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Servidores da Sisep manipulavam planilhas de medição por WhatsApp

Mensagens obtidas de celular apreendido mostram, segundo o Ministério Público, a dinâmica cotidiana do esquema: um engenheiro ditava os valores; um servidor os lançava nas planilhas; um secretário validava e os pagamentos eram emitidos

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Conversas de WhatsApp colhidas de celular apreendido pelo MPMS na operação Cascalhos de Areia mostram servidores da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (SISEP) negociando os valores que seriam lançados nas planilhas de medição de contratos com a Construtora Rial Ltda.

O material foi usado para dar a partida na Operação Buraco sem Fim, que prendeu sete pessoas, entre elas o ex-diretor-presidente da Agesul, Rudi Fiorese, que foi secretário de obras da Capital, empreiteiros e servidores.

As conversas, extraídas do celular apreendido do engenheiro Mehdi Talayeh, compõem um registro cronológico que o MP descreve como prova de "manipulação deliberada e sistemática das medições de serviço, em que os pagamentos não correspondiam ao trabalho efetivamente realizado, mas a valores fictícios arbitrados."

Dinâmica do esquema

O fluxo seguia três etapas. Primeiro, Mehdi Talayeh, fiscal de contratos e supervisor da SISEP, estipulava o valor a ser registrado para a Construtora Rial, sem qualquer referência à extensão ou ao volume de serviços efetivamente prestados. Em segundo lugar, o servidor Erik Antônio Valadão Ferreira de Paula inseria os valores nas planilhas de medição, ajustando itens e regiões até atingir o total determinado.

Por fim, Fernando de Souza Oliveira, Gerente de Controle de Medições, verificava os saldos contratuais remanescentes para calibrar quanto poderia ainda ser desviado, e os documentos seguiam para o empenho e pagamento.

O ex-Secretário Rudi Fiorese, segundo o MP, validava o processo e determinava urgência nos pagamentos.
No dia 1 de dezembro de 2020, Mehdi Talayeh diz a Erik: "Amanhã cedo consegue estar fechando Als e as duas RIAL pra pedir nota amanhã ainda? [...] E vê RIAL se nas duas 550." No dia seguinte, Erik teria respondido com fotos das planilhas fechadas nos totais solicitados: R$ 285.756,39 e R$ 321.926,53.

Em dois de fevereiro de 2021, Erik teria enviado áudio a Mehdi revelando o método: "já consegui chegar nesses valores, foi o máximo que eu consegui [...] eu 'tô' tendo que colocar bastante rua para chegar nesse valor." A expressão, segundo o MP, mostra que os lançamentos de ruas não correspondiam a serviços verificados, mas eram incluídos para atingir cifras predeterminadas.

Em três de fevereiro de 2021, Mehdi teria ditado: "Soma das duas RIAL 740 / fecha agora cedo o quanto antes e já passa pro Fernando." Erik teria respondido: "Total ficou R$ 740.792,93."

Em dois de marco de 2021, ao receber uma planilha, Erik perguntou a Mehdi "qual valor?", demonstrando desconhecer qual seria o montante da medição. Mehdi respondeu: "480 duas RIAL mais ou menos / 650 mais ou menos / Pode reduzir pra 610 mais ou menos." No dia seguinte, as planilhas fechadas totalizaram R$ 610.892,96, exatamente na faixa ordenada.

Em 01 de fevereiro de 2022, quando Erik perguntou se os valores seriam os mesmos, Mehdi foi taxativo: "Priorizando RIAL."

Em 29 de novembro de 2022, Mehdi teria determinado valores para várias empresas simultaneamente: "RIAL Anhanduí R$250.000,00, RIAL Bandeira R$250.000,00", e emitido a ordem: "Fecha mais ou menos nesses números."

Em 07 de marco de 2023, Erik admitiria estar fazendo medições "sem ter apontador", ou seja, sem os registros diários de campo que deveriam embasar qualquer medição.

Quanto à participação de Rudi Fiorese, o requerimento reproduz mensagem na qual Fernando de Souza Oliveira escreveria a Mehdi: "Pq o Rudi, tinha pedido para manter nessa proporção, da pra dar uma jogada fácil aqui, ms já foi. Jr vou aumentar uns 100 de caminhão", seguida de confirmação de Mehdi.

