Cidades

Cidades

Tragédias sem fim

Tragédias sem fim

Redação

17/03/2010 - 07h09
Continue lendo...

Na semana passada, o corpo de um garoto de 13 anos foi encontrado carbonizado num terreno baldio em Dourados. Embora estivesse com sinais de esfaqueamento, as autoridades policiais suspeitavam que ele tenha sido incendiado ainda vivo. Dois irmãos do garoto já haviam sido assassinados e agora é a mãe que está sob ameaças. Os três irmãos tinham alguma relação com consumo e tráfico de drogas. A morte do adolescente foi somente mais uma em meio a tantas na periferia de uma cidade do interior brasileiro. Na mesma semana, porém, o cartunista Glauco Villas Boas e seu filho Raoni foram assassinados em São Paulo e ao que tudo indica, o assassino, detido na fronteira com o Paraguai, estava sob efeito de entorpecentes ilegais, o que está provocando repercussão que casos desta natureza deveriam receber sempre. Quer dizer, as consequências do uso indiscriminado de drogas ilegais estão cada vez piores e atingindo gente de todas as classes sociais, embora as camadas inferiores da pirâmide social sejam as que mais sofrem. Nem com as sucessivas tragédias de repercussão nacional e muito menos com aquelas que diariamente são registradas nos quatro cantos do País, as autoridades ficam sensibilizadas no sentido de investir seriamente no tratamento dos dependentes químicos. O assassino confesso do cartunista Glauco é de família que, em tese, poderia até providenciar tratamento particular ao jovem de 24 anos. Mesmo assim, os últimos atos do estudante Carlos Eduardo Sundfeld evidenciam que os resultados de qualquer tipo de auxílio foram insatisfatórios. E, se em famílias de classe média determinadas tragédias são praticamente inevitáveis, imagine-se o destino dos jovens e crianças carentes, sem qualquer possibilidade de ajuda especializada. Combate ao narcotráfico resume-se, ainda, à perseguição de traficantes e apreensão de drogas. Porém, já está mais do que comprovado que o poder público, com esta estratégia, perdeu esta batalha há muito. O poder de fogo dos traficantes e sua capacidade de infiltração em negócios lícitos, na política e até mesmo em igrejas (na semana passada foram presos três “pastores” que tentavam levar sete fuzis para o Rio de Janeiro) são sinais mais do que suficientes para comprovar que esta guerra só poderá ser vencida a partir do momento em que houver investimentos sérios e pesados no tratamento de usuários. Hoje, as poucas alternativas que existem são de entidades ligadas a algumas igrejas, além de meia dúzia de vagas em hospitais para internação de pacientes psiquiátricos. Mas, para famílias carentes terem acesso a alguma dessas vagas é uma verdadeira viacrúcis, normalmente intransponível. É mais do que sabido que o narcotráfico é um preocupante problema mundial e acreditar em sua solução rápida seria ilusão. Porém, é impossível negar o retrocesso que Campo Grande e Mato Grosso do Sul estão vivenciando nos últimos anos, pois há cerca de duas décadas a rede de atendimento era bem mais ampla que na atualidade, embora a quantidade de usuários fosse menor e as drogas, menos nocivas.

Ajuda

Força Nacional reforça monitoramento para frear epidemia de chikungunya em Dourados

Governo federal enviou 20 profissionais para auxiliar no combate aos casos de arboviroses

19/03/2026 14h00

Foto: A.Frota / Prefeitura de Dourados

Continue Lendo...

A Força Nacional do Sistema Único de Saúde desembarcou nesta quarta-feira (18) em Dourados  para reforçar o enfrentamento à epidemia de chikungunya, que já provocou quatro mortes e centenas de casos, principalmente nas aldeias indígenas Jaguapiru e Bororó. A ação é parte de uma mobilização emergencial do Ministério da Saúde em meio ao avanço acelerado de arboviroses na região.

A operação reúne equipes da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) e da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), com foco no controle do mosquito transmissor, ampliação do atendimento e reorganização da assistência, especialmente nos territórios indígenas. A base da Força Nacional do SUS, criada em 2011 após o desastre na Região Serrana do Rio de Janeiro, é acionada quando estados e municípios atingem o limite de resposta local.

Entre as medidas adotadas, o Ministério enviou 20 profissionais de saúde, reforço logístico com viaturas para acesso às comunidades, busca ativa de casos, ampliação do atendimento por meio da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) e intensificação do combate ao mosquito com visitas domiciliares, eliminação de criadouros e aplicação de inseticidas.

