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Day Mesquita: "Estou muito feliz em rever Amor Sem Igual, fui premiada por essa obra"

Capa do Correio B+ desta semana, a atriz fala com exclusividade sobre carreira, família, saúde e também sobre escolhas...

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Day Mesquita, 36 anos, iniciou seu caminho nas artes como bailarina, ela começou a dançar ainda criança. 

Na verdade a dança levou Day ao seu primeiro papel na TV na novela Dance Dance Dance exibida pela TV Bandeirantes.

“A Amanda de Dance Dance Dance foi minha primeira personagem, e desde então não parei mais. 

As personagens e trabalhos seguintes foram acontecendo cada vez de forma mais constante. Sou muito grata a essa personagem e a esse trabalho”, relembra.

Ela está no ar atualmente na reprise de "Jesus", onde interpretou Maria Madalena, o segundo maior papel da trama, personagem que rendeu a ela críticas positivas tanto da especializada como do público.  

“Foi uma experiência incrível e única. Maria Madalena uma personagem riquíssima, as cenas iam de um extremo a outro, e isso era maravilhoso. Ao começar os estudos e me aprofundar na história dela, a admiração cresceu ainda mais”, explica.

No dia 17 de maio, a novela "Amor Sem Igual", protagonizada pela atriz na Rede Record, retornou a grade de programação da emissora e sua  personagem, a Poderosa, rendeu a Day o prêmio de Melhor Atriz no Prêmio onde concorreu com nomes como Glória Pires, Adriana Esteves, Regina Casé e Taís Araújo.

No cinema a atriz interpretou Ester Bezerra, esposa do Bispo Edir Macedo, uma personagem marcante nos filmes “Nada a Perder” 1 e 2, e logo mais vai estrear no streaming em “Tudo de Bom”, onde fará o papel de uma ex-vedete.

Day Mesquita é vegetariana, apaixonada pela profissão e recentemente anunciou sua primeira gravidez.  

“A boa notícia veio antes do que imaginávamos e esse bebê já é muito desejado e amado”, resume.

Capa do Correio B+ desta semana, a atriz fala com exclusividade sobre carreira, família, saúde e também sobre escolhas...

CE - Day, você sempre esteve no mundo das artes... Fez ballet, atuou profissionalmente e estreou na TV em 2005. Como foram esses processos e transição de uma arte para a outra?

DM - Meu primeiro contato com o palco foi no ballet, que me deu também minhas primeiras oportunidades como atriz. 

O primeiro comercial que fiz precisava saber dançar, e minha primeira novela, “Dance Dance Dance” na Band, era uma novela musical, na qual dei a vida a antagonista Amanda, que era uma bailarina clássica e tinha que dançar muito durante toda a história. 

Fora isso, o ballet também me trouxe disciplina e persistência em tentar alcançar um melhor desenvolvimento em movimentos específicos, e isso tudo desde os 7 anos de idade, quando comecei as aulas, e acho que isso também foi muito importante para minha carreira de atriz. 

A vontade de atuar veio desde criança, na adolescência fiz alguns cursos livres, mas fui me profissionalizar mesmo depois que concluí os estudos do colégio. 

Dava aulas de ballet para pagar meus cursos, então foi muito natural a transição e acho que uma coisa ajudou muito a outra.

CE - Você começou no teatro em 2004?

DM - Profissionalmente sim. Fiz alguns cursos livres durante a adolescência, mas fui me profissionalizar e estudar teatro e interpretação em 2004.

 

CE - Você já foi modelo e apresentadora, pensa em voltar?

DM - Ter trabalhado como modelo por um tempo acredito que me ajuda hoje ainda em alguns trabalhos de publicidade que faço. 

Meu foco principal é como atriz, eu amo atuar, poder estudar, me aprofundar e viver histórias de diferentes personagens. 

Trabalhar como apresentadora, apresentar algum programa não é algo que eu tenha como objetivo neste momento, mas não descarto a possibilidade, se houver um projeto bacana, seria um desafio e uma experiência que adoraria ter novamente.

CE - Sua estreia nas novelas foi em DANCE DANCE DANCE na Band?

DM - Sim! Antes da novela eu já trabalhava como atriz, mas fazendo fotos e comerciais. 

A Amanda de Dance Dance Dance foi minha primeira personagem, e desde então não parei mais. 

As personagens e trabalhos seguintes foram acontecendo cada vez de forma mais constante. Sou muito grata a essa personagem e a esse trabalho.

