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Capa B+: Entrevista exclusiva com a atriz Julianne Trevisol

"Além das novelas e séries, tive a oportunidade de atuar no cinema, no teatro e em outros projetos".

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A atriz Julianne Trevisol graduou-se em Artes Cênicas pela Casa das Artes de Laranjeiras (CAL) e pela Universidade Estácio de Sá (ensino superior), além de cursar especialização em Preparação Corporal, na Angel Vianna. 

Na Televisão, a novela infantil Floribella (Band TV) foi o marco de sua estreia como atriz. Daí em diante, começou sua carreira de sucesso na TV. Já fez parte do elenco das produções da Record TV -  “Balacobaco” (2012), Vidas em Jogo (2011), Promessas de Amor (2009), Os mutantes: caminhos do coração (2008/2009), Paixões Proibidas (2007), Caminhos do Coração (2007) e a série Milagres de Jesus (2014).

Na Globo, integrou o elenco da série “Os dias eram assim” (2017) e da trama das sete “Totalmente Demais” (2015).

Entre seus trabalhos, ela também protagonizou a websérie Põe na Conta, do Gshow, participou da série TOC’S de Dalila, da Multishow; e esteve na série Desencontros, de Rodrigo Bernardo. No teatro, esteve em cartaz com a peça “Ela é meu marido”, ao lado de Bia Guedes.

No teatro, ela estrelou “Uma vida boa” (2014/2017) e o projeto ganhou prêmio APTR (Associação dos Produtores de Teatro do Rio de Janeiro). Já no cinema, fez parte de “Divã” (2009) e “Ninguém ama ninguém... por mais de 2 anos” (2014).

"Não me limitei a apenas um tipo de plataforma ao longo da minha carreira. Além das novelas e séries, tive a oportunidade de atuar no cinema, no teatro e em outros projetos diversos.

Por exemplo, minha última incursão no universo bíblico foi há três anos, interpretando Nidana em Gênesis. Desde então, explorei diferentes papéis, como no musical "Casas de Cazuza", nos filmes "Nosso Lar" e "Casas e Casais", além das séries "Luz" da Netflix e "Vicky Amuza" da Globoplay, entre outros trabalhos", explica.

Em 2015, ela  participou do reality Super Chef Celebridades, do programa “Mais Você” - no qual ela foi a vencedora. Ela também tem formação em balé clássico, jazz e sapateado; danças de salão (gafieira, forró, bolero, soltinho, salsa, zouk) e contemporânea, além de canto e acrobacia em tecido aéreo.

A atriz já viveu também a ambiciosa Nidana, em Gênesis, da Record TV e atualmente está no longa “Nosso Lar 2”, em cartaz em todos os cinemas, e na série 'Luz' na Netflix.

Julianne é Capa do Correio B+ desta semana, e com exclusividade ao Caderno ela fala sobre escolhas, religião, trabalhos e projetos.

A atriz Julianne Trevisol é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Lineker Lenhard - Divulgação - Diagramação Denis Felipe e Denise Neves

CE - Entre novelas, séries, cinema e teatro, qual dessas plataformas você mais gosta de trabalhar e por quê?
JT -
Não me limitei a apenas um tipo de plataforma ao longo da minha carreira. Além das novelas e séries, tive a oportunidade de atuar no cinema, no teatro e em outros projetos diversos. Por exemplo, minha última incursão no universo bíblico foi há três anos, interpretando Nidana em Gênesis. Desde então, explorei diferentes papéis, como no musical "Casas de Cazuza", nos filmes "Nosso Lar" e "Casas e Casais", além das séries "Luz" da Netflix e "Vicky Amuza" da Globoplay, entre outros trabalhos.

Sobre a questão da fé e religiosidade, é importante destacar que, embora eu seja cristão e tenha uma forte fé em Deus, acredito na espiritualidade como um todo, independente de religião específica. Acredito que cada um de nós tem uma missão nesta vida e que nossa jornada vai além do que vivemos aqui.