Segundo o diretor da FN-SUS, Rodrigo Stabeli, a população segue assistida. “Estamos somando esforços com agentes locais, realizando ações de limpeza, busca ativa e cuidado aos doentes. Também há contratação de novos agentes de endemias e melhorias nas condições sanitárias”, afirmou.

Em nota, a prefeitura destacou que desde o início de março, aproximadamente 100 agentes de saúde e de endemias já vistoriaram mais de 2,2 mil residências em aldeias da região. As ações incluem mutirões de limpeza, coleta de resíduos e instalação de uma unidade móvel de atendimento para assistência imediata.

Como resposta ao aumento de casos, a Escola Municipal Indígena Tengatui Marangatu, na aldeia Jaguapiru, foi transformada em hospital de campanha. A estrutura começou a atender nesta terça-feira (17) e recebeu cerca de 80 pacientes no primeiro dia.

Apesar da redução na procura nesta quarta-feira por conta da chuva, equipes intensificaram a busca ativa nas casas, onde há relatos de famílias inteiras com sintomas como dores no corpo, nas articulações e náuseas.

A unidade foi implantada em parceria entre a Sesai e o Hospital Universitário da UFGD, com reforço de profissionais de Campo Grande e Caarapó.

Números

De acordo com o boletim epidemiológico mais recente, a Reserva Indígena de Dourados registra 407 casos notificados, 202 confirmados, 181 em investigação, 24 descartados e 4 mortes. As vítimas são todas da aldeia Jaguapiru, incluindo idosos e um bebê de 3 meses.

Na área urbana de Dourados, há 912 notificações, com 379 casos confirmados, mas sem mortes.

As ações de combate já incluem 4.319 imóveis vistoriados, 2.173 locais tratados, 1.004 focos do mosquito identificados, sendo 90% em caixas d’água, lixo e pneus, além de borrifação em 43 imóveis e mobilização de 86 agentes de endemias e 29 agentes indígenas de saúde.

A situação também afeta a rotina nas aldeias. Na escola Tengatui, cerca de 30 servidores apresentam sintomas, além de alta ausência de alunos. Nesta quarta-feira, escolas da Jaguapiru suspenderam as aulas por decisão das lideranças locais.

O secretário municipal de Educação, Nilson Francisco da Silva. informou que a paralisação não teve aval oficial e que o calendário segue mantido.

Já o secretário de Saúde, Márcio Figueiredo, destacou que, apesar do esforço do poder público, a colaboração da população é essencial. Ele reforçou que eliminar água parada é fundamental para reduzir os focos do mosquito.

A operação conta com atuação conjunta do Governo Federal, Estado e Município, além de órgãos como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Secretaria de Serviços Urbanos. O município também já atingiu 100% de oferta da vacina contra a dengue, enquanto as equipes reforçam a conscientização sobre prevenção.

O Ministério da Saúde segue monitorando o cenário e não descarta novas medidas para conter o avanço da chikungunya na região.

Assine o Correio do Estado

 

INTERIOR

MS firma acordo para levar energia trifásica para todos assentamentos até 2028

Programa tem investimento de R$178 milhões e terá extensão de mais de dois mil quilômetros de rede, com 500 transformadores trifásicos

19/03/2026 13h13

"Nós vamos transformar toda essa rede monofásica em trifásico. Significa a possibilidade, a liberdade desse agricultor familiar aumentar a produção pelo uso de equipamentos", disse Riedel Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

Nesta quinta-feira (19) o Governo do Estado realizou a assinatura do programa batizado de "MS Trifásico", uma política pública em iniciativa conjunto entre o Executivo Estadual e a Energisa Mato Grosso do Sul, levando energia trifásica para todos os assentamentos locais até 2028. 

Após o diagnóstico de que a rede monofásica é predominante em boa parte do Estado, que ainda encontra lugares com infraestrutura elétrica insuficiente, o Governo de Mato Grosso do Sul mira agora uma expansão aliada à inovação produtiva. 

Conforme exposto em agenda realizada na manhã de hoje (19), no Centro de Convenções Arquiteto Rubens Gil de Camilo, o programa propõe ampliação da infraestrutura elétrica, já que as limitações restringem a capacidade produtivo instalada; inviabiliza novos empreendimentos rurais; reduz a atratividade para investimentos e gera localmente uma estagnação econômica.

