Cidades

ENTREVISTA

'Tudo estava para explodir e íamos ter mesmos problemas', diz secretária de Educação

'Tudo estava para explodir e íamos ter mesmos problemas', diz secretária de Educação

MILENA CRESTANI

06/04/2014 - 18h30
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No dia da entrevista concedida ao Correio do Estado, a sala de espera para falar com a secretária municipal de Educação, Angela Brito, estava lotada. E assim tem sido todos os dias desde que assumiu. “Chego ao trabalho às 7 horas, nem saio para o almoço e consigo sair só à noite”, resume, sobre a rotina para tentar resolver todas as pendências da pasta. Os problemas são muitos: falta de uniformes, pagamento da merenda e do gás atrasado e qualificação de professores esquecida. “Tudo estava para explodir”, afirma. No entanto, Angela garante ter muita disposição para resolver as deficiências e lutar para concretizar os sonhos que almeja para melhorar a educação, amparada na experiência como professora da educação infantil e nas atividades que já desenvolveu como superintendente de gestão de políticas educacionais.

Como foi sua trajetória profissional até assumir agora o cargo de secretária municipal de Educação de Campo Grande?
Assumir um cargo dessa dimensão, como a Secretaria Municipal de Educação, não é algo que acontece de um dia para o outro. Venho construindo uma história como educadora. Fui professora de educação infantil. Comecei na rede estadual em 1982 e minha primeira escola foi a Professora Maria Lago Barcellos, que funcionava em parceria do Estado e da prefeitura, no Bairro Nova Bahia. Fui por 15 anos professora da educação infantil, depois coordenadora pedagógica e diretora de escola, tudo na rede pública. Em 1996, fui para a Secretaria de Estado de Educação trabalhar como técnica, no setor de qualificação profissional, com formação de professores. Fiquei até 2001 no Governo. Então, trabalhei na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) no curso de férias. Nesse período, me desliguei da rede pública para começar a lecionar na faculdade da Funlec, onde fiquei até 1 de janeiro de 2014. Em 2007, fui convidada pela professora Maria Cecília (ex-secretária municipal de Educação) para ser a superintendente de gestão de políticas educacionais.

Como foi esse período de trabalho na secretaria?
Realizamos muitos trabalhos gratificantes, com a oportunidade de concretizar muitos sonhos de educadora. Sempre fui uma educadora idealista. Sempre acreditei que por meio da educação a gente transforma o mundo, transforma as pessoas. Como educadora e superintendente, a gente teve a oportunidade de, com a parceria da secretaria e professores, concretizar alguns sonhos.

O que pode destacar destes sonhos realizados?
Uma questão que sempre nos incomoda é o aluno não aprender. Afinal, por que um aluno aprende e outro não? Quando entramos na rede, tínhamos um índice muito alto de reprovação, pelo menos, do ponto de vista do educador. Tínhamos em torno de 20% de reprovação quando começamos. Se você fala esse índice, inicialmente, pode parecer pouco, mas se pensarmos num total de 100 mil estudantes, teremos 20 mil reprovados. Aí é muita gente, são muitas escolas. Na gestão da professora Maria Cecília, primamos pela formação dos professores. Se você não tem professores bem formados, não tem educação de qualidade. Então, um dos sonhos foi investir na formação continuada, oferecendo pós-graduação para quem não tinha, além de organizar um calendário para, bimestralmente, termos paradas para estudos. Para melhorarmos o índice, nós fizemos a recuperação dos alunos no contraturno. O aluno que não obtinha a média, era convidado para, no outro período, participar da recuperação. É um investimento feito no aluno que não conseguia aprender no tempo do outro. Isso tem que ficar bem evidenciado, pois a criança não é deficiente, mas tem algum tipo de dificuldade e temos que atender essas necessidades. Viemos com esse trabalho e deu certo: melhorou o processo de ensino e aprendizagem ao longo desses anos. Quando saímos da gestão estávamos com índice baixíssimo de reprovação, próximo a meio por cento. E o que é importante, junto com qualidade. Não é só passar o aluno sem saber; ele precisa demonstrar que tem conhecimento.