O sucesso de uma obra como "Chico Xavier", especialmente em um momento pós-pandemia, reflete não apenas a audiência do público espírita, mas também na capacidade da história de tocar temas universais como amor, perdão e esperança na regeneração da humanidade.

Ela nos faz refletir sobre nossas ações e nos conforta ao lembrar que nossos afetos perduram para além desta vida. Acredito que obras assim têm o poder de expandir mentalidades e emocionar pessoas, especialmente em um contexto onde o cinema brasileiro busca revitalização.

Participar de um projeto como esse não é apenas uma oportunidade artística, mas também uma missão, pois todos os envolvidos têm o objetivo de emocionar e transformar através da arte.

O fenômeno que o filme tem se tornado não é apenas pela credibilidade da história de Chico Xavier, mas também pela maneira como ela é contada e como ressoa com as pessoas, motivando-as a voltar ao cinema em busca de uma narrativa que fala de amor, redenção e perdão.

CE - Como foi participar de um reality show culinário a e o que mais te surpreendeu durante o programa?
JT -
Sobre o superchefe, ele é um momento chave na minha vida, porque quando eu entrei eu achei que eu não era competitiva, eu entrei porque eu sou muito estudiosa e eu adoro aprender coisas novas e eu sempre gostei de gastronomia, mas eu não tinha conhecimento sobre cozinhar, tinha um instinto de gostar de cozinhar.

Como eu venho de uma família também que cozinha bem, né, mas uma coisa bem caseira, bem aquela coisa da comida caseira, eu não tinha muito esse olhar de como era uma gastronomia, como era esse universo dos chefes e aí eu aceitei esse convite, logo quando acabou totalmente demais, para participar do programa, que era um reality, muito no intuito de aprender, porque eu vi que nós ali, todos os dias, nós teríamos um workshop com cada chefe diferente de diversas modalidades, diversos estilos de gastronomia, uma culinária de cada lugar, uma culinária de cada tipo, isso me fascinou.

Quando eu fui vendo, eu já estava imbuída naquilo, eu já estava... dedicada naquilo, e aí eu não estava pensando em ganhar, mas a minha competitividade é muito grande comigo mesma, porque ela trabalha numa exigência minha.

Então essa minha exigência em querer me superar a cada momento, em ser melhor comigo mesma, foi o que fez eu ganhar esse programa, porque na final do programa, inclusive, eu perdi pontos por atraso, porque eu preferia atrasar o tempo e entregar os pratos para ganhar 10, entregar na qualidade, que eu sabia que eu estaria me superando, do que eu entregar no tempo e saber que eu poderia não ter entregue o meu melhor.

Então eu me arrisquei, perder para entregar o meu melhor, e eu lembro que eu tomei essa decisão em segundos na hora, eu falei, ou eu vou entregar, eu vou atrasar, eu posso perder por falta de pontos, porque vamos descontar os pontos, mas eu vou ganhar 10, ou eu posso, tenho a possibilidade de ganhar, mas também tenho a possibilidade de perder, porque eu posso não ganhar 10, porque os pratos não estão realmente como eu acho que estão, o melhor que eu poderia fazer, então eu optei em fazer o melhor.

Então essa minha competitividade, ela... Ela é, sobretudo, atravessada por mim, pelas minhas exigências, minha auto-exigência e a minha auto-superação. Então, o programa tem um marco na minha vida nesse sentido. Dali eu me apaixonei pela gastronomia e é algo que eu faço até hoje.

Estudo, faço curso na Le Cordon Bleu, faço experiências gastronômicas sempre que posso. Acabei conhecendo o universo da gastronomia, tenho grandes amigos chefes até hoje. Já viajei a outros lugares do mundo para conhecer gastronomias diferentes. E ainda pretendo ter projetos voltados para gastronomia e arte futuramente.

Julianne venceu o Super Chef na TV Globo - Divulgação

CE - O filme "Nosso Lar 2" e a série "Luz" na Netflix são projetos bastante distintos. Como é para você transitar entre diferentes gêneros e formatos de produção?
JT - 
Indiretamente, o público juvenil sempre me escolheu de alguma forma. Tenho uma conexão muito forte com crianças e sempre gostei delas.

