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A Morte de Robin Hood destrói a lenda para encontrar o homem

Sombrio, brutal e deliberadamente lento, filme com Hugh Jackman revisita a morte de Robin Hood e chegou aos cinemas brasileiros

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Eu achava que conhecia Robin Hood. Na verdade, talvez conhecesse sobretudo a raposa da Disney.

Não estou sozinha. Depois de mais de um século de cinema, Robin Hood se consolidou como um daqueles personagens que parecem dispensar apresentação: o fora da lei atlético e simpático, exímio arqueiro, cercado pelos companheiros da floresta de Sherwood, apaixonado por Lady Marian e disposto a roubar dos ricos para dar aos pobres.

Douglas Fairbanks, Errol Flynn, Sean Connery, Kevin Costner, Russell Crowe e tantas outras versões ajudaram a construir esse imaginário. A animação da Disney, lançada há 53 anos, talvez tenha feito isso de maneira ainda mais eficiente para algumas gerações.

A Morte de Robin Hood, que chegou finalmente aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, 13 de agosto, começa justamente destruindo essa imagem.

Dirigido por Michael Sarnoski, o filme da A24 parte de uma premissa muito menos confortável: e se Robin Hood não tivesse sido o herói benevolente que aprendemos a amar?

E se tivesse sido, na verdade, um homem extremamente violento, responsável pela morte e pelo sofrimento de inúmeras pessoas, que chegou ao fim da vida tendo finalmente que responder pelo que fez?

Hugh Jackman sabe interpretar homens amargurados, tensos, feridos e cheios de arrependimento. É fácil lembrar de Logan, naturalmente, mas penso também em A Fonte da Vida, de Darren Aronofsky, com Rachel Weisz. Jackman funciona especialmente bem quando o corpo aparentemente forte esconde um personagem emocionalmente destruído.

Aqui ele leva essa característica ao extremo. Seu Robin está envelhecido, com cabelos e barba brancos, o rosto marcado por cicatrizes e um corpo que já não sustenta a imagem do herói invencível. O grande arqueiro agora sangra, sente dor, se arrasta e precisa ser cuidado por outras pessoas.

Mas a transformação mais importante não é física. Esse homem passou décadas justificando sua violência. Agora precisa olhar para as consequências dela.

Há alguma coisa de Logan no ponto de partida, mas A Morte de Robin Hood está menos interessado em recuperar o heroísmo perdido do que em perguntar se ainda existe alguma possibilidade de reparação para um homem que finalmente reconhece o sofrimento que causou.

É justamente aí que o filme se torna mais interessante. A versão medieval de Robin Hood é muito menos limpa moralmente do que a figura cristalizada pelo cinema. As primeiras baladas apresentam um fora da lei capaz de generosidade e lealdade, mas também de enorme violência.

Nos textos antigos, homens são mortos sem a coreografia elegante que posteriormente transformaria Robin em um herói de aventura.

Sarnoski, portanto, não está simplesmente inventando um “Robin Hood mau” em nome de uma releitura moderna. De certa maneira, percorre o caminho contrário ao que a cultura popular fez durante séculos.

Fomos tornando Robin mais nobre, mais romântico, mais engraçado, mais cavalheiresco e moralmente mais simples. A Morte de Robin Hood tenta arrancar essas camadas até reencontrar o homem violento que poderia existir por trás da lenda.

Talvez seja por isso que o filme cause tanto estranhamento. Mesmo as versões recentes que tentaram tornar Robin mais histórico ou realista ainda preservaram a necessidade de justificar o herói.

A atual série da MGM+ também procura desmontar algumas certezas do mito, mas continua muito mais próxima da construção heroica tradicional. Sarnoski vai além: pergunta se havia um herói para começar.

Visualmente, A Morte de Robin Hood leva essa proposta às últimas consequências. É um filme lindíssimo, filmado em película, mas também muito escuro. E quando digo escuro, quero dizer literalmente escuro. Em determinados momentos é difícil distinguir os rostos, reconhecer personagens ou perceber detalhes da cena.

Bill Skarsgård, como Little John, está quase irreconhecível. Murray Bartlett consegue ser ainda mais difícil de identificar. O ator australiano que conhecemos de Looking, The White Lotus, Physical e, mais recentemente, Maximum Pleasure Guaranteed aparece coberto por bandagens como um misterioso leproso que vive no priorado.