Como comprovar que essa qualidade estava sendo mantida?
Tínhamos as avaliações da rede e a nacional, as quais demonstraram que os alunos estavam aprendendo mais. Nunca como gostaríamos que fosse, mas dentro da média positiva nacional e até acima. Quando saímos nosso Ideb era de 5,6. Também criamos um projeto que foi modelo para educação nacional, que é o Travessia Educacional do Jovem Estudante (Traje), na Escola Osvaldo Cruz. Agora, queremos voltar a fortalecer a escola. No Brasil, temos cerca de 4 milhões de jovens, entre 15 e 17 anos, que não finalizaram o ensino fundamental. No Estado temos 28 mil. Quando fizemos o projeto, tínhamos 4.300 somente em Campo Grande. O colégio surgiu para melhorarmos esse número. Em média, 600 alunos são atendidos na escola, que funciona desde 2010. O projeto foi premiado e o Ministério da Educação passou a chamar Campo Grande para discutir as políticas dos jovens nessa idade. Uma pena que ficou numa certa letargia, pois a gestão anterior não investiu na escola. Pretendemos retomar isso.

O que muda agora com a Educação Infantil sob responsabilidade de gestão da Secretaria de Educação e não mais da Assistência Social?
Na gestão do prefeito Nelson Trad Filho, começamos a transição pedagógica e já trabalhávamos com a formação dos professores, mas o prédio e a gestão continuavam com a Secretaria de Assistência Social (SAS). Essa passagem, foi quase obrigatória, porque só Campo Grande não tinha educação infantil vinculada à Educação. Agora a gestão é 100% nossa. Estamos adequando recursos humanos, a gestão dos diretores, a gestão patrimonial, que ainda está em transição. Estamos planejamento compras e definindo prioridades para os Centros de Educação Infantil. Muitos precisam, urgentemente, de melhoria física.

E como está o processo das unidades ainda em construção que ficaram praticamente paradas?
Estamos num momento de integração dos secretários, definindo as prioridades com o orçamento. Temos dois Ceinfs praticamente prontos, só dependendo de pouquíssimos materiais, que devem ser inaugurados em menos de 60 dias. Certamente, mais seis ficam prontos até o fim de 2014. No próximo ano, temos mais 15 que serão entregues, os quais já foram construídos tendo como base modelo do Ministério da Educação.

A senhora assumiu a secretaria já com uma série de problemas para resolver, a exemplo da falta de materiais escolares e uniformes. Como está a situação da pasta?
Temos que entender a população, pois o pai que precisa comprar o material terá que gastar de R$ 100 a R$ 200. Então, acreditando que receberá da prefeitura, ele decide investir esse dinheiro em outra coisa. Os pais não esperavam essa falta, pois os kits são distribuídos há anos. Vamos concluir a entrega até o dia 10, pois as carretas já estão chegando. Decidimos não mudar a logomarca, pois iria demorar mais e o prefeito (Gilmar Olarte) não tem essa vaidade.

E em relação aos uniformes?
O processo de licitação estava parado e deve ficar só para o início do segundo semestre.Vamos abrir a licitação porque queremos seguir a legalidade, dentro do mais rápido possível. Conversamos também com aproximadamente 15 fornecedores de alimentos, que estavam com os pagamentos atrasados. Entrei na secretaria e, no dia seguinte, tivemos reunião. A merenda ia parar. Eles nos deram um voto de confiança, pois havia risco de suspensão do fornecimento. A Secretaria de Planejamento começou a efetuar os pagamentos, bem como do fornecedor de gás, que também estava atrasado. Estávamos perto de vivenciar o mesmo problema do ano anterior em relação à merenda. Agora, estamos adequando o processo do transporte das crianças na área do campo. Tivemos que pedir um tempo, pois também está inadequado. Parece que tudo estava para explodir. Não tinha ideia que estava nessa situação. Estamos priorizando as necessidades: oferecer merenda de qualidade, entregar os kits e voltar a formação de professores.

