Correio B

Correio B+

Capa B+: Entrevista exclusiva com a atriz Sabrina Petraglia

"Foram quatro anos distantes da televisão, e estou me realizando de voltar depois da maternidade".

Continue lendo...

Morando há um ano e meio em Dubai, a atriz Sabrina Petraglia está passando uma temporada no Brasil para gravar a novela “Família é Tudo”, na qual vive a personagem Maya na TV Globo. “Estou muito feliz com essa oportunidade, ver que é possível, mesmo sendo mãe de três pequenos (Gael, Maya e Leo), morando nos Emirados Árabes, organizar toda uma agenda e se realizar profissionalmente, voltar pra televisão, para os estúdios, depois de quatro anos”, conta.

Sabrina também aproveitou para filmar “Mar de Mães”, filme dirigido por Leticia Prisco, com roteiro de Thaís Vilarinho e Thaís Poetha, ao lado das atrizes Fernanda Rodrigues, Pathy Dejesus e Thaila Ayla.
“É sobre a importância da parceria entre mães que se acolhem, se ajudam. Também fala da exaustão, da solidão. Maternidade é como um mar, as vezes está sereno, às vezes você toma uns ‘caldos’. É imprevisível e você vai aprendendo ao navegar. É um filme lindo”, diz a atriz que viverá a história de uma mãe solo, que está entre ser mãe e ser filha e vive todos os conflitos nessa relação com a mãe.

Em 2016, Sabrina integrou o elenco principal de “Haja Coração”, onde interpretou Shirlei, uma garota com deficiência e que fez par com o ator Marcos Pitombo. A personagem foi um dos grandes divisores de água na carreira de Sabrina, que até hoje é reconhecida nas ruas pela personagem.

No ano seguinte,  esteve no elenco de “Tempo de Amar” como a feminista Olímpia, e em 2020, fez a competente administradora de empresas Micaela em “Salve-se Quem Puder”, a sua terceira parceria com o autor Daniel Ortiz.

Sabrina começou a fazer teatro na escola, aos 7 anos de idade. Se formou em bacharel de Comunicação em Multimeios pela PUC-SP, exerceu a profissão, porém, desistiu para atuar. Em 2009, se formou como atriz pela Escola de Arte Dramática.

Sabrina é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela nos contou sobre sua vida fora do país, maternidade e seu retorno as novelas no Brasil.

Sabrina Petraglia é Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Babuska Fotografia - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves

CE - Você está morando em Dubai há quase dois anos. Como foi se acostumar a uma cultura totalmente diferente?
SP -
 Estou morando em Dubai há quase dois anos, e não foi difícil me acostumar. É claro que sempre tem um período de adaptação, eu cheguei não falando nada de inglês, muito menos árabe. Eu tinha uma ideia dos Emirados, quando meu marido me propôs a mudança, eu falei de jeito nenhum. Acho que deve ser distante da natureza, aquela ostentação, muito glamour, luxo, para criar crianças. Meus filhos são muito pequenos, não querem um lugar assim. E aí a gente conversou e decidimos ficar por um ano. E eu me apaixonei.

O Sheikh Mohammed, que governa e dirige Dubai, gosta muito de verde, de natureza. Então eu moro num condomínio super arborizado e com pássaros. É um lugar extremamente seguro, os meus filhos saem de bicicleta, a gente vai para a escola de bicicleta, então, tenho uma qualidade de vida surpreendente. Claro que nessa época do ano que a gente está agora, o verão lá é muito quente, e é impossível ficar. Então as escolas fecham e a gente aproveita o período para vir para o Brasil e ficar perto da família.

Lá é um lugar onde as pessoas são muito educadas, não tem essa repressão que eu achava que tinha. A gente tem uma ideia dos Emirados totalmente distorcida da realidade. Os Emirados recebem muitos estrangeiros, é um país onde 80% são expatriados, então não tem essa coisa de não poder usar regata, não poder usar biquíni na praia, não tem nada disso.

