Cidades

Silvestres em área urbana

Tamanduá-bandeira é resgatado em shopping de Campo Grande

O animal silvestre foi encontrado na área de acesso ao elevador do último piso e encaminhado ao CRAS para avaliação, sem lesões aparentes

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A Polícia Militar Ambiental (PMA) foi acionada para capturar um tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) na área de acesso ao elevador do último piso do Shopping Campo Grande.

No vídeo feito pela equipe que atendeu à ocorrência, os policiais encostam uma caixa de madeira na porta, enquanto outro utiliza uma espécie de gancho, conhecido como cambão, para enlaçar o pescoço do animal silvestre.

A captura ocorre seis dias após outro episódio, também em uma sexta-feira (6), que chamou atenção nas redes sociais, quando um tamanduá foi encontrado dentro de uma agência do Itaú, localizada na Avenida Mato Grosso.

O episódio mobilizou pessoas que passavam pelo local e registraram a presença do animal por meio de fotos e vídeos.

Tamanduá na agência bancária

 

 

 

Em relação ao animal resgatado no Shopping Campo Grande, foi feita avaliação preliminar, e não foram verificadas lesões aparentes.

Tamanduá no shopping

 

 

 

Após ser contido na caixa de transporte, o animal foi encaminhado ao Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS) para passar por exames detalhados e acompanhamento técnico especializado.

Curiosidades

Em estudo inédito divulgado pelo Correio do Estado, o tamanduá-bandeira, - importante aliado do equilíbrio ambiental, atuando no controle de insetos como formigas e cupins -, usa a cauda, por exemplo, para aliviar altas temperaturas no Cerrado e na região Pantaneira.

Funções da cauda

Após mais de 266 horas de observações em campo, o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (Icas) apresentou, em uma pesquisa inédita, 11 comportamentos do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) relacionados ao uso da cauda.

O estudo completo foi publicado na revista científica Journal of Ethology e traz análises comportamentais dos animais registradas entre agosto de 2021 e novembro de 2023, no Cerrado de Mato Grosso do Sul, em regiões impactadas por atividades humanas.

O animal, cujo nome em tupi antigo, “tamanduá", significa “caçador de formigas” (tama = formiga; nduá = caçador), é chamado de "bandeira" em referência à sua cauda longa, densa e peluda, que, erguida, lembra uma bandeira esvoaçante.

Apesar de chamar atenção, até então pouco se havia registrado sobre as funcionalidades da cauda do tamanduá-bandeira.

“Identificamos funções mecânicas, fisiológicas, comportamentais e sociais associadas à cauda, que vão desde o equilíbrio e a termorregulação até o cuidado materno e a comunicação entre mãe e filhote”, explica a bióloga Alessandra Bertassoni, autora principal do estudo.

Uso da cauda


A pesquisa demonstrou que o animal silvestre utiliza a cauda em diversas situações, como:

  • cobertor térmico durante o sono;
  • abanador nos dias quentes;
  • sombra para os filhotes;
  • ferramenta de equilíbrio em posição bípede;
  • sinalizador de alerta;
  • meio de transporte e proteção dos filhotes.

 

Apesar de algumas dessas funções já serem conhecidas de maneira isolada, a maioria nunca havia sido documentada e descrita como neste estudo apresentado pelo Icas.

A parte mais curiosa envolve as fêmeas e os filhotes de tamanduá-bandeira, monitorados pelo Programa de Conservação do Tamanduá-Bandeira, em um cenário fragmentado por pastagens e rodovias.

Os registros revelaram que a cauda passa por um processo de transformação ao longo do crescimento do animal, desde os primeiros dias de vida até a fase adulta, um dado que até então não havia sido devidamente documentado.

O comportamento observado nas gravações aponta para a dependência intensa do filhote em relação à mãe, já que ele não possui condições de realizar diversas atividades sozinho.

