O combate a uma gigantesca voçoroca em Nova Andradina, que já "engoliu" mais de R$ 8 milhões em recursos públicos somente nos últimos cinco anos, vai consumir mais R$ 19,2 milhões em uma nova tentativa do Governo do Estado para tentar conter a erosão.
Em publicação do diário oficial desta terça-feira (3), a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) anunciou a abertura de uma licitação para investir até R$ 19.288.728,80 em obras de reconformação de bacias e contenção de processo erosivo na região do bairro Horto Florestal.
Os problemas causados pela erosão são antigos e as tentativas para fazer seu controle também não são de agora. Em 2021 o Governo do Estado pavimentou quase 23 quilômetros da MS-473, ligando a área urbana de Nova Andradina ao Instituto Federal. E esta rodovia passa por cima da voçoroca.
Na época, em torno de R$ 3,5 milhões foram gastos somente nas obras de drenagem e contenção da água das chuvas nas imediações da rodovia. A estimativa deste gasto inicial foi feita pelo deputado estadual Roberto Hashioka (União Brasil), em novembro de 2024. Hashioka foi prefeito de Nova Andradina por três mandatos e conhece de perto o tamnho do problema.
A obra de pavimentação da MS-473 foi concluída no fim de 2021. Mas, alguns meses depois, a rodovia desmoronou em dois pontos diferentes. Por conta destes desmoronamentos, uma obra emergencial de R$ 4,6 milhões foi anunciada pelo Agesul.
Trecho da MS-473 destruído pela força da enxurrada em abril de 2023“Acredito que temos ali um dos maiores desastres ambientais de Mato Grosso do Sul, e agora o Estado gastou mais R$ 4,6 milhões e uma pequena chuva como a do fim de semana já danificou a obra, colocando em risco a integridade da rodovia e a segurança daqueles que por ali transitam”, afirmou o deputado na tribuna da Assembleia Legislativa no dia 6 de novembro de 2024, alguns meses depois de esta obra de R$ 4,6 milhões ter sido danificada.
Embora seja aliado do Governo, o deputado questionou se a barragem tinha algum seguro ou se estava na garantia, deixando claro que estava questionando a qualidade da obra. Outro questionamento feito por ele era sobre a existência de algum estudo para apurar possíveis causas da ruína da obra.
Um ano e meio depois daqueles questionamentos, a obra lançada agora será justamente para intervir na região de onde começa a escoar a água que dá origem à erosão que destruiu a rodovia, o bairro Horto Florestal. A previsão é de que as propostas das empreiteiras interessadas sejam abertas no dia 20 de março.
PROBLEMA CRÔNICO
A megaerosão que insiste em danificar a rodovia é somene uma das que existem em Nova Andradina. Outra grande voçoroca está localizada nas imediações do bairro Argemiro Ortega e, apesar de uma série de interveções, chegou a engolir uma casa em dezembro de 2020, quando várias famílias tiveram de abandonar seus imóveis por conta do risco de novos desabamentos.
Elas estão em diferentes regiões da cidade, mas as duas desembocam no Córrego Baile, onde milhares de toneladas de terra já assorearam o leito e até fizeram com que mudasse de curso.
A voçoroca que agora será combatida com o investimento de quase R$ 20 milhões tem cerca de três quilômetros, em linha reta. A outra, embora mais profunda e larga, é um pouco curta, mas também tem em torno de dois quilômetros, conforme estimativa feita a partir de imagens do google maps.
Em dezembro de 2020, a erosão no bairro Argemiro Ortega abriu uma cratera quie havia atingido 18 metros de profundidade em pleno perímetro urbano. No local foram despejados 400 camihões de terra para aterrar o local e reconstruir trechos das ruas que haviam sido destruídas.
Voçorocas que levaram milhões de toneladas de terra ao Córrego Baile podem ser vistas em imagens de satélite


