Cidades

ESPECIAL 123 ANOS

Uma vez por mês, Praça da Bolívia celebra o que há de melhor na Capital

Evento cultural é formado por famílias bolivianas na Praça do Bairro Coophafé

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O vínculo com a comunidade boliviana começou a ser fortalecido a partir de 2005, com a inauguração da Praça da Bolívia, localizada na Rua das Garças, no Bairro Coophafé, em Campo Grande.

A professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Suzana Vinicia Mancilla relatou que a Feira da Bolívia realizada todo segundo domingo de cada mês é resultado do trabalho de diversas famílias com origens bolivianas.

“Este projeto nasceu com o então cônsul da Bolívia em Campo Grande, Antonio Mariaca, meu irmão Edgar Mancilla e sua esposa, Miska Thomé, bem como, a família Zurita e suas deliciosas saltenhas bolivianas”, disse.

Conforme a professora, a Feira da Bolívia teve o intuito de congregar os bolivianos residentes em Campo Grande. “E acredito que de certa forma cumpriu e ainda cumpre seu objetivo nesses 17 anos”, afirmou Mancilla.

De 2009 até março deste ano, o Grupo Folclórico Boliviano T’ikay esteve à frente da administração da Praça da Bolívia, sendo responsável ainda pelo encontro mensal no segundo domingo. Com início às 9h e finalizando geralmente às 14h30min, a próxima edição do evento já está marcada e será realizada no dia 11 de setembro.

Apesar do nome da Praça remeter apenas à Bolívia, no decorrer dos últimos 17 anos, o evento cultural transcendeu as conexões dos bolivianos apenas com os campo-grandenses e se tornou um verdadeiro alento, refúgio e oportunidade para imigrantes de diferentes nacionalidades mostrarem a sua arte, fazerem amizade e comercializarem seu trabalho.

No espaço, além das deliciosas barracas de comidas típicas bolivianas, com a saltenha sendo a protagonista, a Praça da Bolívia passou a oferecer ao longo dos anos um cardápio rico em diversas culturas e costumes.

O evento cultural conseguiu resgatar, acima de tudo, a arte da conexão humana daqueles que uma vez por mês tiram um tempo de seu dia a dia atarefado para ouvir uma boa música, sentar na grama, trocar experiências e apreciar o melhor que cada canto do mundo tem a oferecer.

APRESENTAÇÕES

As apresentações durante a Feira da Bolívia contemplam diversos ritmos. Dos tradicionais, Suzana Vinicia Mancilla explicou que as danças típicas da Bolívia representam cada região do país vizinho.

“O que posso dizer é que cada dança apresenta uma representação simbólica do lugar, dos seus habitantes e seus costumes e crenças. Muitas vezes, as danças estão vinculadas ao aspecto religioso, pois os dançarinos dançam em homenagem a uma santa, como é o caso da Virgem de Urkupiña, festividade que tem origem em Cochabamba, celebrada nos dias 14, 15 e 16 de agosto”, relatou.

Ritmos brasileiros também passaram ao longo dos anos a fazerem parte do leque cultural dos domingos de evento. Música tradicional gaúcha, forró e danças que remetem ao oriente médio também foram integradas nas apresentações culturais.

O Grupo Mahila foi uma das atrações que se apresentou no evento deste mês de agosto na Feira da Bolívia. Ao Correio do Estado, uma das integrantes do grupo, a coreógrafa Morgana Shayra, 42 anos, explicou que diferentes influências formaram o estilo American Tribal Style (ATS).

“O American Tribal Style é um estilo de dança americano. Ele é uma fusão com a dança árabe, a dança indiana e a flamenca. Temos na dança vários aspectos da influência de diferentes culturas”, relatou Shayra.  

Campo Grande como a terra de novas oportunidades  

Durante a celebração dos 123 anos de Campo Grande, a professora universitária Suzana Mancilla ressaltou que a Capital é rota de novas oportunidades por ser uma cidade jovem e com potencial.

