Correio B

CULINÁRIA

Doces como brigadeiro, beijinho e cajuzinho refletem tradição e identidade brasileira

Das influências coloniais e campanhas políticas à criatividade popular e à confeitaria contemporânea, receitas como brigadeiro, beijinho e cajuzinho revelam como tradição, afeto e contexto histórico moldaram a identidade dos doces brasileiros

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Os doces de festa brasileiros são mais do que simples sobremesas, eles funcionam como pequenos arquivos da história social, econômica e cultural do País.

Presentes em aniversários infantis, casamentos, batizados e reuniões familiares, essas receitas atravessaram décadas se adaptando a contextos distintos – da escassez de ingredientes no pós-guerra à industrialização dos alimentos e à consolidação de uma identidade culinária tipicamente brasileira.

Clássicos como brigadeiro, beijinho, bicho-de-pé, olho de sogra, casadinho, cajuzinho e surpresa de uva revelam como a criatividade popular transformou poucos ingredientes em símbolos duradouros.

Brigadeiro

A história do brigadeiro está diretamente ligada ao contexto político e econômico do Brasil nos anos 1940. Durante o período do pós-Segunda Guerra Mundial, o País enfrentava dificuldades na importação de produtos como leite fresco e açúcar refinado, o que impulsionou o uso de alimentos industrializados de longa duração, como o leite condensado.

Foi nesse cenário que, durante a campanha presidencial de 1945, apoiadoras do candidato Eduardo Gomes passaram a vender um doce feito com leite condensado, manteiga e chocolate para arrecadar fundos. O produto ficou conhecido como doce do brigadeiro e, com o tempo, apenas brigadeiro.

Símbolo gastronômico do País, o doce representa um momento de redemocratização do Brasil após o fim do Estado Novo, quando campanhas políticas ganhavam apoio popular de formas criativas e comunitárias.

Receita

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado;
  • 1 colher (sopa) de manteiga;
  • 3 colheres (sopa) de chocolate em pó;
  • chocolate granulado.

Modo de Preparo:

> Cozinhe em fogo baixo até atingir o ponto de enrolar.

> Deixe esfriar, modele e finalize.

Beijinho

O beijinho, embora associado diretamente ao brigadeiro, carrega influências mais antigas da culinária brasileira, especialmente do período colonial. O uso do coco remete às regiões litorâneas e à forte presença da cultura afro-brasileira na formação gastronômica do País.

Durante os séculos XVI e XVII, o coco foi amplamente incorporado à culinária local, principalmente no Nordeste, onde se misturou a técnicas portuguesas de preparo de doces à base de açúcar – herança dos conventos europeus.

O beijinho pode ser visto como uma releitura moderna dessas receitas conventuais, simplificada com a introdução do leite condensado no século XX.

O nome, beijinho, reforça o caráter afetivo do doce, associado à delicadeza e ao carinho, elementos frequentemente ligados às celebrações familiares.

Receita

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado;
  • 1 colher (sopa) de manteiga;
  • 100g de coco ralado.

Modo de Preparo:

Cozinhe até desgrudar da panela, enrole e finalize com açúcar ou coco.

Bicho-de-pé

O bicho-de-pé é um doce que reflete um momento mais recente da história brasileira: a popularização dos produtos industrializados e da cultura de consumo a partir das décadas de 1970 e 1980.

Com o avanço da indústria alimentícia, produtos como gelatinas e pós saborizados passaram a fazer parte do cotidiano das famílias.

O bicho-de-pé surge dessa lógica: uma adaptação do brigadeiro com sabor artificial de morango, cor vibrante e apelo visual forte – características alinhadas ao universo infantil e à estética da época.

Seu nome curioso, associado à coloração avermelhada, também dialoga com o humor popular brasileiro, que frequentemente transforma referências inusitadas em nomes marcantes.

Receita

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado;
  • 1 colher (sopa) de manteiga;
  • 3 colheres (sopa) de pó sabor morango.

Modo de Preparo:

Cozinhe até o ponto de enrolar, deixe esfriar e finalize com açúcar.

