A atriz e humorista Miá Mello está cheia de projetos na TV, no teatro e no cinema á partir deste mês de agosto. No dia 8, ela chega aos cinemas com o filme “De Pai para Filho”, onde a paulistana poderá ser vista fazendo seu primeiro trabalho dramático ao lado de Juan Paiva e Marco Ricca, sob a direção de Paulo Halm.
Já no dia 9, ela volta a encenar no Teatro Multiplan, em SP, o sucesso “Mãe Fora da Caixa”. A peça, que durante cinco anos foi vista por mais de 120 mil pessoas pelo país. Ela é inspirada no best-seller homônimo de Thaís Vilarinho e trata, com muito humor, dos dilemas que envolvem a maternidade real. O espetáculo tem direção de Joana Lebreiro e texto de Cláudia Gomes e fica em cartaz até novembro. E dia 28, a Disney+ lança a série musical “O Som e a Sílaba”.
Recentemente, Miá Mello também emprestou sua voz para dublar a personagem Alegria em “Divertida Mente 2”. O longa de animação da Pixar, que estreou em junho nos cinemas brasileiros, alcançou o primeiro lugar nas bilheterias do país, tornando-se o maior longa-metragem em renda de todos os tempos no Brasil.
A artista, aliás, já tinha feito voz da personagem no primeiro filme da sequência. Em julho, o canal Discovery Home & Health lançou a segunda temporada de “90 Dias pra Casar”, em que a artista faz seus reacts diante dos casos apresentados.
Com 16 anos de carreira artística, Miá Mello ganhou projeção nacional em 2013 ao estrelar, ao lado de Fabio Porchat, a franquia cinematográfica "Meu Passado Me Condena". A produção atraiu mais de três milhões de espectadores e está entre os filmes brasileiros de maior bilheteria da época.
No mesmo ano, trabalhou como repórter do “The Voice Brasil”, na TV Globo. Agora, a artista aguarda a estreia do filme da franquia “Mãe Fora da Caixa”, que protagoniza ao lado de Danton Mello.
Com vários trabalhos no currículo, Miá Mello também faz parte da segunda temporada da série “Tudo Igual... SQN”, da Disney+. A produção foi a primeira feita no Brasil que está disponível mundialmente na plataforma. E, em 2020, se tornou a primeira mulher da América Latina a apresentar um talk-show científico: o “Posso Explicar”, no National Geographic, que está disponível no catálogo da Disney+.
Com tanta coisa acontecendo, Miá não poderia deixar de conversar com o nosso Caderno com exclusividade esta semana. Capa do B+, a atriz fala sobre todas essas estreias, humor e sua experiência em fazer um trabalho dramático pela primeira vez.
A atriz Miá Mello é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Thai Bonin - Diagramação - Denis Felipe e Denise NevesCE - Miá Mello você está lançando no próximo dia 8 de agosto seu primeiro trabalho dramático no filme “De pai pra filho”. Conta um pouco desse projeto pra gente?
MM - É um projeto muito especial onde apareço em um registro mais dramático. O Paulo Halm, diretor do filme, me convidou para dar vida à Dina depois que ele foi me assistir na peça ‘Mãe Fora da Caixa’.
Dina, minha personagem no filme, sofre um trauma muito grande, mas não tem tempo de lidar com ele porque tem que ser mãe. Mais uma hora a vida cobra o preço de jogar as coisas embaixo do tapete. Além disso, é um filme que dá muita esperança porque mostra que a gente pode encontrar o amor nos lugares mais improváveis e prova que o amor pode curar muita coisa.
CE - Depois de tantos anos fazendo humor, como foi se preparar para um trabalho dramático? E a expectativa para se assistir e ver o retorno do público diante dessa nova vertente?
MM - Fiz uma intensa preparação, que é minha parte favorita do projeto. Desde que recebi o convite, comecei um trabalho de descobrir quem era a Dina.
Fiz uma playlist com músicas que ela gosta, montei uma pasta com referências de roupas, sem nem ter conversado com a figurinista. Quando efetivamente cheguei no Rio para começar a preparação, muito do que eu tinha imaginado era bem parecido com o que aconteceu no filme. Uma coisa incrível que aconteceu foi no primeiro dia de filmagem, antes de ir para o set, escutei a música ‘Ela’ do Tim Bernardes, que fala exatamente sobre como uma pessoa lida com a dor da perda. Fiquei tão emocionada. Estou ansiosa para ver a reação do público.
Cada gênero tem seus desafios únicos. Fazer rir requer um timing perfeito e uma conexão com o humor do público, enquanto fazer chorar exige uma entrega emocional intensa. Ambos são desafiadores à sua maneira. Sim, estou aberta a novos projetos dramáticos e já estou em conversas para futuros trabalhos nessa linha.
Miá ao lado do também humorista Fábio Porchart - DivulgaçãoCE - O que tira o humor da Miá? E o que te faz rir?
MM - O que tira meu humor são coisas como pessoas que manda “oi, tudo bem” no whatsapp e não falam mais nada, cheiro de comida no ar condicionado, resquícios de uma etiqueta grudada, e o corretor do meu iPhone que corrige ‘vou’ para ‘vouch’, que nem é uma palavra que existe. Muitas coisas, pelo que você pode ver (risos). O que me faz rir são explicações de apelidos engraçados, como ‘Aladin’ porque o rapaz se separou e a mulher levou tudo da casa, deixando apenas um tapete, os memes do Twitter e as músicas que a gente cria para os cachorros aqui de casa
CE - Em pleno ano de 2024, ainda vemos muita gente fazendo humor com assuntos/fatos que já não fazem mais sentido. Pra você, qual o limite do humor?
