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Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras reúne escritores de 20 estados

Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras reúne escritores de 20 estados em Campo Grande; imortais da ABL, o poeta Antonio Cícero e o linguista Ricardo Cavalieri estão entre os participantes do evento

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“Trazer e realizar aqui em Mato Grosso do Sul um evento dessa magnitude é valorizar, e muito, o Estado e até mostrar no contexto nacional o interesse que a gente tem aqui em valorizar justamente a questão do pensamento, a questão da literatura”, afirma o escritor Henrique de Medeiros, presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), ao comentar a importância do evento com dezenas de convidados de todo o País que a entidade realiza a partir desta quinta-feira.

Campo Grande ganha ares de capital brasileira da literatura entre os dias 19 e 20 com a realização do Congresso Brasileiro das Academias Estaduais de Letras 2023, que está sendo organizado pela ASL e que reunirá na Cidade Morena 20 Academias da Federação, além da participação da Academia Brasileira de Letras (ABL).

O poeta e filósofo Antonio Cicero, irmão e letrista de várias composições da cantora Marina, e o filólogo e linguista Ricardo Cavaliere são os dois imortais da ABL com presença confirmada. A proposta geral do evento, segundo Medeiros, é tentar valorizar a cultura do País.

“As academias estaduais têm uma importância muito grande na formação do pensamento, da autocrítica, no que a literatura, no que o pensar permite para o desenvolvimento social. Como eu falo, gramática é matemática. Já a literatura é o pensamento vivo. É a forma de você manifestar sentimentos, criatividade, de você fazer com que as pessoas desenvolvam humanismo, processos de vivências e melhora no aspecto da capacidade de enxergar, de ver o mundo”, observa. “Isso é o que provoca a literatura, o processo criativo do escrever, da leitura. Toda uma cadeia cultural”, resume o presidente da ASL.

A literatura no Brasil e as suas peculiaridades, bem como os traços comuns em diferentes regiões, a importância das Academias Estaduais de Letras para o incentivo às ações da educação e da leitura, atividades lítero-culturais como um todo e ainda suas inter-relações e a aproximação com a ABL são alguns dos temas a serem abordados.

A abertura do evento será no Bioparque Pantanal, às 9h. Segundo Medeiros, a realização de um encontro para maior integração nacional das Academias Estaduais de Letras é muito importante para a cultura do País e vem sendo aguardada pelos acadêmicos há um certo tempo. Após a abertura do congresso, todas as atividades serão realizadas no auditório da ASL. A sede da Academia fica na Rua 14 de julho, nº 4.653, Altos do São Francisco.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O encontro de autores de 20 estados e do Distrito Federal no evento, além da presença dos imortais da ABL, enseja um ambiente promissor para uma ampla reflexão, entre outros tópicos, sobre as possibilidades da difusão da literatura no País. Mesas-redondas discutirão diversos aspectos relacionados à criação, à produção, à circulação e à formação literária. Haverá também reuniões e trabalhos internos entre as Academias.

A programação do congresso se estenderá pelas manhãs e pelas tardes de quinta e sexta-feira e terá também, além das pautas voltadas às inter-relações institucionais das Academias Estaduais de Letras, momentos de “diálogo” entre as diferentes expressões da literatura de cada região.

Ainda, a literatura como suporte das manifestações culturais entre os estados, a contextualização da atual fragmentação caótica de textos na internet e os saltos e as quedas da literatura em função da tecnologia e da inteligência artificial. Parte dessa pauta vai movimentar a agenda na tarde de sexta-feira com presença do público externo.

“É importante abrir as mesas para a população, a presença dos corpos docentes e discentes e também de pessoas ligadas à cultura e, de modo geral, à literatura. É a função da Academia, ela não pode ficar fechada em si. Isso é uma proposta que todas as diretorias que têm passado pela ASL nesses últimos 6 anos em que a gente está. As duas diretorias têm essa visão de levar e abrir a academia ao público”, defende Medeiros.

RECONHECIMENTO

O escritor afirma que a garantia da realização do congresso em Campo Grande se deu pela sensibilidade do governo do Estado, por interesse direto do governador Eduardo Riedel, por meio da Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania (Setescc) e da Fundação de Cultura do Estado (FCMS).

