Cidades

Soltou chefão do PCC

STJ temia mais vendas de sentenças por desembargador de MS

Chance de Divoncir Schreiner Maran receber outras vantagens indevidas por decisões fundamentou decisão de ministra do STJ

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A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Maria Isabel Gallotti, mandou afastar o desembargador Divoncir Schreiner Maran do cargo até a data de sua aposentadoria, marcada para 6 de abril, por haver "justo receio de que, no exercício de suas funções, o desembargador venha a praticar outros crimes". 

Divoncir, afastado desde quinta-feira (8) da função de desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), é investigado por receber vantagem indevida para soltar, em 21 de abril de 2020, o megatraficante Gerson Palermo, condenado a 126 anos de prisão pela prática de diversos crimes, considerado pela Polícia Federal um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A ministra, ao autorizar a expedição de 9 mandados de busca e apreensão nos endereços do desembargador, de três filhos e de uma filha e em endereços de um ex-funcionário e de uma assessora do TJMS, entendeu que existem indícios da prática do crime de corrupção passiva pelo desembargador no exercício de sua função. 

Maria Isabel Gallotti também considerou os indícios de lavagem de dinheiro utilizado pelo desembargador e pelo filho. Segundo ela, a operação e os mandados de busca visam confirmar as suspeitas da Polícia Federal ou desmenti-las.   

Para a ministra do STJ, relatora da investigação criminal contra o desembargador do TJMS, a liminar concedida ao megatraficante teria sido dada "a troco de uma vantagem indevida". 

Um dos fundamentos da decisão de afastar Divoncir é de que ele poderia continuar delinquindo, caso a prática se comprove com o material colhido nos mandados. 

"Supostamente, a liminar teria sido dada a troco de vantagem indevida, para aproveitar o período final do desembargador antes de sua aposentadoria", afirmou. 

"Pode ser vista como uma forma de 'juntar dinheiro' enquanto ainda é titular do cargo. Logo, há concreto risco, diante do comportamento adotado, de que a conduta se repita", acrescentou Maria Isabel Gallotti. 

Divoncir Schreiner Maran completará 75 anos no dia 6 de abril deste ano, data em que se aposentará compulsoriamente. "A interferência sobre os direitos do acusado é a mínima possível, sendo estritamente adequada e necessária para evitar crimes e assegurar a regular instrução criminal", justificou a ministra. 

No período de afastamento, Divoncir está proibido de pisar no TJMS e de manter contato com funcionários do tribunal. 

Recursos

O desembargador Divoncir Schreiner Maran também está proibido de utilizar os serviços do TJMS, conforme a decisão de Maria Isabel Gallotti. "O crime de corrupção teria sido praticado naquele órgão, relacionando-se diretamente com o exercício da função", destacou. 

Divoncir já foi presidente da Corte no biênio 2017/2018 e, por isso, a ministra do STJ não descarta que ele possa constranger funcionários a praticar atos ou prestar depoimentos dissociados da verdade. 

Lavagem

Da operação que resultou no afastamento de Divoncir Schreiner Maran também foram alvos o filho dele, Vânio César Bonadiman Maran, apontado pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República como o principal operador do esquema de lavagem de dinheiro e confusão patrimonial dentro da família; Divoncir Júnior Schreiner Maran; Rafael Fernando Maran Ghelen; Viviane Alves Gomes de Paula; a servidora do Tribunal de Justiça Gabriela Soares Moraes; e Cristian Araújo, ex-funcionário da família. 

Reprodução/Montagem/C.E

Cristian Araújo, segundo a representação entregue ao STJ pelo Ministério Público Federal, teria sido a conta de passagem para o esquema de lavagem de dinheiro da família. 

Para identificar o esquema de lavagem de dinheiro e a confusão patrimonial, a Polícia Federal utilizou monitoramento do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Vânio, por exemplo, que declara renda de R$ 7,8 mil, movimentou R$ 1 milhão em um período de nove meses. 

Também foi verificada movimentação de débitos bancários que, segundo a representação, não teriam ligação com a atividade desempenhada por Divoncir. "Denotando que os valores recebidos, sem contrapartida fiscal, podem encontrar, em boa medida, entre os rendimentos declarados por seu núcleo familiar". 

Há registros cartorários envolvendo duas escrituras de imóveis em nome dos quatro filhos de Divoncir, dos quais, segundo a representação, não é possível precisar a forma de pagamento de um dos bens, no valor de R$ 2 milhões. 

Ainda há outras movimentações flagradas, como a transferência de mais de R$ 500 mil feita pelo desembargador em favor de seus filhos, grande volume de depósitos inferiores a R$ 50 mil, valores em que os esclarecimentos ao Coaf não são necessários. 