“Só tenho palavras de agradecimento e carinho com seu povo que é composto de uma rica diversidade. Faço votos que continuemos crescendo com atitudes de acolhimento com as pessoas que buscam este território para viver e fazer sua vida, e que também tenhamos sempre reconhecimento pelos primeiros habitantes locais”, reiterou Mancilla.

Entraves

Duplicação da BR-163 provoca bloqueio e pode gerar 40 demissões em posto de combustível

Concessionária que administra a BR-163 destacou que duplicação do trecho deve ser concluída em agosto próximo

04/03/2026 16h45

Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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A duplicação da BR-163, em Mato Grosso do Sul, tem provocado mudanças no tráfego na região de Campo Grande e Jaraguari e com isso, impacto temporário no acesso a estabelecimentos às margens da rodovia.

Em Campo Grande, o sócio-proprietário do Posto Platinão afirmou que a redução no fluxo de veículos pode resultar na demissão de até 40 funcionários, uma vez que a Motiva Pantanal, responsável pelas obras que neste momento ocorrem na altura do km 459, bloquearam o acesso a um dos postos da empresa que possui estabelecimentos em ambos os sentidos. 

A situação de momento é a seguinte: quem chega em Campo Grande via São Paulo, não tem acesso ao posto de combustível, uma vez que a rodovia foi bloqueada para obras e impossibilitou o acesso ao retorno então existente.

Contudo, quem segue no sentido contrário, consegue acessar a outra unidade do posto, localizada poucos metros à frente. 

Em entrevista ao Correio do Estado, Mário Cesar Neves, 69 anos, afirmou que a redução no fluxo de clientes ocorre há cerca de 20 dias e que a situação pode comprometer a manutenção de 40 postos de trabalho, cujo custo mensal gira em torno de R$ 200 mil, sem considerar serviços terceirizados. 

"Não quero nada mais do que os meus concorrentes já possuem, tenho custos de aproximadamente R$ 5 mil por funcionário e se isso [duplicação] se manter até o prazo que a concessionária nos deu, possivelmente terei que fazer cortes", disse.

Em retorno, a empresa que administra a BR-163 destacou que a finalização da duplicação do trecho deve ser concluída em agosto próximo, conforme o cronograma, e que medidas operacionais serão adotadas para "garantir a mobilidade local".

De acordo com a empresa, os trechos entre os quilômetros 454 e 452, em Campo Grande, e entre os quilômetros 510 e 511, em Jaraguari, têm previsão de entrega para agosto de 2026.

Já os segmentos entre os quilômetros 454 e 460, também na Capital, e entre os quilômetros 535 e 546, em Bandeirantes, devem ser concluídos até agosto de 2027, ao final do segundo ano de concessão.

A concessionária destacou que as obras visam ampliar a capacidade da rodovia, melhorar a fluidez do tráfego e reforçar a segurança viária. 

"Dor de cabeça"

Questionada sobre as dificuldades de acesso ao novo complexo do posto de combustível, a empresa reconheceu que a duplicação interfere temporariamente no fluxo de veículos na região e para minimizar os impactos, será implantado um retorno operacional na altura do km 459 , permitindo que veículos leves e pesados que seguem no sentido norte realizem o retorno com mais segurança durante o período de obras.

A concessionária também informou que está prevista a construção de uma rotatória alongada no km 456, em Campo Grande, como parte das melhorias incluídas no Programa de Exploração da Rodovia (PER). 

Enquanto as intervenções seguem em andamento, a concessionária afirma que as medidas provisórias buscam assegurar a continuidade do acesso aos estabelecimentos da região e reduzir impactos até a conclusão definitiva das obras.

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tramita na Alems

Projeto quer permitir sepultamento de animais em jazigos familiares de cemitérios

Proposta afirma que animais de estimação são considerados membros da família em muitos lares e quer regulamentar sepultamento junto aos tutores em cemitérios tradicionais

04/03/2026 16h30

Projeto quer permitir que animais sejam sepultados junto aos tutores em cemitérios tradicionais

Projeto quer permitir que animais sejam sepultados junto aos tutores em cemitérios tradicionais Foto: Reprodução / Alerj

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Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) quer permitir que animais sejam sepultados em conjunto em jazigos familiares de cemitérios tradicionais de humanos em Mato Grosso do Sul.

