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Sucateamento de agência de mineração compromete fiscalização de barragens

A repercussão do desmonte da autarquia federal dificulta a atuação contra a sonegação fiscal e a inibição de mineração ilegal

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Dentro do território do Pantanal, no município de Corumbá, há 17 barragens com rejeitos gerados a partir de atividades de mineração. Essas estruturas precisam passar por fiscalização periódica, porém, a Agência Nacional de Mineração (ANM), órgão regulador do setor, passa por um processo de desmonte e o trabalho de fiscais está comprometido por conta da deficiência do quadro da autarquia federal. 

A situação foi denunciada pela regional em Mato Grosso do Sul da Associação Nacional dos Servidores da Agência Nacional de Mineração (ASANM).

A situação delicada para a agência realizar a operacionalização do trabalho foi também confirmada pela própria autarquia federal. 

O sucateamento causa insegurança jurídica no setor de mineração, compromete o aprimoramento da sustentabilidade ambiental em uma atividade que é reconhecida por gerar passivo. 

Soma-se a essa lista a fragilidade estatal para coibir a sonegação, atacar a informalidade no setor e favorecer que a expansão e a exploração da mineração no Brasil fiquem retardadas pela demora de análise de pedidos e processos já tramitando.

POTENCIAL ALTO

A classificação de riscos que a agência possui e mantém disponível na internet para acesso aponta que existem duas barragens com dano potencial associado alto: a Barragem Sul, que fica próxima ao município de Corumbá, e a de Gregório, instalada nas proximidades do Rio Paraguai. As demais não constam detalhamento ou são de nível médio.

Esse tipo de classificação analisa os perigos que um possível rompimento pode causar em termos econômicos, sociais, ambientais ou com perda de vidas. 

A Lei nº 12.334/2010 dá as diretrizes com relação às barragens no Brasil. Em Mato Grosso do Sul, a última fiscalização ocorreu entre 19 e 23 setembro de 2022. A fiscalização das estruturas das barragens de mineração é feita pela Superintendência de Barragens, sediada em Brasília (DF). 

As vistorias anuais estão comprometidas nesse tipo de acompanhamento porque do total de 11 servidores da ANM no Estado cinco estão prestes a se aposentar. 

Com isso, apenas quatro ficarão disponíveis para as atividades de campo, além da análise de processos de outorga e controle dos empreendimentos de mineração.

FALTA DE ESTRUTURA

Conforme a Associação Nacional dos Servidores da Agência Nacional de Mineração, seria necessária a estrutura com, no mínimo, 10 servidores para garantir o andamento de todos os processos. 

Sem o quadro necessário, um dos primeiros reflexos é a morosidade na outorga, atrasando o trabalho de empreendimentos e gerando desdobramentos econômicos, inclusive com freio para arrecadação estatal.

“Em Mato Grosso do Sul, segundo o último Boletim Mensal de Barragem de Mineração, de dezembro de 2022, existem 17 unidades barragens que precisam ser vistoriadas. O Estado produz minério de ferro, manganês, calcário para corretivo de solo, calcário para produção de cimento, fosfato, mármore, água mineral, argila para cerâmica e agregados (areia, brita) para construção civil. O deficit no quadro de servidores é um dos fatores que compromete a estruturação e o pleno funcionamento da ANM”, frisou a ASANM, em nota.

O delegado regional da ANM em Mato Grosso do Sul, Reinan Bispo Sobral, acrescentou que a Agência Nacional de Mineração apresenta-se em um patamar de condição de atuação abaixo de outras autarquias federais. 

“A ANM não tem uma estrutura condizente com o que se espera de uma agência reguladora, proporcional ao setor mineral e em patamar equivalente às demais agências, como Agência Nacional de Petróleo [ANP] e Agência Nacional de Energia Elétrica [ANEEL], que são vinculadas ao mesmo Ministério de Minas e Energia [MME]”, identificou. 

Apesar dessa discrepância, a ANM é a segunda agência que mais gera arrecadação para o Brasil, porém, é uma das últimas em orçamento, além de sofrer cortes constantes e bloqueios de dotação orçamentária. 

OUTRO LADO

Por meio da assessoria de imprensa, a agência informou que o corpo diretivo vem atuando em conjunto com o Ministério de Minas e Energia, em articulação com outros órgãos de gestão do Executivo Federal, para garantir condições de estruturação, alinhamento dos salários dos servidores aos das demais agências reguladoras. 

“A ANM vem solicitando, reiteradamente, aos órgãos competentes a realização de concurso público para recomposição do quadro funcional”, apontou.

Sobre o risco na fiscalização, a autarquia assegurou que a equipe da Superintendência de Segurança de Barragens “está sempre buscando, com as melhores práticas e seguindo os ditames legais, manter o meio ambiente e a população salvaguardada”. 