Bartlett é especialmente interessante justamente pela versatilidade com que transita entre personagens charmosos, desagradáveis, frágeis ou moralmente complicados. Aqui, escondido durante boa parte do tempo, constrói um dos personagens mais importantes para compreender o que Sarnoski quer dizer sobre culpa.

A Morte de Robin Hood destrói a lenda para encontrar o homem - Divulgação

Porque aquele homem é Guy of Gisborne.

Guy é tradicionalmente um dos grandes antagonistas de Robin Hood. Na antiga balada que leva o nome dos dois, Robin o mata. O filme muda radicalmente esse destino e coloca vítima e algoz diante um do outro décadas depois.

É uma liberdade enorme, mas funciona porque Guy se transforma numa espécie de espelho de Robin, um homem cujo próprio corpo carrega as consequências de uma vida anterior.

Jodie Comer também surge muito diferente do que estamos acostumados a vê-la. Com o cabelo curto, quase austero, interpreta Brigid sem procurar grandes demonstrações.

Boa parte de sua atuação está nos olhos, nas pausas e na maneira como observa Robin. É um trabalho surpreendentemente contido para uma atriz que frequentemente recebe personagens muito mais explosivos.

Na tradição da morte de Robin Hood, ele procura um priorado para ser tratado através de uma sangria e acaba morrendo depois de ser traído pela prioresa.

A história permaneceu ligada durante séculos a Kirklees e até à suposta sepultura de Robin, embora não exista evidência histórica de que aquele seja realmente seu túmulo.

No filme, Brigid deixa de ser simplesmente a mulher cruel que mata o herói. Ela também foi vítima dele, e a morte passa a significar outra coisa.

Não se trata exatamente de assassinato ou traição, mas de um acordo entre duas pessoas que finalmente reconhecem quem são uma para a outra.

Há algo próximo de uma eutanásia naquele gesto final, mas sobretudo existe a decisão de Robin de entregar o controle do próprio fim a uma mulher que teria todos os motivos para odiá-lo.

A redenção não vem porque ela decide que ele sempre foi bom. Vem porque ele finalmente admite que não foi.

É Margaret, porém, que torna esse arco realmente emocional. A filha de Little John fica órfã e poderia facilmente se transformar em outra vítima indireta da vida que Robin e seu companheiro escolheram.

Robin se apega à menina e começa a perceber nela aquilo que nunca enxergou enquanto estava ocupado construindo sua própria história: os sobreviventes.

É também através dela que Noah Jupe entra em cena como Arthur, um jovem cuja vida foi marcada pela violência de Robin e Little John e que chega carregando uma obrigação muito antiga: vingança. Jupe compreende perfeitamente a dor daquele rapaz.

Não é simplesmente um antagonista que precisa ser derrotado. É alguém que herdou uma violência que não começou com ele.

E é justamente aí que Robin consegue fazer algo diferente. Ele poderia matar outra vez e proteger Margaret repetindo exatamente aquilo que sempre fez. Em vez disso, tenta interromper o ciclo.

Talvez seja esse o verdadeiro gesto heroico do filme: não uma flecha impossível, uma vitória numa batalha ou uma demonstração final de força, mas a decisão de não transmitir a violência para a próxima geração.

É uma ideia bonita. O problema é que o filme demora bastante para chegar até ela.

Sua contemplação combina com a proposta, mas nem sempre a narrativa sustenta o ritmo que escolheu. Há silêncios que funcionam e outros que apenas alongam aquilo que já entendemos.

Existe uma diferença entre pedir que o espectador tenha paciência para entrar naquele universo e obrigá-lo repetidamente a esperar que o filme volte a andar.

A escuridão visual também passa do ponto em alguns momentos. Entendo completamente a escolha. É um mundo de lama, doença, violência e homens vivendo nas margens.

Não faria sentido transformar a Inglaterra do século XIII numa floresta ensolarada de aventura, mas quando a fotografia começa a impedir que reconheçamos quem está em cena, a coerência estética começa a cobrar seu preço. Sei que não é uma opinião popular, desculpem.

A trilha sonora é muito bonita e ajuda enormemente a construir esse ambiente sombrio. Já as canções folk, ainda que façam sentido dentro da procura por autenticidade cultural, criam uma distância curiosa para um público internacional. Funcionam mais como textura do lugar do que como elemento emocional imediatamente acessível.

