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Servidoras investigadas ganham garantia no cargo com nota "excelente"

Ana Carla Benette obteve pontuação máxima e Denise Rodrigues Medis foi aprovada mesmo com o último período de avaliação zerado; prefeitura tem 30 dias para revisar os atos

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Duas servidoras da Prefeitura de Água Clara investigadas na Operação Malebolge receberam conceito “Excelente” no estágio probatório e tiveram reconhecida a estabilidade no serviço público municipal.

A operação, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) para apurar supostas irregularidades na administração municipal, já havia resultado na abertura de processos administrativos disciplinares contra as servidoras para investigar possíveis infrações funcionais.

A situação levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a recomendar a suspensão imediata das portarias que garantiram a permanência de Ana Carla Benette e Denise Rodrigues Medis nos respectivos cargos.

A recomendação foi publicada no Diário Oficial do MPMS desta quinta-feira (3) e é assinada pela promotora de Justiça Laura Assagra Rodrigues Barbosa, da 1ª Promotoria de Justiça de Água Clara.

O Ministério Público não determinou a demissão das servidoras. A medida solicita que os efeitos das portarias sejam suspensos até que a prefeitura conclua uma revisão administrativa das avaliações de desempenho e verifique se as duas preenchiam todos os requisitos necessários para adquirir estabilidade.

A prefeitura terá de analisar se as condutas atribuídas às servidoras na investigação criminal, referentes ao período em que ambas ainda cumpriam o estágio probatório, foram apresentadas e consideradas pela Comissão Especial de Avaliação Funcional.

O município recebeu prazo de 30 dias para informar as providências adotadas e encaminhar ao MPMS cópias dos atos administrativos, das manifestações da comissão responsável pelas avaliações e dos demais documentos relacionados ao caso.

Nota máxima mesmo após operação

Ana Carla Benette ingressou no cargo efetivo de professora de Língua Portuguesa em 9 de fevereiro de 2022. A estabilidade foi declarada pela Portaria nº 090/2026, publicada em 19 de fevereiro deste ano.

Na avaliação do estágio probatório, a servidora alcançou 720 pontos, a pontuação máxima prevista, e recebeu conceito “Excelente”. Segundo o MPMS, ela obteve a nota máxima em todos os períodos avaliados.

A Promotoria considera necessária uma verificação especial dos elementos utilizados pela prefeitura para concluir pela plena aptidão funcional da servidora.

O questionamento ocorre porque os fatos atribuídos a Ana Carla na investigação criminal teriam acontecido entre 2023 e 2025, quando ela ainda estava submetida ao estágio probatório.

Na nova análise, o MPMS quer que a comissão confronte as informações reunidas na Operação Malebolge com os critérios utilizados para avaliar disciplina, responsabilidade, produtividade, eficiência e capacidade de iniciativa.

A finalidade é verificar se, considerados os fatos apontados na denúncia, permanece válida a classificação de desempenho “Excelente” e a conclusão de que a servidora estava apta a permanecer no serviço público.

Avaliação teve período zerado

Denise Rodrigues Medis tomou posse e começou a exercer o cargo efetivo de assistente de Administração em 28 de setembro de 2022. A garantia no cargo foi reconhecida pela Portaria nº 089/2026, também publicada em 19 de fevereiro deste ano.

A documentação encaminhada pela prefeitura aponta que Denise terminou o estágio probatório com 600 pontos, foi aprovada e igualmente recebeu conceito “Excelente”.

O próprio município informou, entretanto, que o último período de avaliação da servidora foi zerado em razão de um afastamento decorrente dos desdobramentos da Operação Malebolge.

Apesar disso, a administração municipal considerou os resultados dos períodos anteriores suficientes para aprová-la e declarar sua estabilidade.

Para o Ministério Público, essa circunstância exige uma análise da metodologia utilizada e da efetiva avaliação da aptidão funcional.

A Promotoria quer saber como uma servidora com o último período zerado por causa de um afastamento relacionado à investigação conseguiu encerrar o estágio probatório no nível mais alto da classificação.

A recomendação determina que a nova avaliação considere não apenas o período zerado, mas também os fatos descritos na denúncia que teriam ocorrido durante o estágio probatório e que possam ter relação com os critérios previstos na legislação municipal.

Processos foram abertos seis dias antes

Outro ponto considerado decisivo pelo MPMS é a cronologia dos atos praticados pela Prefeitura de Água Clara. Em 13 de fevereiro de 2026, o município publicou as portarias nº 084 e nº 085, que constituíram comissões para conduzir processos administrativos disciplinares contra as duas servidoras.