Claro que é um país muçulmano, e eu estou morando lá, e pra circular eu prefiro usar tipos diferentes de roupa, me cobrir um pouco mais, por respeito. Isso faz parte não só da religião, como é uma coisa cultural deles, acho que eu tenho que respeitar, mas se um estrangeiro for passar férias, pode usar shorts, regata, pode um monte de coisas que eu achava que não podia. Tenho uma vida muito boa lá com a minha família, muito segura e eu adoro morar em Dubai.

CE - Como é ser mulher e atriz em um país como os Emirados Árabes? Sentiu algum preconceito pelas ruas?
SP -
Não senti nenhum preconceito por ser mulher, por ser atriz, muito pelo contrário, eu sinto que quando eu converso com as mulheres emirates, elas têm muita curiosidade de saber como é ser atriz no Brasil e como é ser atriz.

Eu acho que devem ter famílias mais radicais onde realmente a mulher tem menos voz, mas como em qualquer lugar do mundo, o próprio Brasil tem religiões mais radicais, em que as mulheres ainda são submissas, ainda estão num outro lugar, eu acho que deve ter essas famílias mais radicais, mas nas famílias emirates que eu conheci, as mulheres são superdescoladas, empoderadas, trabalham, tem realização profissional também.

Eu tinha uma ideia de que as mulheres eram super reprimidas, que não tinham voz. Mas imagina, tem nove ministras no poder, tem mulheres muito poderosas, eu tenho profunda admiração, são engajadas.

CE - Sente alguma diferença na criação, educação dos filhos nas escolas de lá?
SP - 
O que eu posso falar das escolas das crianças é que são maravilhosas. A diversidade cultural que se tem nos Emirados eu me sinto em casa porque ninguém está em casa lá, tem gente do mundo inteiro. Na classe do Gael tem 18 alunos de 15 nacionalidades, é uma riqueza, essa pluralidade, meu filho tendo contato aos 5 anos com essa diversidade logo no início da vida, é incrível, porque eu acho que ele vai ter uma cabeça totalmente diferente da minha, muito mais aberta.

Eles estudam hoje numa escola britânica, eu gostei muito, eu e o Ramon estudamos muito sobre a grade curricular, o Gael já começou a aprender a ler e a escrever, inclusive Maya na nursery já arrisca as primeiras palavras. Eu acho que a educação é muito boa.

No Brasil a gente também tem muitas escolas boas, mas em Dubai também. Então eu estou bem feliz de estar dando essa oportunidade para os meus filhos, que já são bilíngues, tão pequenos. E isso é um privilégio. Eu que estou aprendendo a falar inglês agora, eu olho para eles falando inglês e falo “Uau, que bom que eles já têm as duas línguas”. Então eles vão ser alfabetizados em inglês, mas eu já estou procurando professoras em português também Porque português é a língua de base deles e eu não quero que eles percam isso. Essa identidade, nossa identidade brasileira.

Foto: Babuska Fotografia

CE - Como tem sido conciliar a carreira de atriz, manter trabalhos no Brasil, morando tão longe?
SP -
 Eu estou muito feliz de conciliar minha carreira com a maternidade, mesmo morando tão longe, do outro lado do mundo, em pleno deserto. Eu estou muito feliz de estar de volta fazendo um filme, que é o “Mar de Mães”, fazendo a novela das sete, “Família Tudo”, com uma Maya (personagem), que também chega dos Emirados Árabes. O autor, gentilmente, falou um pouco do lugar onde eu moro.

E eu tenho alguns projetos meus que visam mostrar um pouquinho mais aqui no Brasil o que são os Emirados Árabes, de verdade. Uma visão de quem mora lá, de uma expatriada, mãe, que está lá no dia a dia vendo tantas coisas diferentes e incríveis. Gostaria de mostrar os Emirados de uma forma como ninguém nunca mostrou.

