Cidades

DEMISSÃO

Detran-MS demite servidora que participava de fraude na transferência de caminhões

Elena Rodrigues Alarcon é acusada de receber propina para inserir dados falsos no sistema da autarquia e realizar transferências irregulares de veículos

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O Departamento Estadual de Trânsito do Mato Grosso do Sul (Detran-MS) demitiu Elena Rodrigues Alarcon, que ocupava o cargo de assistente de vistoria e identificação veicular na Agência de Trânsito de Bela Vista. A demissão foi oficializada no Diário Oficial do Governo do Estado, desta sexta-feira (15).

O diretor presidente do Detran-MS, Rudel Espíndola, acolheu o relatório final da comissão do processo administrativo disciplinar, que analisou o caso de Elena Rodrigues, além de também usar como base para o desligamento a decisão da reunião ordinária do Conselho de Administração da autaraquia.

De acordo com a publicação no Diário Oficial, Elena Rodrigues se aproveitou do cargo público para tirar proveito pessoal. Além disso, descumpriu outra norma, que trata sobre a proibição do servidor receber propinas, comissões ou vantagens de qualquer espécie, em razão de suas atribuições.

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) denunciou Elena Rodrigues, Alexandro Guerreiro Ribeiro, Arlete Aparecida De Jesus e Jose Carlos Batista De Abreu em uma ação penal por inserir dados falsos no sistema do Detran-MS. Segundo o órgão ministerial, a servidora alterou, pelo menos, 184 processos de transferência de veículos.

Em junho de 2023, a servidora esteve entre os alvos da operação “Gravame”, deflagrada pela Polícia Civil. A investigação apurava crimes de corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica e inserção de dados falsos em sistemas de informação do DETRAN-MS .

Conforme as investigações, Elena era suspeita de receber propina para a realização de transferências irregulares de veículos. Os automóveis e caminhões, que vinham de outros estados, eram encaminhados para transferência de UF ou de propriedade na Agência de Trânsito de Bela Vista, e, em seguida, com a participação da servidora, tinham os cadastros alterados, mesmo sem nunca terem circulado e nem terem sido apresentados para vistoria.

Além disso, Elena participou de outro esquema irregular, a qual tratava-se da transferência de carretas para a inclusão fraudulenta do 4º eixo nas especificações do veículo, trâmite que, normalmente, depende até mesmo de um engenheiro e de aprovação pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia).

Durante oito meses, a servidora movimentou mais de R$200 mil e recebeu pouco mais de R$30 mil como remuneração no mesmo período.

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CRIME

Casal invade casa, rouba e ataca idoso com facão em Dourados

Homem conseguiu fugir e levou uma bateria; a mulher foi detida e agredida por populares que perceberam a situação

08/09/2026 08h45

A criminosa foi levada para o hospital e depois apresentada à polícia

A criminosa foi levada para o hospital e depois apresentada à polícia Divulgação

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Um idoso, de 68 anos, foi vítima de um roubo dentro de sua residência, em uma região conhecida como ‘favelinha’, no município de Dourados, na manhã de segunda-feira (7). Uma mulher foi detida após o ataque.

Segundo o boletim de ocorrência, o homem, identificado como Aldir Steinhauser, estava dormindo em seu barraco, localizado na rua Cabral com a Gustavo Adolfo Pavel, quando acordou e se deparou com um homem e uma mulher dentro da residência.

O homem foi identificado como Odenir, de 49 anos, e a mulher como Daniele, de 40. 

Durante a ação, o idoso foi atacado com um facão e sofreu um ferimento na mão direita. De acordo com as informações do Dourados News, populares perceberam a situação e conseguiram deter a mulher, que foi agredida. O homem conseguiu fugir do local levando uma bateria.

A vítima relatou ainda que, durante a tarde, o mesmo casal teria entrado em sua casa e levado mantimentos. Daniele foi encaminhada para atendimento médico devido às lesões e, posteriormente, apresentada à polícia. 

O caso foi registrado como lesão corporal, roubo e tentativa de latrocínio.

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Doença

Vício em bets faz apostador perder emprego de oito anos

Natural de Três Lagoas, homem de 30 anos movimentou mais de R$ 2,4 milhões na plataforma Blaze e vendeu o veículo particular para manter a atividade

08/09/2026 08h30

Apostador trabalhava em Campo Grande e foi demitido após perder a produtividade e passar a jogar durante o expediente

Apostador trabalhava em Campo Grande e foi demitido após perder a produtividade e passar a jogar durante o expediente Foto: Paulo Ribas / Correio do Estado

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Um três-lagoense de 30 anos perdeu o emprego no qual estava há oito anos, em uma empresa de Campo Grande, depois que seu vício em apostas on-line esportivas, especificamente na Blaze, resultou em queda de produtividade. Ele chegou a acessar a plataforma de jogos durante o expediente de trabalho, ato que faz parte do quadro de ludopatia e intensifica a doença.