Os procedimentos foram instaurados para apurar possíveis infrações funcionais. Seis dias depois, em 19 de fevereiro, a própria prefeitura publicou as portarias que declararam Ana Carla e Denise estáveis no serviço público municipal.

Isso significa que, quando reconheceu a garantia de permanência nos cargos, a administração já havia aberto investigações internas sobre as condutas funcionais das servidoras.

Para a Promotoria, a avaliação do estágio probatório não pode ser dissociada da realidade funcional do servidor, especialmente quando há fatos ocorridos durante o período de avaliação que resultaram na abertura de processos disciplinares.

O MPMS quer que a prefeitura esclareça se a Comissão Especial de Avaliação Funcional sabia da existência das acusações antes de concluir as avaliações.

Caso soubesse, o município deverá informar quando a comissão tomou conhecimento dos fatos e de que forma eles foram considerados na pontuação.

Também deverá ser verificado se os processos disciplinares tratam das mesmas condutas descritas na denúncia apresentada como consequência da Operação Malebolge.

Atos podem ser anulados

Depois da revisão, caso sejam identificadas irregularidades nas avaliações ou a ausência dos requisitos legais, o MPMS recomenda que a prefeitura anule as portarias que concederam estabilidade e adote as medidas funcionais juridicamente cabíveis.

A recomendação, entretanto, não representa condenação nem perda automática dos cargos. Qualquer decisão deverá ser tomada em processo administrativo, com garantia do contraditório e da ampla defesa às servidoras.

O Ministério Público também ressalta que a suspensão sugerida tem caráter cautelar. O objetivo é impedir que os atos continuem produzindo efeitos enquanto a própria prefeitura analisa se as avaliações foram regulares.

Caso a recomendação não seja atendida, a Promotoria poderá adotar medidas administrativas e judiciais. O documento também informa que a ciência formal da prefeitura poderá ser utilizada como elemento probatório em eventuais ações cíveis ou de improbidade.

Operação investiga contratos milionários 

A Operação Malebolge foi deflagrada pelo Gaeco e pelo Gecoc em 18 de fevereiro de 2025 para investigar uma suposta organização criminosa formada por agentes públicos e empresários.

A ação cumpriu 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão em Água Clara, Campo Grande, Rochedo e Terenos.

De acordo com o MPMS, o grupo é investigado por supostamente fraudar licitações, direcionar concorrências públicas, simular competições entre empresas e pagar vantagens indevidas a agentes públicos. Os contratos relacionados à investigação ultrapassam R$ 10 milhões.

Ainda segundo o órgão, servidores teriam atestado falsamente o recebimento de produtos e serviços e acelerado o pagamento de notas fiscais emitidas por empresas que participariam do esquema.

A recomendação publicada nesta quinta-feira informa que as condutas atribuídas a Ana Carla e Denise na denúncia criminal remontam a 2023 e se estendem até 2025. Por isso, os fatos teriam ocorrido quando as duas ainda cumpriam o estágio probatório.

A Promotoria considera incompatível conceder a classificação máxima de desempenho sem demonstrar se as acusações foram examinadas pela comissão responsável.

O questionamento do MPMS não antecipa eventual responsabilidade criminal das servidoras, que somente poderá ser definida ao fim dos respectivos processos.

A recomendação publicada no Diário Oficial não informa se a Prefeitura de Água Clara aceitará as medidas sugeridas nem apresenta manifestações atualizadas das servidoras sobre o pedido de revisão.

IMPOSTO

MPMS abre inquérito civil para investigar IPTU de Adriane Lopes

Tanto Adriane Lopes quanto seu marido, o deputado estadual Lídio Lopes, não declararam o imóvel ao TSE em 2022 e 2026

17/10/2026 11h45

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes

Desde janeiro deste ano, há uma ação popular que cobra a atualização do IPTU do imóvel de Adriane Lopes FOTO: Marcelo Victor/Correio do Estado

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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul, através da 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social da Comarca de Campo Grande, instaurou um inquérito civil para apurar irregularidades na cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) dos imóveis da Prefeita Municipal Adriane Lopes (PP)

O inquérito civil, de número 06.2026.00000715-8, encontra-se sob sigilo e exige senha. A decisão de instaurar o processo foi assinada pelo promotor de Justiça Humberto Lapa Ferri, na última terça-feira (13). Adriane Lopes possui residência em área nobre de Campo Grande, no bairro Carandá Bosque III, avaliada em R$ 1.163.425, segundo o cadastro imobiliário da Prefeitura de Campo Grande. Em 2026, o IPTU cobrado sobre a residência foi de R$ 11.634,25.

