O Hospital Unimed Campo Grande poderá ganhar 40 novos leitos de internação e observação, além de consultórios e espaços destinados ao atendimento de urgência e emergência. A ampliação faz parte de um projeto apresentado pela cooperativa médica à Prefeitura da Capital, que prevê a construção de um novo bloco hospitalar com aproximadamente 4,3 mil metros quadrados, distribuídos em dois pavimentos.
Os detalhes constam no Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV), elaborado em setembro deste ano e disponibilizado para consulta pública pela Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb).
A proposta foi oficializada para análise da população por meio de editais publicados no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande) desta segunda-feira (19).
Localizado na Avenida Mato Grosso, nº 4.566, no Bairro Carandá, o hospital funciona desde 2015 e pretende expandir sua estrutura para acompanhar o crescimento da demanda por serviços médicos, especialmente os atendimentos de curta permanência.
O planejamento estabelece um prazo de nove meses para a execução das obras, contado a partir do início dos trabalhos. Entretanto, a construção ainda depende da aprovação do projeto pelos órgãos municipais responsáveis, e não há uma data definida para o começo dos serviços.
A proposta também será apresentada e discutida em audiência pública marcada para o dia 1º de dezembro, quando moradores, representantes de entidades e demais interessados poderão conhecer os impactos previstos e apresentar questionamentos.
Novo prédio terá 40 leitos e ampliará pronto atendimento
De acordo com o estudo, o hospital possui atualmente 22,2 mil metros quadrados de área construída. O projeto acrescentará cerca de 4,3 mil metros quadrados, o equivalente a aproximadamente 19% da estrutura existente.
A nova edificação será construída em parte da área atualmente utilizada como estacionamento do pronto atendimento e ficará integrada ao prédio hospitalar em funcionamento.
O objetivo é ampliar a capacidade assistencial da unidade, principalmente nos setores de urgência e emergência, com novos consultórios, ambientes de apoio e espaços destinados à observação e à internação de pacientes.
Um dos principais pontos do projeto é a criação de 40 leitos adicionais, distribuídos entre observação e internação na modalidade hospital-dia.
Um levantamento divulgado em julho deste ano pela empresa de tecnologia hospitalar MV aponta que o Hospital Unimed de Campo Grande realiza cerca de 10 mil atendimentos assistenciais e mais de 950 cirurgias por mês.
Nesse modelo de atendimento, os pacientes permanecem na unidade durante um período limitado, estimado pelo estudo em até 12 horas, para acompanhamento médico, realização de procedimentos e recuperação assistida, conforme a necessidade clínica.
A previsão é de que os novos espaços permitam acomodar melhor os pacientes que necessitam de cuidados após o atendimento inicial, além de reorganizar os fluxos internos da unidade.
O estudo aponta que a ampliação responde à crescente procura pelos serviços da cooperativa médica e às transformações nas necessidades de atendimento da população.
Entre os fatores considerados estão o envelhecimento populacional, o avanço dos procedimentos médicos e a necessidade de modernização das instalações hospitalares.
A documentação ressalta, ainda, que a construção será incorporada à estrutura existente, sem alterar o funcionamento ininterrupto da unidade, que atualmente presta atendimento 24 horas por dia.
Ampliação poderá gerar novos empregos
Além do aumento da capacidade hospitalar, o projeto apresenta estimativas de geração de empregos durante a construção e após a entrada em funcionamento dos novos espaços.
Na etapa de execução das obras, a previsão é de aproximadamente 60 postos de trabalho diretos e indiretos, envolvendo operários, profissionais técnicos e fornecedores.
Com a conclusão da ampliação, o estudo estima a necessidade de outros 60 funcionários para atender à nova demanda assistencial.
O cálculo considera principalmente a quantidade de leitos planejados e os parâmetros de dimensionamento de pessoal utilizados pela equipe responsável pelo levantamento.
A expansão deverá envolver atividades assistenciais e administrativas, embora o documento não detalhe quantos profissionais serão contratados por especialidade nem estabeleça um cronograma de admissões.
Os números representam estimativas técnicas apresentadas para avaliação dos impactos do empreendimento, não constituindo anúncio de abertura imediata de vagas.
A expectativa apresentada no estudo é de que o aumento da estrutura física contribua para a oferta de serviços médicos e fortaleça a presença de estabelecimentos de saúde na região do Carandá, onde também está localizado o Hospital Cassems.
