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Siderúrgica pode estar poluindo o Pantanal com aval do Imasul

Empresa recorre a renovações de testes para funcionar sem licença de operação no interior de Mato Grosso do Sul, acumulando multas e investigações

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A siderúrgica Simasul, que atua na zona urbana de Aquidauana, pode estar poluindo o Pantanal com o aval do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). A empresa vem atuando há quase nove meses sem licença de operação para um de seus fornos para a produção de ferro-gusa. 

O que a Simasul tem, no momento, é apenas uma licença chamada comissionamento provisório, pela qual ela tem direito a fazer ajustes técnicos até que consiga a licença operacional definitiva. O Correio do Estado, contudo, apurou que a empresa vem usando a licença provisória para atuar definitivamente, deixando sob risco o bioma do Pantanal, onde a cidade de Aquidauana está inserida. 

Além do risco de poluição do ar, a atividade da empresa também é danosa aos cursos d’água da região. Mesmo sendo alvo de uma investigação criminal conduzida pela Polícia Civil e de um inquérito civil aberto pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a atividade potencialmente poluidora continua, apurou o Correio do Estado.

A engrenagem documental que sustenta essa operação irregular se fundamenta em uma sobreposição de licenças concedidas pelo órgão ambiental do Estado. Formalmente, a Simasul Siderurgia Ltda., instalada no Bairro Exposição, em Aquidauana, tem licença de operação para apenas um de seus fornos. O documento (LO nº 001697, de 2023) autoriza exclusivamente o funcionamento do alto-forno 2 com capacidade máxima de 300 toneladas diárias de ferro-gusa e veda expressamente a operação conjunta com o alto-forno 1. 

Manobra

No entanto, para expandir sua infraestrutura industrial para até 600 toneladas diárias, a empresa teve uma licença de instalação no início deste ano. O documento autoriza a montagem física dos equipamentos, mas proíbe terminantemente o início da atividade comercial sem a emissão prévia de uma nova licença operacional. 

Para contornar essa proibição legal, a diretoria da empresa solicitou a autorização de comissionamento do alto-forno 1 no dia 12 de março deste ano (processo NUP 83.013.969-2026). O pedido foi integralmente deferido no dia seguinte pelo diretor-presidente do Imasul, André Borges Barros de Araújo, concedendo um prazo inicial de 120 dias para testes operacionais a partir do 13 de março.

Com o encerramento do primeiro período de testes, previsto para 11 de julho deste ano, a Simasul protocolou um novo requerimento no dia 8 de julho, sob o protocolo NUP 83.036.729-2026, solicitando a prorrogação do comissionamento por mais 120 dias, sob a alegação de que necessitava dar continuidade aos testes de validação do sistema.

A renovação do prazo estendeu o período provisório para cerca de oito meses ininterruptos de funcionamento do segundo alto-forno sem que a fábrica passasse pelo crivo de uma licença de operação definitiva. 

A prática, apurou o Correio do Estado com pessoas que atuam na região, indica que a empresa vem utilizando o mecanismo de comissionamento como um atalho legal para manter dois fornos em marcha contínua, valendo-se da inação dos órgãos estaduais de fiscalização, que evitam aplicar sanções ostensivas contra a fábrica.

Drible

Embora a fase de comissionamento deva servir estritamente para inspeções técnicas e verificação de segurança, dados de controle interno anexados aos processos ambientais mostram que a fábrica operou em escala industrial plena. Relatórios diários de produção da empresa referentes aos meses de maio e junho deste ano discriminam a fabricação de ferro-gusa comercial nos dois altos-fornos.

Em maio, a produção total de ferro-gusa comercial somou 10,1 mil toneladas, sendo 3,39 mil toneladas geradas no alto-forno 1 e 6,7 mil toneladas no alto-forno 2. Em junho, o volume foi maior ainda: 10,48 mil toneladas, com 4,23 mil toneladas produzidas no alto-forno 1 e 6,25 mil toneladas no alto-forno 2. 

Somando o processamento simultâneo dos dois equipamentos, a carga diária superou 580 toneladas de ferro-gusa, dobrando a capacidade máxima permitida na única licença de operação vigente.

Além da venda do ferro-gusa, a siderúrgica comercializou a escória gerada na queima do forno com empresas do setor de cimento e pavimentação, caracterizando atividade comercial completa disfarçada de testes probatórios.