A Morte de Robin Hood destrói a lenda para encontrar o homem - Divulgação

Nada disso destrói o filme, mas impede que uma ideia muito boa se transforme o tempo inteiro em um grande filme.

E então Sarnoski volta à lenda.

Depois de tantas liberdades, A Morte de Robin Hood termina resgatando uma das imagens mais bonitas associadas ao personagem: Robin pede seu arco, dispara uma última flecha e determina que será enterrado onde ela cair.

Tradicionalmente, Little John participa desse momento. O filme transfere a função para Margaret, o que faz perfeito sentido dentro da história que acabou de contar.

Porque já não interessa apenas onde Robin será enterrado. Interessa quem ficará para contar a história. Por mais de um século de cinema, vimos repetidamente o começo ou o auge da lenda. Vimos Robin pegar o arco, reunir seus homens, desafiar o xerife, apaixonar-se e tornar-se herói.

Quase nunca perguntamos como aquilo terminava. E muito menos o que aquele homem teria de enfrentar caso sobrevivesse tempo suficiente para compreender o preço de tudo que fez.

A Morte de Robin Hood é brutal, escuro, violento e mais lento do que precisava ser. Exige também que o espectador esteja disposto a abandonar uma imagem muito querida do personagem. Talvez por isso não funcione para todos.

Mas é justamente esse desconforto que o torna relevante. Sarnoski não quer nos devolver o Robin Hood que amávamos. Quer saber se existe alguma coisa de valor quando a lenda termina, o corpo envelhece, os inimigos ganham rostos e as vítimas finalmente passam a ter histórias.

A resposta que encontra é surpreendentemente terna. Robin não pode mudar o que fez, mas pode reconhecer e responder por isso. Pode tentar impedir que outra pessoa repita seus erros. E então pode finalmente morrer. Não necessariamente como o herói que conhecíamos, mas talvez, pela primeira vez, como um homem que conseguiu fazer alguma coisa boa.

Artes Cênicas

"A menina e o Fim" traz três sessões gratuitas e terá bonecos gigantes em cena

Espetáculo apresentado hoje, amanhã e na sexta-feira, sempre às 20h, aborda perdas vividas na infância e o poder que há na arte como "possibilidade de existência"

14/10/2026 09h00

Segundo a criadora,

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos Foto: Marcelo Henrique

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Durante três dias de apresentação, o campo-grandense poderá acompanhar, entre hoje e sexta-feira, sempre às 20h, na sede do Grupo Casa, que fica no Bairro Amambaí, um espetáculo que traz mensagens profundas que passam por cenários de fugas, perseguições e perdas, em um verdadeiro grito de resgate à infância que envolve até mesmo bonecos gigantes em cena.

Escrito e dirigido por Ligia Tristão Prieto, sobre o texto, que tem uma década de existência, ela diz que sabia desde 2017 que “A Menina e o Fim” não sairia do papel à época.

“Tenho alguns textos que, quando eu escrevi de forma individual, no meu computador, sozinha, escrevendo esse texto, eu sabia que, ao escrevê-lo, eu não ia conseguir executar ele naquele momento, porque eu, enquanto diretora cênica, ainda precisava percorrer um caminho”, afirma Ligia. 

“A Menina e o Fim” nasce inspirado em relatos documentados sobre a fuga das irmãs Lispector da Ucrânia para o Brasil, ainda em 1922, por causa da Guerra Civil Russa, tentando escapar dos ataques violentos, batizados com o termo russo pogrom, que visavam massacrar, subjugar e expulsar a população judia do território. Entre as inspirações para o espetáculo estão textos como “No Exílio”, de Elisa Lispector, bem como a poesia sul-mato-grossense de Emmanuel Marinho, autor de “Margem de Papel”.

Ao Correio do Estado, Ligia destacou os pilares fundamentais que tornaram a execução deste espetáculo não somente possível atualmente, como também urgente para os dias contemporâneos. 

Segundo a criadora, “A Menina e o Fim” exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentos, o que, ela afirma, precisa ser feito de forma muito delicada. 

BONECOS GIGANTES

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Nessa montagem, o público acompanha a jornada de fuga de Maria, que é interpretada por Kiohara, após a personagem perder seu lar e até mesmo seus familiares. Os bonecos gigantes surgem justamente para dar vida ao universo fantasioso e imaginário que servirá também de sustentação para a menina.