Quem sabe aí venha um projeto para o Brasil nesse sentido. Vou trabalhar para isso e também levar a cultura do nosso Brasil para os Emirados. De repente a literatura, a literatura infantil. Eu sou uma atriz que vem do teatro, quem sabe, levando algum texto da literatura brasileira para lá. Não sei ainda, mas tem alguns projetos bem incríveis em mente, fazendo esse intercâmbio Brasil, Emirados.

Mas estou feliz também de ter essa oportunidade, depois de quatro anos, voltar a fazer novela, do Daniel Ortiz, do Fred Mayrink, me considerarem, considerarem essa mãe de três. Porque quando pensam em Sabrina, tem três filhos, essa é uma dor de cabeça, mora tão longe (risos).

E não, estou mostrando que é possível. Estar aqui, eu tenho uma rede de apoio maravilhosa da minha família e de ajuda mesmo, tenho essa oportunidade, esse privilégio. Então consigo, pontualmente, me organizar para fazer produções aqui no Brasil. Estou mostrando isso, que venham mais trabalhos.

CE - Você tem aproveitado esse tempo para estudar, se aprofundar em alguma arte?
SP -
 Olha, para falar a verdade, eu não tenho muito tempo não, porque eu tenho três bebês e quando eu não estou trabalhando, investindo nos meus projetos, fazendo a novela, eu estou 100% com eles. Eu gosto muito de estar com as minhas crianças, então não tenho muito tempo para estudar, ainda não consegui estudar inglês, eu aprendi inglês na raça, tive carta de motorista, tudo na raça.

O meu filho mais novo tem dois anos, fez dois anos faz pouco tempo, e eu coloquei ele na escolinha só com dois anos, então nesse tempo todo eu fiquei com o Léo em casa, então o meu dia todinho era tomado por eles, quando eles dormiam eu sentava no computador para desenvolver os meus projetos.

 Agora que os três estão na escola, quando eu voltar para Dubai, eu vou me organizar para estudar, para falar inglês, o inglês correto. Porque eu tô me virando, eu me comunico muito bem, mas falo muito errado, tenho essa consciência, preciso melhorar urgente isso.

Eu gosto sempre de conseguir ler os meus livros, eu sou atriz, eu nasci atriz e já estudei muito, fiz escola de arte dramática da USP, fiz vários cursos, então trabalhar também, me colocar em movimento a prova disso, ver que eu ainda estou em alta performance, me sinto até melhor, depois de tanto mergulho na maternidade, eu sou uma atriz muito mais profunda, mais interessante. Com muito mais profundidade, isso é maravilhoso.

Foto: Babuska Fotografia

CE - Você pensa também em trabalhar nos Emirados? Como é o mercado lá para atriz?
SP -
 Atuar, trabalhar como atriz nos Emirados, eu ainda acho que não consigo por conta da língua. Eu não falo um bom inglês e muito menos árabe. Eu tenho amigos que são apresentadores da TV Local, acho que tem um caminho ali para mim, mas eu ainda preciso aprimorar a língua.

Mas eu pretendo fazer, trabalhar com projetos nos Emirados, Brasil-Emirados, eu estou muito próxima do embaixador Osidne Romero, que é uma pessoa maravilhosa, fazemos aniversário No mesmo dia, dia 16 de abril, somos arianos, empolgados, apaixonados e estamos pensando em muitos projetos, temos muitas ideias para promover esse intercâmbio Brasil-Emirados, então os meus projetos são nesse sentido agora.

CE - Como está sendo essa volta às gravações depois de algum tempo afastada da televisão?
SP -
 Foram quatro anos distante, só cuidando das minhas crianças e dessa mudança radical para os Emirados Árabes, e agora voltar é maravilhoso, eu tô me realizando de voltar. Tinha tanto medo de me verem só como mãe e não me darem essa oportunidade depois da maternidade.