CE - Depois que estreou na TV trilhou um caminho de muitos trabalhos em emissoras diferente, você sente alguma diferença entre elas?

DM - Minha trajetória por todos esses canais foi muito importante na minha carreira. Cada trabalho, cada equipe, e cada emissora tem sua particularidade, seu ritmo. 

A Band foi meu primeiro contato com a TV, eu e mais alguns outros atores estávamos em nosso primeiro trabalho e era uma novela musical, infanto juvenil, era uma delícia fazer! Era tudo muito novo pra mim, mas fui muito feliz naquele trabalho, aprendi demais! 

Fui muito bem amparada, direcionada e recebida por todos, o que tornou um trabalho mais que especial.

O SBT é uma emissora com um ambiente muito familiar, o Del Rangel (mesmo diretor de Dance Dance Dance, na Band) quando foi pra lá levou praticamente a mesma equipe com ele, o que para mim foi ótimo, já que estava encarando o desafio da minha primeira protagonista. 

Já estava muito entrosada com todos e isso me deu um apoio muito grande naquele trabalho.

A primeira passagem pela Globo foi em "Cheias de Charme", uma novela de enorme sucesso na época, e eu entrei ela já tendo estreado há algum tempo. Eu tinha acabado de me mudar para o Rio, e então surgiu essa grande oportunidade. 

Foi uma fase de muitas mudanças que consolidaram muitas coisas na minha vida pessoal e profissional. 

Foi o trabalho de maior visibilidade que eu já tinha feito até então, e estar naquele trabalho foi uma forma de entender que estava sendo bem recebida tanto pela cidade, quanto pelas pessoas do meu meio de trabalho. 

Conheci muita gente e trabalhei com grandes artistas que eu já admirava muito, tanto em Cheias de Charme, quanto em Além do Horizonte, minha segunda novela na Globo. 

Depois veio a Record, que é uma casa que sempre me recebeu de braços abertos, apostou e confiou no meu trabalho me dando grandes oportunidades como a Maria Madalena, em Jesus, e a Poderosa, protagonista de “Amor sem Igual”.

Eu sou muito grata por todo esse caminho que percorri e pelas emissoras que passei.

CE - Como é fazer uma personagem bíblica? E lidar com o sucesso que tem sido essas obras?

DM - É muito bacana, na verdade todas as histórias e conflitos que qualquer personagem passa em qualquer obra, sendo bíblica ou não, são humanas e universais. 

Acho que o principal ao interpretar qualquer uma delas é a verdade e a entrega, o que diferencia um pouco é só a forma, por se tratar de uma época e costumes diferentes. 

E o interessante é poder vivenciar e estudar em uma época bem diferente da nossa. 

É um trabalho de pesquisa e estudo de época também que eu gosto muito de fazer. E o sucesso dessas obras é incrível, ser reconhecida pelo seu trabalho em vários países do mundo é muito gratificante.

CE - Como foi foi pra ela interpretar Maria Madalena, uma personagem tão forte e bíblica...

DM - Foi uma experiência incrível e única. É uma personagem riquíssima, as cenas iam de um extremo a outro, e isso era maravilhoso. 

Mas vai além ainda, por se tratar da história de uma mulher da qual eu já admirava antes de tudo, mas não conhecia tão bem. 

Ao começar os estudos e me aprofundar na história dela, a admiração cresceu ainda mais. 

É uma força feminina que esteve ao lado desse Homem que mudou a história da humanidade. Contar essa história vivendo essa personagem foi maravilhoso.

CE - No cinema você estreou em 2018?  

Como foi interpretar Ester Bezerra? E a preparação?

DM - Isso, minha estreia mesmo foi em 2018 com “Nada a Perder”, na verdade em 2016 o Filme “Os dez mandamentos” ganhou uma versão filme e esta foi a primeira vez em que de fato apareci nas telonas, já que eu fiz a novela, mas considero a minha estreia mesmo com Nada a Perder. 

Sobre a preparação, no começo do processo, pesquisei vídeos e vi alguns filmes como referência, mas a parte de criação e descoberta mesmo foi na preparação através do texto, do que ouvi e do que intuía sobre a personagem. 

Nós fizemos um mergulho nessa história desde as primeiras semanas de preparação e aos poucos, dia a dia, fomos entendendo, construindo e criando a relação e verdade entre os personagens. 

Foi uma experiência incrível ao lado de uma equipe de profissionais renomados do cinema brasileiro. 

