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Capa B+: Entrevista exclusiva com a atriz Sabrina Petraglia

"Foram quatro anos distantes da televisão, e estou me realizando de voltar depois da maternidade".

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Morando há um ano e meio em Dubai, a atriz Sabrina Petraglia está passando uma temporada no Brasil para gravar a novela “Família é Tudo”, na qual vive a personagem Maya na TV Globo. “Estou muito feliz com essa oportunidade, ver que é possível, mesmo sendo mãe de três pequenos (Gael, Maya e Leo), morando nos Emirados Árabes, organizar toda uma agenda e se realizar profissionalmente, voltar pra televisão, para os estúdios, depois de quatro anos”, conta.

Sabrina também aproveitou para filmar “Mar de Mães”, filme dirigido por Leticia Prisco, com roteiro de Thaís Vilarinho e Thaís Poetha, ao lado das atrizes Fernanda Rodrigues, Pathy Dejesus e Thaila Ayla.
“É sobre a importância da parceria entre mães que se acolhem, se ajudam. Também fala da exaustão, da solidão. Maternidade é como um mar, as vezes está sereno, às vezes você toma uns ‘caldos’. É imprevisível e você vai aprendendo ao navegar. É um filme lindo”, diz a atriz que viverá a história de uma mãe solo, que está entre ser mãe e ser filha e vive todos os conflitos nessa relação com a mãe.

Em 2016, Sabrina integrou o elenco principal de “Haja Coração”, onde interpretou Shirlei, uma garota com deficiência e que fez par com o ator Marcos Pitombo. A personagem foi um dos grandes divisores de água na carreira de Sabrina, que até hoje é reconhecida nas ruas pela personagem.

No ano seguinte,  esteve no elenco de “Tempo de Amar” como a feminista Olímpia, e em 2020, fez a competente administradora de empresas Micaela em “Salve-se Quem Puder”, a sua terceira parceria com o autor Daniel Ortiz.

Sabrina começou a fazer teatro na escola, aos 7 anos de idade. Se formou em bacharel de Comunicação em Multimeios pela PUC-SP, exerceu a profissão, porém, desistiu para atuar. Em 2009, se formou como atriz pela Escola de Arte Dramática.

Sabrina é Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela nos contou sobre sua vida fora do país, maternidade e seu retorno as novelas no Brasil.

Sabrina Petraglia é Capa do Correio B+ desta semana - Foto: Babuska Fotografia - Diagramação: Denis Felipe e Denise Neves

CE - Você está morando em Dubai há quase dois anos. Como foi se acostumar a uma cultura totalmente diferente?
SP -
 Estou morando em Dubai há quase dois anos, e não foi difícil me acostumar. É claro que sempre tem um período de adaptação, eu cheguei não falando nada de inglês, muito menos árabe. Eu tinha uma ideia dos Emirados, quando meu marido me propôs a mudança, eu falei de jeito nenhum. Acho que deve ser distante da natureza, aquela ostentação, muito glamour, luxo, para criar crianças. Meus filhos são muito pequenos, não querem um lugar assim. E aí a gente conversou e decidimos ficar por um ano. E eu me apaixonei.

O Sheikh Mohammed, que governa e dirige Dubai, gosta muito de verde, de natureza. Então eu moro num condomínio super arborizado e com pássaros. É um lugar extremamente seguro, os meus filhos saem de bicicleta, a gente vai para a escola de bicicleta, então, tenho uma qualidade de vida surpreendente. Claro que nessa época do ano que a gente está agora, o verão lá é muito quente, e é impossível ficar. Então as escolas fecham e a gente aproveita o período para vir para o Brasil e ficar perto da família.

Lá é um lugar onde as pessoas são muito educadas, não tem essa repressão que eu achava que tinha. A gente tem uma ideia dos Emirados totalmente distorcida da realidade. Os Emirados recebem muitos estrangeiros, é um país onde 80% são expatriados, então não tem essa coisa de não poder usar regata, não poder usar biquíni na praia, não tem nada disso.

