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Vice-cacique é assassinado em área tensa de conflitos entre indígenas e policiais em MS

Givaldo Santos, de 40 anos, teria sido abordado por dois homens em uma moto e recebido, pelo menos, quatro tiros.

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O vice-cacique das tribnos Kaiowá e Guarani, Givaldo Santos, de 40 anos, foi morto a tiros no início da noite da última sexta-feira (1) na Reserva Taquaperi, na região entre Coronel Sapucaia e Amambai. 

De acordo com relatos locais, ele foi abordado por dois homens em uma moto enquanto esperava o irmão voltar do trabalho em uma espécie de parada na MS-289 chamada Chapeuzinho. 

Em protesto, indígenas ameaçaram começar um movimento na rodovia, mas, após negociações com a Polícia, o movimento foi desfeito. 

Segundo a esposa de Givaldo, ele não nutria desavenças internas ou externas, nem havia recebido ameaças recentes. 

Pelo relato, dois homens teriam aparecido na residência da família perguntando por "Nivaldo". Como ele já havia saído, os homens seguiram seu caminho. Após o ocorrido, outras famílias relataram terem sido abordadas pelos mesmos homens durante o dia perguntando sobre outros indígenas. 

Vice-cacique deixa cinco filhosEscreva a legenda aqui

Indígenas que estavam próximos ao local da execução afirmaram que ouviram, pelo menos, quatro disparos. Um deles, atingiu a cabeça de Givaldo, que morreu no local antes da chegada do socorro. 

“Nos matam feito animais, não respeitam a nossa vida. Givaldo era pai de cinco filhos. Como ficam essas crianças agora? Será que temos de aceitar calados que nos matem, nos abatam como bichos? Cadê as autoridades para mostrar que existem leis nesse Brasil? Tudo isso logo depois da polícia fazer uma guerra na [Reserva] Limão Verde”, afirmou um indígena. 

Conflito policial

A região onde ocorreu o assassinato do vice-cacique Kaiowá-Guarani tem sido alvo de conflitos recentes entre indígenas e policiais. No dia 25 de abril, a comunidade da aldeia realizou a retomada da Fazenda Limoeiro, situada na Reserva Limão Verde, entrando em conflito entre funcionários da fazenda e a força policial. 

O embate resultou na prisão de cinco indígenas (dois homens e três mulheres), acusados de crimes como invasão, depredação e incêndio. Duas indígenas tiveram a prisão convertida em domiciliar por teres filhos pequenos. O caso segue investigado pela Justiça Federal.

Segundo o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a Fazenda Limoeiro está situada em um território que faz parte de uma área indígena. A Reserva Limão Verde é uma das oito existentes em Mato Grosso do Sul, destinada aos indígenas por um Decreto Estadual em 1928, no tamanho de 2 mil hectares. Com o passar dos anos, fazendeiros invadiram a região, deixando os povos Guarani e Kaiowá com apenas 668 hectares.

Pouco antes da retomada da fazenda, uma caminhonete Hilux branca atingiu em cheio um Fiat Uno na MS-289, que transportava um grupo de indígenas. Rick Elison Batista Rios, de 12 anos, e Fabiano Lescano, indígenas Kaiowá-Guarani, morreram no local. Outros dois adolescentes estão hospitalizados. 

Testemunhas afirmaram que o motorista da Hilux é conhecido pelos indígenas, morados dao município de Coronel Sapucaia. Ele teria passado em alta velocidade pelos quebra-molas da aldeia, invadido a pista contrária e colidido frontalmente com o veículo ocupado pela família indígena. 

Em carta enviada ao Ministério Público Federal, os indígenas afirmaram que as vítimas da comunidade não receberam socorro imediato, que foi direcionado ao motorista não indígena. Além disso, o autor do acidente estaria sendo protegido por políticos da região, o que estaria dificultando o aprofundamento das investigações. 

Ainda na semana passada, o Ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, enviou um ofício ao governador do Estado, Eduardo Riedel, e ao Secretário Estadual de Segurança Pública, solicitando a investigação mais aprofundada do acidente, com suspeita de ato criminoso. 

Em nota, o Ministério dos Povos Indígenas afirmou que está na região para coletar denúncias e ouvir as vítimas de violência e articular ações para garantir a segurança dos indígenas junto aos órgãos responsáveis. 

"O MPI atua no caso por meio do Departamento de Mediação e Conciliação de Conflitos Fundiários Indígenas (DEMED), que coordena o Gabinete de Crise Guarani Kaiowá e a Sala de Situação para Conflitos Fundiários. O órgão já adotou as primeiras medidas institucionais, entre elas a articulação para o deslocamento e pedido de reforço da Força Nacional de Segurança Pública na região; pedido de apuração de possíveis violações de direitos pela Polícia Federal; pedido de acompanhamento jurídico dos indígenas presos pelo Defensoria Pública da União (DPU) e Defensoria Pública do estado, bem como o acionamento da Corregedoria da Polícia Militar e do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul sobre denúncias da truculência policial", afirmou. 


