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Com Péricles no Campão e Alcione no Buffet Ondara Palace, samba comanda o sábado; fim de semana ainda terá teatro para bebês, Pitty e Nando Reis juntos e oficinas gratuitas de artes cênicas no Sesc Cultura
A roqueira baiana e o ex-baixista dos Titãs sobem ao palco do Campão Cultural juntos para o show principal do evento, no domingo - LUCCA MIRANDA
Preservação histórica
Projeto Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário será lançado no Casarão Thomé com exposição, teatro, música e palestra sobre preservação do patrimônio histórico
29/06/2026 08h30
Projeto iniciado em 2024, Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário ganha segunda etapa com foco na história das ferrovias em Mato Grosso do Sul Dafne Alana
Os trilhos da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) não apenas transportaram passageiros e mercadorias. Eles ajudaram a desenhar o mapa de Campo Grande e influenciaram diretamente a formação econômica, social e cultural de Mato Grosso do Sul.
Mais de um século depois, parte dessa história permanece de pé em estações, casas ferroviárias e construções históricas espalhadas pela Capital, enquanto outras sucumbem lentamente ao abandono e à ação do tempo.
É justamente para impedir que essas memórias desapareçam que nasce a segunda edição do projeto Resquícios do Tempo, da artista visual Sara Welter, conhecida artisticamente como Syunoi.
A nova cartilha ilustrada, intitulada Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário, será lançada no dia 3 de julho, a partir das 17h, no Casarão Thomé, em Campo Grande, durante um evento gratuito que reunirá pesquisa histórica, artes visuais, teatro, música e debates sobre preservação patrimonial.
Além do caráter educativo, a publicação propõe um novo olhar sobre a ferrovia que impulsionou o crescimento da cidade e transformou a região em um importante polo de desenvolvimento.
Desenhos de nanquim e carvão ajudam a transmitir o desgaste sofrido pelos locais históricos de Campo GrandeA origem do projeto remonta à pandemia, quando Sara iniciou uma pesquisa independente sobre prédios históricos e abandonados de Campo Grande.
A curiosidade em entender a história desses lugares, muitas vezes ignorados por quem passa diariamente por eles, resultou em uma série de desenhos produzidos em nanquim e carvão.
Foi essa coleção artística que deu origem, em 2024, à primeira cartilha Resquícios do Tempo: Redescobrindo Campo Grande, distribuída gratuitamente em escolas, bibliotecas e espaços culturais da cidade.
“A ideia surgiu primeiro pelos desenhos. Eu queria entender o que eram aqueles lugares que estavam no cotidiano da cidade e passavam despercebidos pela maioria das pessoas. Alguns estavam abandonados. Os desenhos foram uma forma de guardar esses espaços na memória e manter essas histórias vivas”, explica a artista.
Ela lembra que um dos casarões retratados na primeira edição desabou poucos meses após o lançamento da cartilha.
“Hoje só restaram os desenhos e as fotografias daquele lugar. Isso mostra como a arte também pode ser uma forma de preservação”, afirma.
Ao todo, cerca de 2.500 exemplares da primeira edição, incluindo versões em braille, foram distribuídos gratuitamente.
Se na primeira edição o foco estava em patrimônios históricos diversos da Capital, desta vez a pesquisa voltou-se exclusivamente ao Complexo Ferroviário da antiga NOB, conjunto tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Segundo Sara, a escolha do tema nasceu da importância que a ferrovia possui para a história do Estado.
“Desde criança eu ouvia falar dos trens cruzando o Pantanal, das pessoas que chegaram aqui de trem. Sempre tive curiosidade de entender melhor essa história. Depois de conversar com pesquisadores e pessoas que trabalham com patrimônio, percebi que era necessário fazer uma pesquisa mais profunda”, conta a artista.
Durante meses, ela mergulhou em documentos, bibliografias, entrevistas e visitas aos locais históricos ao lado da arquiteta Bruna Costa Dias, integrante da equipe do Iphan em Mato Grosso do Sul.
Enquanto Bruna ficou responsável pelo levantamento técnico e histórico, Sara percorreu os espaços retratados, registrando detalhes arquitetônicos, fotografando edificações e ouvindo relatos de moradores.
O resultado é uma cartilha que reúne informações sobre 12 patrimônios ligados à ferrovia, entre eles a Estação Ferroviária, o Casarão Thomé, a Casa da Chefia, a Casa dos Empregados, a Caixa D’Água da NOB, a antiga baldeação para Ponta Porã e os vagões abandonados que permanecem como testemunhas silenciosas da história.
A nova edição exigiu aproximadamente quatro meses de produção.
Foram cerca de dois meses dedicados à pesquisa histórica, seguidos por outros meses de elaboração das ilustrações e finalização editorial.
