc encontrasse Afrodite no Instagram?", "Introdução aos Estudos de Astronomia", "JBR no teatro", "Meu informante é você", "Semeando ciência e colhendo tecnologia", "Show da Química" e "Somos El Mundo".

Temas escolhidos pelos alunos envolveram situações diretamente ligadas ao ambiente escolar, como bullying. Eles também tentaram desenvolver consciência sobre consumo consciente, por exemplo.

Entre os projetos, foi desenvolvido um jornal impresso que tratou sobre criação de uma horta, debates e palestras sobre suícidio e bullying na escola, teatro e apresentações musicais.

TEMPO INTEGRAL

O Governo Federal institutiu em outubro do ano passado o Programa de Fomento à Implantação de Escolas em Tempo Integral para todo o Brasil.

Em Mato Grosso do Sul, foram abertas 7,2 mil vagas em 16 escolas estaduais. Para cada vaga integral, com alunos permanecendo na escola, em média, sete horas ao dia, a União comprometeu-se a pagar à rede de ensino R$ 2 mil por ano, durante quatro anos.

A Secretaria de Estado de Educação criou 12 escolas, das 16 que estavam previstas. Por conta do período curto para estruturação dos planos de aula (determinação do Governo Federal foi dada em outubro de 2016 para implantação já neste ano), muitas dúvidas ficaram no ar se o sistema funcionaria e daria resultado. A avaliação oficial só deve ser realizada depois do primeiro ano de aula.

FIM DO ISOLAMENTO

Sinal de celular deve cobrir toda BR-163 antes do previsto em MS

Política nacional de conectividade anunciada nesta quinta-feira (15) prevê que a rodovia tenha o sinal em toda extensão até o fim do próximo ano

15/10/2026 12h20

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

Atualmente, sinal de celular está disponível só perto das áres urbanas e concessão exige cobertura total somente em agosto de 2028

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O governo federal anunciou nesta quinta-feira (15) a política nacional de conectividade para rodovias. O plano consiste em um conjunto de iniciativas para levar a cobertura de telefonia e internet móveis para uma extensão total de 72,3 mil quilômetros de estradas federais e estaduais até 2030. 

Nas estradas federais, a meta é levar o sinal para mais 29,9 mil quilômetros, ampliando a cobertura dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros - o correspondente a cerca de 77% de toda a malha federal no País. O cronograma prevê que já em 2027 sejam conectados 16 mil quilômetros de vias.

No final desse processo, haverá cobertura integral de seis rodovias federais consideradas prioritárias: BRs 101, 16, 135, 163, 242 e 364. A BR 101, por exemplo, é uma das rodovias mais importantes do País, ligando o Nordeste ao Sul, com 4,8 mil quilômetros de extensão.

No contrato de repactuação do Governo Federal com a Motiva, assinado em agosto do ano passado, está previsto que até o final do terceiro ano de concessão (agosto 2028) os usuários dos 845 quilômetros da rodovia em Mato Grosso do Sul tenha acesso ao serviço. 

Agora, se o programa do Governo Federal sair do papel, a disponibilização do serviço ficará disponível com pelo menos oito meses de antecdência. 

RODOVIAS ESTADUAIS

Já nas rodovias estaduais, o plano prevê a cobertura em mais 42,4 mil quilômetros.

Para atingir essas metas, a política nacional considera uma série de medidas, sendo que a principal delas é a obrigação imposta para as operadoras abrirem o sinal de internet entre si, via compartilhamento das redes. Dessa forma, o usuário de uma operadora poderá se conectar ao sinal de outra empresa.

Essa obrigação definida para as empresas será o grande motor da política nacional de conectividade, sendo responsável por levar internet para 13 mil quilômetros de rodovias federais e 42,4 mil quilômetros (100%) das estaduais.

Apesar da obrigação imposta, as operadoras não serão compensadas, pois a expectativa do governo é que os custos de cada uma com a cessão da rede sejam compensados pelo ganho com o uso da infraestrutura das demais.

Além disso, a política se apoia em outras medidas que já haviam sido pactuadas e estavam em andamento. Entre elas está o leilão da faixa de 700 Mhz realizado no primeiro semestre, que determinou às operadoras a contrapartida de levar o sinal para 6,4 mil quilômetros de rodovias e áreas rurais.

Outra parte da cobertura, de 4,3 mil quilômetros, será providenciada pela Claro. Essa cobertura foi colocada como contrapartida pelo contrato assinado com a União, meses atrás, para adaptar os contratos de concessão de telefonia da companhia

A política nacional prevê ainda que 1,3 mil quilômetros virão das próximas concessões de rodovias, que já terão a conectividade como obrigação.