Categorias de comportamento


Os comportamentos foram divididos em três categorias para compreender as múltiplas utilidades da cauda:

  • Mecânicos
  • Comportamentais
  • Fisiológicos

Mecânicos

  • Equilíbrio ao caminhar: A cauda permanece horizontal passivamente, ajudando a manter o equilíbrio durante a locomoção.
  • Equilíbrio na posição bípede: Quando o tamanduá assume postura ereta, a cauda segue a curvatura da coluna e permanece apoiando o corpo.
  • Transporte do filhote: A cauda se mantém horizontal e serve de apoio ao corpo do filhote, atuando também como reforço no vínculo entre mãe e cria.

Comportamentais

  • Proteção e camuflagem: A cauda é dobrada sobre o corpo e permanece imóvel, servindo de disfarce contra predadores.
  • Aconchego e afiliação: A cauda cobre o corpo durante momentos de contato entre mãe e filhote, oferecendo conforto e calor.
  • Abertura da cauda: A mãe abre a cauda para permitir a entrada do filhote quando ele a toca.
  • Rejeição do filhote: A cauda se mantém horizontal e ergue-se rapidamente quando a aproximação do filhote não é desejada.
  • Sinal de alerta: A cauda é erguida e eriçada, funcionando como sinal visual de atenção ou vigilância.

Fisiológicos

  • Sono com função termorreguladora: Durante o repouso, a cauda cobre o corpo e ajuda a conservar o calor.
  • Movimento de abano: A cauda é balançada para arejar o corpo, ajudando na regulação térmica.
  • Sombra contra o sol: A cauda é posicionada de modo a proteger o corpo do filhote da exposição solar.

Ameaças à espécie


A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou o tamanduá-bandeira como “vulnerável”, devido a ameaças como atropelamentos, perda de habitat e mudanças climáticas.

Os novos dados são considerados essenciais para que pesquisadores possam traçar estratégias de conservação e manejo da espécie.

“Lesões na cauda podem comprometer seriamente a sobrevivência de um indivíduo, especialmente no caso das fêmeas com filhotes. Por isso, compreender a função desse apêndice é crucial para decidir, por exemplo, se um animal pode ou não ser reintroduzido na natureza”, destaca o coautor do estudo, Arnaud Desbiez.

Orientações

A PMA orienta que, ao se deparar com um animal silvestre, o morador mantenha distância e acione imediatamente a corporação. A presença de animais silvestres em áreas urbanas reforça a importância da conscientização e do respeito à fauna nativa.

O tamanduá-bandeira pode ultrapassar dois metros de comprimento, incluindo a cauda, e pesar até 40 kg. Atualmente, encontra-se classificado como vulnerável à extinção, o que torna cada ação de preservação ainda mais relevante.

Imposto

Juiz mantém vencimento do IPTU de Campo Grande no dia 12 e exige cálculo claro

Ordem é para prefeitura realizar mutirão para atender contribuintes, e ainda disponibilizar valores de 2025 e 2026 para comparação

11/02/2026 18h10

Central do IPTU em Campo Grande

Central do IPTU em Campo Grande Gerson Oliveira

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O juiz da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, Ariovaldo Nantes Corrêa, manteve a data de vencimento para o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) com desconto de 10% e o vencimento da primeira parcela do imposto para esta quinta-feira, 12 de fevereiro.

O magistrado, contudo, estabeleceu algumas condições para o município em sua decisão saneadora, na qual esclarece vários pontos da liminar concedida por ele mesmo na última sexta-feira (6), em mandado de segurança ajuizado pela Seccional de Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS).

A primeira delas já estava prevista na liminar: limitar o reajuste do valor final cobrado no imposto a 5,32%, correspondente à incidência do IPCA-E, índice inflacionário utilizado para a correção do tributo.

O município, contudo, terá de facilitar essa comparação para que o contribuinte saiba se o valor cobrado neste ano limita-se ao reajuste de 5,32%. Para isso, o município de Campo Grande deverá disponibilizar no site do IPTU, na internet, de "maneira fácil", a comparação da avaliação do imóvel no exercício deste ano com a do ano anterior, além de disponibilizar o boleto do IPTU 2026 retificado de acordo com a decisão, sendo fixado, neste caso específico, novo prazo de 30 dias, conforme a decisão da sexta-feira (6).