Estava com meu parceiro de cena e grande amigo Petrônio Gontijo e sendo dirigida pelo Alexandre Avancini, que me dirigiu em meus primeiros trabalhos na Record!

CE - Dia 17 começou a reprime de Amor Sem Igual, você foi premiada por sua atuação nesta obra né? Conta um pouco pra gente?

DM - Estou super feliz em poder rever esse trabalho que eu tanto amei fazer! A Poderosa foi muito especial para mim! 

E sim, foi uma honra imensa ganhar dois prêmios com esse trabalho e ser indicada para outros. 

O prêmio Área Vip de Melhor personagem e o Prêmio Contigo de melhor atriz, esse último estando ao lado de gigantes, atrizes e mulheres incríveis que tanto admiro e sou fã como Adriana Esteves, Regina Casé e Taís Araújo.

Só de estar ali entre as selecionadas já era um super reconhecimento que só nos dá mais vontade de seguir fazendo o melhor possível, e estudando muito...

Por isso e por tudo mais, a Poderosa foi com certeza um marco na minha carreira! Pelo processo de trabalho, pela leveza das gravações, pela equipe e pelo elenco que fizeram essa novela ser um trabalho muito gostoso de ser feito, mesmo em meio a tantas mudanças por conta da pandemia. Só tenho boas lembranças.

CE - Você vai estrear no streaming como uma ex vedete, como foi a preparação desse personagem e também em 2019 interpretar uma prostituta...

Como é esse processo de construção?

DM - Para fazer a Simone da minissérie “Tudo de Bom” tive uma preparação diferente dos outros trabalhos de novela. 

Tivemos algumas conversas e reuniões online com o Ajax, onde ele ia nos direcionando sobre um caminho para seguirmos nos estudos, mas não fizemos leituras, então o jogo, o ensaio e a troca aconteceu no dia da gravação. 

O Ajax é um diretor que gosta muito de trocar e dirigir o ator, e eu confio muito no trabalho dele, então, foi muito bacana também ter feito esse trabalho de uma maneira diferente da que eu estava habituada, mas com um diretor que sabia que ia trocar e ensaiar com a gente até que a cena ficasse bacana.  

Para a Poderosa, de “Amor sem Igual”, assisti alguns filmes como referência (Uma linda mulher, A proposta e Erin Brockovich), mas muito dela nasceu nas leituras, ensaios e troca com os atores. Fiz aulas de dança e tecido, que a personagem exigia e isso também ajudou muito a trazer o corpo, jeito da personagem.

CE - Um momento emocionante da sua carreira...

DM - Acho que tive alguns momentos emocionantes, como, por exemplo, encontrar e contracenar com atores que eu já admirava e era fã, receber os prêmios pela Poderosa, ter o carinho e reconhecimento do público com as personagens que fiz... 

Esses foram alguns deles, mas falaria de um em especial, bem no comecinho, quando recebi a ligação da Ciça Castello, produtora de elenco, dizendo que eu tinha sido aprovada para a personagem Amanda, de Dance Dance Dance. Foi o começo da minha carreira e a minha primeira grande oportunidade como atriz. Fiquei emocionada e feliz demais.

CE - Gostaria de fazer mais cinema?

DM - Sim. Tive duas grandes oportunidades que foram nos longas “Nada a perder 1 e 2” e amei a experiência. Tenho vontade de fazer mais sim e espero que seja em breve.

 

CE - Day, você é budista?

DM - Não sou budista, mas me identifico em algumas coisas com a filosofia do budismo, como em algumas coisas de outras religiões também, mas não me defino em nenhuma delas.

Tenho fé em Deus, em Jesus. Deus é amor e está dentro de todos nós. 

O amor é, ou pelo menos deveria ser, a base de todas as religiões, então é nisso que acredito.

CE - E se tornar vegetariana, como foi essa decisão? E ser embaixadora SVB?

DM - Sou vegetariana,  só acho justo dizer que é vegano quem realmente come zero derivados. Minha mãe (Regina Mesquita)  é vegetariana há uns 20 anos e acho que, de certa forma, o exemplo dela dentro de casa me fez pensar e buscar saber mais sobre o assunto. 

Certo dia ao comer um hambúrguer, olhei para ele e pensei no como ele chegou ao meu prato, e a partir desse dia decidi que não comeria mais. 

Fui bem radical, pois pra mim, ali parou de fazer sentido me alimentar de carne e frango. 

Já com o peixe meu processo foi gradual, continuei comendo mas repensando e tentando diminuir e cortar em certos momentos, até que há cerca de um ano, da mesma forma, um dia ao comer, a chavinha virou de vez e parei também.