Lixo no tapa buraco

O MP também incluiu na investigação as medições da Região do Bandeira. O documento teria identificado, entre outras irregularidades: divergência entre o volume de revestimento primário apontado nos relatórios de medição e o volume verificado nos relatórios diários e semanais de campo; ausência de ensaios laboratoriais de controle de compactação; presença de matéria orgânica e resíduos de lixo urbano no solo compactado; e serviços executados por equipes próprias da Prefeitura que, nas planilhas, foram atribuídos, e pagos, à Construtora Rial.

O relatório calcula que, apenas na 50ª Medição, em março de 2023, a diferença entre o valor cobrado e o valor efetivamente realizado seria de R$ 55.714,55, equivalente a 30% do total daquela medição.

Uma engenheira servidora da SISEP é citada no requerimento como tendo classificado os trabalhos da Construtora Rial como de "péssima qualidade" em avaliações técnicas. Mensagens do próprio fiscal Edivaldo Aquino Pereira com um representante da empresa, segundo o MP, chegavam a classificar intervenções como "serviço de porco".

Um elemento destacado que diz respeito ao ex-secretário Rudi Fiorese é que após ser exonerado da Prefeitura de Campo Grande em 2023, Fiorese foi nomeado em cargo equivalente no Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, mantendo atuação na mesma área de infraestrutura.

Nessa nova função, segundo o MP, ele assinou contratos com a Construtora Rial e, em fevereiro de 2026, menos de um mês antes da Operação, assinou dois aditivos contratuais em favor da empresa.

Região Norte

Suposto líder regional do Comando Vermelho morre em confronto com o Bope

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica

14/05/2026 17h27

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica

Suspeito era apontado pela polícia como responsável pela logística da facção no norte de Mato Grosso do Sul e tinha histórico de tráfico, ameaça e violência doméstica Foto: Polícia Militar

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Um dos apontados como líderes regionais do Comando Vermelho (CV) em Mato Grosso do Sul, Lucas Adriano Caniza Santos, conhecido como “Lucão” ou “Zoião”, morreu na madrugada desta quinta-feira (14) após confronto com equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do 5º Batalhão da Polícia Militar, em Sonora, região norte do Estado.

Segundo a Polícia Militar, o suspeito, de 32 anos, era considerado de alta periculosidade e vinha sendo monitorado pelas forças de segurança por suposta atuação na logística do Comando Vermelho na região.

Conforme informações apresentadas pela corporação, a abordagem ocorreu durante a madrugada. Lucas estava acompanhado de outro homem, que conseguiu fugir ao perceber a aproximação policial e ainda não foi localizado.

Durante a ação, segundo a PM, Lucão teria sacado um revólver calibre 38 e apontado a arma em direção aos policiais, que reagiram.

Após ser baleado, o suspeito foi socorrido pelas equipes de segurança e encaminhado ao hospital do município, mas não resistiu aos ferimentos. Com ele, os policiais apreenderam um revólver calibre 38 com quatro munições intactas.

Em coletiva de imprensa, o tenente-coronel Rigoberto Rocha Silva, comandante do Bope, afirmou que Lucas Adriano já era conhecido pelas forças de segurança estaduais e possuía ligação direta com atividades criminosas relacionadas ao tráfico de drogas.

“É um elemento perigoso, ele foge do que é rotineiro para Mato Grosso do Sul”, declarou o comandante.

Ainda segundo Rigoberto Rocha, o suspeito vinha sendo acompanhado por equipes de inteligência e policiamento ostensivo há algum tempo.

“Esse indivíduo já estava sendo monitorado, não só ele como outras figuras daquela região. O Bope trabalha em todo o Estado identificando, monitorando e acompanhando esse tipo de alvo”, afirmou.

A Polícia Militar informou que Lucas possuía passagens por tráfico de drogas, associação criminosa, ameaça, violência doméstica e tentativa de homicídio.

Facções ampliam atuação na região norte

Durante a coletiva, o comandante do Bope também destacou a preocupação das forças de segurança com o avanço das facções criminosas na região norte do Estado. Segundo ele, municípios como Sonora, Coxim e Pedro Gomes têm sido monitorados devido à presença crescente de organizações criminosas.

De acordo com Rigoberto Rocha, as facções costumam utilizar lideranças locais para fortalecer a atuação regional.

“Existe uma cooptação do criminoso local para esse tipo de organização. As ordens podem vir de fora, mas existem subdivisões regionais”, afirmou.

O comandante ainda ressaltou que o tráfico de drogas segue como principal atividade ligada às facções monitoradas pelas forças de segurança, frequentemente associado a crimes como homicídios e furtos.

