Trabalhadores envolvidos na construção do Projeto Sucuriú, megafábrica de celulose da Arauco em Inocência, na região leste de Mato Grosso do Sul, paralisaram as atividades em meio às negociações trabalhistas da categoria. Os funcionários que participam da mobilização são contratados pela Opus Construtech, empresa responsável pela construção do canteiro de obras do empreendimento.
A paralisação ocorre durante o período da data-base e coloca em discussão salários, benefícios e condições oferecidas aos profissionais envolvidos em uma das maiores obras industriais atualmente em execução no país.
A mobilização ocorre justamente no período em que o Projeto Sucuriú se aproxima do maior contingente de mão de obra desde o início da construção.
A previsão é de que cerca de 14 mil trabalhadores atuem simuntaneamente no empreendimento durante o pico das obras, previsto para este período de 2026.
Desde o início da implantação, mais de 33 mil profissionais já foram credenciados para trabalhar no canteiro, número que considera a circulação e substituição de equipes ao longo das diferentes etapas da construção.
As negociações ocorrem entre representantes dos trabalhadores e empresas responsáveis por diferentes frentes do projeto. Entre os pontos relacionados à mobilização estão o reajuste salarial e benefícios concedidos à categoria.
Também há relatos entre trabalhadores sobre questões relacionadas à alimentação, segurança e condições de trabalho. Até que a pauta oficial da atual negociação seja detalhada pelo sindicato, porém, esses pontos devem ser tratados como reivindicações e relatos apresentados durante a mobilização.
O Sintiespav-MS, sindicato que representa trabalhadores da construção pesada envolvidos no empreendimento, participa das tratativas. A expectativa é de que as negociações definam as condições para o encerramento da paralisação e a retomada das atividades.
Reivindicações vêm desde 2025
As discussões trabalhistas acompanham a implantação do Projeto Sucuriú desde o avanço das principais frentes de construção.
Em 2025, milhares de trabalhadores participaram de assembleia e apresentaram uma pauta composta por 16 reivindicações. Naquele momento, as demandas incluíam reajuste salarial, melhorias na alimentação, plano de saúde e transporte.
As negociações resultaram em reajuste salarial de 6,19%, além da elevação do vale-alimentação de R$ 700 para R$ 900. Bônus e outras condições também fizeram parte do acordo firmado naquele período.
O histórico ajuda a explicar por que questões relacionadas à estrutura oferecida aos funcionários voltam a ganhar espaço durante a atual data-base.
A dimensão do empreendimento exige uma ampla operação para atender trabalhadores vindos de diferentes regiões do país.
Além do próprio canteiro, a presença desse contingente demanda alojamento, alimentação, transporte e outros serviços necessários para manter as diferentes frentes de construção.
Obra mudou rotina de Inocência
A mobilização ocorre justamente quando o Projeto Sucuriú entra em uma etapa avançada. As obras já ultrapassaram 70% de execução e fazem parte de um investimento estimado em US$ 4,6 bilhões.
A futura fábrica terá capacidade para produzir aproximadamente 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, colocando o empreendimento entre os projetos de maior porte do setor.
A implantação da unidade também provocou mudanças significativas em Inocência. A chegada de milhares de trabalhadores e empresas prestadoras de serviços elevou a população temporária e aumentou a procura por moradia, alimentação, transporte, saúde e segurança.
O município passou, assim, a conviver simultaneamente com os efeitos econômicos do investimento e com os desafios provocados pelo rápido crescimento da demanda por serviços e infraestrutura.
Outras paralisações
A atual mobilização não é a primeira registrada entre profissionais ligados à implantação da fábrica. Em junho de 2025, aproximadamente 250 funcionários de uma empresa contratada interromperam as atividades durante a construção de alojamentos e apresentaram reivindicações relacionadas às condições contratuais.
Outro episódio ocorreu em fevereiro deste ano, quando trabalhadores voltaram a paralisar atividades. Na ocasião, a mobilização terminou após negociações envolvendo questões como pagamento de horas extras e auxílios relacionados às folgas de campo.
Agora, durante uma nova rodada de negociação salarial, as relações trabalhistas voltam ao centro das atenções no maior empreendimento industrial em implantação no município.
O resultado das tratativas entre o Sintiespav-MS e a empresa Opus Construtech deverá determinar os próximos passos da mobilização e as condições para a retomada integral dos trabalhos.
O que dizem os envolvidos
A equipe de reportagem do Correio do Estado procurou o Sintiespav-MS, sindicato que representa os trabalhadores, e a Opus Construtech, responsável pela contratação dos funcionários envolvidos na mobilização.
Foram solicitadas informações sobre o número de trabalhadores que aderiram à paralisação, o período previsto para o movimento, as reivindicações da categoria e o andamento das negociações.
Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.