Claro que é um país muçulmano, e eu estou morando lá, e pra circular eu prefiro usar tipos diferentes de roupa, me cobrir um pouco mais, por respeito. Isso faz parte não só da religião, como é uma coisa cultural deles, acho que eu tenho que respeitar, mas se um estrangeiro for passar férias, pode usar shorts, regata, pode um monte de coisas que eu achava que não podia. Tenho uma vida muito boa lá com a minha família, muito segura e eu adoro morar em Dubai.

CE - Como é ser mulher e atriz em um país como os Emirados Árabes? Sentiu algum preconceito pelas ruas?
SP -
Não senti nenhum preconceito por ser mulher, por ser atriz, muito pelo contrário, eu sinto que quando eu converso com as mulheres emirates, elas têm muita curiosidade de saber como é ser atriz no Brasil e como é ser atriz.

Eu acho que devem ter famílias mais radicais onde realmente a mulher tem menos voz, mas como em qualquer lugar do mundo, o próprio Brasil tem religiões mais radicais, em que as mulheres ainda são submissas, ainda estão num outro lugar, eu acho que deve ter essas famílias mais radicais, mas nas famílias emirates que eu conheci, as mulheres são superdescoladas, empoderadas, trabalham, tem realização profissional também.

Eu tinha uma ideia de que as mulheres eram super reprimidas, que não tinham voz. Mas imagina, tem nove ministras no poder, tem mulheres muito poderosas, eu tenho profunda admiração, são engajadas.

CE - Sente alguma diferença na criação, educação dos filhos nas escolas de lá?
SP - 
O que eu posso falar das escolas das crianças é que são maravilhosas. A diversidade cultural que se tem nos Emirados eu me sinto em casa porque ninguém está em casa lá, tem gente do mundo inteiro. Na classe do Gael tem 18 alunos de 15 nacionalidades, é uma riqueza, essa pluralidade, meu filho tendo contato aos 5 anos com essa diversidade logo no início da vida, é incrível, porque eu acho que ele vai ter uma cabeça totalmente diferente da minha, muito mais aberta.

Eles estudam hoje numa escola britânica, eu gostei muito, eu e o Ramon estudamos muito sobre a grade curricular, o Gael já começou a aprender a ler e a escrever, inclusive Maya na nursery já arrisca as primeiras palavras. Eu acho que a educação é muito boa.

No Brasil a gente também tem muitas escolas boas, mas em Dubai também. Então eu estou bem feliz de estar dando essa oportunidade para os meus filhos, que já são bilíngues, tão pequenos. E isso é um privilégio. Eu que estou aprendendo a falar inglês agora, eu olho para eles falando inglês e falo “Uau, que bom que eles já têm as duas línguas”. Então eles vão ser alfabetizados em inglês, mas eu já estou procurando professoras em português também Porque português é a língua de base deles e eu não quero que eles percam isso. Essa identidade, nossa identidade brasileira.

Foto: Babuska Fotografia

CE - Como tem sido conciliar a carreira de atriz, manter trabalhos no Brasil, morando tão longe?
SP -
 Eu estou muito feliz de conciliar minha carreira com a maternidade, mesmo morando tão longe, do outro lado do mundo, em pleno deserto. Eu estou muito feliz de estar de volta fazendo um filme, que é o “Mar de Mães”, fazendo a novela das sete, “Família Tudo”, com uma Maya (personagem), que também chega dos Emirados Árabes. O autor, gentilmente, falou um pouco do lugar onde eu moro.

E eu tenho alguns projetos meus que visam mostrar um pouquinho mais aqui no Brasil o que são os Emirados Árabes, de verdade. Uma visão de quem mora lá, de uma expatriada, mãe, que está lá no dia a dia vendo tantas coisas diferentes e incríveis. Gostaria de mostrar os Emirados de uma forma como ninguém nunca mostrou.