Cada desenho foi produzido manualmente em nanquim e carvão, técnica que acompanha a artista desde o início de sua trajetória.
“O ‘Resquícios’ fala justamente desse abandono, desses lugares antigos dos quais sobraram apenas restos e histórias. O nanquim e o carvão ajudam a transmitir essa estética do desgaste do tempo, dos contrastes, da memória que insiste em permanecer”, detalha.
Embora todos os desenhos utilizem a mesma técnica, Sara explica que o tempo de produção varia conforme a riqueza de detalhes de cada construção.
“Alguns são muito mais complexos, exigem bastante observação e comparação com fotografias antigas e atuais. Produzir toda a série demanda bastante tempo”, pontua Sara.
Assim como ocorreu na primeira edição, a nova cartilha terá distribuição gratuita em escolas, bibliotecas, instituições culturais e também contará com exemplares em braille.
Além disso, oficinas educativas voltarão a fazer parte do projeto.
Na edição anterior, estudantes da Rede Municipal de Ensino (Reme) conheceram a história de diferentes patrimônios de Campo Grande e produziram desenhos que deram origem à chamada “Árvore da Memória”, instalação coletiva construída durante as atividades.
“As oficinas ajudam os alunos a compreender que aqueles lugares contam a história da cidade e também fazem parte da história deles. Todo mundo fica muito curioso para saber como os desenhos foram feitos e quais histórias existem por trás de cada patrimônio”.
Para Sara, iniciativas como essa fortalecem a educação patrimonial.
“A educação patrimonial faz com que as pessoas entendam a importância de conservar nossa história. É isso que mantém nossa cultura viva”, afirma.
O lançamento da cartilha foi pensado como um encontro entre diferentes expressões culturais.
Durante toda a programação, o público poderá visitar a exposição com os desenhos originais produzidos para a publicação.
O evento contará ainda com palestra do historiador José Augusto Carvalho dos Santos, chefe da Divisão Técnica do Iphan em Mato Grosso do Sul, abordando a importância da preservação do patrimônio histórico.
Também haverá intervenção cênica do espetáculo “As Miragens do Asfalto”, apresentada pelo Teatro Imaginário Maracangalha.
Na parte musical, a banda Alien Sputnik fará um show acompanhado por um video mapping criado por Natacha Ik, projetado nas paredes do Casarão Thomé.
As imagens utilizadas na projeção foram produzidas a partir da video-performance da artista Madu Flores, registrada em um percurso performático filmado por Eduardo Marques e por Sara Welter.
Lançamento da cartilha Resquícios do Tempo: Complexo Ferroviário
Data: Sexta-feira;
Horário: a partir das 17h;
Local: Casarão Thomé;
Endereço: Rua 14 de Julho, nº 3.169, Bairro São Francisco, Campo Grande;
A entrada é gratuita.
DIÁLOGO
Leia a Coluna Diálogo desta segunda-feira (29)
29/06/2026 00h01
Coluna Diálogo
"Na vida, não existem soluções. existem forças em marcha: é preciso criá-las e, então, a elas seguem-se as soluções"
Parece que a audiência pública sobre os “fios soltos” promete não deixar nenhuma ponta solta na organização. Além do plenário reservado para o dia 1º de julho, também foi solicitado à Mesa Diretora da Assembleia de MS cerimonial, sala médica, copa, segurança, sonoplastia, taquigrafia, informática, multimídia, banners, convites e cobertura completa de TV e rádio estatais, entre outros apoios. Faltou pouco para incluir um tapete vermelho na entrada. Em ano eleitoral, até discussão sobre fios ganha produção de evento e aquela “energia”.

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou proposta que permite usar recursos do FGTS de agressores para indenizar vítimas de violência doméstica. Depois de esgotados todos os recursos, a conta pode chegar ao Fundo de Garantia do condenado.
Se aprovado em definitivo, o projeto acrescentará uma nova modalidade de saque. E esta é a tal que ninguém, evidentemente, vai querer solicitar. Para virar lei, o projeto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Silvana e Lucimar Couto. Foto: Arquivo Pessoal
Dra Iara Resende. Foto: Arquivo PessoalHá quem diga, com fina ironia, que a Prefeitura de Campo Grande encontrou no Ministério Público seu mais eficiente serviço de diagnóstico. A cada semana um novo inquérito revela falhas, sobretudo na saúde pública. Se continuar nesse ritmo, bastará acompanhar as investigações para conhecer os problemas da administração. Nesse cenário, a Câmara Municipal corre o risco de exercer apenas papel decorativo, enquanto outros fiscalizam.
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COLABOROU TATYANE GAMEIRO
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