Após me formar em dança, com especialização em balé de sapateado, comecei a dar aulas para crianças e pré-adolescentes. Posteriormente, ao concluir a faculdade de teatro, continuei lecionando teatro para crianças, inclusive em escolas especializadas.

Tenho ainda o desejo de reativar esse projeto para crianças especiais, sendo uma das madrinhas do Instituto Vidas Raras, que auxilia crianças com doenças raras. Entendo que é parte da minha vida me comunicar com esse público desde sempre e levar a arte a eles de alguma maneira, estabelecendo uma troca de energia gratificante.

Adoro o público infantil-juvenil. A novela Floribela, minha primeira atuação, foi muito especial, trazendo essa energia infantil. Em Mutantes, embora minha personagem, Gor, fosse inicialmente uma vilã, o público adolescente se identificou com ela, o que foi surpreendente. Mesmo sendo maléfica e possuindo poderes de hipnose, conectei-me de alguma forma com esse público, recebendo carinho mesmo interpretando uma vilã.

A vida sempre me proporciona trabalhos que me aproximam desse público. Os fãs de Mutantes cresceram, e novos públicos surgiram com trabalhos como Luiz e Vicky Amuza. Considero Luz uma série linda que aborda representatividade ao falar da comunidade indígena do Sky Gang, contando a história de Luiz de forma poética e lúdica. É crucial termos mais produções de qualidade para esse público, e é uma honra fazer parte delas quando convidada.

Em Vicky Amuza, interpretei uma sereia, exigindo preparação especial com uma cauda de 32 quilos e uma caracterização elaborada, levando mais de um mês para ser finalizada.

Embora tenham sido episódios específicos, a sereia se tornou uma figura marcante na série. Adoro quando há um esforço para criar personagens e histórias especiais para o público jovem, e é uma alegria fazer parte disso.

Com o elenco do filme Nosso Lar 2 - Divulgação

CE - Como está sendo a resposta do público para esses lançamentos mais recentes?
JT -
 Também é muito interessante essa comparação entre a Fernanda de "Luz" e a Lu de "Totalmente Demais". Coincidentemente ou não, nosso diretor geral, Thiago Teiter-Roy, que também foi meu diretor em "Totalmente Demais".

Quando me convidou para fazer os testes para "Luz", inicialmente fiz para outro personagem que não era a Fernanda. Isso se deu pelo receio de que a Fernanda pudesse ter alguma semelhança com a Lu, já que ambas eram secretárias e possuíam características joviais e solares. Achávamos que poderia haver muitas semelhanças entre elas, então, quando a Netflix decidiu que eu faria a Fernanda, pensei que seria interessante e desafiador, pois são personagens com algumas semelhanças.

O grande desafio seria encontrar as diferenças entre elas e atualizar certos aspectos, pois a Lu foi construída há sete anos. Eu, por outro lado, mudei e cresci como atriz nesse período. Embora ambas sejam jovens, interpreto a Fernanda com uma maturidade e repertório diferentes.

Foi uma grande brincadeira interpretar a Fernanda, explorar um universo que talvez eu já conhecesse um pouco devido à profissão dela, semelhante à da Lu, mas também encontrar as diferenças. Realmente havia diferenças nas quais me agarrei. Por exemplo, a Fernanda tem paixão por gatos, ela é completamente louca por eles.

Ao mesmo tempo que é solar, ela é muito solitária; sua família são esses gatos. Ela é uma menina bonita, divertida, mas também um pouco esquisita, com dificuldade em relacionamentos. Ela não sabe seduzir, chegar ou se colocar bem em relacionamentos, então ela comete erros constantemente. Portanto, há diferenças entre essas duas personagens, e foi isso que exploramos mais. Claro, a caracterização também ajudou bastante.

A Lu era muito colorida, com um cabelo claro e luminoso, enquanto a Fernanda tinha uma aparência mais São Paulo, com um estilo de cabelo mais clássico e uma paleta de cores sóbrias para o figurino. Essas diferenças contribuíram muito para a composição e construção da personagem.

