Cidades

INSTABILIDADE

Temporários atrapalham leilão da folha dos servidores da Capital

Estudo mostra que apenas 60% são estáveis. Se todos fossem concursados, leilão poderia render em torno de R$ 44 milhões a mais

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Quatro em cada dez servidores ativos ou aposentados da prefeitura de Campo Grande têm vínculo empregatício temporário. E, por conta disso, o poder de barganha da administração municipal com as instituições bancárias na hora de leiloar a folha de pagamento simplesmente despenca. Se todos fossem concursados, valor mínimo para o leilão da folha poderia aumentar em torno de  R$ 44.

Conforme o estudo feito pelo Instituto Brasileiro de Tecnologia, Empreendedorismo e Gestão (BR TEC), dos 38.214 servidores municipais de Campo Grande, nada menos que 13.638 são temporários. 

E, como a qualquer momento podem deixar o serviço público, os bancos demonstram menos interesse em pagar algum valor à prefeitura para administrar a folha de pagamento destes servidores, já que fazem menos empréstimos e a qualquer momento podem fechar a conta. Conforme o edital publicado nesta segunda-feira (8), a administração está disposta a aceitar R$ 79,8 milhões no leilão, o que equivale a 

Um indício de que o alto número de temporários prejudica a negociação é o fato de que ao longo do último contrato, o valor médio mensal que o Bradesco pagou aos cofres municipais foi de apenas R$ 28,28 por servidor, o que equivale a apenas 46,59% da média que os bancos pagam pela folha nas capitais brasileiras, que foi de R$ 60,70, conforme a BR TEC.

TABELA SALARIAL SERVIDORES: FONTE- BR TEC

Para efeito de comparação, a prefeitura de São Paulo, por exemplo, fatura R$ 124,00 por mês. As prefeituras de Fortaleza e Salvador embolsaram R$ 92,00 e R$ 77,00, respectivamente, mensalmente por servidor nos últimos cinco anos. 

Neste estudo, todas as projeções são feitas com base no número de servidores concursados (15.590) e dos inativos, 7.316, além de parte dos 1.666 comissionados. Com base nestes números, o estudo prevê, em números atuais, que a prefeitura pode faturar pelo menos R$ 54,10 por mês por servidor que com vínculo fixo.

Porém, se a conta incluir os temporários, esse valor mensal cai para apenas R$ 34,00 por mês por servidor, o que mantém Campo Grande muito longe da média nacional das capitais. 

Se não houver ágio no leilão presencial previsto para o próximo dia 23, a BR TEC vai receber quase R$ 1,8 milhão pelo estudo, já que terá direito a 13% sobre o valor que superar o faturamento mensal de R$ 1,1 milhão, que é o valor atual que o Bradesco está pagando, embora o valor esteja quase dez milhões abaixo da última pedida feita pela prefeitura, que foi de R$ 87,4 milhões.

Para tentar convencer os bancos de que o número de temporários vai diminuir, exigência que já foi feita pelo Tribunal de Contas do Estado, o estudo da BR TEC lembra que “há concurso aprovado para preenchimento de 380 (trezentos e oitenta) vagas na Secretaria de Educação em 2024” e que “os servidores da Educação terão aumento salarial de 14,95%”. Porém, só na educação existem mais de 4 mil temporários. 

IMPCG

Para tentar atrair os bancos (Campo Grande tem 116 agências), o estudo “oferece” a transferência de todo o saldo bancário do Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande (IMPCG) para aplicações da rede bancária que oferecer mais. 

Em julho do ano passado, conforme o estudo da BR TEC, o IMPCG tinha aplicações de R$ 27,3 milhões, depositados principalmente em dois bancos oficiais. A decisão de uma possível transferência, porém, caberia a um conselho do próprio Instituto, que não é subordinado ao Executivo. Ou seja, o BR TEC oferece a transferência de um dinheiro sobre o qual a prefeitura não “apita”. 

Por outro lado, o estudo revela que que o Instituto está mal das pernas, pois já chegou a ter saldo superior a R$ 100 milhões em aplicações. Em Mato Grosso do Sul existem pelo menos 52 regimes próprios de previdência, incluindo o dos servidores estaduais. Juntos, eles têm mais de R$ 5 bilhões aplicados. 