Essa formação também havia sido suspensa?
Ano passado não teve. Vamos fazer levantamento dos professores, pois antes um dos critérios era que ele fosse efetivo. Muitos entraram agora e não têm (essa formação). Vamos fazer parcerias com as universidades para manter esse processo. A seleção dos docentes ocorre de forma diferente, de forma até meio humilhante para alguns professores, pois chamaram todos até a secretaria, fazendo duas horas de informação sobre como é a secretaria. Antes ele fazia o cadastro, o diretor convocava e encaminhava para nós. Nosso papel é fazer a formação. Precisamos acreditar no diretor para escolher sua equipe. Muitos já estavam preparados e já tinham recebido formação da secretaria, achando desnecessário como tudo aconteceu. Muitas pessoas já tinham cadastro, viajaram e acabaram perdendo, pois achavam que era como antes.   

Câmara Municipal

Aval para empréstimo de R$ 476 milhões para obras em Campo Grande será votado nesta terça

Prefeitura encaminhou dois projetos de lei à Câmara Municipal pedindo autorização para contratar operações de crédito junto à Caixa Econômica Federal

12/10/2026 16h01

Recursos do empréstimo serão usados para obras de infraestrutura viária

Recursos do empréstimo serão usados para obras de infraestrutura viária Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Os vereadores da Câmara Municipal de Campo Grande votam, na sessão ordinária desta terça-feira (13), autorização para que a prefeitura contrate operações de crédito de R$ 476,7 milhões junto à Caixa Econômica Federal para obras de infraestrutura na Capital.

São dois projetos a serem votados. No primeiro deles, nº 12.531/26, a prefeitura pede autorização para empréstimo de R$ 411,730 milhões no âmbito do Programa Pro-Transporte - Avançar Cidades, destinados à implantação de obras de qualificação de vias em diversos bairros.

Conforme mensagem encaminhada pelo Executivo Municipal à Câmara, a qualificação de vias envolve obras de:

  • Infraestrutura de pavimentação asfáltica implantada com as técnicas adequadas para melhorar as condições de trafegabilidade nas vias e nas conexões entre os bairros;
  • Infraestrutura de drenagem de águas pluviais, com implantação de dispositivos para coleta e destinação adequadas das águas pluviais e a complementação dos dispositivos com implantação de bocas de lobo e tubos de ligação destas aos poços de visita existentes;
  • Obras e serviços complementares visando implantação de calçadas com acessibilidade universal, sinalização viária e moderação do tráfego, incluindo vias que fazem parte de itinerário de ônibus nos bairros atendidos.

A prefeita Adriane Lopes (PP) destaca que Campo Grante tem experimentado um crescimento populacional constante e que os investimentos realizados ao longo das últimas décadas não acompanharam a demanda já existente, "apresentando um déficit em infraestrutura urbana e nos serviços públicos oferecidos".

"Os bairros que serão atendidos são já consolidados e possuem uma parcela significativa da população do município, que sofre com a ausência de infraestrutura adequada para o trânsito, saúde, educação e segurança. Essas áreas consideradas prioritárias, pois formam manchas de vazios em meio a loteamentos parcelados que carecem de pavimentação e dispositivos adequados para drenagem. Tal situação causa sério transtorno às áreas vizinhas que também sofrem com os problemas de poeiras, barro e dificuldade de acesso a serviços públicos de educação, saúde, assistência social e segurança", diz a mensagem da prefeita.

Os bairros que serão atendidos pelas obras, caso o empréstimo seja autorizado e contratado, ainda não foram divulgados.

A operação de crédito poderá ser contratada sem ou com garantia da União. Caso seja contratada sem garantia da União, o Município deverá dispor dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). 

No caso de a operação de crédito ser realizada com garantia da União, o valor pleiteado deverá
ser limitado ao total das parcelas previstas no âmbito do Plano de Promoção do Equilíbrio Fiscal (PEF), que é de R$156.099.957,27.

O segundo projeto de lei encaminhado, nº 12.532/26, pleiteia a autorização para contratar operação de crédito junto à Caixa no âmbito da linha de Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), no valor de R$ 65 milhões.

Os recursos também serão destinados ao financiamento de obras de infraestrutura de qualificação de vias em diversos bairros, envolvendo pavimentação e drenagem.

A justificativa para o empréstimo é a mesma do primeiro, sendo a necessidade de investimentos devido ao deficit entre o crescimento populacional e as obras já realizadas na década.

Ambas as propostas já receberam parecer favorável à tramitação da Procuradoria Municipal e da Comissão Permanente de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal.