Eu sou apaixonada, eu já tentei não ser atriz, não deu, já fui jornalista por sete anos antes, então comecei minha carreira tarde, assim, tarde, entre aspas, né, então tá sendo maravilhoso voltar, mostrar que eu sou capaz, pra mim mesma. Estou muito mais madura, mais profunda, não me preocupando tanto com o que os outros acham, mas me preocupando mais com a minha performance, como eu consigo desenrolar tudo isso, essa vitalidade que eu ainda tenho de atuar e tudo, enfim, tá sendo um reencontro comigo mesma, quem é a Sabrina pós-maternidade agora no Rio de Janeiro, sozinha, muitas vezes sozinha, porque os meus filhos ficam em São Paulo, perto dos avós, né? E eu vou para o Rio toda semana para gravar e gravo quase a semana inteira.

Está sendo muito bom, um reencontro comigo mesma, a carreira, a profissão faz parte da minha individualidade, isso é muito importante também. Então eu tenho voltado muito feliz, tenho mostrado que a mamãe faz o que ama para os meus filhos, então está sendo maravilhoso.

Foto: Babuska Fotografia

CE - Além da novela, você também gravou um filme que fala sobre maternidade. Conta um pouco sobre essa experiência.
SP -
 Foi sensacional gravar “Mar de Mães”. Há dois anos eu me encontrei, tomei um café com a Thais Vilarinho, a mãe fora da caixa. A gente se conectou nas redes sociais, marcamos um café. Eu estava grávida do Léo, dois anos e meio atrás.

E eu falei, “Thais, escreve alguma coisa de maternidade pra mim. Eu tenho medo de não conseguir voltar a trabalhar, de ninguém me querer mais”. Aquelas inseguranças que temos. Quem é mãe sabe. E aí ela começou a escrever esse projeto, Mar de Mães, e juntas a gente agregou pessoas maravilhosas e realizou esse ano Mar de Mães, que é um filme que fala principalmente sobre amizade entre mulheres mães. Só uma mãe, uma outra mãe, sabe o que está no mesmo estágio, que você sabe o que você passa. Como é solitário, quais os perrengues. Medos, as vitórias também, enfim, o caos e a delícia.

Então fala dessa amizade de três mulheres, o filme serve como uma rede de apoio para muitas mulheres, mães, que estão aí nessa maternidade, muitas vezes, solitária. É um filme lindo, poético, foi demais gravar, foi um sonho, foi realizar um sonho. E que venham outros, porque Thaís tem vários projetos nesse sentido e estamos juntas em todos eles.

Diálogo

Petista que posa de vestal da moral e dos bons costumes vem colecionando... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta terça-feira (15)

15/09/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

Continue Lendo...

Margaret Thatcher - Política britânica

"Estar no poder é como ser uma dama. Se tiver que lembrar às pessoas quem você é, você não é”.

FELPUDA 

Petista que posa de vestal da moral e dos bons costumes vem colecionando revés na Justiça Eleitoral. Em vez  de apresentar propostas e mostrar ao eleitor o que pretende fazer na Câmara Federal, caso seja eleito, prefere se perder em intrigas e tentativas de desestabilizar adversários, segundo político que conhece bem os bastidores. A estratégia, pelo visto, tem sido mais de conversa do que de conteúdo. Detalhe: o dito-cujo, a cada eleição, tenta conquistar um mandato, mas nunca consegue. Como se vê, discurso inflamado nem sempre é suficiente para convencer o eleitor.