Pontuou, por fim, que no site da agência há informações em tempo real para apontar a situação das barragens, por meio do Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração (SIGBM).


 

Saiba: Mesmo após os rompimentos das barragens de Mariana e de Brumadinho – esta última completou quatro anos no dia 25 de janeiro –, a equipe de fiscalização da ANM voltada exclusivamente para as barragens de rejeito sofre hoje com a falta de 40% da capacidade prevista de pessoal. São 928 barragens de rejeito de minério para fiscalizar em todo o País, seja por meio presencial ou com uso de tecnologias, e evitar que novas tragédias ocorram.

O time atualmente destinado a essas atividades, porém, conta com 34 pessoas, e as regras internas exigem 55 profissionais. 

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arauco

Gigante da celulose começa penúltima etapa do ramal ferroviário

Cerca de 95 mil dormentes de concreto começaram a ser instalados na ferrovia pela qual será escoada a celulose do projeto Sucuriú

23/10/2026 12h21

Previsão é de que a ferrovia seja concluída no segundo semestre do próximo ano, quando deve ser ativada a fábrica de celulose da Arauco

Previsão é de que a ferrovia seja concluída no segundo semestre do próximo ano, quando deve ser ativada a fábrica de celulose da Arauco (Divulgação Arauco)

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Com investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão, as obras do ramal ferroviário de 47 quilômetros ligando a fábrica de Celulose da Arauco à Ferronorte entraram em uma nova fase nesta semana, com a instalação dos primeiros dormentes, estruturas de concreto sobre as quais serão afixados os trilhos, última etapa da construção de uma ferrovia. 

A previsão é de que sejam instaladas em torno de 95 mil peças, já que a distância entre uma e outra normalmente é de 50 a 60 centímetros. Cada uma pesa 400 quilos e tem 2,80 metros de comprimento. Somente para o transporte destes dormentes são necessárias em torno de 800 viagens de caminão bi-trem.

A instalação, uma das últimas etapas do projeto, começou nas imediações da fábrica, no interior da qual haverá em torno de nove quilômetros de trilhos para estacionamento e manobra dos comboios.

“É importante ressaltar que estamos instalando o primeiro dormente da primeira shortline privada do Brasil. Esse momento é muito significativo não só para nós do Projeto Sucuriú, mas também em nível estadual e nacional”, destaca Christian Carvalho, gerente de Engenharia e Implantação da Arauco.

Primeiro projeto ferroviário depois de 27 anos em Mato Grosso do Sul, os trilhos serão instalados às margens das rodovias MS-377 e MS-240, atravessando exclusivamente áreas rurais de Inocência. Até agora, 60% dos trabalhos do ramal estão concluídos. 

Além dos dormentes, outras frentes de trabalho avançam ao longo do traçado. Entre as principais estruturas estão o viaduto ferroviário na saída da fábrica, o viaduto sobre a MS-112 e a ponte sobre o Córrego São Mateus. As três obras estão em fase de conclusão das estruturas civis para o recebimento dos dormente e trilhos.

A implantação do ramal exigiu a desapropriação de terras em 40 propriedades ao longo do traçado, o que exigiu a desapropriação de cerca de 400 hectares na entrada de das fazendas. Em torno de duas dezenas dos proprietários contestam na Justiça o valor das indenizações. 

Conforme o cronograma da chilena Arauco, a ferrovia estará concluída antes do final do próximo ano, quanto deve ser ativada a fábrica, que prevê a produção anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose. Para levar toda esta produção até o porto de Santos será necessária a partida diária, inclusive sábados e domingos, de um comboio com 100 vagões, cada um transportando até 96 toneladas de celulose.

Além do investimento da ordem de R$ 1,2 bilhão na ferrovia, a Arauco destinou mais R$ 1,4 bilhão na aquisição de 26 locomotivas e 721 vagões para fazer o transporte da celulose até o porto de Santos. Cada comboio contará com pelo menos três locomotivas.

O investimento total na fábrica é de R$ 25 bilhões e cerca de 85% dos trabalhos, iniciados em julho de 2024, estão concluídos. Para abastecer a indústria, a empresa começou a plantar eucaliptos ainda em 2021 e a previsão é de que estes plantios se estendam por cerca de 400 mil hectares.

Atualmente o canteiro de obras está com cerca de 14 mil trabalhadores e depois da ativação, a indústria deve gerar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos permanentes. Por conta de uma lei municipal, os trabalhadores da fábrica terão de morar na área urbana de Inocência, a 50 quilômetros do parque industrial Parte destes vai morar nas 600 casas que estão sendo construídas numa área de 43 hectares doada pelo poder público.

Esta será a quarta fábrica de celulose de Mato Grosso do Sul. Outras duas já estão em operação em Três Lagoas e uma terceira, em Ribas do Rio Pardo. E, a partir do próximo ano está prevista a instalação de uma quinta unidade, da Bracell, em Bataguassu.