“Esse evento não teria sido possível sem a participação da Setescc e da FCMS e se o governo de Riedel não tivesse apoiado o evento. Quando ele apoia um evento desse, não está apoiando simplesmente Mato Grosso do Sul, está apoiando a cultura do Estado e a cultura do País. Porque essa reunião era aguardada há muito tempo por todas as Academias”, reconhece.

“A gente não tem tido uma reunião, uma oportunidade de discutir os problemas lítero-culturais e os problemas realmente de como poder trabalhar melhor a cultura no Brasil. E isso a gente consegue por meio dessas reuniões e desse trabalho com esse congresso”, enfatiza.

“A união das Academias tem uma importância enorme não só para o Estado. É uma oportunidade de cultura para o País. O secretário Marcelo Miranda [titular da Setescc] tem feito um trabalho para a literatura que outras secretarias não vinham, às vezes, desenvolvendo com um apoio tão grande”, reitera Medeiros.

“E essa questão de enxergar a literatura como uma mola propulsora, sabe, de pensamento, desenvolvimento social, é muito importante. Esse evento está ocorrendo justamente em função disso. Em função da participação e também da ação do secretário, do diretor-presidente da FCMS, Eduardo Mendes, e do governador Riedel por ter liberado essas ações a serem feitas”, arremata o presidente da ASL.

PENSAMENTO CRÍTICO

Para Marcelo Miranda, “a valorização da literatura como fonte de desenvolvimento cultural da população é algo que proporciona a Mato Grosso do Sul caminhos para o fortalecimento do pensamento crítico de sua população, [além dos] benefícios que isso proporciona ao processo de cidadania plena”.

O diretor-presidente da Fundação de Cultura de MS, Eduardo Mendes Pinto, destaca o fato de o congresso não se manter apenas fechado para as Academias e de as mesas-redondas serem abertas ao público na tarde de sexta-feira, por exemplo, “para que a classe cultural possa participar de debates importantes para o setor, inclusive de forma nacional”.

luto

Atriz Glória Menezes morre aos 91 anos

Atriz se consagrou como um dos grandes nomes da TV brasileira e teve parceria marcante com o marido, Tarcísio Meira

18/08/2026 16h05

Glória Menezes morreu nesta quarta-feira

Glória Menezes morreu nesta quarta-feira Foto: Divulgação / TV Globo

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Glória Menezes, uma das grandes estrelas da teledramaturgia brasileira, morreu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos.

Nascida em 1934, na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Gloria mudou-se para São Paulo ainda criança, e cursou a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Nesse período, montou o grupo de teatro amador Jovens Independentes. Os projetos da companhia tomaram tempo da atriz que deixou a faculdade.

Em seu primeiro espetáculo, em 1959, venceu o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. Na televisão estreou em 1959, em Um Lugar ao Sol, e em 1962, no filme O Pagador de Promessas. O filme foi apresentado no Festival de Cannes, e ganhou a Palma de Ouro. Até hoje o primeiro filme brasileiro e sul-americano a vencer o prêmio.

Um ano depois protagonizou ao lado de Tarcísio Meira, com quem ia começar a namorar e se casar, a primeira novela diária da televisão brasileira, 2-5499 Ocupado, na TV Excelsior. Na mesma emissora, estrearam juntos A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966). Um ano depois foram para a Globo e o casal conquistou o sucesso em novelas como Sangue e Areia (1967), de Janete Clair, Rosa Rebelde (1969), mas também estrelaram produções separadamente como Passos dos Ventos, em que a atriz fez par romântico com Carlos Alberto, enquanto Meira atuava em A Gata de Vison, ao lado de Yoná Magalhães.

Já em Irmãos Coragem, Gloria viveu a atormentada mulher com três personalidades: a extravagante Diana, a recatada Lara e a equilibrada Márcia. Nos anos 80, estrelou em Corpo a Corpo, e Brega e Chique, ao lado de Marília Pêra, com a participação do filho Tarcísio Filho. Também protagonizou Tarcísio & Glória no seriado criado por Daniel Filho Euclydes Marinho e Antonio Calmon.

Em Rainha da Sucata, nos anos 1990, viveu a grande vilã Laurinha Figueiroa, no papel da socialite falida que fez a inesquecível cena cometendo suicídio, ao pular de um prédio. De lá, seguiu para as novelas A Próxima Vítima, Torre de Babel, Beijo do Vampiro, Senhora do Destino, Páginas da Vida e A Favorita. Nos palcos, Gloria estrelou em Navalha na Carne (1981), de Plínio Marcos, e Jornada de um Poema, na qual viveu uma paciente terminal de câncer.