DiálogoFoto: Reprodução

Disponível gratuitamente para toda a população, a AEDO – Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos – feita em cartório pode ser consultada, via CPF do falecido, pelos responsáveis do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, diretamente na Central Nacional de Doadores de Órgãos. A iniciativa, que busca ajudar as pessoas que atualmente aguardam na fila por transplante de órgão, pode ser solicitada digitalmente em qualquer um dos Cartórios de Notas do Brasil. O interessado preenche um formulário diretamente no site www.aedo.org.br, que é recepcionado pelo cartório selecionado. Em seguida, o tabelião agenda uma sessão de videoconferência para identificar o interessado e coletar a sua manifestação de vontade. Por fim, o cidadão e o notário assinam digitalmente a AEDO, que fica disponível para consulta do Sistema Nacional de Transplantes. É possível ainda escolher qual órgão deseja doar –medula, intestino, rim, pulmão, fígado, córnea, coração ou todos. No Brasil, a maioria das pessoas na fila única nacional de transplantes aguarda a doação de um rim, seguido por fígado, coração, pulmão e pâncreas, Pela legislação vigente, quem autoriza a doação em caso de morte encefálica é a família, que precisava estar ciente da intenção da pessoa em doar seus órgãos e/ou tecidos. Com a AEDO esta manifestação de vontade fica registrada dentro de uma base de dados acessada pelos profissionais da Saúde, que terão em mãos a comprovação do desejo do falecido para apresentar à família no momento do óbito. A plataforma está acessível 24 horas por dia, 7 dias por semana, de qualquer dispositivo com acesso à internet.

Diálogo Mônica, Marcela e Eduardo Riedel - Foto: Arquivo Pessoal

 

Diálogo Dra Juliana Lusvarghi - Foto: Arquivo Pessoal

Termômetro

A sucessão da prefeita Adriane começa a entrar no radar político de Campo Grande com vistas a 2028, embora a movimentação mais efetiva deva ocorrer a partir de 2027. Ainda não se sabe  se os partidos que hoje integram o arco de alianças do governador Riedel estarão novamente do mesmo lado. Algumas figuras já andam assanhadas e ensaiam colocar o bloco na rua. A eleição deste ano poderá servir para medir força e espaço dos candidatos. 

Cadeiras

Se for reeleito, o governador Riedel poderá entrar na disputa por uma das vagas ao Senado em 2030. A cadeira que estará em jogo será a da senadora Tereza Cristina, com o final do seu mandato. Ela, por sua vez, também poderá entrar na disputa pelo Governo de MS. Assim, as eleições deste ano já produzem reflexos sobre a montagem do cenário de 2030. Como na política ninguém costuma olhar apenas para a próxima curva...

Responsa

Está nas mãos dos irmãos Fábio e Marcos Trad, hoje em partidos de esquerda, parte importante da responsabilidade de ampliar o espaço político da família nestas eleições. Fábio disputa o Governo, enquanto Marcos busca uma vaga na Câmara dos Deputados. O senador Nelson Trad Filho, por sua vez, desistiu do confronto direto e agora integra uma chapa majoritária como suplente. Se os dois irmãos não obtiverem sucesso nas urnas, o legado político da família poderá sofrer um forte revés. A eleição, portanto, servirá para medir a força do sobrenome.

