Cidades

QUESTÃO INDÍGENA

Usando tornozeleira, ex-candidato ao governo de MS, Magno Souza, é liberado da prisão

Indígena foi preso com mais nove pessoas após protesto em área reivindicada por povos originários

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Após 23 dias preso, o ex-candidato ao governo de Mato Grosso do Sul, Magno Souza, que concorreu ao cargo pelo Partido da Causa Trabalhista (PCO), foi liberado, mas precisará usar tornozeleira eletrônica para monitoramento. 

Embora a decisão do desembargador Nino Toldo, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, tenha sido expedida na sexta-feira (28), o indígena foi liberado só nesta terça-feira (28).

Conforme já informado pelo Correio do Estado, Magno deveria aguardar o retorno dos trabalhos na Unidade Mista de Monitoramento Virtual Estadual, ligada à Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), responsável pelas tornozeleiras e que não tem expediente aos fins de semana e feriados. 

A liberação, com o uso do equipamento, foi efetivada na tarde de hoje e Magno já está em casa, que fica na área de retomada indígena Yvu Vera, em Dourados, onde ele mora com a família. 

Magno foi preso no dia 07 de abril, com mais nove indígenas que realizavam um protesto próximo à área de retomada onde moram contra a construção de um condomínio de luxo na região, que é reivindicada como território ancestral pelos Guarani Kaiowá. Neste dia, apenas um senhor de 77 anos foi liberado, a pedido da Defensoria Pública da União (DPU), que acompanha o caso. 

Conforme já mostrado pelo Correio do Estado, quando já estavam há 20 dias presos, a ministra dos Povos Indígenas, Sônia Guajajara, enviou um ofício ao TRF3 no qual pedia que o caso dos indígenas fosse analisado com prioridade e que fossem liberados. 

Ainda de acordo com Guajajara, a prisão em meio a reivindicação do território indígena só desestabilizou a comunidade à qual os indivíduos pertencem. O desembargador acatou o pedido e o argumento da ministra, expedindo alvará de soltura no mesmo dia. 

CONFLITO E INCÊNDIO 

Além do conflito entre indígenas e a Polícia Militar, ainda houve um incêndio que atingiu diversas moradias da retomada indígena, após a prisão do grupo que protestava. A informação foi divulgada pela Aty Guasu - Assembleia Geral do povo Guarani Kaiowá. 

A Assembleia ainda alega que os responsáveis pelo ataque são pessoas ligadas ao grupo Corpal, empreiteira multimilionária que está interessada em construir o condomínio que motivou os protestos por parte dos indígenas.

Anderson Santos ainda afirmou que a área onde o conflito aconteceu aguarda a demarcação pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). 

Além disso, ele aponta que a ação da PM foi realizada sem mandado judicial.

Expansão

Amazonas ganha quatro reservas de desenvolvimento sustentável

Áreas somam cerca de 669 mil hectares de unidades de conservação

08/09/2026 23h00

Foto: Fabíola Sinimbú / Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto criando quatro reservas de desenvolvimento sustentável no Amazonas. A medida protege a biodiversidade e os modos de vida agroextrativistas das populações locais, em categoria de unidade de conservação que admite o uso sustentável dos recursos pelos moradores.

As reservas são Tupana Igapó-Açu I, no município de Borba; Tupana Igapó-Açu II, em Beruri e Tapauá; Canaã, em Careiro e Arautazes; e Mirari, em Humaitá. Somadas, as reservas chegam a cerca de 669 mil hectares.

Lula também assinou decreto que amplia em 7.192 hectares o Parque Nacional de Sete Cidades, no Piauí,  totalizando a área em 13.502 hectares. Em discurso, o presidente disse que a proteção total do meio ambiente só ocorrerá quando a sociedade perceber o quão lucrativo é o turismo em áreas preservadas para “descansar e conhecer a nossa riqueza”.

“[A sociedade] vai ter o dinheiro suficiente para justificar que a floresta em pé é mais rentável que uma floresta derrubada ou queimada”. A assinatura dos decretos ocorreu em alusão ao Dia da Amazônia, celebrado em 5 de setembro.

Na ocasião, o Serviço Florestal Brasileiro assinou os contratos de concessão das Unidades de Manejo Florestal II e III da Floresta Nacional (Flona) de Humaitá, no Amazonas, com prazo de 40 anos. Os contratos abrangem 162,7 mil hectares e concluem a concessão das três unidades da Flona de Humaitá, que totalizam 200,9 mil hectares sob manejo sustentável.

Quilombolas

O evento também marcou a destinação de R$ 50,5 milhões do Fundo Amazônia, em recursos não reembolsáveis, ao projeto Naturezas Quilombolas. A verba deverá apoiar a gestão territorial e ambiental de comunidades quilombolas na Amazônia Legal, com previsão de elaboração e implementação de planos de gestão em mais de 16 territórios. O projeto, com prazo de 60 meses, será executado pela Fundação Guamá.

Justiça

Diretores da PF apoiam Andrei Rodrigues e colocam cargos à disposição

Diretor-geral foi afastado preventivamente por André Mendonça

08/09/2026 22h00

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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Onze diretores da Polícia Federal divulgaram nesta terça-feira (8) uma carta manifestando “total apoio” ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que foi afastado preventivamente do cargo pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). 

Na carta, os diretores expressam apoio também ao diretor de inteligência da PF, Leandro Almada, que também foi afastado. Eles colocaram o cargo à disposição do diretor interino da PF, William Marcel Murad. 

“Da mesma forma como a Instituição Polícia Federal tem, em sua história e feitos, a razão de sólida admiração dos brasileiros, o Dr. Andrei também conta com um percurso profissional dedicado à defesa da PF, com atuação técnica, isenta e responsável”, diz o texto. 

Andrei foi afastado por Mendonça na manhã desta terça. Segundo a decisão, o diretor-geral da PF teve participação no monitoramento ilegal do ministro durante o mês de agosto, quando ao menos seis relatórios internos foram produzidos. 

O texto assinado pelos diretores da PF continua afirmando que “narrativas marcadamente influenciadas por interesses político-eleitorais não têm o poder de apagar a história, a reputação e a trajetória profissional de quem quer que seja”. 

A nota fala ainda de “ataques” à PF e “usurpação de funções”, completando ser do interesse público que os diretores defendam uma instituição capaz de assegurar o Estado Democrático de Direito.

“Para que fique absolutamente claro, repudiamos toda e qualquer tentativa de imputar a eles ou à Polícia Federal uma atuação não republicana. Tais acusações, desprovidas de fundamento, afrontam a história, a credibilidade e o compromisso institucional que sempre pautaram suas condutas. Neste ato, colocamos nossos cargos à disposição do Diretor-Geral substituto”, conclui o texto. 

A decisão monocrática que afastou Andrei chegou a ser colocada em julgamento na Segunda Turma do STF, que formou maioria de três entre cinco ministros para confirmar a medida. O desfecho da análise foi adiado por um pedido de vista (mais tempo de análise) feito pelo ministro Gilmar Mendes. 

Além de Mendes e Mendonça, compõem a turma os ministros Luiz Fux e Nunes Marques, que votaram a favor do afastamento, e Dias Toffoli, que ainda não se posicionou.

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