"O ente público deverá disponibilizar de maneira fácil, acessível e destacada em seu sítio eletrônico (iptu.campogrande.ms.gov.br) o valor do IPTU/2025 e do IPTU/2026, com destaque ao 'Valor de Avaliação', para todos os imóveis não abrangidos pela decisão liminar de fls. 689-715 (a fim de possibilitar a verificação do cálculo pelo contribuinte), bem como o boleto do IPTU/2026 retificado de acordo com a decisão que concedeu a tutela de urgência aos contribuintes que nela se enquadrarem (sem a readequação/atualização e/ou majoração da alíquota em razão da atualização cadastral pela SEFAZ), sendo que, em relação a este último (correção dos boletos), fica mantido o prazo de 30 dias a contar da decisão que concedeu a tutela de urgência", explicou o juiz.

Atendimento integral

A Prefeitura de Campo Grande ainda deverá realizar, nas palavras do magistrado, "o atendimento integral da população". "Seja pela via digital (site, WhatsApp, canais de comunicação etc.), durante todo o dia 12 de fevereiro de 2026, até que a última pessoa seja atendida, inclusive extrapolando o horário regular de funcionamento dos pontos de atendimento presencial, se necessário", descreveu Ariovaldo Nantes Corrêa.

A decisão do magistrado ocorreu em atendimento a pedido do município, no qual a procuradoria solicitou que a emissão dos novos boletos ocorresse exclusivamente por canais digitais.

O magistrado autorizou a emissão do boleto por canais digitais, mas também aproveitou para determinar que o município de Campo Grande fosse mais claro em seus argumentos, sobretudo ao afirmar que apenas no caso de alguns terrenos houve aumento de tributo superior aos 5,32%.

"Não há nos autos demonstração mínima da situação narrada, razão pela qual deve prevalecer a decisão proferida, que diz respeito a todos os imóveis da Capital (prediais e territoriais) cujo valor de avaliação de 2025, acrescido de 5,32%, ultrapasse a importância cobrada no valor da avaliação de 2026", asseverou o magistrado.

Taxa do lixo

O magistrado também destacou que, embora exista cobrança casada do IPTU e da Taxa do Lixo, a taxa não foi discutida na ação. "No caso em exame, não há qualquer discussão sobre a Taxa do Lixo cobrada, uma vez que os pedidos formulados na inicial versam apenas sobre o cálculo do IPTU propriamente dito e a redução dos descontos para o pagamento à vista e parcelado, não havendo causa de pedir ou pedido relacionado à cobrança da Taxa do Lixo nesta ação, a qual, por consequência, não está contida na decisão", explicou o magistrado.

Recurso negado

Na terça-feira (10), o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Dorival Renato Pavan, negou o pedido de suspensão de liminar apresentado pela Prefeitura de Campo Grande e manteve a decisão que limita o reajuste do IPTU de 2026 a 5,32%, índice correspondente à inflação medida pelo IPCA-E. Com isso, o município terá de cumprir a determinação da 1ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.

Ele manteve a decisão estabelece prazo de 30 dias para recalcular o imposto, garantindo que o valor final cobrado neste ano não ultrapasse o percentual inflacionário em relação a 2025. A decisão tem origem em mandado de segurança ajuizado pela OAB-MS.

O pedido de suspensão era a última tentativa do município de manter a cobrança nos moldes dos carnês lançados em dezembro. Antes disso, a prefeitura já havia acumulado derrotas na 1ª instância, no plantão judicial e na 1ª Câmara Cível.

Ao analisar o recurso, Pavan rebateu o argumento de que a decisão provocaria impacto de R$ 800 milhões e comprometeria serviços essenciais. Para o magistrado, eventual perda de arrecadação foi risco assumido pelo próprio Executivo.