Quem sabe aí venha um projeto para o Brasil nesse sentido. Vou trabalhar para isso e também levar a cultura do nosso Brasil para os Emirados. De repente a literatura, a literatura infantil. Eu sou uma atriz que vem do teatro, quem sabe, levando algum texto da literatura brasileira para lá. Não sei ainda, mas tem alguns projetos bem incríveis em mente, fazendo esse intercâmbio Brasil, Emirados.

Mas estou feliz também de ter essa oportunidade, depois de quatro anos, voltar a fazer novela, do Daniel Ortiz, do Fred Mayrink, me considerarem, considerarem essa mãe de três. Porque quando pensam em Sabrina, tem três filhos, essa é uma dor de cabeça, mora tão longe (risos).

E não, estou mostrando que é possível. Estar aqui, eu tenho uma rede de apoio maravilhosa da minha família e de ajuda mesmo, tenho essa oportunidade, esse privilégio. Então consigo, pontualmente, me organizar para fazer produções aqui no Brasil. Estou mostrando isso, que venham mais trabalhos.

CE - Você tem aproveitado esse tempo para estudar, se aprofundar em alguma arte?
SP -
 Olha, para falar a verdade, eu não tenho muito tempo não, porque eu tenho três bebês e quando eu não estou trabalhando, investindo nos meus projetos, fazendo a novela, eu estou 100% com eles. Eu gosto muito de estar com as minhas crianças, então não tenho muito tempo para estudar, ainda não consegui estudar inglês, eu aprendi inglês na raça, tive carta de motorista, tudo na raça.

O meu filho mais novo tem dois anos, fez dois anos faz pouco tempo, e eu coloquei ele na escolinha só com dois anos, então nesse tempo todo eu fiquei com o Léo em casa, então o meu dia todinho era tomado por eles, quando eles dormiam eu sentava no computador para desenvolver os meus projetos.

 Agora que os três estão na escola, quando eu voltar para Dubai, eu vou me organizar para estudar, para falar inglês, o inglês correto. Porque eu tô me virando, eu me comunico muito bem, mas falo muito errado, tenho essa consciência, preciso melhorar urgente isso.

Eu gosto sempre de conseguir ler os meus livros, eu sou atriz, eu nasci atriz e já estudei muito, fiz escola de arte dramática da USP, fiz vários cursos, então trabalhar também, me colocar em movimento a prova disso, ver que eu ainda estou em alta performance, me sinto até melhor, depois de tanto mergulho na maternidade, eu sou uma atriz muito mais profunda, mais interessante. Com muito mais profundidade, isso é maravilhoso.

Foto: Babuska Fotografia

CE - Você pensa também em trabalhar nos Emirados? Como é o mercado lá para atriz?
SP -
 Atuar, trabalhar como atriz nos Emirados, eu ainda acho que não consigo por conta da língua. Eu não falo um bom inglês e muito menos árabe. Eu tenho amigos que são apresentadores da TV Local, acho que tem um caminho ali para mim, mas eu ainda preciso aprimorar a língua.

Mas eu pretendo fazer, trabalhar com projetos nos Emirados, Brasil-Emirados, eu estou muito próxima do embaixador Osidne Romero, que é uma pessoa maravilhosa, fazemos aniversário No mesmo dia, dia 16 de abril, somos arianos, empolgados, apaixonados e estamos pensando em muitos projetos, temos muitas ideias para promover esse intercâmbio Brasil-Emirados, então os meus projetos são nesse sentido agora.

CE - Como está sendo essa volta às gravações depois de algum tempo afastada da televisão?
SP -
 Foram quatro anos distante, só cuidando das minhas crianças e dessa mudança radical para os Emirados Árabes, e agora voltar é maravilhoso, eu tô me realizando de voltar. Tinha tanto medo de me verem só como mãe e não me darem essa oportunidade depois da maternidade.