Estacionamento será reorganizado e trânsito passará por avaliação
A construção do novo bloco exigirá modificações na organização do estacionamento do Hospital Unimed, uma vez que parte da área atualmente utilizada pelos veículos será ocupada pela edificação.
O projeto prevê a realocação das vagas afetadas e a ampliação dos espaços destinados ao estacionamento, incluindo vagas comuns, reservadas a pessoas com deficiência, idosos e motociclistas.
As mudanças buscam acomodar a demanda adicional de pacientes, acompanhantes e funcionários, preservando as condições de acesso à unidade.
O estudo também analisa os reflexos da ampliação no trânsito da região, especialmente na Avenida Mato Grosso e em vias próximas ao hospital.
O acesso principal continuará sendo realizado pela Avenida Mato Grosso, com acessos secundários pelas vias do entorno.
Para avaliar a capacidade de circulação, foram considerados pontos de contagem em cruzamentos próximos ao empreendimento, com projeções do volume de veículos após a ampliação.
O levantamento estima aproximadamente 200 deslocamentos adicionais por dia relacionados à operação dos novos espaços, considerando viagens de ida e volta de funcionários, pacientes e acompanhantes.
Embora a avaliação geral apresentada pela equipe técnica seja de que a infraestrutura viária poderá absorver o aumento da circulação, as simulações apontam alterações em determinados movimentos.
Em um dos cenários analisados, o nível de serviço de um trecho passa da classificação C para D. Na categoria C, o trânsito ainda apresenta fluxo estável, embora com algumas limitações de velocidade e movimentação dos veículos.
Já a classificação D indica tráfego mais intenso, com redução da velocidade, maior dificuldade para realizar manobras e menor fluidez, representando uma piora nas condições de circulação da via.
Apesar dessa mudança pontual, a conclusão do estudo é de que a ampliação não provocará impacto negativo significativo sobre a capacidade geral das vias analisadas.
As projeções ainda poderão ser avaliadas pelos órgãos municipais durante o processo de análise e aprovação do empreendimento.
Projeto prevê medidas para reduzir impactos ambientais
A localização do hospital, nas proximidades do Parque das Nações Indígenas e da área de influência do Parque Estadual do Prosa, também exige atenção aos efeitos ambientais da ampliação.
Segundo o documento, a construção será realizada em uma área já utilizada pelo hospital, sem previsão de retirada de árvores ou supressão de vegetação nativa para implantação do novo bloco.
Entretanto, o estudo reconhece que a ocupação do terreno exige medidas para controlar a drenagem das águas da chuva.
A área permeável informada corresponde a aproximadamente 20% do terreno, enquanto os parâmetros urbanísticos apresentados no próprio levantamento estabelecem um índice mínimo de 25%.
Para compensar os efeitos da impermeabilização, o projeto considera a implantação de estruturas destinadas à captação e retenção de águas pluviais, além de soluções paisagísticas que favoreçam a infiltração.
Essas medidas deverão ser submetidas à avaliação na etapa de licenciamento ambiental.
O estudo também identifica impactos temporários associados à execução das obras, como produção de poeira, ruídos, vibrações e circulação de veículos utilizados no transporte de materiais.
Para reduzir esses efeitos, são previstas ações de controle ambiental no canteiro de obras, gerenciamento dos resíduos da construção e organização das atividades de maneira compatível com o funcionamento do hospital.
A documentação prevê que a unidade permaneça em operação durante a ampliação, o que exigirá cuidados para minimizar interferências no atendimento aos pacientes.
Obras estão previstas para durar nove meses
A Unimed prevê um prazo de nove meses para a conclusão das obras, contado a partir do início dos trabalhos, que ainda dependem da aprovação do projeto pela Prefeitura de Campo Grande.
O estudo não apresenta o valor do investimento nem uma data definida para a entrega da estrutura. Também não detalha a distribuição dos 40 novos leitos e as especialidades que ocuparão os consultórios.
A ampliação busca modernizar o hospital e aumentar a capacidade de atendimento aos pacientes.
Audiência pública será realizada em dezembro
A ampliação do Hospital Unimed será discutida em audiência pública no dia 1º de dezembro, às 18 horas, na sede da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb), localizada na Avenida Calógeras, nº 356, com entrada pela Rua Dr. Mário Corrêa, em Campo Grande.
O encontro, previsto no Edital nº 86/2026, também será transmitido pelo canal da Educação Ambiental da Planurb no YouTube.
A população poderá apresentar sugestões e contribuições entre os dias 6 e 27 de novembro, presencialmente na Planurb ou pelo e-mail [email protected].