 

aero rancho

Estrutura de supermercado desaba e duas pessoas morrem em Campo Grande

Unidade está em construção e estrutura de concreto e ferro caiu no Aero Rancho; outras duas pessoas ficaram feridas

04/09/2026 15h32

Estrutura de mercado em construção desabou sobre funcionários da obra

Estrutura de mercado em construção desabou sobre funcionários da obra Foto: Paulo Ribas

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Duas pessoas morreram após o desabamento de uma estrutura de um supermercado que está em construção na Avenida Rachel de Queiroz, no Aero Rancho, em Campo Grande.

No local, está em construção uma nova unidade do Supermercado Mister Júnior.

De acordo com informações apuradas pelo Correio do Estado, a estrutura metálica caiu em cadeia, como se fosse um efeito dominó, e funcionários de uma empresa terceirizada que trabalhavam na obra foram atingidos.

O Corpo de Bombeiros foi acionado e constatou que duas pessoas já estavam em óbito. As vítimas não foram identificadas, mas se tratam de dois homens.

Outras dois homens, também não identificados, ficaram feridos e foram encaminhados para a Santa Casa de Campo Grande. Um deles teve uma fratura no fêmur.

"Nossa viatura avançada foi a primeira chegar e acabamos nos deparando com toda a estrutura da obra ao solo. Encontramos quatro homens, dois em óbito no local, e as outras duas vítimas estão estáveis, mas potencialmente graves", disse o tenente Luiz Jacques, do Corpo de Bombeiros.

O tenente disse ainda que o resgate foi feito com todo o cuidado e equipamentos necessários para deixar o local "o mais breve possível", tendo em vista que ainda há risco de desabamento.

"A área vai ser totalmente isolada, a Polícia Civil vai fazer uma perícia para a conclusão dos trabalhos deles, mas há sim risco de novo desabamento", acrescentou.

Uma equipe do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Mato Grosso do Sul (Crea-MS) esteve no local, mas não deu declarações a imprensa.

Segundo o Corpo de Bombeiros, as documentações e liberações para as obras, inicialmente, estão corretas, mas serão analisadas por peritos.

Não há informações sobre as circunstâncias que causaram o desabamento. O caso será investigado pela Policia Civil.

Parceria Público-Privada

MS garante empréstimo de US$ 80 milhões para Hospital Regional

Operação com o BID terá garantia da União e será usada parcialmente no projeto de parceria com empresa privada

04/09/2026 15h15

 Hospital Regional de Mato Grosso do Sul

Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Divulgação

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O Governo de Mato Grosso do Sul recebeu autorização para contratar um empréstimo de US$ 80 milhões, cerca de R$ 415 milhões, com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O recurso será destinado parcialmente ao projeto de parceria público-privada (PPP) do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS).

A autorização para a garantia da União foi publicada nesta sexta-feira (4) no Diário Oficial da União, em despacho do Ministério da Fazenda. O documento trata da operação de crédito externo entre o Estado e o BID e estabelece que a garantia federal fica “condicionada à prévia formalização do contrato de contragarantia entre a União e o Ente”.

No despacho, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, autoriza a garantia para a operação de “US$ 80.000.000,00 (oitenta milhões de dólares dos Estados Unidos da América), de principal”. Segundo o documento, os recursos serão usados para “financiar, parcialmente, o Projeto ‘Parceria Público-Privada do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul’”.

A operação foi autorizada após manifestações favoráveis da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

A PPP prevê a participação de uma empresa privada na estrutura e nos serviços de apoio do Hospital Regional, incluindo obras, manutenção e investimentos. O hospital, no entanto, continua público e com atendimento gratuito pelo SUS, enquanto o Estado permanece responsável pela assistência aos pacientes.

Histórico da PPP

A proposta começou a ganhar forma em 2024, quando o Governo de Mato Grosso do Sul passou a estudar a participação da iniciativa privada na administração dos hospitais estaduais. Para o Hospital Regional, a ideia era entregar à empresa privada os serviços de apoio, enquanto o Estado manteria a gestão da assistência médica.

Em junho de 2025, o governo apresentou o projeto aos deputados estaduais. O modelo escolhido foi o chamado “bata cinza”, que inclui serviços como limpeza, segurança, lavanderia, alimentação, manutenção e recepção, sem transferir à empresa privada a assistência médica. Na época, o projeto previa ampliar o hospital de 362 para 577 leitos e elevar a área construída de 37 mil para 71 mil metros quadrados.

O projeto avançou para o leilão em dezembro de 2025. Cinco grupos participaram da disputa, vencida pela Construcap, que apresentou proposta de R$ 15,9 milhões mensais, com desconto de 22% sobre o valor de referência.

Em janeiro de 2026, a contratação foi homologada e, em maio, o Estado assinou o contrato de concessão com a Inova Saúde, subsidiária da Construcap. O acordo tem duração de 30 anos e prevê obras, modernização da estrutura e administração dos serviços não assistenciais. A previsão é de que a empresa assuma gradualmente os serviços, com início da operação previsto para janeiro de 2027.

 

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