O presidente do TJMS também apontou possível irregularidade na forma como o aumento foi implementado, inclusive com alterações sem publicação adequada em Diário Oficial, contrariando o princípio constitucional da anterioridade nonagesimal.

Embora a taxa do lixo não fosse objeto direto da ação, Pavan observou que mudanças na cobrança deveriam ocorrer por lei formal, e não por decreto, destacando a necessidade de respeito aos ritos legais na fixação de tributos.
 

 

 

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obras

Aeroportos de MS receberão investimento bilionário para ampliação e modernização

No total, 11 aeroportos serão beneficiados, sendo três em Mato Grosso do Sul, onde obras já estão em andamento

11/02/2026 17h44

Aeroporto de Campo Grande está em obras para instalação de fingers

Aeroporto de Campo Grande está em obras para instalação de fingers Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Três aeroportos de Mato Grosso do Sul receberão parte do investimento de R$ 9,2 bilhões do Plano de Investimentos em Ampliação e Modernização de Aeroportos, anunciados nesta quarta-feira (11) pelo governo federal, em Brasília.

O projeto envolve 11 aeroportos administrados pela Aena. No Estado, serão beneficiados os aeroportos de Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá.

Em todo o Brasil, também receberão investimentos os terminais de Congonhas (São Paulo/SP), Santarém (PA), Marabá (PA), Carajás (PA), Altamira (PA), Uberlândia (MG), Uberaba (MG) e Montes Claros (MG).

Conforme o governo federal, nos três aeroportos contemplados em Mato Grosso do Sul as obras de ampliação e modernização já estão em execução "em ritmo consistente".

O terminal de Ponta Porã já chegou a 79,61% de execução total. Em Corumbá, 67,10% das obras já foram executadas, enquanto em Campo Grande, atingiu 60,43%.

"O acompanhamento dos contratos indica que as unidades já se aproximam ou superam as etapas previstas, fortalecendo a conectividade aérea regional e a ligação do estado com os principais centros urbanos brasileiros", diz o governo federal, em nota.

Em Campo Grande, as obras estruturais incluem a construção de um segundo e de três pontes de embarque e desembarque de passageiros, os chamados fingers. As obras começaram em maio do ano passado, com previsão para entrega para junho de 2026.

A modernização dos aeroportos em Mato Grosso do Sul visa ampliar a capacidade operacional, reforçar a segurança dos voos e reduzir gargalos logísticos em regiões estratégicas do Estado e da Região Centro-Oeste.

As intervenções também devem contribuir para a atração de novas rotas, o fortalecimento da economia local e a integração de áreas produtivas do interior aos grandes centros urbanos.

Aeroporto de Campo Grande está em obras para instalação de fingersPrevisão é que obras sejam entregues ainda neste ano (Foto: Gerson Oliveira / Correio d Estado)

Projetoo

O Plano de Investimentos em Ampliação e Modernização de Aeroportos conta com R$ 5,7 bilhões em financiamento, sendo R$ 4,64 bilhões em apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Vinculado ao Novo PAC, o apoio contribuirá para alavancar outros investimentos, alcançando R$ 9,2 bilhões.

Durante a implantação do projeto, a estimativa é de geração de cerca de 2,8 mil empregos diretos e indiretos. Após as obras, serão mais de 700 novos empregos.

A Fase I-B das concessões compreende a ampliação e a adequação dos aeroportos para o atendimento às especificações mínimas de infraestrutura, para o aumento de capacidade operacional e para melhorias estruturais e de sustentabilidade.

Nessa etapa, estão os principais investimentos da concessão. O prazo para a conclusão é junho de 2028, no caso do Aeroporto de Congonhas, e junho de 2026, para os demais terminais.

Atualmente, os 11 aeroportos movimentam anualmente cerca de 29 milhões de passageiros. Com a elevação da capacidade operacional, eles estarão aptos para receber mais de 40 milhões de passageiros por ano.

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