CE - Existe alguma preferência entre trabalhar em produções para o cinema ou para o streaming?
JT -
Minha maior lembrança da jornada da Gor, sem dúvida, foi como ela se tornou uma porta de entrada para mim, especialmente na época em que estava na Record. Foi uma oportunidade incrível e uma possibilidade muito grande de desenvolver meu trabalho.

Lembro-me da confiança que o diretor, Alexandre Vansini, juntamente com Tiago Santiago e a Record, depositaram em mim. Quando fui escalada para interpretar a Gor, inicialmente era apenas uma participação de dois ou três meses, e a personagem não tinha a dimensão que acabou ganhando, no entanto, transformei esse desafio em uma oportunidade.

Encarei a personagem com determinação e consegui expandir seu papel, tornando-a a grande vilã da novela e mantendo-a por três temporadas. Foi um processo incrível ver a personagem crescer e o reconhecimento do público.

Me recordo claramente de ser reconhecida nas ruas, as pessoas querendo ver como era a Gor, algo que nunca havia experimentado antes. Apesar de já ter uma carreira consolidada no teatro, na publicidade e na dança, interpretar a Gor foi um marco em minha carreira na televisão, sendo a primeira personagem de grande repercussão nacional que interpretei. Essa é, sem dúvida, minha maior lembrança dessa jornada.

Em Genesis - Divulgação

CE - Qual é a diferença mais significativa entre trabalhar no teatro e na televisão/cinema, e como você se adapta a essas diferenças?
JT -
 Sobre os meus 40 anos, é incrível chegar a essa idade. Nunca imaginei que me sentiria tão bem e tão realizada aos 40 anos. Acho que é uma libertação. Lembro-me de uma frase do Caetano que fala sobre a calma que vem com a idade, sobre deixar de ser tão ansioso.

Claro, isso não significa que eu tenha perdido completamente a ansiedade, especialmente porque a arte é uma profissão que naturalmente nos leva a questionar e enfrentar muitas incertezas emocionais ao longo da jornada. No entanto, ao atingir os 40 anos, sinto-me mais equilibrada.

Percebi que minha felicidade está intrinsecamente ligada à maneira como eu me posiciono no mundo, às escolhas que faço e como cuido de minha vida profissional, equilíbrio emocional e saúde física e espiritual.

Chegar aos 40 anos me trouxe clareza sobre como lido com os diferentes aspectos da vida. Também percebo que me tornei mais seletiva em relação às pessoas ao meu redor, o que, paradoxalmente, abre novas possibilidades de conexão e me ajuda a refinar minhas escolhas, alinhando-as cada vez mais com meus verdadeiros desejos.

Recentemente, minha intuição se tornou mais aguçada. A intuição feminina, tão característica do meu signo de Câncer, tornou-se mais evidente com a chegada dos 40. Aprendi a prestar mais atenção nessa voz interior, distinguindo-a de meras preocupações, e busco equilibrar melhor esses insights.

Além disso, sinto que ganhei maturidade emocional e uma maior segurança como mulher. À medida que me tornei mais segura, passei a encarar a vida de forma mais leve e, curiosamente, a me sentir mais jovem.

Quando era mais jovem, precisei assumir uma postura mais madura em muitos aspectos da minha vida profissional e pessoal. Agora, não sinto mais essa pressão de provar algo para os outros. Conheço-me melhor, compreendo minha trajetória e tenho uma ideia mais clara do que desejo para o futuro.

Essa sensação de autoconhecimento e segurança traz uma confiança renovada, pois sei quem sou e o que me trouxe até aqui. Estou ciente das minhas conquistas e sei para onde desejo direcionar-me daqui para frente. Aos 40 anos, tudo isso converge de maneira mais interessante e gratificante.

CE - Conta sobre sua personagem em Reis, vc esta confirmada para a 10ª temporada?
JT - 
A gente brinca que o personagem que escolhe a gente, não somos nós atores que escolhemos as personagens e a Isabel, sem dúvida nenhuma, me escolheu e o Wagner me deu essa grande oportunidade de contar essa história.