Eu sou apaixonada, eu já tentei não ser atriz, não deu, já fui jornalista por sete anos antes, então comecei minha carreira tarde, assim, tarde, entre aspas, né, então tá sendo maravilhoso voltar, mostrar que eu sou capaz, pra mim mesma. Estou muito mais madura, mais profunda, não me preocupando tanto com o que os outros acham, mas me preocupando mais com a minha performance, como eu consigo desenrolar tudo isso, essa vitalidade que eu ainda tenho de atuar e tudo, enfim, tá sendo um reencontro comigo mesma, quem é a Sabrina pós-maternidade agora no Rio de Janeiro, sozinha, muitas vezes sozinha, porque os meus filhos ficam em São Paulo, perto dos avós, né? E eu vou para o Rio toda semana para gravar e gravo quase a semana inteira.

Está sendo muito bom, um reencontro comigo mesma, a carreira, a profissão faz parte da minha individualidade, isso é muito importante também. Então eu tenho voltado muito feliz, tenho mostrado que a mamãe faz o que ama para os meus filhos, então está sendo maravilhoso.

Foto: Babuska Fotografia

CE - Além da novela, você também gravou um filme que fala sobre maternidade. Conta um pouco sobre essa experiência.
SP -
 Foi sensacional gravar “Mar de Mães”. Há dois anos eu me encontrei, tomei um café com a Thais Vilarinho, a mãe fora da caixa. A gente se conectou nas redes sociais, marcamos um café. Eu estava grávida do Léo, dois anos e meio atrás.

E eu falei, “Thais, escreve alguma coisa de maternidade pra mim. Eu tenho medo de não conseguir voltar a trabalhar, de ninguém me querer mais”. Aquelas inseguranças que temos. Quem é mãe sabe. E aí ela começou a escrever esse projeto, Mar de Mães, e juntas a gente agregou pessoas maravilhosas e realizou esse ano Mar de Mães, que é um filme que fala principalmente sobre amizade entre mulheres mães. Só uma mãe, uma outra mãe, sabe o que está no mesmo estágio, que você sabe o que você passa. Como é solitário, quais os perrengues. Medos, as vitórias também, enfim, o caos e a delícia.

Então fala dessa amizade de três mulheres, o filme serve como uma rede de apoio para muitas mulheres, mães, que estão aí nessa maternidade, muitas vezes, solitária. É um filme lindo, poético, foi demais gravar, foi um sonho, foi realizar um sonho. E que venham outros, porque Thaís tem vários projetos nesse sentido e estamos juntas em todos eles.

Moda Correio B+

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida.

20/09/2026 16h00

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta? Foto: Divulgação

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Você provavelmente já encontrou uma mulher vestindo apenas camiseta branca, jeans e uma sandália simples e pensou: como ela consegue parecer tão elegante com tão pouco? Enquanto isso, outra pessoa pode estar usando peças caras, bolsa de grife e uma produção muito mais elaborada não consegue transmitir a mesma impressão.

A diferença está em algo que repito com frequência no meu trabalho: elegância não está necessariamente na roupa, mas na maneira como fazemos a roupa funcionar a nosso favor.

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida. Mas, muitas vezes, são justamente as produções mais simples que revelam melhor o cuidado com a imagem.

Quando há menos elementos para chamar atenção, percebemos mais facilmente o caimento, a qualidade do tecido, os acabamentos, os acessórios e, principalmente, quem está usando aquela roupa.

Uma camiseta, por exemplo, parece a peça mais básica do mundo, mas existem enormes diferenças entre elas. A posição da manga, a abertura da gola, o comprimento, a gramatura do tecido e a maneira como ela acompanha o corpo interferem completamente no resultado.

E não existe uma modelagem universalmente perfeita: existe aquela que funciona melhor para o seu corpo, seu estilo e a mensagem que você deseja transmitir.

Aos detalhes da roupa soma-se algo que não compramos em nenhuma loja: postura. A maneira de caminhar, sentar, falar e ocupar um espaço participa da nossa imagem tanto quanto aquilo que vestimos.

