Cidades

DECISÃO

Supremo Tribunal Federal nega Habeas Corpus à Jamil Name e o mantém em Mossoró

Defesa queria que Name voltasse para Campo Grande e depois fosse para prisão domiciliar

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Por maioria dos votos, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu manter Jamil Name na Penitenciária Federal de Mossoró (RN). Ele é acusado de chefiar organização criminosa de matadores em Mato Grosso do Sul, que fez várias vítimas nos últimos anos. 

Nesta terça-feira (1º), o colegiado concluiu o julgamento do Habeas Corpus (HC), em que a defesa solicitava a transferência de Jamil, de 81 anos, para Campo Grande e, posteriormente, para prisão domiciliar, em razão da situação da pandemia da Covid-19.

Na sessão do dia 18 de agosto, o relator, ministro Marco Aurélio, votou pela manutenção da cautelar deferida por ele em junho para restabelecer, até o julgamento final do HC, a decisão do corregedor da Penitenciária de Mossoró de retorno de Name à Mato Grosso do Sul. 

Para o ministro, cabe ao corregedor-geral da penitenciária a verificação formal da adequação do estabelecimento.

No entanto, hoje os demais ministros acompanharam a divergência apresentada pelo ministro Alexandre de Moraes. Ele optou pelo não conhecimento de HC impetrado contra indeferimento monocrático de liminar no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Moraes também não constatou, no caso, anormalidade ou ilegalidade flagrante que justificasse o deferimento do pedido.

Ao classificar o caso como gravíssimo, o ministro afirmou que Jamil é acusado de ser o chefe da maior facção criminosa de Mato Grosso do Sul, com ligação com o crime organizado no Paraguai. 

Além disso, verificou que os autos apontam a apreensão de um “arsenal de guerra” e de material com elevado poder bélico na residência de Name: dois fuzis AK-47, quatro carabinas 5,56, uma carabina calibre 12, 11 pistolas 9 mm, 4 pistolas calibre .40, munições, carregadores, supressores de ruídos e bloqueadores de sinais, entre outros equipamentos.

Outro motivo que justifica a manutenção da prisão dele no sistema penitenciário federal, conforme Moraes, foi a apreensão de um bilhete que revela planos de Jamil para a execução de integrantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e da Polícia Civil. 

“Durante a investigação, ficou demonstrado que a privação de sua liberdade no próprio Estado não estava a interromper as atividades criminosas”, ressaltou. 

Em razão dessa situação, agentes públicos estão sendo processados por corrupção. “Em várias localidades, o crime organizado acaba corrompendo determinados agentes públicos, e isso precisa ser combatido de forma firme, para que não haja manutenção dessa criminalidade extremamente violenta”, avaliou.

O ministro também rebateu outro argumento da defesa de que Jamil deveria ser transferido em razão da pandemia da Covid-19, diante de sua idade avançada. 

Para ele, a solicitação não se justifica porque, no presídio estadual, as celas não são individuais e há superlotação. 

"Por isso, eventualmente, o perigo de contaminação seria muito maior”, observou. O ministro também verificou que a população, na penitenciária federal, é de 158 presos e não há nenhum caso de Covid-19. 

São 208 celas individuais, 12 delas exclusivas para o cumprimento do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). “É absolutamente incompatível a transferência para o presídio estadual, que seria um lugar pior”, concluiu.

O voto divergente foi acompanhado pelos ministros Luís Roberto Barroso, Luiz Fux e Rosa Weber.

HISTÓRICO

Name foi preso no ano passado, no âmbito da operação Operação Omertà. A pedido do Ministério Público Federal (MPF), em razão de sua alta periculosidade e da ação organizada e violenta utilizada pelo grupo, foi transferido, em outubro de 2019, para o Presídio Estadual de Campo Grande e, dias depois, para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) do Presídio Federal de Mossoró. 

Ao examinar conflito de competência para o deferimento de ingresso de Jamil na unidade prisional federal, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) entendeu que a competência para a análise do pedido de remoção do Sistema Penitenciário Federal é da 1ª Vara de Execução Penal da Capital e manteve Jamil custodiado em penitenciária federal.

Operação Destroyer

Casal de Campo Grande é alvo de operação após movimentar R$ 3,4 milhões

Alvos da Operação Destroyer, moradores da Capital são investigados por suposta participação em esquema de tráfico interestadual e lavagem de dinheiro

19/06/2026 13h49

Foto: Divulgação Policia Civil

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Campo Grande foi um dos alvos da 11ª fase da Operação Destroyer, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás com apoio da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.

Na Capital sul-mato-grossense, um casal investigado por suposta participação em uma organização criminosa voltada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro foi preso durante o cumprimento de mandados judiciais.

A ação teve como foco principal uma residência localizada no Jardim Nhanhá, onde foram presos Adryelle Franco Ramos, de 32 anos, e Thiago Alves de Jesus, de 34 anos. Conforme a investigação, os dois teriam desempenhado funções ligadas à logística e ao transporte utilizados pelo grupo criminoso.

Durante as buscas, os policiais apreenderam um Porsche Macan, um Renault Clio, um caminhão JAC, cinco aparelhos celulares e cadernos com anotações que passarão por análise.

Os veículos de alto valor encontrados no imóvel chamaram a atenção dos investigadores e reforçaram as suspeitas sobre a origem dos recursos movimentados pelo casal.

De acordo com relatórios financeiros anexados ao inquérito, Adryelle teria movimentado aproximadamente R$ 2,28 milhões em cerca de cinco meses, apesar de declarar renda mensal próxima de R$ 1,8 mil.