ANIVERSARIANTES 

  • Leni Fernandes, 
  • Déo José Rimoli Filho,
  • Neiba Ota,
  • Marcus Vinicius Saucedo Perez, 
  • Dalila Felix Damian Miragaia, 
  • Adirson Moreno Peixoto,
  • Gete Ottano da Rosa,
  • Francisca Cosma de LIma Cordeiro,
  • João Yossimitu Chimabuco,
  • José Pereira de Viveiros,
  • Oilson Rizzo,
  • Paulo Cesar Coelho,
  • Rodrigo Seabra Gomes,
  • Josefina Antonia Toledo da Silva,
  • Julianne de Souza Espindola,
  • Cleusa Araujo Clark,
  • Yassuo Noguchi,
  • Silvia Kozima,
  • Gilza Nuria Marroni,  
  • Paulo Sergio França,
  • Jurandir Calixto da Cruz,
  • Osny Duarte Ribeiro,
  • Carlos Hamilton Pereira,
  • Dr. José Rizkallah, 
  • Dr. Jorge Eduardo Rodrigues,
  • Mauro Antônio Zaionc, 
  • Eliane Del Greco Michelazzo,
  • Roberto Pinheiro de Lima,  
  • Wilson Marques Barbosa,     
  • Ana Cecília Mascarenhas Moreira,
  • Vanir Pato dos Santos,
  • Ricardo Ferreira,
  • Sueli Higa, 
  • Orlando Costa Marques Leite,
  • Rochelle Costa,
  • Vanildo Neves Barbosa,
  • Raimundo Nonato Teixeira,
  • Lecir Regenold Martins, 
  • João Pereira Guimarães Neto,
  • Gislene Maria de Macedo,
  • Maurilio Nicomedes da Cunha,
  • Neuza Maria Trindade Benites,
  • Luiza Miyahira,
  • Eliane Novaes Guimarães,
  • Hélio Arthur Bacha,
  • Alex Addor,
  • Nelson Buianain Filho, 
  • Arides Gonçalves Gattis,
  • Dr. Victor Hugo Andrade de Oliveira,
  • Cleber José Ferreira Aguilar,
  • João Nunes,
  • Ramão Barbosa de Souza,
  • Josias dos Santos Rosa,
  • Cleiton Alves Rodrigues,
  • Roberto de Paula Almeida, 
  • Vera Brum,
  • Dr. Aristóteles Ferreira,
  • Maria Cristina Andrade Lopes,
  • Wilson Gomes,
  • Anibal do Nascimento Reis,
  • Maria Antonieta Assunção,
  • Silvio Bezerra Silva,
  • Edison Nepomuceno,
  • Rosiane Nogueira Escobar,
  • Hilda Silveira Gomes,
  • Marisa Mendes Gonçalves,
  • Orcílio Pereira de Queiroz,
  • Dácio Barbosa,
  • Antônio Cotrim Júnior,
  • Dra. Jussara Toshie Hokama, 
  • Elsi Abussafi dos Santos,
  • Márcio César Gonzaga,
  • Pedro Sorrilha Nantes,
  • Sérgio Adalberto Oliskovicz,
  • Hudson Oliveira,
  • Maria de Lurdes Teófilo Tavora,
  • Pedro Paulo Batista,
  • Carmem Fonseca,
  • Soraia Aparecida Chrun Silva,
  • Cristina Xavier da Silva,
  • Emanuel Kilkner Xavier Correa,
  • Altair Carvalho de Oliveira,
  • César Glauco dos Santos Braga,
  • Hans Edgar Bacahenheimer Aguilera,
  • João Edson Vitti,
  • Arnaldo Oscar Drews,
  • João Sguissardi da Rosa,
  • Milton dos Santos de Souza,
  • Roseli Douxera Aquino,
  • José Carlos Oliveira Junior,
  • Manoel Afonso, 
  • Janete Bellini D´Oliveira,
  • Plinio de Arruda Junior,
  • José Carlos Sena,
  • Zito Manuel da Silva,
  • Fabiano Battiston,
  • Oscar Aparecido Santana,
  • Waldelino Pereira Fernandes,
  • Alexandre Rodrigues Favilla,   
  • Nailor Holsback Pereira,          
  • Ayrton Assunção Matos Júnior,     
  • Cassiano Zambam Biglia,
  • Jair de Almeida Serra Neto,
  • Laralice da Rocha Aidar,
  • Jucyliana Cristine Arantes,
  • Mozart Stefani, 
  • Taís Gouvêa Assunção, 
  • Lourdes Peres Benaduce,
  • Roberta Moreschi,
  • Samanta Viki Ramos,
  • Marlene Meneses de Almeida.

Colaborou com Tatyane Gameiro

crônica

Cidade Afeto

14/09/2026 15h05

Arquivo

Continue Lendo...