Pacote de obras

A prefeita Adriane Lopes já havia informado, no dia 2 de julho deste ano, que aguardava a formalização dos mais de R$ 400 milhões em recursos federais a partir de 2027.

A declaração foi dada durante lançamento do Programa Vira CG Infraestrutura. Com investimento superior a R$ 280 milhões, o pacote contempla obras de pavimentação asfáltica, drenagem, recapeamento e implantação de ciclovias, com previsão de beneficiar 29 bairros e mais de 200 ruas.

“Estamos fazendo uma gestão que olha para a cidade como um todo. O nosso objetivo é transformar cada investimento em melhoria concreta na vida das pessoas e fazer com que esses avanços cheguem a todas as regiões de Campo Grande”, disse a prefeita na ocasião.

Com a contratação do empréstimo junto à Caixa no ano que vem, a expectiva é que o montante elevará o pacote de asfalto e drenagem para a marca de R$ 1 bilhão até 2028, beneficiando mais de 30 bairros.

Serviço:

A sessão ordinária da Câmara Municipal de Campo Grande, onde serão votados os projetos, começa às 9h e pode ser acompanhada presencialmente ou pelas transmissões ao vivo da TV Câmara, no canal 7.3, e pelo Youtube da Casa de Leis.

afogamento

Homem é encontrado morto após desaparecer no Rio Taquari

Familiares disseram que a vítima bebeu antes de entrar na água e teria sido arrastado pela correnteza

12/10/2026 15h16

Corpo da vítima foi encontrado dois dias após afogamento

Corpo da vítima foi encontrado dois dias após afogamento Foto: Coxim Agora

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O corpo de Antônio Sérgio de Lima, de 38 anos, que estava desaparecido desde a tarde de sábado (10), foi encontrado naa tarde desta segunda-feira (12), no Rio Taquari, em Coxim.

De acordo com informações do site Coxim Agora, no sábado, Lima estava em iuma praça, na região do porto próximo a ponte velha, e desceu até o porto, entrando na água por volta de 17h40, não sendo mais visto desde então.

Equipes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Civil foram acionadas e, inicialmene, as buscas começaram pelo local onde ele desapareceu, seguindo até um trecho mais abaixo do ponto indicado por testemunhas, mas a vítima não foi encontrada.

Uma equipe especializada de mergulhadores do Corpo de Bombeiros de Campo Grande foi deslocada para Coxim para reforçar as buscas pelo homem.

O corpo foi localizado no início da tarde desta segunda-feira.

Familiares de Lima informaram que ele teria ingerido bebida alcoólica antes de entrar na água e que teria sido arrastado por uma correnteza. A Polícia Civil investiga o caso para esclarecer as circunstâncias do incidente.

Segurança

No período de calor e feriados, é comum aumentar a procura por balneários, rios, lagos e piscinas e o Corpo de Bombeiros orienta que a população tome alguns cuidados fundamentais para garantir a segurança.

Confira algumas orientações dos bombeiros para evitar afogamentos:

  • Crianças devem sempre estar sob a supervisão de um adulto.
  • Obedeça às orientações e determinações dos guarda-vidas;
  • A existência de guarda-vidas não substitui a atenção e responsabilidade dos pais e/ou responsáveis;
  • Não faça uso de bebidas alcoólicas antes ou durante a permanência na água;
  • Evite brincadeiras que coloquem a segurança em risco, tais como “briga de galo”, competições de segurar o fôlego (apneia), entre outras.
  • Evite mergulhos “de ponta” em locais que não possuam conhecimento sobre a profundidade e relevo subaquático.Respeite as sinalizações de alerta e proibição;
  • Piscinas de clubes e condomínios devem possuir acessos restritos e placas com informações;
  • Caso presencie um afogamento, só tente salvar a vítima se for habilitado e esteja em boas condições físicas para a ação; caso contrário, se for possível a aproximação, lance algum objeto flutuante (boia, isopor, prancha, etc) que ajude a vítima a flutuar ou que possa agarrar e ser tracionada para a margem (cordas, galhos com boa resistência, etc);
  • Em caso de afogamento, acione o Corpo de Bombeiros Militar pelo número 193.

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