Olho de sogra

O olho de sogra tem raízes mais antigas, diretamente ligadas à doçaria portuguesa. Em Portugal, doces à base de ovos, açúcar e frutas secas eram comuns, especialmente nos conventos. No Brasil, essas receitas foram adaptadas com ingredientes locais, como o coco.

A combinação de ameixa e coco cria contraste de sabor e textura, enquanto o nome irreverente reflete o humor típico das festas brasileiras.

Receita

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado;
  • coco ralado;
  • ameixas secas.

Modo de Preparo:

Cozinhe em fogo baixo até atingir o ponto de enrolar.

Envolva a ameixa com o doce de coco e modele.

Casadinho

O casadinho não tem uma origem única definida, mas está fortemente associado às celebrações de casamento. Sua proposta de unir dois sabores diferentes em um só doce funciona como metáfora da união entre duas pessoas.

Esse simbolismo ganhou força especialmente a partir do século XX, quando festas de casamento passaram a incorporar elementos padronizados e decorativos, incluindo docinhos finos. O casadinho, nesse contexto, representa harmonia e equilíbrio.

Receita

Ingredientes:

  • brigadeiro;
  • beijinho ou brigadeiro branco.

Modo de Preparo:

Una pequenas porções dos dois doces.

Cajuzinho

O cajuzinho é um exemplo claro da criatividade brasileira diante de limitações. Apesar do nome, não leva caju na receita tradicional. Seu sabor vem do amendoim, ingrediente mais acessível e amplamente disponível.

O doce se popularizou ao longo do século XX, especialmente em festas simples, por ser econômico e fácil de preparar. O nome vem do formato inspirado no caju, que mostra a importância estética mesmo em receitas humildes, além de reforçar a conexão com elementos da natureza brasileira.

Receita

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado;
  • amendoim moído;
  • chocolate em pó.

Modo de Preparo:

Cozinhe em fogo baixo até atingir o ponto de enrolar.

> Deixe esfriar, modele e finalize com açúcar.

Surpresa de uva

Diferente dos demais, a surpresa de uva é um doce contemporâneo, surgido provavelmente no final do século XX ou início do XXI, em um momento em que a confeitaria brasileira começou a incorporar elementos mais sofisticados.

A ideia de envolver uma fruta fresca em um creme doce e finalizá-la com cobertura remete a técnicas mais elaboradas, aproximando o doce caseiro de tendências da confeitaria profissional.

Sua popularidade cresceu com a internet e as redes sociais, em que receitas visuais e práticas ganharam destaque.

Receita

Ingredientes:

  • 1 lata de leite condensado;
  • 1 colher de sopa de manteiga;
  • 3 colheres de sopa de chocolate em pó ou leite em pó;
  • uvas verdes.

Modo de Preparo:

Cozinhe em fogo baixo até atingir ponto de enrolar.

Deixe esfriar, envolva a uva com creme e finalize.

crônica

Amores Maduros

12/05/2026 08h45

Arquivo

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Minha amiga tem 82 anos e dois namorados. Claro que ela mora numa metrópole, mais precisamente em São Paulo; do contrário, fosse nestas plagas, os dois fatos seriam quase inadmissíveis.

Pergunto a ela o porquê de ter dois namorados. Ela responde que é para não virar rotina — para "revezar". Acho graça, mas tem lá sua lógica. Nesta idade, é comum criar hábitos, e tudo o que ela não quer é criar vínculo. O que Bia quer mesmo é ir ao cinema, jantar fora de vez em quando, visitar exposições de arte, caminhar no parque. Não que precise de companhia para isto. Não, minha amiga é, de longe, uma das pessoas mais independentes que conheço.

Ela me conta que conheceu um deles na antessala do cinema e o outro num restaurante. "Como assim?", pergunto curiosa e, de alguma forma, um pouco perplexa. Afinal, cenas desta natureza não são nada comuns por aqui. "A gente começou a conversar sobre o filme e vimos que temos muita coisa em comum", contou. Depois disso, engataram um namoro.

O segundo conheceu numa pizzaria, ela com uma taça de vinho na mão e ele também. Olha para cá, rabicho de olho para lá, o moço pede para fazer um brinde. Ela o chama para sentar-se à mesma mesa: "Melhor que conversar à distância", explica. Depois de muito papo, despedem-se, mas esquecem de trocar telefones.