Guerra de facções já provocou atentado na cidade

A atuação de facções criminosas em Sonora já havia chamado atenção das autoridades em fevereiro deste ano, quando uma disputa entre integrantes do Comando Vermelho e do Primeiro Comando da Capital (PCC) terminou em um atentado no município.

Na ocasião, criminosos saíram de Coxim para executar um rival. O crime, no entanto, não foi consumado porque a arma utilizada falhou durante a ação. Mesmo assim, um jovem de 20 anos acabou baleado em uma empresa de calhas onde trabalhava.

Segundo a Polícia Militar, as operações de monitoramento e combate às organizações criminosas continuam em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.

CLÍNICA CANELA

Em nova lista, medicamentos vencidos em clínica de emagrecimento chegam a quase 1,3 mil

Validade dos medicamentos variava de fevereiro a abril de 2026, envolvendo vitaminas, inibidores de apetite, ansiolíticos e soros fisiológicos

14/05/2026 17h15

Medicamentos apreendidos foram encaminhados à vigilância sanitária de Campo Grande

Medicamentos apreendidos foram encaminhados à vigilância sanitária de Campo Grande Divulgação/Procon MS

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A vigilância sanitária de Campo Grande apreendeu um montante de 1.294 frascos de medicamentos vencidos em um armazém nos fundos da Clínica Canela, na Rua Joaquim Murtinho em Campo Grande. 

Em primeira lista, a quantidade divulgada era de 484, mas foi atualizada para quase 1,3 mil frascos. 

Entre os medicamentos apreendidos, estão vitaminas e ansiolíticos, além de soro fisiológicos. Entre eles, frascos de:

  • inositol 10% - pseudovitamina B8, utilizado para melhorar o metabolismo de gorduras e glicose;
  • piridoxal-5-fosfato - forma ativa da vitamina B6, auxiliando na produção de serotonina e dopamina, ajudando a melhorar o humor, a qualidade do sono e a disposição.
  • taurina - utilizado para melhorar o desempenho muscular do corpo e ajuda a controlar a pressão arterial;
  • picolinato de cromo - utilizado como suplemento alimentar, ajudando no metabolismo de carboidratos, no controle da glicemia e na diminuição na compulsão por doces;
  • hidroxitriptofano - medicamento que auxilia no alívio de sintomas depressivos, controla a insônia, auxilia na redução de compulsão alimentar e reduz o apetite.

De acordo com o Procon, a data de vencimento dos medicamentos variava de fevereiro a abril de 2026.

A clínica possui agora prazos para apresentar sua defesa junto aos órgãos participantes da fiscalização. O Procon concedeu 20 dias para que o estabelecimento encaminhe seu posicionamento oficial sobre as irregularidades constatadas no local. 

Além dos medicamentos antiarrítmicos vencidos, os representantes do CRM que estiveram no local identificaram irregularidades como falta de insumos nos carrinhos de emergência, prescrição de terapia hormonal de maneira inadequada e publicidade forçada, além de denúncias de venda casada, quando o estabelecimento "força" o cliente a comprar medicamentos oferecidos pela próprio local. 

Ainda, o local também foi alvo do Procon, presentes para a apuração sobre a questão da venda casada, onde o consumidor acabava com um medicamento manipulado pela própria clínica, bem como sobre casos de publicidade enganosa e dos alvarás de localização e funcionamento que estariam vencidos sem apresentação, até o momento, de um protocolo de entrada para renovação.

A vigilância foi acionada pois foram encontrados medicamentos vencidos juntamente com os medicamentos regulares, causando mistura entre as medicações. 

Uma funcionária da clínica foi levada para a delegacia para prestar depoimentos e, em seguida, foi detida.

Mesmo com as irregularidades, a Clínica segue aberta e funcionando normalmente.

O CRM afirmou que aguarda o recebimento dos relatórios oficiais de todos os órgãos envolvidos na investigação do caso para uma análise técnica e administrativa. Os procedimentos éticos e as investigações internas estão em sigilo e, caso sejam comprovadas a existência de irregularidades éticas e profissionais, serão aplicadas as medidas previstas em lei. 

O que diz a Clínica Canela

Em nota, a Clínica Canela afirmou que segue colaborando com as investigações e que as fiscalizações ainda estão em andamento. 

Segundo a clínica, o local não realiza a fabricação, manipulação e rotulamento de medicamentos de forma irregular, bem como a comercialização dos fármacos de forma proibida. De forma pontual, afirmou ainda que "não há venda casada", e os pacientes são livres para escolher onde adquirir os medicamentos prescritos. 