E além de tudo que já falei aqui sobre a minha relação com a história e com as minhas crenças, Isabel vem trazendo pra minha vida esse universo da maternidade. Ela é diferente das outras vilãs que eu fiz. Eu já interpretei vilãs e personagens que eram mães, porém todas as outras personagens que eu fiz que eram mães, como por exemplo a Nidana de "Gênesis", que tinha uma filha, elas não eram boas mães, né, porque por elas terem uma característica de desvio de caráter por serem vilãs, naturalmente elas acabavam não sendo ali uma mãe muito presente ou uma mãe muito dedicada, ou uma mãe exemplar. Então eu não trabalhei tanto a fundo a relação com a maternidade antes e essa relação ela foi trabalhada durante.

De verdade, no filme "Nosso Lar", porque nós tivemos ali uma família muito coesa, a minha relação com essas crianças foi muito especial e foi uma relação que foi além do filme, nós temos essa relação até hoje, os meus filhos do filme me chamam de mãe até hoje, nós nos encontramos fora do trabalho durante esses dois anos que se sucederam entre as filmagens e agora a estreia. 

Eu estou acompanhando eles crescerem, então mexeu muito comigo fazer mãe dessas três crianças, porque isso veio numa fase onde eu tinha acabado de decidir fazer o congelamento de óvulos porque eu tinha entendido que realmente ser mãe é um dos meus sonhos de vida e que eu gostaria de preservar a minha fertilidade para que eu pudesse ser mãe quando eu achasse que é o momento, dentro de um contexto familiar que eu acredito, com os valores de família que eu acredito.

Então, eu ainda não tinha tido e ainda não tive a oportunidade de vivenciar essa experiência na minha vida real. E ter podido vivenciar isso na arte foi uma experiência muito deliciosa, foi uma troca maravilhosa.

E, naturalmente, eu estava também bem sensível, porque eu estava no meio do processo do congelamento de óvulos, onde a mulher passa por um processo de hormônios bem delicado, onde mexe com o nosso instinto maternal.

Você faz uma aplicação dos hormônios que você precisa fazer para desenvolver aqueles folículos, desenvolver aqueles óvulos para fazer a coleta. Então, naturalmente, você sente o seu corpo como se você estivesse um pouco gestando alguma coisa.

Você não sabe bem o que é, você não está gestando de fato, mas você está num processo ali de pré-gestação de algo, que na verdade é daqueles óvulos que vão ser coletados para futuramente realizar esse meu sonho.

Então, tinha uma expectativa maternal naquele momento e a Isabel veio preenchendo o meu coração dessa expectativa.

Eu usei todo esse emocional, essa sensibilidade para ela e, ao mesmo tempo, eu usei a serenidade que a personagem me exigia ter como uma mulher de fé, uma mulher que realmente pratica as boas ações dentro da família dela, dentro da casa dela, uma mulher que tem esperança, que tem certeza, que tem confiança em Deus, confiança de que as coisas realmente são como tem que ser e que as coisas vão ficar bem e vão melhorar.

Então, essa positividade, essa serenidade da Isabel eu levei para a minha vida no momento onde eu estava passando, embora gostoso, mas um processo difícil e delicado que é o processo de congelamento.

Julianne Trevisol - Divulgação

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Ana Costa destaque na série "Emergência Radioativa" na Netflix

"A Antonia exigiu de mim um mergulho profundo. Eu tentei entender quem ela era antes de tudo acontecer: o que ela sonhava, o que ela temia, como ela amava, como ela sobrevivia. Eu trabalhei muito com a ideia de contenção".