Fuligem

A intensidade da atividade industrial agrava os problemas de poluição do ar na área urbana de Aquidauana, onde moradores vizinhos reclamam de fuligem de carvão e pó preto depositados diariamente sobre residências e vegetação local.

A falta de dados sobre a contaminação do ar foi confirmada pelo Imasul no laudo de constatação LC031187, de 2026, após vistoria técnica.

O documento atesta que a Simasul operou por dois anos e meio sem realizar o monitoramento ambiental obrigatório de suas emissões nas chaminés do alto-forno 2, nos glendons, nos filtros de manga, nos pontos de manuseio de minério e no flare, descumprindo a condicionante nº 14 de sua licença. 

Para justificar a ausência das medições em fevereiro de 2024, a empresa alegou ocorrência de chuvas intensas, mas a fiscalização checou os dados meteorológicos e rejeitou a justificativa, ao constatar que choveu em apenas 11 dias daquele mês, havendo 18 dias secos perfeitamente adequados para a amostragem.

A apresentação de justificativas não comprovadas a órgãos ambientais constitui infração penal, com seus autores sujeitos a pena de reclusão de três a seis anos.

Multa e falha na lei

Por ter deixado de medir a poluição do ar e por ter construído, sem autorização, uma oficina mecânica e uma processadora de oxigênio dentro do seu terreno, a Simasul foi multada pelo Imasul em R$ 120 mil no dia 10 de fevereiro deste ano. 

Especialistas em leis ambientais explicam que o documento do Imasul que liberou o funcionamento provisório cometeu um erro grave que não tem como ser corrigido. Isso porque o órgão ignorou uma lei estadual de 2025 que exige um pedido especial de regularização para empresas que já acumulam infrações.

Como esse processo de correção não foi feito, juristas afirmam que a autorização dada pelo órgão não tem valor legal, o que significa que o alto-forno 1 funcionou sem nenhuma permissão válida desde o primeiro dia de testes.

Investigação criminal

Na parte criminal, a suspeita de danos ao meio ambiente levou a Polícia Civil de Aquidauana a abrir uma investigação, repassada para o MPMS acompanhar.

Durante as vistorias na fábrica, os policiais recolheram amostras de água nos rios e riachos vizinhos, principalmente no Córrego João Dias, que alimenta o sistema de resfriamento da siderúrgica e deságua no Pantanal, onde surgiram fortes suspeitas de poluição por sujeira e líquidos tóxicos jogados pela empresa.

Para garantir que os exames fossem totalmente neutros e livres, a polícia enviou as amostras de água para serem analisadas em laboratórios de fora do Estado.

Desmatamento

Além dos estragos na área urbana, a Simasul também acumula punições por derrubar vegetação nativa na zona rural de Aquidauana. Em vistorias feitas no dia 8 de janeiro deste ano na Fazenda Santa Ana, os fiscais do Imasul confirmaram o desmatamento total de mais de 5 hectares de vegetação do Cerrado. 

A derrubada atingiu Áreas de Preservação Permanente (APPs), locais protegidos por lei para preservar rios e solos, e terrenos de uso restrito. Por conta dessa degradação, a empresa recebeu três multas que, juntas, somam R$ 43 mil.

Histórico de irregularidades

Os problemas da Simasul vêm desde a sua fundação, em 2005. Na época, a fábrica abriu as portas descumprindo um acordo firmado com o MPMS e passou anos funcionando sem apresentar o Estudo de Impacto Ambiental exigido por lei. 

O Correio do Estado tentou entrar em contato ontem com a Simasul e com o Imasul, mas não houve resposta para as duas solicitações de manifestação. O espaço continua aberto. 

Novidades nas Estradas

Rodovias de MS terão 82 torres de 4G e 13 bases de apoio com socorro

Estruturas contarão com ambulâncias, guinchos, áreas de descanso e recarga para veículos elétricos; primeiros serviços estão previstos para novembro.

19/10/2026 18h43

Obras de recuperação do pavimento integram melhorias previstas em 870 quilômetros de rodovias de Mato Grosso do Sul.

Obras de recuperação do pavimento integram melhorias previstas em 870 quilômetros de rodovias de Mato Grosso do Sul. Foto: Divulgação/Caminhos da Celulose.