Os dias passam e o moço não lhe sai da cabeça. Ela volta ao restaurante e pergunta por ele. "Ah, claro! Todos aqui o conhecem. Mora perto, no bairro". Com apenas o nome da rua, ela sai em uma cruzada em busca daquele que vem lhe tirando o sossego. No terceiro prédio, o porteiro confirma: sim, ele mora aqui. Ela deixa um bilhete carinhoso e espera.

Ele liga na sequência e combinam um jantar. Divorciado, cineasta e bom de papo. O resto virou história — história que me aguça a curiosidade e, por que não dizer?, uma certa inveja. Inveja das possibilidades que ela agarrou contra todas as probabilidades, num país que louva a juventude. Mas é certo que Bia é uma das pessoas mais lindas que conheço. Não apenas fisicamente, mas de alma e espírito. Conversa sobre tudo, não tem preconceitos, não faz julgamentos e se abre completamente para a vida. Um belo exemplo de ser humano.

Falar sobre Bia me faz lembrar de Danusa Leão. Cortejada por um desconhecido em seu restaurante favorito, ela resistiu ao flerte insistente. Mas coincidência ou destino, estavam hospedados no mesmo hotel. No quarto recebeu a ligação com o convite para um último drinque. Danusa parou, refletiu e se perguntou o que tinha a perder. Afinal, naquela noite, ela completava 70 anos e estava sozinha em Paris. Viva a sabedoria, o savoir vivre e as grandes metrópolis.

DANÇA

Em 40 anos, a Ginga Cia. de Dança se consolidou como uma das maiores companhias do Centro-Oeste

Em quatro décadas, a Ginga Cia de Dança transcionou dos circuitos competitivos para espetáculos e se consolidou como uma das maiores companhias do Centro-Oeste

12/05/2026 08h40

Ao longo de quatro décadas, mais de 100 bailarinos passaram pela companhia

Ao longo de quatro décadas, mais de 100 bailarinos passaram pela companhia Divulgação

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Em um país onde manter um grupo artístico ativo já é, por si só, um ato de resistência, completar quatro décadas de trajetória representa mais do que permanência. Significa passar por mudanças culturais, dificuldades financeiras, transformações estéticas e gerações inteiras sem perder o movimento.

Neste ano, a Ginga Cia de Dança chega aos 40 anos consolidada como uma das companhias mais longevas e importantes da dança contemporânea do Centro-Oeste brasileiro.

Fundada em 1986, em Campo Grande, pelo coreógrafo e diretor Chico Neller, a companhia nasceu sem grandes estruturas institucionais ou planejamentos formais. O ponto de partida foi o desejo coletivo de dançar.

A partir desse impulso, a Ginga construiu uma história marcada por experimentação artística, formação de bailarinos, circulação nacional e espetáculos que transformam temas sociais em dramaturgia corporal.

Ao longo de quatro décadas, mais de uma centena de bailarinos passaram pela companhia. Muitos iniciaram suas trajetórias ainda crianças, dentro do Projeto Dançar, criado em 1997, e seguiram carreira profissional. Outros encontraram na dança um espaço de acolhimento, reconstrução pessoal e pertencimento.

Hoje, a Ginga celebra seu legado olhando também para o futuro. Além da circulação estadual do espetáculo “Rompendo Silêncios”, a companhia iniciou a criação de “Corpo Território”, novo trabalho que investiga identidade, pertencimento e cultura sul-mato-grossense.

O COMEÇO

Quando a Ginga surgiu, em meados da década de 1980, a dança contemporânea ainda tinha pouca visibilidade em Mato Grosso do Sul. Os circuitos culturais eram limitados, os investimentos escassos e havia pouca circulação de grupos profissionais fora dos grandes centros do País.

Segundo Chico Neller, a companhia nasceu da união de bailarinos movidos pela vontade de estar em cena.

“A Ginga Cia de Dança surgiu da união de bailarinos que tinham, acima de tudo, o desejo de dançar. No início, não havia um propósito institucional definido ou uma estrutura consolidada. Existia a vontade de criar, estar em cena e compartilhar a dança com diferentes públicos”, relembra.