05/04/2026 16h30

Entrevista exclusiva com a atriz Ana Costa destaque na série

Entrevista exclusiva com a atriz Ana Costa destaque na série "Emergência Radioativa" na Netflix Foto: Divulgação

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Ana Costa começa o ano com grandes projetos no ar. Com mais de dez anos de carreira, a atriz ganhou mais visibilidade em Tremembé com o papel de Ana Rita, uma Asp - agente de segurança penitenciária - que trazia um tom de humor à história. "Apesar de um trabalho pequeno, teve uma ótima repercussão", conta Ana, que estreou a série Emergência Radioativa, na Netflix, no último dia 18.

Ainda este ano, Ana estreia sua primeira protagonista em um longa, dirigido por Luciana Malavasi. "O filme O que Sobrou do Céu me trouxe a oportunidade de explorar uma personagem ainda não vivida por mim, me desafiando e me tirando da zona de conforto. Luciana é uma grande profissional com quem tenho a honra de trabalhar e comemorar vitorias", conta Ana.

O novo curta que está circulando por festivais é O Novo Corpo, que estreia no Brasil no festival Curta Cinema, que acontecerá no Rio de Janeiro.

Natural de São Raimundo Nonato (Piauí), Ana mudou para São Paulo aos 18 anos e teve seu primeiro trabalho para o audiovisual em 2018, ao ser aprovada para uma participação na série Carcereiros (hoje, disponível no Globoplay), com a personagem Neide Aparecida, que aparece nos episódios 7 e 8 da segunda temporada.

No mesmo ano, ela fez participação na série Show da História, do Canal Futura, interpretando a indígena marajoara Yaci no segundo episódio da segunda temporada.

No ano seguinte participou do terceiro episódio da série Ninguém Tá Olhando.Em 2021, novamente no Canal Futura, Ana Costa participou de dois episódios da primeira temporada da série A Caverna de Petra, nos papéis de A Jardineira (Episódio 4) e Belezura (Episódio 8). Dois anos depois, participou da série DNA do Crime (Globoplay).No cinema, Ana atuou no curta-metragem A Janela de Íris, obra vencedora de diversas premiações internacionais (disponível no Prime Video).

O filme é dirigido por Luciana Malavasi, que integrou a atriz em outras duas produções posteriores: O Novo Corpo, curta-metragem do qual Ana Costa é protagonista, lançado em 2025 e sendo exibido em festivais durante 2026, que estreia no Brasil no Festival Curta Cinema; e O Que Sobrou do Céu, um longa também protagonizado por Ana (ainda sem previsão de estreia).

Ana Costa é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre sua carreira que completa 10 anos, estreias e o sucesso da Netflix que faz parte do elenco: "Emergência Radioativa".

Entrevista exclusiva com a atriz Ana Costa destaque na série "Emergência Radioativa" na Netflix A atriz Ana Costa é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Lito Trindade - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Sua trajetória como atriz começou antes da televisão. Em que momento você percebeu que a atuação deixaria de ser um sonho para se tornar profissão?
AC -
Foi quando eu entendi que não era só sobre talento ou vontade, era sobre escolha, oportunidades e constância. Teve um momento em que eu parei de me ver como alguém que “queria ser atriz” e comecei a agir como alguém que já era.

Quando comecei a dizer “não” para coisas que me afastavam do meu objetivo e “sim” pro risco, eu percebi: isso não era mais um sonho distante, era um caminho real.
E quando vieram os primeiros trabalhos e eu vi que o meu corpo e minha emoção estavam a serviço de uma história, eu pensei: é aqui. Eu pertenço a esse lugar.

CE - Como surgiu o convite para integrar o elenco de Emergência Radioativa e o que mais te chamou atenção nesse projeto?
AC -
O convite veio através de teste. Primeiro teste selftape no final do ano (2024).Em dezembro eu estava em viagem pelo Piauí quando recebi a consulta pra fazer outro teste, dessa vez presencial. Mas eu só voltaria para São Paulo no início do ano.

Eles aceitaram e fizemos em fevereiro. Fui aprovada na mesma semana pra personagem Antônia. E aí, depois de aprovada, li o material e me chamou atenção a seriedade com que a história era tratada.
Não era só entretenimento. Era uma narrativa com responsabilidade, com peso humano e social.