Morador do Coophavila 2, o apostador entrou no mundo dos cassinos virtuais em 2023 motivado por um colega de trabalho, que administrava um grupo de estratégia de jogo.

No início, registrou ganhos financeiros esporádicos, o que contribuiu para que uma prática ocasional virasse um vício, especialmente a partir do ano seguinte.

Em 2024, o comportamento escalou para um patamar descontrolado, passando a dedicar cerca de seis horas por dia à atividade, atrapalhando os períodos de repouso noturno e o expediente de trabalho. Para se ter ideia do quadro, somente em outubro de 2024, a conta bancária da vítima registrou a movimentação de R$ 71.360,02.

Essa situação caracterizaria dois padrões: pass-through (entradas seguidas de saídas imediatas para as plataformas); e chasing (tentativa irracional de recuperar perdas acumuladas). Ao todo, o paciente estima ter gastado R$ 2,4 milhões ao longo dos três anos de apostas, descrito como um impacto financeiro de “magnitude catastrófica”.

Para manter seu vício ativo, o sul-mato-grossense precisou de “auxílio” de bancos, familiares e amigos, contraindo dívidas de R$ 200 mil, impulsionado também pelo instrumento bancário conhecido como Pix no Crédito, que geralmente apresenta altos juros. Além disso, a vítima vendeu seu veículo para financiar as apostas.

Diante disso, o apostador tentou interromper sua atividade de jogos por conta própria, mas apresentou sintomas de síndrome de abstinência, caracterizado por irritabilidade e estresse extremo. 

Ainda, informou sua dependência às pessoas mais próximas e foi orientado a realizar o bloqueio definitivo de todas as plataformas e transferir o controle total de suas finanças à esposa.

Em abril deste ano, recebeu o diagnóstico de ludopatia, transtorno mental que se caracteriza pelo desejo incontrolável e compulsivo de jogar, especialmente em jogos de azar e apostas on-line, com agravante de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e ideação suicida diária com risco elevado.

Apostador trabalhava em Campo Grande e foi demitido após perder a produtividade e passar a jogar durante o expediente

PROCESSO

O três-lagoense pede indenizações por danos materiais e morais contra a Blaze operada no Brasil pela Foggo Entertainment Ltda.

Conforme consta no processo judicial, a plataforma intensificou o ciclo de dependências por meio de propagandas digitais, chamadas de gatilhos digitais estratégicos, como promoções e cashbacks, mensagens publicitárias personalizadas e incentivos virtuais.

“A casa contribuiu ativamente para a permanência do autor nas apostas mesmo quando um nível crítico de envolvimento financeiro já havia sido alcançado. A manutenção da conta ativa e a oferta de incentivos foram fundamentais para o sequestro dopaminérgico do autor, impedindo a interrupção do comportamento mesmo diante da ruína financeira”, afirma a representação da vítima.

O advogado do apostador também disse que houve falha da plataforma ao não intervir nas operações do rapaz, mesmo ao ficar explícito a dependência do usuário diante das movimentações intensas no site.

Esse cenário teria agravado o quadro do paciente, evoluindo de uma prática recreativa para o descontrole financeiro e social.

“A plataforma falhou em intervir perante sinais óbvios de vulnerabilidade, como o uso de crédito para apostar e o volume de transações desproporcional à capacidade financeira do usuário”, aponta a defesa.

A denúncia pede R$ 200 mil em danos materiais, “correspondente às perdas financeiras suportadas pelo autor a partir do momento em que caracterizada a compulsividade das apostas”, e R$ 20 mil em danos morais, em razão do “sofrimento experimentado, do abalo emocional decorrente do descontrole financeiro e da própria necessidade de tratamento”.

Até o momento, a última movimentação no processo ocorreu na segunda semana de agosto, no qual o juiz Flávio Saad Peron solicita mais documentos financeiros à vítima para comprovar sua hipossuficiência, a fim de garantir o benefício da gratuidade da Justiça.

BLAZE

A Blaze é uma das plataformas de apostas mais conhecidas no Brasil, especialmente pelo envolvimento em polêmicas nacionais desde o ano de 2023.

O Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) moveu uma ação civil pública contra a empresa e pediu uma indenização de R$ 380 milhões. O valor busca reparar danos a apostadores por conta das publicidades que prometiam lucros fáceis.

Um dos alvos da ação, a influenciadora digital Virgínia Fonseca encerrou a parceria com a plataforma no mês passado. Mesmo assim, o site ainda mantém contrato publicitário com Neymar, que é embaixador global e principal garoto-propaganda da Blaze desde dezembro de 2022, após a Copa do Mundo do Qatar.

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