MM - Acredito que o humor deve ser responsável. O limite do humor é quando ele começa a ferir, desrespeitar ou marginalizar grupos ou indivíduos. É importante evoluir e entender que certos temas não são mais aceitáveis ou engraçados
CE - Nos próximos dias você também volta a encenar 'Mãe fora da Caixa' em SP. A peça já esteve em cartaz por 5 anos e já foi vista por mais e 120mil pessoas pelo país. Como é retomar esse projeto agora? O texto teve alguma alteração por conta de alguma experiência sua?
MM - Estou muito animada com a volta da peça para São Paulo. É uma peça que, toda vez que faço, reforça o quanto ela é poderosa. As pessoas saem mexidas dela e isso é uma das coisas mais lindas da arte, além disso, é uma peça muito engraçada. Acredito que o humor é a ferramenta mais democrática que existe, fazendo com que seja uma peça para todo mundo ver e de quebra gera altas reflexões. O texto vai sofrendo pequenas alterações porque é uma obra viva.
Miá Mello - Foto: Thai BoninCE - E como é Miá mãe? Como a maternidade mexeu com a sua vida profissional e a pessoal?
MM - A maternidade é uma parte central da minha vida e uma fonte constante de aprendizado e crescimento. Gosto de estar bem perto dos meus filhos e acompanhar cada fase do desenvolvimento deles. A chegada da Nina trouxe uma sensação de enraizamento e empoderamento. Ser mãe dela me deu raízes, me fez sentir mais forte e segura de mim mesma. Foi uma maternidade que me estruturou, onde aprendi a balancear minha vida profissional com as demandas pessoais de ser mãe.
Quando o Antônio chegou, achei que seria uma extensão dessa experiência, mas a maternidade sempre nos surpreende. A chegada dele foi como um tsunami, desafiando minhas expectativas e me forçando a repensar muitas coisas.
Ele trouxe uma energia nova e me fez perceber que na maternidade, nunca podemos achar que o jogo está ganho. Com ele, precisei reconstruir muitos aspectos da minha vida, redefinir prioridades e encontrar forças que eu nem sabia que tinha. Cada um dos meus filhos me transformou de maneiras únicas, e sou imensamente grata por isso.
CE - Depois de 5 anos, por que você acha que a peça sobre maternidade ainda atrai tanto o interesse?
MM - Acho que a maternidade é uma questão muito relevante. Toda hora nasce uma nova mãe, então é um público que está sempre se renovando. Essa é uma peça que as pessoas gostam de voltar para ver, trazendo o marido, o grupo do zap, a família e volta a dizer, é uma peça muito divertida, e o humor facilita a ida das pessoas ao teatro.
Na peça 'Mãe Fora da Caixa', um sucesso de público que volta após mais de 120 mil pessoas assistirem - DivulgaçãoCE - Recentemente, você esteve no cinema dublando Alegria de “Divertidamente 2”, que foi também um grande sucesso. Como é pra uma atriz fazer esse trabalho usando apenas a voz? Teve uma preparação para isso?
MM - Eu brinco que dublar a Alegria foi um encontro de almas (risos). Dublar é um trabalho muito minucioso, solitário e de muita concentração. Você não recebe nenhum material antes para estudar, então é muito importante estar presente. Fui muito bem dirigida pelo Rodrigo Andreato, que sabia exatamente como extrair o melhor de mim.
CE - Ainda em agosto poderemos te ver na série musical “O som e a sílaba”, na Disney+. O que pode contar sobre sua personagem e sobre esse projeto também voltado para a família?
MM - A série é inspirada na obra de teatro homônima. Na trama, Sarah é uma jovem no espectro autista com uma habilidade musical extraordinária, que sonha em ser uma estrela de ópera, mas é tratada desde a infância como diferente e esquisita.
Eu interpreto a Débora, a madrasta narcisista de Sarah, que lida de forma pouco empática com ela. Foi um papel difícil de encarar porque sempre procuro encontrar um ponto em comum entre a personagem e eu, e demorou até achar esse ponto.
Lembro que, quando estava no meu primeiro curso de teatro, escutei da Juçara Morais que todos temos um piano dentro de nós e nossa personalidade é a nossa música. A ideia é que, embora possamos nunca tocar certas teclas, elas estão lá, fazendo parte do nosso ser.
Essa metáfora me ajudou a encontrar a humanidade em Débora. No final, entendi que Débora teve um papel fundamental para Sarah ir atrás do seu sonho, pois, apesar de seu irmão ser muito amoroso, ele também acabava sendo capacitista. Se dependesse dele, Sarah jamais sairia de casa para perseguir seu sonho.
Ela dubla a personagem ALEGRIA no sucesso Divertidamente 2 - DivulgaçãoCE - Depois de “De pai pra filho”, quais outros trabalhos você sonha em fazer?
MM - Apesar dos meus 16 anos de carreira, ainda tem tanta coisa que quero fazer. Tenho o desejo de produzir um longa, penso também que ter a experiência de dirigir pode ser algo fascinante. Estou sempre buscando contar boas histórias. Além disso, quero muito fazer uma novela, que é algo que ainda não tenho no meu currículo.
CE - E já tem outras novidades previstas para esse ano?
MM - O longa ‘Mãe Fora da Caixa’ ainda não tem data oficial de estreia, mas já posso adiantar que temos um filme incrível saindo do forno.
Foto - Thai Bonin

Dra. Bruna Gameiro