O que mais me impactou foi perceber que aquela história fala de algo muito maior do que um acontecimento: fala sobre negligência, sobre silêncio, sobre o impacto na vida de pessoas comuns, e isso me atravessou imediatamente

CE - A Antonia é uma personagem intensa. Como foi o seu processo de construção emocional e psicológica para vivê-la?
AC -
A Antonia exigiu de mim um mergulho profundo. Eu tentei entender quem ela era antes de tudo acontecer: o que ela sonhava, o que ela temia, como ela amava, como ela sobrevivia.
Eu trabalhei muito com a ideia de contenção.

Porque nem toda dor é escancarada. Muitas vezes ela se manifesta no olhar, no corpo, na forma de respirar, no silêncio. Foi um processo de muita escuta interna e também de respeito, porque eu sentia que ela carregava uma dor coletiva, não apenas individual.

CE - Quais foram os maiores desafios durante as gravações da série, especialmente considerando o contexto dramático da história?
AC -
O maior desafio foi sustentar emocionalmente a densidade da história sem me perder nela. O clima frio em São Paulo, porque filmamos no inverno. A caracterização da personagem também foi bem intensa. Alguns desafios rs.

Mas ter uma equipe como a que tivemos tornou todo o processo mais leve. Todos com um compromisso técnico enorme e o elenco disposto a entregar verdade emocional sem exagero, sem melodrama, com precisão.

CE - Você acredita que Emergência Radioativa traz reflexões importantes para o público? Quais mensagens mais te marcaram?
AC -
Com certeza. A série provoca reflexões urgentes sobre responsabilidade, sobre como tragédias acontecem quando a vida humana é tratada como detalhe. O que mais me marcou foi perceber como o silêncio e a negligência podem ser tão destrutivos quanto o próprio acidente.

E também a força das pessoas que seguem vivendo mesmo depois de tudo. A série fala sobre sobrevivência, mas também sobre memória, justiça e cuidado.

CE - Ao longo da sua carreira, quais trabalhos foram mais decisivos para moldar a atriz que você é hoje?
AC -
Cada trabalho foi uma escola, mas alguns me transformaram mais profundamente porque exigiram coragem.  Eu venho do teatro, então posso dizer que tive a melhor escola pra hoje viver esses grandes personagens no audiovisual.

Eu sinto que projetos como Emergência Radioativa me fizeram crescer muito, porque me exigiram maturidade emocional e responsabilidade artística. E eu também valorizo muito os trabalhos menores, mais íntimos, porque eles me lembram o essencial: presença, verdade e escuta.

Entrevista exclusiva com a atriz Ana Costa destaque na série "Emergência Radioativa" na Netflix A atriz Ana Costa é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação Netflix - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Existe algum tipo de personagem ou gênero que você sonha em explorar, e ainda não teve oportunidade?
AC -
Eu tenho muita vontade de explorar personagens sertanejos. Sonho com um projeto no Piauí, filmar nas serras , algo assim. Um trabalho reforçando minha ancestralidade, com camadas, que o público não entende completamente de cara.

Também tenho desejo de fazer comédia, porque acho que é um gênero muito desafiador e inteligente, e ao mesmo tempo libertador. E personagens que fujam do óbvio: mulheres que não precisam ser explicadas o tempo inteiro, apenas vividas.

CE - Você já pode adiantar algo sobre novos projetos ou planos para o futuro próximo?
AC -
Acabamos de estrear no festival Curta Cinema, Rio de Janeiro, um curta-metragem que filmei em 2024 com a Pulsante Filmes, com direção e roteiro de Luciana Malavasi chamado O NOVO CORPO, e que agora segue circulando por diversos festivais.

Ainda neste semestre tenho o lançamento do livro "Quando me perdi de mim" que reúne relatos de 25 autores compartilhando experiências reais sobre momentos de ruptura, perda de identidade e redescoberta de propósito. É minha estreia como escritora e eu estou muito animada pra esse momento.