As primeiras coreografias, como “Passagens”, “Prisma”, “Phisma 2” e “Feras”, já indicavam características que se tornariam marcas da companhia: intensidade física, sensualidade, potência feminina e investigação das relações humanas por meio do corpo.

“Mesmo naquele início, existia um interesse pelo corpo como espaço de expressão e narrativa. Isso continua sendo uma marca da Ginga até hoje”, afirma o diretor.

Inicialmente ligada à linguagem do jazz e ao circuito competitivo de festivais, a companhia rapidamente ganhou reconhecimento regional e nacional. Nos anos seguintes surgiram obras como “Sistemas”, “Cúbica”, “Ginga Brasil”, “Pare e Pense”, “Por Você”, “Te Amar”, “Herança Negra” e “Influência”.

O grupo conquistou premiações importantes, incluindo o Jacaré de Prata, com destaque para Melhor Coreografia e Melhor Bailarina.

RECONHECIMENTO NACIONAL

A década de 1990 marcou a consolidação nacional da companhia. A participação no Festival de Dança de Joinville – considerado um dos maiores festivais de dança do mundo – mudou os rumos da Ginga.

Foi naquele palco que a companhia percebeu que o trabalho desenvolvido em Mato Grosso do Sul tinha potência para dialogar com a cena nacional.

“O Festival de Joinville teve um impacto fundamental na trajetória da Ginga. Foi ali que começamos a entender que o trabalho que fazíamos em Mato Grosso do Sul podia dialogar com o cenário nacional da dança”, afirma Chico.

Durante os anos 1990, a companhia apresentou coreografias como “Purificação”, “Olhe-me”, “Entre Nós”, “Espíritos que Dançam na Carne”, “Face a Face”, “Távora” e “Instinto”, conquistando prêmios importantes nas categorias jazz e dança moderna.

A participação na Noite de Gala do festival – espaço reservado às coreografias mais premiadas e de maior destaque – se tornou um dos momentos simbólicos da trajetória da companhia.

“Para nós, que estávamos longe dos grandes centros culturais do País, era muito significativo perceber que um grupo vindo de Campo Grande podia ocupar aquele espaço e ser reconhecido artisticamente”, destaca o coreógrafo.

Mas o impacto de Joinville foi além das premiações. O festival também funcionou como espaço de troca artística. “Tivemos contato com outros grupos, outras linguagens e outras formas de pensar a dança. Acho que isso foi determinante para o amadurecimento da companhia”, explica Chico.

ARTE QUE ACOLHE

Entre as artistas que tiveram suas trajetórias profundamente marcadas pela Ginga está Márcia Rolon, ex-bailarina da companhia e fundadora do Moinho Cultural.

Ela conta que chegou ao grupo em um momento de ruptura pessoal. “Eu estava totalmente sem chão. Saía de um relacionamento marcado por dor e violência. Tive que deixar minha cidade, meu Pantanal, e voltar para a casa dos meus pais em Campo Grande. A dança foi minha luz”, relembra.

Márcia procurou a companhia em busca de acolhimento artístico e emocional. “O Chico Neller me acolheu, me incluiu no grupo e me ensinou a ser mais fluida. Me trouxe de volta o respiro e o amor”, relembra.

Segundo ela, a Ginga foi determinante não apenas para sua formação artística, mas para a reconstrução de sua vida. “A Ginga me apresentou o palco profissional, me permitiu ser intérprete-criadora, me convidou para coreografar e me colocou no palco do maior festival de dança do mundo”, afirma.

Mais tarde, as experiências vividas dentro da companhia ajudaram Márcia a criar a Mostra Corumbá – Santuário Ecológico da Dança e a fundar o Moinho Cultural. “Tudo está interligado”, resume.

RESISTÊNCIA

Manter uma companhia de dança ativa por 40 anos fora do eixo Rio-São Paulo nunca foi simples. A falta de continuidade de políticas culturais, dificuldades de financiamento e os altos custos de circulação sempre fizeram parte da realidade da Ginga.

“Fazer dança no Brasil já exige resistência, e fora do eixo Rio-São Paulo isso se torna ainda mais difícil”, afirma Chico Neller.