Não adianta procurar a peça perfeita se ela está amassada, mal conservada ou se quem a veste parece desconfortável dentro dela. Elegância também tem relação com cuidado e naturalidade.

As mulheres que já entenderam isso,  não precisam acrescentar informação o tempo inteiro para construir uma imagem mais elegante e de presença. Existe coerência entre roupa, corpo, personalidade e ocasião. A roupa não tenta transformá-las em outra pessoa; apenas acompanha quem elas são.

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?Sabrina Sato - Divulgação

5 detalhes que deixam até a camiseta mais elegante

1. Observe o caimento antes da etiqueta

Veja onde a manga termina, como a gola se posiciona e se o tecido acompanha o corpo sem apertar ou criar volume onde você não deseja. Uma pequena alteração de modelagem pode mudar completamente uma peça básica.

2. Preste atenção ao estado da roupa

Bolinha, gola deformada, tecido transparente demais, manchas e peças excessivamente amassadas comprometem rapidamente uma produção. Básicos precisam estar especialmente bem conservados.

3. Use acessórios com intenção

Um bom brinco, um relógio, um colar, um cinto ou uma bolsa podem dar acabamento ao look. Não é preciso usar tudo ao mesmo tempo: muitas vezes, um único elemento bem escolhido é suficiente.

4. Cuide da postura e da presença

Ombros, maneira de caminhar, tom de voz e até a forma como você se senta interferem na leitura da sua imagem. Nenhuma roupa trabalha sozinha.

5. Busque coerência, não perfeição

A mulher elegante não é necessariamente aquela que está impecável o tempo inteiro. É aquela cuja imagem parece fazer sentido: para sua personalidade, para seu corpo, para sua rotina e para o ambiente em que está.

No fim, a pergunta mais importante é: quanto da elegância que admiramos realmente vem da roupa? A roupa pode ser a moldura, mas é a maneira como nos apresentamos ao mundo que completa a imagem.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

"Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos"

20/09/2026 15h12

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV Foto: Divulgação

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Gustavo Falcão é um dos destaques do filme ‘Elize: Sombras de Uma Mulher’, que estreou no dia 22 de julho na Netflix. Dando vida a Heitor, melhor amigo de Marcos Matsunaga, ele mergulhou na complexidade emocional de seu personagem, um homem que caminha entre as sombras e a luz. Ele revela: “Heitor é um personagem que representa uma área cinzenta.

O maior desafio foi retratar seu lado animalesco e instintivo, mantendo sua humanidade. Ele é perigoso e sedutor, sempre observando ao seu redor, pronto para capturar novas oportunidades. É esse estranhamento que eu busquei transmitir ao público”.

Além do filme, Gustavo também está presente na nova adaptação de 'Ben Hur', que estreia em outubro na Univer, e em seguida na RecordTV. Nela interpreta Élio, o governador romano da Judeia. "Élio é extremamente hedonista e adora o poder. Ele é um político habilidoso, que sabe que a roda da política gira rapidamente, e esse conhecimento o torna ainda mais astuto e perigoso", comenta.

Ele descreve seu personagem como alguém que tem prazer em explorar os meandros do poder e que, por isso, se destaca em meio ao ambiente de tensões entre romanos e judeus. "A liberdade criativa que tive nesta produção foi uma experiência deliciosa, permitindo-me dar vida a um personagem sarcástico e multifacetado."

Natural de Recife, Falcão destaca a importância de sua terra natal em sua trajetória. "Cresci em um ambiente cultural rico, onde artistas como Ariano Suassuna e Francisco Brennand foram grandes influências. A cena artística pernambucana me moldou e me deu as bases para a carreira que tenho hoje", afirma. Ele começou sua trajetória profissional em 1995, com a peça "Os Biombos", de Jean Genet, dirigida por Antonio Cadengue. "Esse foi meu primeiro contato com o palco e uma experiência transformadora", relembra.