A minha decisão em parar o consumo de carne foi pensando nos animais, pela exploração e morte animal, me sentia sustentando o modo como eles são tratados e mortos, e não fazia sentido para mim manter essa prática, já que o amor e cuidado com os animais sempre foi muito forte em mim.  

Há pouco mais de um ano me tornei uma das embaixadoras do movimento “Segunda Sem Carne"  da Sociedade Vegetariana Brasleira (SBV), a convite da atriz Dani Moreno, minha amiga, que é uma das embaixadoras e uma das grandes vozes de incentivo e apoio ao veganismo e que faz parte também da SVB.

CE - Ser mãe... Sempre quis?

DM- Era algo que eu pensava sim, apenas não tinha muita certeza ainda sobre quando seria o momento ideal, mas acredito que o momento certo acontece quando tem que acontecer, assim como foi agora.

Eu e o Pedro já conversávamos sobre aumentar a família, moramos juntos desde 2019 e temos duas filhas que adotamos, só que até então de quatro patas (risos). 

A boa notícia veio antes do que imaginávamos e esse bebê já é muito desejado e amado.

CE - E você acabou de anunciar que vai ser mamãe?

DM - Foi uma surpresa! Um misto de emoções que nem consigo explicar o que se passou e o que ainda se passa dentro de mim desde que descobri a gravidez.  

É tudo muito novo, muito diferente, estou aos pouquinhos entendendo esse milagre que é essa vida que cresce aqui dentro.  

Sinto que estou gestando um bebê e gestando também essa nova fase minha como mulher, agora mãe, que cresce diariamente em aprendizados e amor.

CE - Como são os seus cuidados com a beleza e o corpo?

DM - Hoje em dia não abro mão dos cuidados com a minha pele pela manhã e à noite. 

Além de não dormir jamais de maquiagem e estar sempre atenta com a quantidade de água que bebo por dia, pois sinto muita diferença na minha pele quando não bebo a quantidade necessária.

Sobre o corpo, eu dancei ballet clássico e jazz praticamente minha vida inteira, desde os 7 anos, então, estar em movimento, fazer uma atividade física, faz parte da minha vida. 

Quando parei de dançar com frequência, que eu amava, comecei a fazer musculação, que por sua vez não era algo que eu amava fazer. 

Essa relação com os exercícios mudou também há relativamente pouco tempo. 

A musculação por exemplo, aprendi a gostar, faço com meu personal Fora isso, gosto também de praticar Muay Thai e Yoga. Nesse momento de gestação passei um tempinho mais parada mas já estou voltando a me movimentar com aulas de musculação, alongamento e yoga.

CE - E a Day em família?

DM - Em família e fora da família sou uma pessoa muito simples. A família é algo muito importante para mim. É minha base, onde recarrego minhas energias e me sinto “em casa”.

 

CE - Day e novos projetos?

DM- Tem a minissérie "Tudo de Bom", que será destinada a uma plataforma de streaming, em que interpreto Simone Mantovani, uma ex-vedete, que começa a trama em busca do divórcio com Tony Mantovani (Alexandre Slaviero), o protagonista da história. 

Além disso, fiz uma participação numa série para o streaming que poderei falar em breve.

 

CE - Um desejo que a Day tem...  

DM - De que esse bebê que estou gerando seja feliz e possa viver em um mundo de mais igualdade e respeito.

 

CE - Uma saudade...  

DM - Do meu pai

 

CE - Uma realização que já aconteceu...  

DM - Todas as minhas conquistas profissionais são grandes realizações para mim das quais sou muito grata.

LITERATURA

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança o livro de poemas "Como se Voassem os Peixes"

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança livro de poesias nascido na pandemia, com poemas que transitam entre o lúdico e o social, apostando na liberdade do leitor e na força da imaginação

04/03/2026 10h30

Divulgação

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Em meio à angústia coletiva provocada pela pandemia de Covid-19, enquanto o mundo aprendia a conviver com o isolamento e a incerteza, o procurador do Estado Carlo Fabrizio encontrava na poesia uma forma de atravessar o tempo suspenso.

O que começou como exercício em cursos de escrita criativa, iniciados em 2021, transformou-se, aos poucos, no livro “Como se Voassem os Peixes”, que será lançado amanhã, em Campo Grande, em evento organizado pela Editora Hámor.