O Rancho Jatobá, pertencente a Rafael, outro filho de Divoncir, comprou gado do desembargador. As notas eram destinadas a Vânio Maran. A PF identificou mais indício de lavagem de dinheiro nessa transação, pois não houve transação bancária nenhuma entre vendedor e comprador. 

O foragido

Gerson Palermo, traficante com 126 anos de condenações criminais e beneficiado pelo habeas corpus (HC) concedido por Divoncir Maran no feriado do dia 21 de abril, quando o desembargador estava de plantão, é um dos criminosos mais procurados pela Polícia Federal. 

Palermo sabe pilotar, já sequestrou um avião no interior do Paraná, na década de 1990, e é conhecido por suas habilidades no tráfico aéreo de cocaína. É tido como um dos chefões da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). 

Está foragido desde o dia 22 de abril de 2023, quando o HC concedido por Divoncir foi revogado por seu par no TJMS, Jonas Hass. Quando a ordem de prisão foi novamente expedida, era tarde demais. Palermo já havia rompido a tornozeleira eletrônica e desde então está foragido. 

 

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Acidente Fatal

Estudante de medicina de Campo Grande morre após acidente no Paraguai

Jovem de 26 anos sofreu fratura na perna e trauma no tórax e aguardava transferência para Campo Grande ou Dourados, mas não resistiu aos ferimentos.

24/08/2026 17h25

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero.

Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu após sofrer um grave acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero. Foto: Reprodução.

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O estudante de medicina Lucas Da Silva Mendoza, de 26 anos, morreu na noite deste domingo (23), após permanecer internado em estado grave em decorrência de um acidente de trânsito ocorrido no sábado (22), em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã. O jovem era de Campo Grande.

Segundo informações policiais, Lucas conduzia uma motocicleta Kenton Blitz, de cor preta, quando se envolveu em uma colisão com uma caminhonete Toyota Hilux. As circunstâncias que provocaram o acidente ainda são apuradas pelas autoridades paraguaias.

Com o impacto, o estudante sofreu ferimentos graves e precisou ser socorrido. Ele foi encaminhado inicialmente ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero, onde a equipe médica constatou fratura na perna direita, diversas escoriações nos membros inferiores e trauma no tórax.

Diante da gravidade do quadro clínico, Lucas foi posteriormente transferido para o Hospital Regional de Ponta Porã, já em território brasileiro. Ele permaneceu internado na unidade enquanto era articulada uma nova transferência para um centro com maior estrutura hospitalar.

Transferência não pôde ser realizada

A previsão era de que o estudante fosse levado para Campo Grande ou Dourados por meio de uma “vaga zero”, mecanismo utilizado em situações de urgência e emergência para garantir atendimento mesmo quando não há leito previamente disponível na unidade de referência.

No entanto, o estado de saúde de Lucas se agravou antes que a remoção pudesse ser realizada. Sem condições clínicas para enfrentar o deslocamento, ele permaneceu em Ponta Porã e morreu na noite de domingo.

O motorista da Toyota Hilux foi identificado como Lucas Ariel Agüero Soria, de 25 anos. Ele também precisou receber atendimento hospitalar em razão do acidente, mas teve alta médica ainda na tarde de sábado.

A motocicleta e a caminhonete envolvidas na colisão foram apreendidas. Equipes do Departamento de Criminalística realizaram levantamentos no local do acidente para reunir elementos que possam esclarecer a dinâmica da batida e as circunstâncias que levaram à colisão.

Após a confirmação da morte, o corpo de Lucas foi levado para Campo Grande. O sepultamento estava previsto para ocorrer nesta segunda-feira (24).

A investigação deverá apontar, a partir das perícias e demais elementos reunidos, como ocorreu o acidente e se houve responsabilidade de algum dos envolvidos.

Renovação da Frota

Após comprar Consórcio Guaicurus, HP avalia quais ônibus continuarão em Campo Grande

Empresa analisa a frota atual antes de assumir a operação e ainda não confirmou se veículos novos serão destinados a Campo Grande

24/08/2026 16h48

Novo controlador do Consórcio Guaicurus avalia quais veículos da atual frota poderão continuar em circulação em Campo Grande..

Novo controlador do Consórcio Guaicurus avalia quais veículos da atual frota poderão continuar em circulação em Campo Grande.. Foto: Gerson Oliveira/Correio do Estado

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A HP Mobilidade começou na semana passada a avaliar os ônibus que integram a atual frota do transporte coletivo de Campo Grande. O levantamento será utilizado para definir quais veículos deixados pelo Consórcio Guaicurus poderão continuar em circulação quando a empresa goiana assumir o comando da operação na Capital.

A informação foi repassada ao Correio do Estado por uma fonte que acompanha o processo de transição e preferiu não se identificar. Segundo a apuração, a análise já está em andamento e deverá indicar quais coletivos apresentam condições de permanecer no sistema e quais precisarão ser retirados ou substituídos.