A mansão está localizada em um terreno que une duas áreas, uma de 588m² e outra com mais de mil m². O local era uma praça que foi desafetada e adquirida por Lídio Lopes (Avante), marido da Prefeita. Porém, a construção da casa não foi averbada, ou seja, apenas o IPTU do terreno foi cobrado e não da casa. 

O inquérito foi instaurado uma semana após Lídio Lopes ser reeleito deputado estadual. Em sua declaração de patrimônio ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele não informou sobre o imóvel onde mora com a família.

Na declaração de bens apresentada ao TSE, o parlamentar registrou patrimônio de R$ 562.375,84, o que representa aumento de aproximadamente 95% em relação aos R$ 288 mil declarados em 2022. 

Além disso, o imóvel do Carandá Bosque III também esteve ausente nos bens informados pela prefeita nas eleições municipais, durante a campanha pela reeleição em 2024.

Ação corre na Justiça

A denúncia sobre uma suposta manobra para reduzir o valor do IPTU da mansão já corre na Justiça desde a candidatura da Prefeita em 2024. Em janeiro deste ano, o advogado Luiz Henrique Correia de Pádua Pereira ingressou com uma nova ação popular, na 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, para denunciar a manobra.

Na ação, o advogado diz que o terreno de 588 metros quadrados foi declarado por Adriane como “lote sem edificação” e pagou imposto territorial. Com isso, além do valor do imóvel ser menor, a alíquota foi menor.

Entre os pedidos da ação estão: punição a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Semadur) pela omissão; que seja feita uma nova fiscalização da mansão, lance o valor correto do IPTU e cobre os valores atrasados da prefeita. 

Outro questionamento foi a mudança no enquadramento do Bairro Carandá Bosque 3, onde reside Adriane, que levou a redução de 41% na taxa do lixo, de R$ 1,2 mil para R$ 706.

O que diz a Prefeitura?

Nos autos da ação, a Prefeitura de Campo Grande e a Semadur sustentam que o imóvel foi adquirido há anos pela Prefeita e devidamente registrado como territorial. A aquisição foi em outubro de 2012, ainda na gestão de Nelsinho Trad , no valor de R$ 107.000,00, sendo registrada no dia 30 de janeiro de 2013, na gestão de Alcides Bernal, não sendo exigida qualquer transparência nesse sentido.

O Executivo aponta ainda que a praça foi objeto de desafetação e aquisição por ato oneroso sem qualquer lesão aos cofres públicos municipais e que a área não possui qualquer construção, tratando-se de terreno cuja alíquota incidente é de 3,5%. 

Para a Prefeitura, o aumento da área do terreno por remembramento, por si só, não causa aumento do valor venal do imóvel como um todo, sendo que apenas o aumento da área construída influiria no aumento da base de cálculo. 

Nos autos, a Semadur e o Executivo dizem que são exigidos dois IPTUs de Adriane Lopes e Lídio Lopes, sendo um para cada imóvel, além das respectivas taxas de coleta do lixo, que juntos somam R$ 16.643,78 e que não compete à fazenda pública obrigar qualquer contribuinte à regularizar sua construção perante a serventia registral.

Em MS

Homem de 69 anos é detido após denúncia de abuso contra criança em Dourados

Menina de 11 anos foi encontrada em apartamento, investigação apura se o suspeito pode ter feito outras vítimas

17/10/2026 11h15

O caso foi registrado na Depac-Dourados

O caso foi registrado na Depac-Dourados Foto: Divulgação/PCMS

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Um idoso de 69 anos foi preso no início da noite de sexta-feira (16), em Dourados, suspeito de estupro de vulnerável contra uma menina de 11 anos.

Segundo o Dourados News, a prisão ocorreu após denúncias levarem a Guarda Municipal até uma residência no bairro Ildefonso Pedroso, na região sul da cidade.

Conforme o boletim de ocorrência, por volta das 19h30, as equipes de segurança foram acionadas após informações de que a menina havia entrado no imóvel. Ao chegarem ao local, os guardas encontraram a criança no apartamento e o suspeito arrumando as calças.

Durante a abordagem, o homem negou ter cometido qualquer crime. Ainda segundo o registro policial, ele teria tocado na menina.

A vítima foi encaminhada ao Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), onde passou por exames para verificar se houve conjunção carnal.

Testemunhas relataram a possibilidade de existirem outras vítimas, situação que permanece sob investigação. Conforme os relatos, o suspeito teria atraído a criança oferecendo doces e dinheiro.

O idoso foi levado pela Guarda Municipal à Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), onde o caso foi registrado como estupro de vulnerável.
 

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