Ao aceitar o convite  de Henrique Medeiros, presidente da Academia de Letras de Campo Grande e da amiga   e acadêmica Theresa Hilcar para uma palestra, a memória revirou.  Não imaginava que viveria tantas emoções em dois dias. Momentos diferentes de minha vida vieram à tona. 

Marcia, minha esposa,  e eu percorremos o que foi possível da cidade, a qual estou ligado desde os anos 1970-1980, quando reunido com autores de minha geração atravessávamos o País   fazendo palestras a estudantes e professores em escolas, pátios, quadras, porões, calçadas, praças, estações ferroviárias, resistindo a um regime que tentava nos calar.

Para mim, esta ida, agora, semanas atrás, me trouxe Berlim, onde morei nos anos 1980. Acabara de me separar de  Bia, minha esposa, e ela mudara para o Mato Grosso com meus filhos. Comunicávamo-nos por telefone. Eu fazia a ligação para Daniel e André, à noite nos orelhões berlinenses. Era muitíssimo mais barato. Havia os fusos, porém os meninos me aguardavam ansiosos para transmitir tudo da  cidade deles, tão verde. Enquanto eu estava enregelado, ele ardiam de calor, e riam, não entendiam a diferença. Eu dizia: “estou com um pouquinho de neve na mão”, e eles queriam saber: “Qual  é o gosto da neve”. Berlim era gelada e gelado e Campo Grande, ardia. 

Eu acompanhava as escolas deles, dos jogos de futebol nos terrenos vagos em torno da casa na Rua da Paz, dos passeios.  Contavam dos campeonatos de futebol de salão no colégio. Estavam felizes, a cidade os acolheu. Eu me adaptava a Berlim,  eles a Campo Grande. Havia afeto. Lembro-me rindo de um “castigo” para alunos  rebeldes.  Eram trancados na biblioteca. Daniel e André faziam arrelia para serem  fechados e ali ficavam lendo. Eu sabia da Rua da Paz, onde tinham morado,  jogando futebol nas ruas de terra. Hoje avenidas asfaltadas, em bairro de classe média alta, a casa em que os meninos moravam, desapareceu.

Circulei por uma cidade dominada por um verde exacerbado que me atordoava, eu lembrando o romance “Não Verás País Nenhum”, hoje um clássico da questão ambiental. Assim  circulei em torno do cerrado conservado, milhares de árvores  me envolvendo e ouvia, sim, uvia,  todo aquele verde me  agradecendo pela imensa reserva do Cerrado.  Apego à natureza. 

Aquela época lá atrás foi a  do muro de Berlim com seus belvederes  (observatórios)  aos quais  subíamos do lado de cá, dito democrático, para  observar os “comunistas” do “lado de lá”. Como se fossem animais de zoológico. Loucuras da Guerra Fria.

Na semana passada, em   acordo entre a Academia Brasileira e a de Campo Grande  falei por duas horas para uma sala lotada. Ou seja, as academias estão  se   abrindo,  multiplicando encontros pelo País inteiro.
Terminados os autógrafos  fomos levados para o Território Ristorante, do filho de Theresa Hilcar , Diogo Wendling ,que ficara aberto para nos receber. Lá estavam os chefs e cozinheiros, fora de seus horários, em homenagem à literatura. Os matogrossenses tem ideia do tesouro raro que tem?  Calculam o valor de uma cozinha superior aos mais medalhados de São Paulo, Rio, Nova York? Diogo na cozinha se  pauta pela inovação  sem esquecer o regional.  É um olhar contemporâneo à gastronomia italiana. Marcia e eu hesitamos entre o Torteille di Ossobuco e o Entrecôte di Angus ala Grigia. Decidimos pelo Risoto Pantaneiro que leva carne seca, banana-da-terra, parmesão e pangrattato.  Disputando palmo a palmo com os parisienses “L’Atelier” ou o “Le Perocope”, ”Le Meurice”ou o “JulesVerne”Comida é afeto. Falar é formar leitores  Campo Grande, cidade afeto.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).