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As rodovias que cortam as regiões central e leste de Mato Grosso do Sul passarão a contar com uma nova estrutura de atendimento aos motoristas, incluindo 13 bases de apoio, uma rede de 82 torres de telefonia 4G e serviços de socorro para situações de emergência.

As melhorias fazem parte da modernização da Rota da Celulose, que reúne 870,3 quilômetros de estradas federais e estaduais sob responsabilidade da concessionária Caminhos da Celulose.

O novo balanço divulgado nesta segunda-feira (19) aponta avanços na recuperação do asfalto, na instalação de equipamentos de segurança e na construção das estruturas operacionais.

Ao todo, seis frentes de trabalho atuam simultaneamente na melhoria do pavimento das cinco rodovias que integram a concessão: BR-262, BR-267, MS-040, MS-338 e MS-395.

A expectativa da concessionária é iniciar os primeiros serviços operacionais de atendimento em novembro deste ano, enquanto a conclusão das 13 bases está prevista para o início de 2027.

Além das intervenções nas pistas, o projeto pretende ampliar as condições de atendimento aos usuários, especialmente em trechos mais afastados dos centros urbanos, onde a disponibilidade de sinal de celular e a distância dos serviços de emergência são fatores importantes para a segurança das viagens.

Bases terão estrutura para descanso e atendimento de emergência

Uma das principais mudanças previstas para os motoristas é a implantação de 13 unidades do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), distribuídas ao longo das rodovias BR-262, BR-267, MS-040 e MS-338.

As instalações terão sanitários, fraldários, áreas de descanso, água potável e estacionamento. Também estão previstos pontos de recarga para veículos elétricos, ampliando a infraestrutura disponível para quem utiliza esse tipo de transporte.

Entretanto, a função dessas unidades não ficará restrita ao conforto dos viajantes. As bases servirão de apoio operacional para ambulâncias, guinchos e equipes de inspeção de tráfego, permitindo a organização dos serviços de assistência aos usuários.

Na prática, a estrutura deverá facilitar o atendimento de ocorrências nas rodovias, incluindo situações que exijam socorro médico, remoção de veículos ou apoio das equipes responsáveis pelo monitoramento do tráfego.

Embora os primeiros serviços estejam previstos para novembro, a concessionária informou que a conclusão das estruturas físicas ocorrerá gradualmente, com previsão de encerramento dos trabalhos no início de 2027.

Rede de 4G terá 82 torres nas rodovias

Outra frente importante da modernização envolve a implantação de uma rede de telefonia móvel de quarta geração, destinada a ampliar a conectividade ao longo dos aproximadamente 870 quilômetros da concessão.

O projeto prevê a instalação de 82 torres de 4G, que deverão melhorar a comunicação entre motoristas, equipes de atendimento e os sistemas responsáveis pelo acompanhamento das condições das rodovias.

Segundo a concessionária, 69 estruturas já estão concluídas e aguardam ativação. O balanço também registra 15 torres com a estrutura física finalizada.

A expansão do sinal representa uma mudança importante para quem percorre longas distâncias, principalmente em regiões onde a comunicação por telefone pode ser limitada.

Com a rede em funcionamento, a expectativa é facilitar o contato em situações de emergência, a transmissão de informações sobre ocorrências e a operação de equipamentos de monitoramento do tráfego.

A implantação da tecnologia integra o processo de modernização da Rota da Celulose, com foco na ampliação da segurança, na eficiência dos atendimentos e na melhoria das condições de viagem para os motoristas.

Seis frentes de obras recuperam pavimento

Enquanto a infraestrutura de atendimento avança, os trabalhos de conservação e recuperação do asfalto continuam nas cinco rodovias administradas pela Caminhos da Celulose.

Atualmente, seis frentes de serviço realizam intervenções de fresagem e recomposição do pavimento, procedimentos utilizados para remover camadas deterioradas do asfalto e recuperar as condições de circulação.

Os trabalhos incluem ainda operações de tapa-buracos, aplicação de micropavimento, limpeza das margens e manutenção dos sistemas de drenagem.

Também estão sendo executadas melhorias na sinalização e na instalação de dispositivos de proteção, com o objetivo de aumentar a segurança dos usuários e reduzir os riscos associados às condições da pista.

De acordo com o presidente da concessionária, Luiz Fernando De Donno, o processo de recuperação da malha exige atuação permanente das equipes responsáveis pela manutenção.