"Estamos reorganizando todos os instrumentos disponíveis, regulatórios, tecnológicos e financeiros, para garantir internet ao longo de praticamente toda a malha nacional", afirmou o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filha, durante entrevista em São Paulo, para lançamento da nova política pública.

Ele destacou que a telefonia e a internet nas rodovias vão facilitar medidas diversas, como chamadas de emergência e uso de aplicativos, com benefícios para motoristas, passageiros e comunidades ao redor das estradas. São esperados também ganhos de produtividade para o agronegócio, a logística e os transportes, apontou.

A conectividade também deve apoiar serviços de cobrança automática de pedágios (o chamado free flow) e outros serviços, como pesagem de veículo de carga sem paradas.

 

MEIO AMBIENTE

MPMS abre investigação sobre infestação de moscas em usina

Produtores rurais relatam prejuízos à criação de gado e problemas de saúde

15/10/2026 12h00

Produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite

Produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite Divulgação

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) instaurou um inquérito civil para investigar a proliferação da mosca-dos-estábulos e sua possível relação com as atividades da usina Adecoagro Vale do Ivinhema, localizada no município de Angélica, cerca de 260 quilômetros de Campo Grande. A medida foi divulgada nesta quinta-feira (15), no Diário Oficial da instituição, após denúncias de produtores rurais sobre prejuízos à pecuária e impactos na saúde de moradores da regiao. 

A investigação foi determinada pelo promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki, que busca esclarecer possíveis irregularidades ambientais e riscos à saúde pública relacionados à infestação dos insetos nas proximidades da unidade industrial.

O caso teve início após proprietários rurais procurarem a Promotoria de Justiça de Angélica para denunciar o aumento da quantidade de moscas em suas propriedades.

Durante audiência realizada em 17 de junho, os produtores relataram que a infestação estaria provocando a perda de animais domésticos, além de prejudicar a produção de gado de corte e leite.

Segundo os relatos apresentados ao Ministério Público, a situação também estaria afetando a saúde dos moradores, que convivem com a presença constante dos insetos nas propriedades.

Diante das reclamações,  o MPMS solicitou fiscalizações da Vigilância Sanitária e da Polícia Militar Ambiental (PMA) para verificar as condições da usina e identificar possíveis focos de reprodução das moscas.

Fiscalização

Uma vistoria realizada pela Polícia Militar Ambiental em 21 de junho identificou grande quantidade de moscas no pátio de compostagem da Adecoagro, área utilizada para armazenar resíduos orgânicos provenientes da produção de açúcar e álcool. 

Entretanto, conforme o relatório encaminhado ao Ministério Público, os insetos encontrados apresentavam características de moscas domésticas, e não da chamada mosca-dos-estábulos, espécie conhecida por atacar animais e causar prejuízos à pecuária. 

Os proliciais também inspecionaram os reservatórios de vinhaça, resíduo líquido da produção sucroalcooleira utilizado na fertilização das lavouras de cana-de-açúcar. No local foi identificada uma quantidade menor de moscas.

Apesar da presença dos insetos, a equipe não encontrou focos de reprodução durante a fiscalização. 

O relatório também apontou que a usina mantém armadilhas para captura de moscas e desenvolve ações de monitoramento e controle. Ainda assim, os policiais recomendaram ampliar a quantidade e a área de distribuição das armadilhas para melhorar a eficiência do combate. 

A empresa, segundo o documento, demonstro disposição para realizar as adequações sugeridas.

A PMA informou que não identificou descumprimento das condições da licença ambiental da usina, nem indícios suficientes de crime ambiental que justificassem aplicação de multa ou outra medida administrativa.

A unidade apresentou licença de operação válida até outubro de 2031, além de documentos referentes ao monitoramento dos insetos e às medidas de prevenção adotadas.

Com base nos resultados das fiscalizações, a denúncia chegou a ser arquivada em julho, após o Ministério Público considerar que não havia elementos suficientes para relacionar a infestação às atividades da empresa.

Entretanto, o caso voltou a ser analisado depois que a Promotoria identificou registros de uma investigação anterior, iniciada em 2009, sobe a proliferação de moscas na região. 

O procedimento antigo incluía documentos técnicos e um acordo relacionado ao controle dos insetos. Além disso, informações encaminhadas pelo Ministério Público Federal reforçaram a necessidade de aprofundar a apuração.

Diante dos novos elementos, o promotor determinou, em 5 de outubro, a abertura de um inquérito civil para investigar a possível relação entre as atividades da Adecoagro e o aumento da população de moscas.

A empresa também foi notificada para apresentar informações, documentos e eventuais questionamentos à perícia no prazo de dez dias.

 

 

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