Estamos em negociação para a segunda temporada de uma série lançada ano passado que foi sucesso na qual fiz uma participação e tive um excelente retorno do público. E estamos na expectativa do lançamento ( ainda sem data definida) do longa-metragem O Que Sobrou do Céu, também da Luciana Malavasi, onde faço minha primeira protagonista em um longa, a Beatriz!

To muito feliz, realizada e estou em um momento muito fértil, com projetos em andamento e novos caminhos se abrindo. Tenho buscado personagens que me desafiem e histórias que tenham impacto, que deixem algo no público. E também estou aberta a novas linguagens, novos formatos e possibilidades dentro do audiovisual.

CE - Como você equilibra a vida profissional intensa com a sua vida pessoal e momentos de descanso?
AC -
Eu aprendi que descanso não é luxo, é parte do trabalho. Se eu não estiver bem, eu não consigo criar com profundidade.
Então eu tento manter uma rotina possível: cuidar do meu corpo, da minha energia, e respeitar meus limites.
Hoje eu entendo que equilíbrio não é fazer tudo perfeitamente, é saber quando acelerar e quando parar.

CE - Fora das telas, quem é a Ana Costa? O que te inspira, te acalma e te faz feliz no dia a dia?
AC -
Fora das telas, eu sou uma mulher muito ligada à dinâmica de alguém que vive numa grande metrópole. Muito teatro, cinemas, exposições, bares com os amigos. Sou muito festiva!  

Quando decido me recolher aí eu foco em ter mais contato com a natureza e cuidar da minha espiritualidade.
Me inspira observar gente, histórias reais, a força das mulheres, especialmente as mulheres nordestinas, de onde eu venho. E o que me faz feliz é sentir que estou vivendo com verdade, na arte e na vida.

 

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Coluna Desatando Nós: Entre tradições e vínculos

Rituais têm uma função importante na vida emocional. Eles ajudam a organizar o tempo, criam previsibilidade e fortalecem o senso de pertencimento.

05/04/2026 15h20

Coluna Desatando Nós: Entre tradições e vínculos

Coluna Desatando Nós: Entre tradições e vínculos Foto: Divulgação

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Datas como Páscoa e Pessach costumam mobilizar encontros, memórias e expectativas. São momentos em que as famílias se reúnem, retomam tradições e, muitas vezes, tentam reproduzir rituais que atravessam gerações. Mas, em meio à organização, à correria e às exigências do cotidiano, vale uma pergunta: o que, de fato, sustenta esses encontros?

Rituais têm uma função importante na vida emocional. Eles ajudam a organizar o tempo, criam previsibilidade e fortalecem o senso de pertencimento. Para as crianças, especialmente, são formas concretas de entender vínculos, história e identidade. Para os adultos, funcionam como pontos de conexão com a própria trajetória e com aquilo que se deseja preservar.

Mas rituais não são, por si só, garantia de conexão. Quando se tornam apenas uma obrigação ou uma repetição automática, podem perder o sentido. Famílias que se encontram, mas não se escutam, que mantêm a tradição, mas não o vínculo, muitas vezes saem desses momentos com a sensação de vazio, apesar de tudo ter acontecido “como deveria”.

Entre tradições e vínculos, existe um espaço que precisa ser construído com presença. Não é sobre fazer tudo perfeito, nem sobre manter todos os costumes intactos. É sobre criar experiências que façam sentido para quem está ali hoje, com suas histórias, seus limites e suas possibilidades.

Em muitas famílias, os rituais também precisam ser reinventados. Mudanças na estrutura familiar, distâncias, perdas e novos arranjos exigem flexibilidade. Sustentar um vínculo, nesses casos, passa menos por repetir o passado e mais por construir novas formas de estar junto.

No fim, o que permanece não é a mesa posta ou o ritual executado corretamente, mas a qualidade do encontro. É o olhar, a escuta, a presença possível. São esses elementos que transformam tradição em memória afetiva.

Mais do que manter rituais, talvez o convite seja dar sentido a eles.

Vamos desatar esses nós?

@vanessaabdo7

Coluna Desatando Nós: Entre tradições e vínculosVanessa Abdo - Divulgação

 

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