A proposta, de autoria do deputado Lucas de Lima (sem partido) está em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR).

No projeto, é considerado animal de estimação o cachorro, gato ou qualquer outro animal doméstico que mantenha vínculo afetivo reconhecido com a família tutora.

Já o jazigo familiar é o espaço tradicional em cemitérios destinado à sepultura de membros de uma mesma família, com a proposta permitindo a possibilidade de extensão ao sepultamento de seus animais de estimação.

Caso o projeto seja aprovado e a lei sancionada, os cemitérios ficam autorizados a permitir que o animal seja sepultado junto ao dono ou outra pessoa da família humana, porém, mediante a solicitação do titular do jazigo e consentimento formal dos demais cotitulares do jazigo.

O sepultamento de animais de estimação deverá obedecer as seguintes condições:

  • apresentação de declaração de óbito emitida por médico-veterinário;
  • acondicionamento adequado do corpo, em conformidade com a regulamentação da vigilância sanitária;
  • destinação segura de resíduos decorrentes do processo de sepultamento;
  • prevenção de impactos ambientais no solo e águas subterrâneas.

O texto prevê ainda que seja "facultado aos cemitérios a criação de espaços memoriais físicos, tais como placas, columbários ou jardins, e memoriais digitais, com registros virtuais acessíveis por meio eletrônico", como forma de assegurar às famílias o direito de preservar a memória dos animais de estimação sepultados.

Os cemitérios poderão oferecer serviços adicionais de despedida e luto, respeitando-se a diversidade religiosa e cultural, inclusive cerimônias simbólicas ou memoriais de caráter multiespécie.

Justificativa

Na justificativa da proposta, Lucas de Lima cita dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), que aponta que o Brasil possui aproximadamente 168 milhões de animais de estimação, sendo o segundo maior mercado pet do mundo.

"Em milhões de lares, cães, gatos e outros animais são considerados membros da família, compondo o que a doutrina jurídica e a bioética já denominam de família multiespécie", diz o deputado.

"O projeto de lei busca regulamentar uma demanda crescente da sociedade brasileira: o sepultamento digno de animais de estimação, reconhecendo a relevância do vínculo afetivo estabelecido entre humanos e seus companheiros não humanos, além de oferecer uma alternativa sanitária e ambientalmente adequada à destinação de seus corpos", acrescenta, na justificativa da proposta.

Ainda segundo o parlamentar, como atualmente não há regulamentação sobre destinação de animais mortos, frequentemente há o descarte em lixo comum ou terrenos baldios, o que gera riscos ambientais.

"A Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022) alerta que até 30% dos resíduos de origem animal descartados de forma inadequada podem contaminar o solo e os lençóis freáticos, comprometendo a saúde pública”, traz a justificativa da matéria. 

Do ponto de vista social, são citadas pesquisas recentes que demonstram que o luto pela perda de um animal de estimação é comparável, em intensidade, ao luto por familiares humanos e que esta situação reforça, segundo o texto, a necessidade de políticas públicas que respeitem a realidade emocional das famílias tutoras.

O deputado ainda ressalta que a prática de sepultamento conjunto de animais de estimação e humanos já é autorizada em alguns municípios, como São Paulo e Rio de Janeiro.

Por fim, é citado que, no campo econômico, a economia pet movimentou mais de R$ 60 bilhões em 2023 no Brasil.

"Essa magnitude revela não apenas a centralidade dos animais de estimação nas famílias, mas também o impacto positivo que a regulamentação poderá gerar no setor funerário, com a criação de novos serviços, empregos e parcerias público-privadas", conclui.

Caso tenha parecer favorável na CCRJ, o projeto de lei irá para discussão e votação no plenário.

 

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