Com 31 anos de carreira, ele continua conectado com sua comunidade e está atualmente desenvolvendo um projeto especial lá. "Estou trabalhando na adaptação para o cinema da vida do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com meu irmão e a REC Produtores", compartilha. "Queremos filmar grande parte da história no Recife, trazendo à tona não só a figura de Cícero, mas também a riqueza cultural da nossa cidade", enfatiza.

Em novelas o ator de 50 anos deixou sua marca como Faísca em "As Filhas da Mãe", onde encarnou um surdo mudo com uma sensibilidade própria, além de interpretar Jonas em "Cobras & Lagartos", um jovem dividido entre a religiosidade e a malandragem de sua família. "Ambos os papéis exigiram um equilíbrio delicado entre drama e humor, e me permitiram explorar áreas muito diferentes da atuação", destacou.

Gustavo também é um diretor ativo, tendo liderado montagens como "Partiu 90!" e a remontagem de "A Máquina". "Dirigir essas peças foi um processo enriquecedor que ampliou minha visão sobre a atuação e a colaboração entre os elencos", enfatiza ele. Além disso, dirigiu e roteirizo o curta metragem ‘30 Moedas’ ao lado de Marcos Arzua Barbosa, a produção narra um embate no meio do mar entre dois personagens de classes sociais distintas e orientações ideológicas deformadas pela corrupção política, religiosa e social sistêmica dos tempos atuais.

"Criar um ambiente onde a arte possa florescer e impactar a vida das pessoas é uma missão que me motiva profundamente", completa.

Gustavo é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno, ele fala sobre papéis, carreira e estreias.

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabí Souza - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Você tem 31 anos de carreira, como você vê sua trajetória até agora?
GF - 
Vejo minha trajetória profissional repleta de realizações, mas também olho em frente. Ao mesmo tempo, penso no passado e também no futuro. Percebo que construí uma carreira sólida e realizei trabalhos diversos e muito especiais em tantas frente, mais de uma centena de projetos em cinema, teatro, tv, audiolivros, arte e educação, atuando, produzindo, dirigindo, dando aulas e oficinas - mas também miro o que ainda desejo fazer.

Depois de tanto tempo de estrada - e o percurso de um artista é inevitavelmente dinâmico, repleto altos e baixos, de recomeços e redescobertas - tenho muita consciência do que já fiz e vivi, mas também do que ainda quero viver e fazer.

CE - Além de atuar em diferentes frentes do audiovisual, você tem um trabalho junto ao Lunático. Pode falar mais dele?
GF -
 O Lunático é um espaço cultural que fundei no Rio em 2007 com minha companheira e parceira Juliana Féres, dedicado ao ensino e difusão das mais diversas manifestações culturais, em vários formatos - cursos, oficinas, exposições, palestras, mostras, espetáculos…

Hoje estamos em 17 instituições de ensino do Rio de Janeiro com aulas de circo, tecido acrobático, cinema, teatro, stop Motion. É gratificante compartilhar continuamente vivências artísticas com quase trezentas crianças e adolescentes e promover a transformação que a arte provoca na vida delas.

CE - Fala mais sobre o seu personagem em 'Ben hur'?
GF -
 Élio é o governador romano da região que compreende a Judéia, cuja capital é Antioquia, uma das maiores cidades do Império Romano no oriente naquele tempo (séc. I). Devido às agitações provocadas pela resistência dos judeus, que não aceitam se submeter às regras de Roma - especialmente as religiosas - Élio se transfere para Jerusalém a fim de acompanhar mais de perto a questão.

Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos. A relação com Pôncio Pilatos, funcionário do império responsável pela região da Judeia, por exemplo, se sustenta em uma tensão constante de colaboração e rivalidade.

Élio é estratégico, astuto e gosta de ser sarcástico. Gosta de submeter seus antagonistas, gosta de levar vantagem e se dar bem em tudo que faz. Gosta também de aproveitar ao máximo os prazeres, inclusive os carnais, que advém de sua posição. 