Leia a nota completa na íntegra: 

A Clínica Canela informa que está colaborando integralmente com os órgãos competentes em procedimento de fiscalização ainda em andamento.

A instituição reforça que não fabrica, não manipula, não rotula e não comercializa medicamentos de forma irregular. Sua atuação é exclusivamente médica, com avaliação, acompanhamento e prescrição individualizada, quando indicada.

Não há venda casada. O paciente tem total liberdade para adquirir qualquer tratamento prescrito onde desejar, em estabelecimento regular de sua confiança.

Eventuais apontamentos administrativos ou operacionais estão sendo apurados internamente, com adoção imediata das medidas cabíveis e revisão dos protocolos internos.

A Clínica respeita o trabalho das autoridades, confia na apuração técnica dos fatos e reafirma seu compromisso com a ética, a segurança dos pacientes, a transparência e o cumprimento da legislação.

Polêmicas

Jonathas Canela faz parte do corpo médico da Clínica Canela, e já viralizou nas redes sociais entre passeios em helicópteros, viagens e pela vida luxuosa alcançada através dos tratamentos e atendimentos a personagens influentes e rendem uma relação próxima com famosos nacionais, como Neymar Pai e Rafaela Santos, que também teria sido paciente do médico.

Dono de uma Porsche, já foi responsável por promover passeios com donos de super máquinas em Campo Grande, uma vez que Jhonatas é tido como referência em tratamentos para emagrecimento saudável, saúde da mulher, hormonal e, principalmente, a terapia de injetáveis, conhecida como soroterapia, bem como as famosas canetas emagrecedoras. 

Porém, o outro lado da balança dos quase duzentos mil seguidores traz uma coleção de reclamações de pacientes, sendo que muitos já recorreram à Justiça e ao Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS). 

Há cerca de um ano, porém, como bem acompanha o Correio do Estado, o Dr. Canela foi alvo de pacientes por suposto superfaturamento nos tratamentos emagrecedores, com queixas dos altos valores cobrados.

A Tirzepatida, por exemplo, medicamento usado para tratamento de diabetes, mas que começou a ser injetada para tratamento de obesidade, chegou a ser vendida à clínica pelo valor de R$2.300 o frasco, porém, uma ex-paciente contou que, quando queria fazer o tratamento com o médico na Clínica foi informada que "por dose seria mais caro". 

"Chegaram a me cobrar R$11.800 somente a dose, sem contar o restante dos procedimentos no tratamento", disse ela, expondo uma margem de lucro de 413% somente com a venda do medicamento.

Com casos de soros injetáveis que variavam entre "R$13 a R$18", vendidos no tratamento por R$800 até R$1.300, um lucro de mais de 6.000%, através de vídeos na própria rede social Jonathas já chegou a publicar alertas sobre medicamentos emagrecedores afirmando que "se não for essa caneta, é falsa!" e fazendo menção ao produto que é vendido exclusivamente em seu consultório. 

Inclusive, em sua própria receita o médico deixa claro que as medicações deveriam ser compradas exclusivamente na clínica, já que "esses produtos manipulados não se encontram no mercado na forma de especialidades farmacêuticas e os que são vendidos como especialidades farmacêuticas se encontram em dificuldade de compra", conforme a imagem abaixo. 

Medicamentos apreendidos foram encaminhados à vigilância sanitária de Campo GrandeReceituário médico apresentado por ex-paciente. 

Entre pacientes que afirmam que deixaram os tratamentos por causa dos valores abusivos, uma das atendidas chegou a processar a clínica, alegando que Jhonatas não teria levado em conta os problemas psiquiátricos dela e seus agravantes no procedimento.

Jhonatas Canela está inscrito no Conselho Nacional de Medicina, onde consta que não possui nenhuma especialidade médica registrada. Formado pela Universidade do Oeste Paulista, se formou em 2018 e, atualmente, é pós-graduando nas áreas que atua. 

No entanto, foi esclarecido ao Correio do Estado que o recomendado é que o médico seja especialista na área para prescrever e realizar tratamentos. A especialidade recomendada na aplicação de substâncias e tratamentos corporais é a endocrinologia, que atua diretamente nas condições de diabetes, obesidade e desequilíbrios hormonais. 

Jhonatas também se envolveu em polêmicas quando, em 2024, o Conselho Federal de Medicina se manifestou, em nota, sobre a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de proibir a comercialização e uso de implantes de terapia hormonal manipulados em farmácias magistrais, conhecidos como "chip da beleza". 

 

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