Já Thiago teria registrado movimentação de R$ 1,15 milhão no mesmo período, embora informasse rendimento de aproximadamente R$ 1,5 mil por mês.

Para a polícia, os valores identificados são incompatíveis com a renda declarada pelos investigados e indicam possível participação em atividades ilícitas relacionadas ao esquema investigado. A análise das movimentações financeiras foi um dos elementos que levaram à expedição dos mandados judiciais.

As investigações apontam ainda que o casal mantinha ligação com empresas do ramo de transporte de cargas.

Segundo a apuração, Adryelle atuaria na coordenação de transportes e na movimentação de cargas, enquanto Thiago teria participação na estrutura operacional utilizada pela organização criminosa.

A Operação Destroyer teve desdobramentos em municípios de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesta fase, denominada "Double Shot", foram cumpridas 40 medidas cautelares, entre elas 15 mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e ativos financeiros.

Segundo a Polícia Civil de Goiás, a investigação surgiu após a apreensão de cerca de 4,2 toneladas de maconha e 37,2 quilos de pasta-base de cocaína.

A partir da análise de celulares, dados telemáticos e movimentações bancárias, os investigadores identificaram uma rede suspeita de atuar no armazenamento, transporte e distribuição de drogas entre diferentes estados.

O balanço parcial da operação aponta 16 prisões, sendo três em flagrante, além da apreensão de veículos e outros bens considerados estratégicos para a continuidade das investigações.

Resultado parcial da operação:

  • 16 prisões, sendo três em flagrante;
  • Cumprimento de 24 mandados de busca e apreensão;
  • Apreensão de veículos de alto valor;
  • Bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e ativos financeiros.

PED | INTERIOR

Servente é encontrado com cocaína em cela do maior presídio do MS

Preso por morte de campo-grandense e pelo esfaqueamento de outros três em briga de bar foi autuado agora por tráfico de drogas na Penitenciária Estadual de Dourados

19/06/2026 12h41

menos de uma semana para o Natal de 2021, João Félix teria tirado a vida do campo-grandense Leandro Martins de Oliveira, morto aos 34 anos. 

menos de uma semana para o Natal de 2021, João Félix teria tirado a vida do campo-grandense Leandro Martins de Oliveira, morto aos 34 anos.  Reprodução/Divulgação

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Durante uma revista de rotina realizada no maior presídio do Mato Grosso do Sul na tarde de quinta-feira (19), mais de um quilo e meio de cocaína e outra substância entorpecente foram localizados em cela da Penitenciária Estadual de Dourados (PED) onde está custodiado o servente João Felix da Silva Filho. 

Hoje aos 29 anos, o indivíduo em questão, que trabalhava como auxiliar de obras antes da vida atrás das grades, está preso graças a um homicídio registrado contra um campo-grandense e pela confusão registrada em bar que terminou com outros três indivíduos esfaqueados por João em 19 de dezembro de 2021. 

Presidiário abrigado na cela 16 do Raio 3 da Penitenciária Estadual de Dourados, o servente assumiu ser dono das substâncias entorpecentes localizadas escondidas em uma espécie do popular "mocó". 

Na cela em questão, os agentes penitenciários da PED identificaram um buraco aberto na parede, onde foi possível localizar um total de 1,6 quilos de cocaína e outras 428 gramas de substância entorpecente análoga à maconha. 

Com entorpecentes encontrados dentro da cela do detento, João Félix mesmo já preso precisou ser encaminhado para a Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac), onde foi autuado em flagrante pelo crime de tráfico de drogas. 

Entenda

Há aproximadamente cinco anos, quando a idade do servente de obras ainda era 24, João Félix da Silva Filho foi preso preventivamente após uma briga de bar registrada na cidade de Fátima do Sul, município sul-mato-grossense que fica distante cerca de 239 quilômetros da Capital. 

No estabelecimento em Fátima do Sul, que fica localizado na barranca do Rio Dourados, faltando menos de uma semana para o Natal de 2021, João Félix teria tirado a vida do campo-grandense Leandro Martins de Oliveira, morto aos 34 anos. 

O servente de obras teria ferido com golpes de faca outros três indivíduos, que chegaram inclusive a receber atendimento, mas foram liberados ainda na data do crime. Diante disso, João foi preso pelo crime de homicídio qualificado e outras três tentativas de assassinato. 

Além da morte de Leandro, foram esfaqueados: 

  • Claudinei Junior Marques dos Santos, 21 anos à época
  • Jhonatan Vitor Galvão Seabra, 20 anos à época e 
  • Renato da Silva Santos, 27 anos à época 

Toda a confusão teria começado após um suposto assedio do servente contra duas moças no bar, tendo uma 20 anos e outra tratando-se de uma adolescente de 16. 

Um bate-boca teve início após João ter se esfregado nas duas, até o momento em que o criminoso agrediu a adolescente com um soco. Em sua defesa sobre esse caso, ele negou a agressão contra a jovem e os supostos atos de assédio, dizendo ainda que os crimes posteriores teriam sido cometidos em legítima defesa. 

João alegou que teria sido levado para casa pelo dono do bar após a confusão com o grupo de amigos, complementando que retornou ao estabelecimento para buscar sua motocicleta. 

Segundo o criminoso, que negou ter retornado ao bar já munido da arma do crime. Ainda assim, depoimentos de testemunhas e das demais vítimas indicam que João já estava com duas facas em mãos e uma terceira em sua cintura. 
 

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