Segundo ele, a permanência da companhia só foi possível graças à criação de redes de formação e pertencimento. “A companhia não se sustentou apenas pelos espetáculos, mas também pela construção de uma rede de pessoas que acreditam na dança como espaço de transformação”, diz.

Essa visão também aparece no depoimento do bailarino Paulo Oliveira, integrante da nova geração da companhia.

Paulo começou na dança ainda criança, por meio do Projeto Dançar, em 2004. “Boa parte da pessoa e artista que me tornei foi construída dentro desse espaço”, afirma.

Hoje, integrar uma companhia com quatro décadas de história representa, para ele, uma responsabilidade coletiva. “Estar na companhia entendendo toda a sua história, resistência e impacto cultural no MS é também assumir uma responsabilidade de continuidade”, defende.

Segundo o bailarino, o legado da Ginga não está preso ao passado. “A companhia nunca foi estática. Quem chega traz novas referências, novas urgências. O legado da Ginga está justamente nessa capacidade de permanecer em transformação”, explica o bailarino.

MUDANÇA

Um dos momentos mais decisivos da trajetória da companhia aconteceu em 1999, quando a Ginga decidiu abandonar o circuito competitivo de festivais e aprofundar sua pesquisa em dança contemporânea e criação autoral.

O espetáculo “Despalavras” marcou essa transição. “A energia dos bastidores, a comparação e a avaliação não combinavam com arte”, afirma Márcia Rolon.

Ela lembra que, em um ano, a companhia competia nos festivais; no seguinte, já aparecia como grupo convidado em grandes eventos. “Essa foi a grande virada da Ginga e o reconhecimento do Chico Neller como diretor e coreógrafo”, conta.

A partir daí, a companhia passou a investir em espetáculos completos, com maior elaboração dramatúrgica e aprofundamento conceitual.

Nos anos seguintes surgiram obras como “Conceição de Todos os Bugres”, “Corpo Latino”, “Um Tema para Quatro”, “Vem Dançar Comigo” e “Aqui ou em Qualquer Lugar”.

O processo também foi fortalecido por intercâmbios com importantes nomes da dança contemporânea brasileira, entre eles Mário Nascimento, Tíndaro Silvano, Luis Arrieta e Vanessa Macedo.

EXPRESSÃO

Nas últimas décadas, a Ginga aprofundou ainda mais sua relação com temas sociais e humanos.

Em 2022, a companhia estreou “Silêncio Branco”, espetáculo que aborda feminicídio e violência contra a mulher. A obra transformou em movimento o silêncio imposto às vítimas da violência de gênero.

Em 2023, o espetáculo foi contemplado pela Bolsa Funarte de Dança Klauss Vianna, fortalecendo sua circulação nacional.

Já em 2024, a companhia realizou a recriação coreográfica “Rompendo Silêncios”, assinada por Vanessa Macedo, ampliando a investigação artística sobre violência contra a mulher.

Para Paulo Oliveira, trabalhar temas urgentes altera profundamente o processo criativo. “Os trabalhos da Ginga partem muito das experiências humanas, das tensões contemporâneas, das questões de identidade, pertencimento e coletividade”, afirma.

Segundo ele, a dança possui capacidade de provocar reflexão social justamente por atuar no campo sensível. “A dança cria experiências e pode despertar perguntas no público, mesmo sem entregar respostas prontas”, pontua.

DANÇA CONTÍNUA

Chegar aos 40 anos não representa encerramento, mas continuidade.

Além da circulação estadual de “Rompendo Silêncios”, a companhia prepara “Corpo Território”, novo espetáculo que investiga as relações entre corpo, memória, identidade e pertencimento.

Ao olhar para trás, Chico Neller afirma que a maior conquista da companhia talvez seja justamente sua permanência. “Me orgulho de olhar para trás e ver quantos bailarinos passaram pela companhia, quantas vidas foram atravessadas pela dança e quantas pessoas descobriram um caminho artístico dentro da Ginga”, diz.

Depois de quatro décadas, a companhia segue inquieta. “Acho que o que mais me emociona é perceber que a companhia continua viva, em movimento, com vontade de pesquisar, criar e continuar acreditando na dança como espaço de encontro, reflexão e transformação”, conclui o diretor.

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