Esse documento foi assinado por: 

  • Eduardo Riedel, governador de Mato Grosso do Sul; 
  • Jaime Verruck, secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc);
  • Paulo Roberto dos Santos, diretor-presidente da Energisa MS
  • Antônio Matos, diretor técnico comercial da Energisa MS

 

Dados repassados pelo titular da Semadesc - em balanço levantado pela Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural (Agraer) - apontam que Mato Grosso do Sul conta atualmente com 71.232 agricultores familiares em território sul-mato-grossense.

"Estamos falando de uma população significativa e de uma atividade econômica extremamente relevante no Estado", disse Verruck, esclarecendo que o eixo sul concentra a maior densidade da produção familiar. 

Em números, quase metade desses 71,2 mil agricultores familiares (49%) são representados pela população assentada, com a agricultura tradicional respondendo por 28%, com cerca de 20 mil famílias, seguido de mais 13 mil famílias de povos indígenas. 

"Isso aqui é uma demanda da agricultura de familiar sul-mato-grossense, mais de 71 mil famílias que precisam de energia de qualidade, permanente, para que possam efetivamente olhar para a sua atividade econômica, sua produção, e ter capacidade de encontrar um futuro de em até dois anos aumentar a produção, qualidade e, fundamentalmente, melhorar, obviamente, a renda, que acho que é o objetivo de todos", complementou o chefe da Semadesc. 

MS Trifásico

Ao todo, o investimento beira a casa de R$178 milhões, que será compartilhado entre as partes, com o Governo do Estado e Energisa dando 50% cada. 

Conforme o diretor-presidente da Energisa, Paulo Roberto dos Santos, a abrangência do projeto consiste na extensão de mais de dois mil quilômetros de rede, com 500 transformadores trifásicos. 

Ou seja, o intuito é transformar desde a subestação até o medidor de uma rede de fase e, em tempo, Paulo Roberto dos Santos lembra que o agricultor e produtores rurais não terão custo em cima desse projeto. 

"Diferentemente de outros projetos, onde só houve um refazimento e não a instalação do composto de transformação. É um projeto completo. Originalmente a gente sabe que esses assentamentos e essas famílias foram atendidas por um projeto de universalização, sabidamente o 'Luz Para Todos'", diz. 

Diante disso, o diretor-presidente da Energisa explica que o "Luz para Todos" ofereceu uma universalização em MS, porém em um projeto monofásico, o que Paulo Roberto dos Santos considerou importante para a época. 

"Porque atendia as necessidades básicas dos indivíduos, como a capacidade para alimentar uma geladeira, às vezes um freezer, lâmpadas. E o projeto trifásico permite que a gente incorpore novos processos, adquira novos motores, novos dispositivos para melhorar a produtividade, a competitividade e o desenvolvimento socioeconômico de todas as famílias ", diz.  

A ideia é que todos os assentamentos sejam atendidos até 2028, contemplando 15 cidades, com a primeira fase a ser executada já neste ano de 2026 levando inicialmente uma cobertura trifásica para as localidades que ficam nos seguintes municípios: 

  1. Bonito, 
  2. Dois Irmãos do Buriti, 
  3. Dourados, 
  4. Maracaju, 
  5. Nioaque, 
  6. Nova Alvorada do Sul e 
  7. Rio brilhante)

"Nós vamos transformar toda essa rede monofásica em trifásico. Significa a possibilidade, a liberdade desse agricultor familiar aumentar a produção pelo uso de equipamentos, utilizar de transformação dessa produção na indústria, na sua propriedade, na indústria familiar", comenta Riedel. 

Segundo o Governador, Mato Grosso do Sul viu um aumento de 30% de sua demanda de energia elétrica nos últimos três anos, enquanto que no consumo a procura é ainda maior, fruto de crescimento que precisa ser acompanhado também pela agricultura familiar. 

"... que está produzindo alimentos, tem vontade também de crescer, avançar, e estava limitado por uma rede monofásica para a sua energia", conclui. 

Vale explicar a diferença da mono para a rede trifásica está tanto na quantidade de fases (por onde a energia corre) e também na capacidade de carga. 

Em outras palavras, enquanto o monofásico é composto por uma fase mais um neutro, sendo 1 disjuntor principal com 2 fios é indicado especialmente para residências comuns, o trifásico (com 3 fases + um neutro) tem 3 disjuntores principais e 4 fios, suportando assim as potências exigidas, por exemplo, por indústrias e comércios. 
 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).