"Desde os primeiros dias da concessão, nossas equipes estão presentes nas rodovias, trabalhando na recuperação do pavimento, na limpeza das margens e dos sistemas de drenagem, na sinalização e na instalação de dispositivos de proteção", afirmou.

O dirigente acrescentou que as intervenções seguem um planejamento contínuo, considerando as necessidades identificadas em cada trecho administrado.

Rodovias também terão novas estruturas de fiscalização

Além das bases destinadas diretamente aos usuários, o projeto contempla a implantação de estruturas de apoio às atividades de fiscalização e controle nas rodovias.

Estão previstas duas bases da Polícia Rodoviária, uma delegacia da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e uma unidade da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz).

A iniciativa amplia a infraestrutura operacional da rota, que desempenha papel estratégico no deslocamento de passageiros e no transporte de cargas entre municípios sul-mato-grossenses.

O conjunto de rodovias integra importantes corredores de circulação de mercadorias nas regiões central e leste do Estado, onde o crescimento das atividades industriais e logísticas aumenta a importância da conservação da malha viária.

A concessionária também iniciou a implantação de um Centro de Controle Operacional (CCO), previsto para integrar a estrutura de gerenciamento e acompanhamento das atividades da concessão.

Segundo De Donno, a modernização pretende combinar a recuperação das pistas com melhorias na assistência aos motoristas.

"Além da recuperação e modernização da infraestrutura, estamos trabalhando para oferecer mais segurança, conforto e suporte aos usuários ao longo da rota", destacou.

Modernização alcança quase 900 quilômetros de estradas

A Rota da Celulose compreende aproximadamente 870 quilômetros de rodovias estaduais e federais em Mato Grosso do Sul, distribuídos entre as MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267.

A modernização integra um contrato de concessão que prevê investimentos de R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos. Desse montante, R$ 6,9 bilhões serão destinados a obras e melhorias na infraestrutura rodoviária, enquanto R$ 3,2 bilhões correspondem aos custos operacionais.

A concessão reúne estradas utilizadas no deslocamento entre cidades, no escoamento da produção agroindustrial e na circulação de veículos de diferentes portes.

Com as intervenções anunciadas, a expectativa é melhorar gradualmente as condições de viagem, associando a recuperação do pavimento à instalação de novas estruturas de atendimento e conectividade.

A implantação dessas melhorias ocorrerá em etapas. Para novembro de 2026, está previsto o início dos primeiros serviços operacionais, enquanto a conclusão das bases de apoio deverá ocorrer no início de 2027.

A ativação integral das torres de telefonia ainda depende de um cronograma que não foi detalhado pela empresa no balanço divulgado nesta segunda-feira.

Força-tarefa

TJMS inicia mutirão para conciliar 375 processos judiciais bancários nesta semana

Do total de processos incluídos no mutirão, 167 são relacionados ao Bradesco, 139 ao Santander, 49 ao Agibank e 20 ao Banco do Brasil

19/10/2026 18h15

Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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O Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) realizou nesta segunda-feira (19) a abertura do "mutirão bancário", iniciativa busca ampliar as possibilidades de acordo entre consumidores e instituições financeiras em 375 processos judiciais. 

Do total de processos incluídos no mutirão, 167 são relacionados ao Bradesco, 139 ao Santander, 49 ao Agibank e 20 ao Banco do Brasil.

As audiências ocorrem de forma híbrida (presencial e por videoconferência) até sexta-feira (23) e serão conduzidas por conciliadoras e mediadoras que integram a equipe de trabalho do Nupemec.

A ação parte de uma cooperação técnica firmada pelo Fórum Nacional de Mediação e Conciliação (Fonamec) com instituições bancárias e integra uma mobilização para a realização de ações semelhantes nos tribunais brasileiros, iniciativa que também ocorre em outros estados, como Goiás.

Mesmo diante da complexidade de algumas demandas bancárias, a expectativa é promover o diálogo entre as partes e construir soluções consensuais.

O mutirão ocorre alinhado aos objetivos da gestão do coordenador-geral do Nupemec, desembargador José Ale Ahmad Netto, de ampliar a resolução consensual de conflitos no Poder Judiciário estadual, cuja iniciativa conta com o apoio do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Dorival Renato Pavan.

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