Atualmente, o Consórcio Guaicurus possui 460 ônibus em sua frota, dos quais 197, o equivalente a 42%, estão com idade acima do limite estabelecido no contrato de concessão.

O número de veículos em operação também encolheu ao longo dos anos. No início do contrato, em 2012, a frota era composta por 574 ônibus.

A expectativa também é de que todos os funcionários do atual Consórcio Guaicurus sejam absorvidos pela HP Mobilidade e continuem trabalhando na operação do transporte coletivo de Campo Grande. 

Ainda não há informações sobre quantos ônibus estão sendo avaliados nem sobre o número de veículos que poderá ser aproveitado pela nova controladora.

No entanto a expectativa é de que a maioria da frota ayual seja substituida. Também não foram divulgados os critérios técnicos adotados na inspeção, como idade, estado de conservação, histórico de manutenção, acessibilidade e condições mecânicas.

A avaliação representa um dos primeiros movimentos concretos da HP Mobilidade em direção à futura operação do transporte coletivo de Campo Grande.

O levantamento deverá subsidiar o plano de reestruturação que a empresa terá de apresentar ao município para obter autorização para assumir efetivamente o serviço.

A principal dúvida, agora, é se a companhia pretende renovar a frota apenas com a substituição gradual dos veículos reprovados ou se enviará um conjunto de ônibus novos para Campo Grande.

Até o momento, a HP não informou quantos coletivos poderão ser incorporados, quando chegariam à cidade e se seriam veículos zero-quilômetro ou transferidos de operações mantidas pelo grupo em outros municípios.

A definição tem impacto direto sobre a qualidade do serviço oferecido aos passageiros. Caso uma parcela significativa da frota atual seja considerada inadequada, a empresa terá de apresentar uma estratégia para substituir os veículos sem reduzir a quantidade de ônibus disponíveis nas linhas da Capital.

Embora a compra das empresas que formam o Consórcio Guaicurus tenha sido anunciada em julho, a transferência do controle da concessão ainda depende da autorização da Prefeitura de Campo Grande.

Como o transporte coletivo é um serviço público concedido, a negociação entre os grupos empresariais não resulta automaticamente na troca da operadora.

A administração municipal condicionou a entrada da HP Mobilidade à apresentação de um plano com investimentos e prazos definidos.

Entre as exigências anunciadas estão a renovação da frota, a colocação de ônibus com ar-condicionado, a reforma dos terminais e melhorias na qualidade do atendimento aos passageiros.

A transferência somente deverá ser autorizada depois da análise das propostas apresentadas pela compradora.

O sistema permanece sob intervenção da Prefeitura de Campo Grande. A medida começou em 16 de junho e foi estabelecida inicialmente pelo prazo de 180 dias.

Durante esse período, a equipe interventora realiza auditorias, levanta dados financeiros e operacionais e acompanha o cumprimento do contrato de concessão. A intervenção foi mantida mesmo depois do anúncio da venda. 

A HP Mobilidade já havia informado que preparava um projeto de modernização e reestruturação do transporte coletivo da Capital, mas não detalhou as medidas, o volume de investimentos nem o cronograma previsto. A avaliação dos ônibus da atual frota deverá fazer parte desse planejamento.

HP Mobilidade ainda não detalhou plano para renovação da frota 

O Correio do Estado questionou a empresa sobre a quantidade de ônibus analisados, o número de veículos que poderá continuar em circulação, os critérios utilizados na avaliação e o prazo para a conclusão do levantamento.

A reportagem também perguntou se a HP Mobilidade enviará ônibus novos para Campo Grande, quantos veículos serão incorporados, se eles serão zero-quilômetro ou transferidos de outras operações e se existe um cronograma para a renovação completa da frota.

Até a publicação desta reportagem, a empresa não havia encaminhado as respostas. O espaço permanece aberto para manifestação.

Estratégia de expansão

Como pano de fundo, a chegada da HP Mobilidade ocorre em meio a uma estratégia de expansão nacional do grupo, que pretende se tornar um dos principais conglomerados de transporte urbano do País.

Conforme já mostrou o Correio do Estado, a aquisição do Consórcio Guaicurus pode abrir caminho para uma repactuação do contrato de concessão, atualmente válido até 2032 e com possibilidade de renovação por mais 20 anos, em troca de novos investimentos no sistema.

Entre as mudanças projetadas estão a modernização da frota, com a possível incorporação de ônibus com ar-condicionado, e melhorias na infraestrutura do transporte coletivo.

O valor da aquisição não foi oficialmente divulgado pelas empresas, mas, durante as negociações, a concessão chegou a ser avaliada em cerca de R$ 200 milhões.

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