“A Maria vem e prova que é possível, sim, esses dois mundos coexistirem, que podemos ver o mundo com cor sem perder a noção da realidade”, cita Kiohara.

Ligia Prieto lembra que à época que o texto nasceu não havia, de fato, parceiros e pessoas profissionais suficientes para enfrentar a batalha de trazer o espetáculo à vida.

“Eu precisava lidar com a criação de bonecos gigantes, com uma trilha autoral muito específica, com uma iluminação autoral muito delicada. Essa estrutura toda... Olhava ao meu redor e pensava quem eram os profissionais que poderiam alcançar esse lugar também de criação. Precisava de artistas resistentes, inspirados, que pudessem se entregar de fato à criação do projeto”, diz.

Ela faz questão de frisar a criatividade de todas as partes, o que exigiu da mente por trás da obra toda uma trajetória a ser percorrida tanto como pessoa quanto como artista.

Ligia ressalta que as políticas públicas de incentivo à arte e à cultura que existiram nos últimos quatro anos foram o fator predominante para que essa e outros de seus textos para teatro e cinema pudessem ser colocados em cena, já que a execução de “A Menina e o Fim” foi viabilizada pela Política Nacional Aldir Blanc (Pnab) do Ministério da Cultura (Minc).

“Acho muito importante dizer que consigo também executar esse projeto hoje, e não há quase 10 anos, porque nos últimos quatro anos eu tive políticas públicas para a cultura e para a arte. Porque quando eu chego na montagem, na criação coletiva, aí eu estou falando de um grupo de pessoas. Esse projeto tem 26 artistas envolvidos, que precisam ser pagos, dedicar o trabalho deles a um projeto específico e mergulhar fundo na criação, na delicadeza desse espetáculo”.

Nesse quesito, as cabeças de papietagem dos personagens do primeiro ato são trabalhos de Sarah Caires e Said Danilo, enquanto Rafael Mareco assina a execução das cabeças gigantes que aparecem no segundo ato.

“O maior desafio aqui é construir grandes bonecos que sejam leves, expressivos e componham a cena de forma conjunta”, avalia Mareco, sobre a criação dos elementos cênicos.

Como comentou Ligia, a trilha sonora de “A Menina e o Fim” tem direção musical assinada por Sofia Maciel, que a executará ao vivo durante os três dias de apresentação, ao lado do maestro Eduardo Martinelli.
Renomado maestro, Martinelli lembra que tem certo costume de fazer trilhas sonoras, com trabalhos em documentários, curta-metragens e demais produções, mas afirmou ao Correio B que a execução ao vivo é muito diferente. 

“Porque a gente tem uma sensação de, além de criar a música, estar atuando. E sempre existem as nuances do fazer ao vivo, isso é uma coisa que diferencia muito de quando fazemos uma criação musical, gravamos e encaixamos em uma cena de filme ou o que quer que seja”, diz.

Martinelli também rememora a experiência que teve em um monólogo como ator, em São Paulo, há cerca de duas décadas, reforçando que a experiência com Sofia está lhe trazendo muitas sensações boas. Algo distinto do que está acostumado a viver, o maestro classifica a atual vivência como muito rica. 

“É uma sensação diferente a cada ensaio, a cada preparação. Já havia feito uma vez um monólogo do [Franz] Kafka [‘A Metamorfose’], mas faz muito tempo, já deve ter uns 20 anos ou mais, então, reviver essa experiência é muito interessante. E o mais rico e desafiador é tudo sendo executado ao vivo. Era sozinho, agora em dupla também torna a coisa diferente, a comunhão de fazer e executar. Para mim, por mais que tenha muita experiência com a música, porque só faço isso na vida [brinca], não deixa de ser uma sensação e uma situação nova”, complementa.

Como bem completa Sofia a respeito da trilha sonora, “A Menina e o Fim” emprega uma série de diversos instrumentos e sonoridades, que acompanham principalmente as mudanças vividas por Maria e ajudam a caracterizar propriamente cada personagem.

“Estamos usando instrumentos acústicos, percussões, sons produzidos pelo próprio corpo e pequenos motivos musicais que reaparecem em diferentes momentos. Na canção de Maria, por exemplo, temos um arranjo mais melancólico e introspectivo, que vai crescendo aos poucos. Já no encontro com o Rato, a proposta foi criar outra atmosfera, com uma sonoridade mais próxima do blues, trazendo humor, movimento e uma mudança na energia do espetáculo”, adianta. 