Dramaturgia em luto

Também nesta terça-feira, morreu aos 98 anos a atriz Laura Cardoso, um dos maiores nomes da dramaturgia brasileira. A morte foi anunciada em seu perfil oficial no Instagram.

A publicação que comunicou a morte homenageou a atriz e ressaltou a marca deixada por ela na cultura brasileira. "Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso", diz o texto. Informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas.

A atriz começou a carreira aos 15 anos e acompanhou de perto a transformação da dramaturgia brasileira, desde os tempos do rádio até a consolidação da televisão. Ao lado de nomes como Lima Duarte, Yara Lins, Lolita Rodrigues e Vida Alves, ajudou a formar uma geração de artistas que fez a transição entre os dois meios.

Ao longo da carreira, Laura interpretou dezenas de personagens em novelas, séries, filmes e peças de teatro. Entre seus trabalhos estão Mulheres de Areia, A Viagem, Pão, Pão, Beijo, Beijo e Sol Nascente. Seu último trabalho em uma novela foi A Dona do Pedaço, em 2019.

Em 2023, aos 95 anos, a atriz ainda falava sobre o futuro profissional sem estabelecer uma despedida da televisão. "Gosto de estar com a minha gente. Em um estúdio, nada me cansa. Quero morrer trabalhando", disse em entrevista ao Estadão.

Laura era filha de portugueses e cresceu em uma família ligada às artes. O pai, comerciante e apreciador de teatro, não se opôs à escolha da filha pela profissão, mas a mãe resistiu inicialmente. Na década de 1940, segundo a atriz, havia forte preconceito contra mulheres que trabalhavam no teatro. Aos 15 anos, porém, Laura decidiu seguir o caminho que a acompanharia por mais de oito décadas.

crônica

De mala em mala

18/08/2026 09h15

Arquivo

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Lendo o artigo da colunista Becky Korich, descobri que sofro de PPV – Preguiça Pré-Viagem. Acho até que o meu caso nem é preguiça, é pânico. Não importa o lugar, nem a distância: o simples fato de ter que arrumar as malas — separar roupas (e o medo de faltar?), artigos de skincare, remédios (e são muitos, porque nunca se sabe…), adereços, sapatos… Ai, que preguiça.

Um dos meus filhos, acostumadíssimo a se deslocar de cidade e até de país por conta do trabalho, consegue arrumar uma mala em meia hora. Eu levo dois dias, no mínimo. E se chover? Se fizer frio? Mas e se estiver calor demais? E, nisto, dê-lhe acrescentar mais itens.

Mas pânico mesmo é o de sair do lugar. Deixar minha casa gostosa, com tudo de que preciso no lugar certo, a cama que me acolhe, minhas comidas preferidas na geladeira. Eu sei, é apego. E isto, vindo de alguém que adora viajar, é totalmente contraditório.

E, depois de quase tudo pronto, ainda vem mais dúvida: devo mesmo viajar? Não será melhor cancelar tudo (e arcar com o prejuízo) e ficar quietinha no meu sofá assistindo a séries? Aí vem outra voz, lá do fundo, que me diz: “Mas são as suas férias, você merece!”.

Mas férias também cansam, eu retruco. São muitas variáveis no trajeto, na estadia. Da última vez, passei cinco dias na cama de um hotel — gripada.

Quer saber? Nas três últimas também. Já fiquei de cama em um lindo Airbnb em Paris, com a tal da gripe. Na praia foi igual. Me divirto dois dias e o resto fico na horizontal, me perguntando o porquê de ter inventado mais uma viagem.

Talvez eu queira testar meus limites, desafiar meu conforto ou meu medo. Antes, quando as companhias aéreas não cobravam remarcações (bons tempos!), eu tinha o hábito de voltar antes, às vezes no meio da temporada.

Sou teimosa, só pode. Insisto em fazer tudo de novo, mesmo antevendo as situações. Mas a viagem agora é diferente, digo, tentando me convencer. Estarei com amigos, verei muitos filmes e vou comer muito chocolate. Tudo bem. Até eu saber que o tempo será frio de doer. A previsão é de zero grau.


Coloco mais um casaco na mala. Respiro fundo. Desta vez, tudo vai dar certo. Eu mereço.
 

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