Isso evidencia que os R$ 27,3 milhões são insignificantes. O volume é insuficiente até para quitar uma única folha de pagamento, já que o valor líquido daquilo que é pago mensalmente as inativos está na casa dos R$ 35 milhões. 

Enquanto isso, os servidores da ativa recebem em suas contas bancárias, conforme números de setembro do ano passado, R$ 125,5 milhões mensais, totalizando R$ 159,5 milhões. O valor total bruto da folha de pagamento dos servidores ativos e inativos do Município de Campo Grande é de R$ 216.183.134,80.

Literatura

Escritora de MS participa da Bienal do Livro de São Paulo

Jucelia Silva apresenta o romance "Antes de Nós" no estande da Editora Flyve durante o evento, que começou nesta sexta-feira

04/09/2026 17h30

Foto: Arquivo pessoal

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A escritora campo-grandense Jucelia Silva participa da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que começou nesta sexta-feira (4), na capital paulista. Autora do romance Antes de Nós, ela representa Mato Grosso do Sul entre os escritores que integram a programação do evento.

Jucelia está no estande da Editora Flyve, onde o livro será apresentado ao público. O romance aborda temas como memória, família, ancestralidade e pertencimento, a partir da relação entre diferentes gerações.

A participação ocorre após a escritora integrar eventos literários em Mato Grosso do Sul. Nos últimos meses, ela participou da Feira Literária de Bonito (FLIB), do projeto Leituras e Conversas, da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras, e do Sarau do Recanto, em Campo Grande.

Romance

Em Antes de Nós, a autora parte de uma pergunta sobre a vida dos pais e antepassados antes de eles ocuparem esses papéis dentro da família. A história transita entre campo e cidade e aborda relações familiares, diferenças sociais e raciais e as marcas deixadas pelas escolhas de gerações anteriores.

“Antes de Nós nasceu do desejo de olhar para aqueles que vieram antes e imaginar quem eram nossos pais antes de ocuparem esse lugar em nossas vidas. Estar na Bienal de São Paulo com esse romance é muito significativo para mim”, afirma Jucelia.

Além de escritora, Jucelia é professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), doutora em Letras e mestre em Estudos de Linguagens. Ela também integra a União Brasileira de Escritores de Mato Grosso do Sul (UBE-MS).

A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo segue até o dia 13 de setembro, reunindo editoras, autores e leitores no Distrito Anhembi. Antes de Nós também pode ser encontrado no site da Editora Flyve, na Amazon, com a autora e na Hámor Livraria, em Campo Grande.

Fronteira com MS

Cidade do Paraguai decreta folga em 7 de setembro e gera revolta

Prefeitura de Capitán Bado decretou ponto facultativo para liberar servidores e escolas para desfile da Independência do Brasil em Coronel Sapucaia, mas decisão provocou críticas até em Assunção

04/09/2026 17h29

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS)

Capitán Bado, separada por uma rua de Coronel Sapucaia (MS) Arquivo

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Um decreto do município de Capitán Bado, cidade paraguaia distante 400 quilômetros de Campo Grande, está causando polêmica no país vizinho. É que a prefeitura do município, localizado no Departamento de Amambay, decretou ponto facultativo na próxima segunda-feira (7), feriado de Independência do Brasil.

Capitán Bado é separada do Brasil apenas por uma rua. Região de fronteira seca, o município paraguaio é vizinho de Coronel Sapucaia (MS).

O jornal paraguaio El Nacional tratou a decisão da prefeitura paraguaia como “Vergonha Inexplicável”. A explicação do prefeito de Capitán Bado, feita por meio de nota, é que a decisão se justifica pela necessidade de liberar funcionários públicos e escolas para participar do desfile de 7 de setembro em Coronel Sapucaia.

A notícia chegou à capital paraguaia, Assunção. Algumas autoridades do país vizinho já pediram explicações.

Nas redes sociais, cidadãos paraguaios mais nacionalistas condenaram a atitude do prefeito, chamado de “intendente” no país vizinho. Outros não viram nada demais em decretar o ponto facultativo em consideração a uma cidade-irmã.

Outro questionou a soberania paraguaia: “Seria uma colônia do Brasil?”, disse.

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