“A MENINA E O FIM”

Segundo a criadora, "A Menina e o Fim" exige dela enquanto diretora uma suavidade e escuta ampla, para que as dores da protagonista existam no palco livre de julgamentosFoto: Marcelo Henrique

Sobre o espetáculo e sua mensagem, Ligia destaca que há uma necessidade urgente de se falar sobre infância, reforçando que esta etapa da vida é fortemente atravessada pelas escolhas tomadas na fase adulta. 

“Infelizmente ainda, no Brasil, a gente tem uma média de 64 crianças sendo abusadas por dia. Tivemos mais de um milhão de crianças ficando órfãs, perdendo parentes na pandemia. A gente ainda tem muitas sendo mortas na guerra. E como que a gente sustenta a imaginação de uma criança, a alegria e a construção sensível e poética da infância num país sem arte?”, questiona a diretora. 

Lançando luz sobre a importância da arte na infância, o espetáculo busca mostrar esse potencial da expressão artística como ferramenta para melhor elaborar as feridas, ressignificar situações e imaginar saídas para o que, muitas vezes, nas palavras da diretora, a gente entende ser o fim. 
“Enquanto escritora, poeta, era um texto que me atravessava, me atravessou muito”.

O espetáculo conta com produção de Zuri Oliveira e produção-executiva assinada por Jessica Santos, com Leonardo de Medeiros como assistente. A direção de arte e cenografia é feita por Rafael Mareco e assistência é de Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues. 

Maria encontra em sua jornada alguns personagens icônicos, como a boneca Buzuza, interpretada por Lethícia Rodrigues, o Rato, vivido por Tero Queiroz, a Borboleta, interpretada por Sofepoar Minott, e a avó em tamanho gigante, vivida por Zyan Nalrad (Anna Burton).

Os figurinos de “A Menina e o Fim” são assinados por Zyan Nalrad. No processo de montagem, o espetáculo contou com preparação de elenco de Lívia Lopes e preparação de equilíbrio de Bibi Gonçalves. A iluminação é de Anderson Lima.

O elenco é composto por: Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton). Alex Cavalheri assina a sonoplastia e a direção de som, enquanto Douglas Luiz aparece como diretor de palco. 

Por fim, Ligia revela ao Correio B um lado que há nas mensagens que tenta transmitir ao público, já que o cenário de fugas, perdas e perseguições se liga às realidades externas e internas do ser humano. Segundo Ligia, esse grupo de adultos, ao desenhar a trajetória dessa menina, foi percebendo as solidões que existem dentro de cada um. 

“Ao ver a história dessa menina que vai ficando sozinha, percebe a solidão que já causou em uma criança, a solidão dentro de si durante a infância, que nunca morre, essa perda constante que a gente sente, essa saudade que não sabe dar nome, que a gente sente dentro do peito. As perdas e o desejo de casa, de conforto, do amor, de amar e ser amado são sensações que atravessam toda a humanidade. Então, ali a gente torna esse espetáculo universal. É muito difícil fazer arte no País, ainda mais aqui em Mato Grosso do Sul. Então, quando a gente tem essa chance, parece que estamos vivendo um sonho”, conclui.

Com classificação livre, esse espetáculo, realizado na sede do Grupo Casa, terá interpretação em Língua brasileira de Sinais (Libras) feita pela Comunique Acessibilidade. A entrada é gratuita, mas é necessário reservar os ingressos na plataforma Sympla, em razão da capacidade do espaço.

Serviço: 

Espetáculo: “A Menina e o Fim”
Data: de hoje até sexta-feira.
Horário: às 20h. 
Local: Grupo Casa – Rua Visconde de Taunay, nº 306, Bairro Amambaí, Campo Grande.
Entrada: gratuita.