Previsão é de que a ferrovia seja concluída no segundo semestre do próximo ano, quando deve ser ativada a fábrica de celulose da AraucoCada dormente pesa em torno de 400 quilos e toda instalação é feita por uma máquina que transporta até seis peças por vez

 

MEIO AMBIENTE

Às vésperas do fim do veto, governo inicia estudos sobre pesca do dourado em MS

A cinco meses do fim da proibição, Imasul libera pesquisadores para capturar exemplares da espécie e reunir dados que poderão fundamentar a continuidade da restrição

23/10/2026 12h00

Proibida desde 2019, a pesca do dourado em Mato Grosso do Sul poderá ter futuro definido com base em estudos científicos que devem ser apresentados até fevereiro de 2027

Proibida desde 2019, a pesca do dourado em Mato Grosso do Sul poderá ter futuro definido com base em estudos científicos que devem ser apresentados até fevereiro de 2027 Edemir Rodrigues / SecomMS

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Depois de quase oito anos de proibição da pesca do dourado em Mato Grosso do Sul, o Governo do Estado autorizou a captura de exemplares da espécie para pesquisas científicas que poderão embasar a manutenção do veto. A medida foi oficializada por meio de portaria do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), publicada no Diário Oficial do Estado, nesta sexta-feira (23), a pouco mais de cinco meses do encerramento da restrição, previsto para março de 2027. 

A autorização ocorre em meio à proximidade do prazo para apresentação dos estudos técnicos que deverão orientar a decisão sobre o futuro da pesca do dourado nos rios sul-mato-grossenses. Embora a proibição esteja em vigor desde 2019, a legislação estabelece a necessidade de levantamentos científicos e econômicos para justificar uma eventual prorrogação.

A Portaria Imasul nº 1.767, assinada na quinta-feira (22), permite a captura, o manejo e o transporte de exemplares do dourado (Salminus brasiliensis) exclusivamente para fins científicos. Os trabalhos integram o projeto interinstitucional "Estado da arte Dourado - Salminus brasiliensis em Mato Grosso do Sul”, desenvolvido por instituições de pesquisa e universidades.

A liberação busca complementar a coleta de dados nas bacias do Alto Paraguai e do Paraná, com foco na avaliação da biologia, da pesca e da dinâmica populacional da espécie. Entre os levantamentos previstos está a análise da estrutura etária dos dourados, que permite estudar a composição por idade dos exemplares encontrados nos rios.

Para isso, os pesquisadores poderão capturar peixes e coletar escamas, otólitos e outros materiais biológicos necessários às análises laboratoriais. A portaria também permite o sacrifício de exemplares, desde que limitado à quantidade estritamente necessária para a execução da pesquisa. 

A autorização não representa a liberação da pesca comercial ou recreativa do dourado. A captura continua restrita às equipes científicas vinculadas ao projeto, que deverão seguir as condições estabelecidas pelo órgão ambiental.

A legislação que impede a pesca do dourado foi instituída em janeiro de 2019, durante o governo de Reinaldo Azambuja, com a proposta de proteger a espécie e contribuir para a recuperação de suas populações nos rios de Mato Grosso do Sul.

Inicialmente prevista para durar cinco anos, a restrição foi prorrogada posteriormente, chegando ao prazo atual de 31 de março de 2027. 

A Lei Estadual nº 6.390, sancionada em março de 2025, estabeleceu que estudos técnico-científicos e econômicos devem subsidiar a discussão sobre a continuidade ou suspensão do veto.

Pesquisa reúne sete instituições

A execução dos trabalhos está vinculada ao Termo de Cooperação Técnica nº 001/2025, firmado entre a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), o Imasul, a Embrapa Pantanal, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD) e a Universidade Estadual de Maringá (UEM), por meio do Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (Nupélia).

As atividades serão desenvolvidas por equipes coordenadas por Agostinho Carlos Catella, da Embrapa Pantanal; Cristiane Fátima Meldau de Campos Amaral, Yzel Rondon Suarez e Elaine Antoniassi Luiz Kashiwaqui, da UEMS; Anderson Ferreira, da UFGD; Maria José Alencar Vieira, da UFMS; e Diego Corrêa Alves, da UEM.

A pesquisa deverá abranger as bacias do Alto Paraguai e do Alto Paraná, dentro do território sul-mato-grossense.

Conforme a portaria, os pesquisadores deverão apresentar resultados parciais e um relatório final ao Imasul, seguindo o cronograma previsto no termo de cooperação. A autorização permanecerá válida até o encerramento do acordo ou de eventuais prorrogações.

O documento também dispensa as equipes vinculadas ao projeto da emissão de autorizações individuais para o manejo dos peixes, desde que sejam cumpridas as exigências estabelecidas pelo órgão ambiental.

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