CE - Você também estará em 'Lá na minha terra', próxima trama das 18h. O que pode falar do seu personagem (sem dar spoilers).
GF -
 Ainda não posso revelar muito, mas aqui vai uma breve apresentação: Josias é um dos vilões da trama de Mário Teixeira, dirigida por Allan Fiterman. Comparsa de Celestina (Lilia Cabral), inicia na novela trabalhando no Jóquei paulistano, onde conhece Ismalia (Camila Morgado). Nascido em São Paulo, sempre teve de se virar pra sobreviver, nem sempre de forma lícita ou legal. 

CE - Você também teve um personagem no filme sobre Elize Matsunaga que estreou na Netflix em julho. Como foi a recepção do público a sua participação?
GF -
 Foi surpreendente a resposta de público ao meu personagem e ao filme. Sabia do potencial pelos apelos da história, o projeto tinha uma equipe e elenco incríveis e a havia uma boa expectativa. O filme ficou incrível, mas ainda assim fiquei surpreso.

O sucesso foi gigantesco. O longa ficou 3 semanas no primeiro lugar como filme mais assistido no mundo inteiro em língua não inglesa dentro da Netflix. A repercussão em torno de meu trabalho foi muito positiva, e fiquei feliz com isso, já que busquei construir um personagem complexo - denso, torpe e com um humor perverso. 

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Record TV - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - O teatro tem um papel bem importante na sua carreira. O que você destaca nesses anos?
GF -
 O teatro é fundamental pra mim. Preciso voltar a ele sempre. É o começo de tudo, e é também recomeço, me nutre de uma forma muito particular. Não dá pra ficar muito tempo longe. Ano passado tive a felicidade de fazer dois espetáculos, e completamente distintos: ‘O Pequeno Circo de Mediocridades’, uma crítica ácida à mesquinhez humana, e o ‘De Perto Ninguém é Normal’, uma comédia divertidíssima inspirado no clássico cinematográfico Arsênico e Alfazema.

CE - Além disso, você também tem uma ligação muito forte com sua terra natal e vai produzir projetos lá. O que pode adiantar deles?
GF -
 Estou o tempo inteiro pensando em maneiras de realizar projetos no Recife e em Pernambuco. No momento estou desenvolvendo um projeto sobre episódios da vida extraordinária do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com uma produtora pernambucana. Espero que possamos produzir o filme nos próximos anos.

CE - Como você vê esse ano de 2026 na sua carreira?
GF - 
Este tem sido um ano de muito movimento. Filmei a série ‘Ben Hur’, estou começando a novela ‘Lá na minha Terra’, lancei o audiolivro ‘Odisseia’ pela Cia das Letras, participei de uma mesa da FLIP como convidado pela primeira vez, dirigi diversas práticas de montagem, além da coordenação do projeto com o Lunático, meu espaço cultural, que segue em expansão.

CE - Você menciona a importância do longa 'Arido Movie' na sua carreira e como ele te levou para diferentes públicos. Pode falar mais dessa experiência?
GF - 
O ‘Arido Movie’ foi minha primeira experiência em longa-metragem, que rodamos em 2003. Então foi algo especial em minha vida e um marco em minha carreira. Até ali só tinha feito em cinema alguns curtas e tinha experiência em TV, com a novela As Filhas da Mãe, da Globo, de 2001. O Arido foi marcante, era um roteiro sensacional, primorosamente bem dirigido por Lírio Ferreira, com um super elenco.  

CE - Com tantos novos trabalhos chegando no final de 2026, o que você espera de 2027?
GF -
 Espero que 2027 seja um ano de ainda mais trabalho e que a gente siga com o crescimento do setor cultural, tanto em termos das políticas públicas quanto da conexão do público brasileiro com a arte que fazemos no Brasil. É para e pelas pessoas que nos assistem que fazemos o que fazemos e a arte é uma forma de um povo construir sua identidade, se conhecer e entender melhor, como indivíduo e em sua coletividade.

 

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