Ficha técnica

  • Direção e Dramaturgia – Ligia Tristão Prieto
  • Produção Executiva – Jessica Santos
  • Produção Geral – Grupo Casa Produções
  • Produção – Zuri Oliveira
  • Assistente de Produção – Leonardo de Medeiros
  • Direção de Arte e Cenografia – Rafael Mareco
  • Assistência de Arte – Fannyah, Kyane Bravo e Lethícia Rodrigues
  • Cabeças de Papietagem Personagens Ato I – Sarah Caires e Said Danilo
  • Cabeças Gigantes Personagens Ato II – Rafael Mareco
  • Figurino e Beleza – Zyan Nalrad
  • Direção Musical – Sofia Maciel
  • Composição Musical Autoral – Ligia Tristão Prieto, Sofia Maciel, José Maciel e Eduardo Martinelli
  • Trilha Sonora – Eduardo Martinelli e Sofia Maciel
  • Elenco – Kiohara, Leonardo de Medeiros, Lethícia Rodrigues, Lívia Lopes, Sofepoar Minott, Tero Queiroz e Zyan Nalrad (Anna Burton)
  • Preparação de Elenco – Lívia Lopes
  • Preparação de Equilíbrio – Bibi Gonçalves
  • Contrarregragem – Jessica Santos e Rafael Mareco
  • Sonoplastia e Direção de Som – Alex Cavalheri
  • Iluminação – Anderson Lima
  • Direção de Palco – Douglas Luiz
  • Interpretação em Libras – Comunique Acessibilidade
  • Assessoria de Imprensa – Mariana Castelar e Tero Queiroz
  • Assessoria de Comunicação – Hevo Mídia – Mario Oshiro e Paula Chermont
  • Social Media – Marcelo Henrique
  • Design Gráfico e Animação – Sudório

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Diálogo

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (14)

14/10/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Paulo Coelho - Escritor brasileiro

"Uma coisa é você achar que está no caminho certo, outra é achar que o seu caminho é o único. Nunca podemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e renúncia”.

FELPUDA 

O senador eleito Reinaldo Azambuja (PL) recebeu 903.554 votos, a maior votação para o Senado na história de Mato Grosso do Sul. O resultado consolida o ex-governador como presidente estadual do PL e principal liderança do partido no Estado. A legenda elegeu os dois senadores, três dos oito deputados federais, nove dos 24 deputados estaduais, e passa a ter a maior bancada sul-mato-grossense tanto na Câmara quanto na Assembleia. Na política, quem é bem votado não só se torna o “cacique da aldeia”, como também passa a dar as cartas. 

Diálogo

Especial

Entre os dias 26 e 30 deste mês, acontecerá a Mega Semana da Mega Sena. Serão cinco sorteios consecutivos correspondentes aos concursos 3076, 3077, 3078, 3079 e 3080.  A modalidade, em caráter especial, terá sorteios de segunda a sexta-feira, substituindo o calendário regular de concursos.

Mais

Após o encerramento dos concursos especiais, a Mega-Sena retomará seu calendário regular de sorteios e fará a abertura das vendas paralelas da Mega da Virada 2026, prevista para novembro. O limite de horário permanece o mesmo adotado nos concursos regulares.

DiálogoDra. Luciana Darrot - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoValentina Herszage - Foto: Lu Prezia

Bênção!

Nos bastidores, já ferve a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa de MS. Duas correntes disputam o segundo posto político mais cobiçado do Estado, e não é à toa: a Casa administra mais de meio bilhão de reais, quantia que boa parte dos 79 municípios de MS nem sonha em ter no caixa. Só que ninguém se elege presidente da Assembleia sem a bênção do governo. E é quando a queda de braço costuma terminar sempre do mesmo jeito: chapa de consenso.

Vilã

A inflação ganhou força após a deflação registrada em agosto, subindo para 0,82% em setembro, apontam dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Estimulada pela disparada dos preços das contas de luz, a variação é a maior para o mês desde 2021. Em 12 meses ela atingiu 4,58%, estourando novamente o teto da meta de 4,5% do Conselho Monetário Nacional.

Encolheu

Nem mesmo com votação recorde de Camila Jara, o PT conseguiu eleger dois deputados federais. Os seus companheiros não contribuíram para alcançar o quociente eleitoral. A diferença da votação de Camila de quase 155 mil votos para o segundo mais votado do PT é bem grande. Esse companheiro na disputa para Câmara Federal é Elias Ishy. Ele obteve apenas 18.045 votos. Não conseguiu conquistar a cadeira de Vander Loubet, que desistiu da reeleição para concorrer ao Senado. Como se vê...

ANIVERSARIANTES 

  • Renata Paula Possari Mendonça, 
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  • Lilian Ajul Miyasato de Arruda, 
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  • Manoel Macena de Souza,
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Colaborou com Tatyane Gameiro

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