“Ele foi sendo construído aos poucos, desde 2021. Essencialmente, foi um resultado dos cursos de poesia e de prosa que fiz durante a pandemia e que mantenho até hoje. Na verdade, foi uma resposta íntima à angústia que a pandemia me causou”, afirma o autor.

A obra nasce, portanto, de um tempo histórico específico, mas não se limita a ele. O livro reúne poemas que transitam entre o social e o subjetivo, entre o lúdico e o crítico, entre o sonho e o incômodo, sempre apostando na potência da palavra como experiência sensível.

METÁFORA

O título “Como se Voassem os Peixes” carrega uma imagem que provoca estranhamento e curiosidade. A escolha não foi imediata. Segundo Carlo, inicialmente, tanto o livro quanto o poema que o inspirou tinham outro nome. A mudança ocorreu durante o processo editorial.

“Foi baseado na primeira poesia de temática infantojuvenil que fiz. Tanto o título como a poesia são uma brincadeira com os sonhos de uma criança para seu futuro”, explica.

A imagem do peixe que voa desloca o leitor da lógica habitual. Peixes não voam, ao menos não na realidade cotidiana, mas na poesia, sim. E é justamente nesse deslocamento que o livro parece encontrar uma de suas chaves: a liberdade de imaginar o impossível como possibilidade simbólica.

TEMÁTICA

Os temas que atravessam a obra são variados. Há poemas com viés social, de tom mais crítico e até cínico. Em outros momentos, o autor mergulha em reflexões íntimas, transformando pensamentos e sensações em versos. Também há espaço para o lúdico, especialmente nas poesias de temática infantil e nos haicais.

“Às vezes, têm uma temática social, de viés mais crítico e cínico, às vezes, simplesmente são pensamentos em forma de poesia, sobre o que penso e sinto, mas também tem alguma coisa de lúdico”, resume Carlo.

Essa pluralidade temática reflete uma compreensão ampla da poesia como campo aberto, não restrito a uma única estética ou preocupação. O livro não se fecha em um manifesto, tampouco se limita a um único tom emocional. Ele oscila, provoca e acolhe.

Entre os textos que compõem o livro, dois foram especialmente desafiadores. Ambos abordam temas sensíveis: a tortura e o Holocausto.

Tratar de dores históricas e traumas coletivos em poesia exige equilíbrio entre respeito, sensibilidade e densidade estética.

O desafio, nesse caso, não é apenas técnico, mas ético. Ao abordar esses assuntos, o autor amplia o escopo do livro, que não se restringe à intimidade do eu lírico, mas também dialoga com a memória e a violência inscritas na história.

UMA BIOGRAFIA FICCIONAL

Carlo Fabrizio, procurador do Estado e autor de “Como se Voassem os Peixes” - Foto: Divulgação

Questionado se a obra é autobiográfica, ficcional ou híbrida, Carlo responde com cautela. “Toda escrita tem algo de biográfico, seja do próprio autor, do que ele experienciou, seja da vida em si, da vida de outras pessoas ou de situações observadas”, reflete.

No livro, há poemas que assumem explicitamente esse tom mais pessoal. Ainda assim, o autor evita rotular a obra. A poesia, nesse sentido, funciona como território de atravessamentos, onde vivências, memórias, leituras e imaginação se misturam em um mesmo fluxo criativo.

ESTRANHAMENTO

O incômodo e o prazer convivem na mesma expectativa. A literatura, especialmente a poesia, não precisa ser confortável. Ela pode provocar fissuras, deslocar certezas, tensionar percepções. Ao mesmo tempo, pode oferecer beleza, ritmo, musicalidade e emoção.

Não há, segundo o autor, uma mensagem fechada ou moral explícita. “Creio que na poesia o mais importante é apostar no leitor, confiar nele e na sua liberdade de interpretar”. A obra, assim, se completa na leitura, na experiência singular de cada pessoa que a percorre.

“Gostaria que gerasse reflexão, algum estranhamento e incômodo em algumas poesias, e também o prazer de ler algo que de alguma forma toque o sentimento do leitor”.

A ESCRITA

Conciliar a produção literária com a rotina como procurador do Estado não foi tarefa simples para Carlo. O cotidiano jurídico, marcado por prazos e responsabilidades, exige concentração e energia.

“Às vezes fica complicado, pois no dia a dia é muito difícil ter um espaço de tranquilidade para pensar a poesia. Geralmente preciso de um ambiente sossegado”, relata o autor.

A solução foi encontrar brechas no tempo: escrever à noite, durante a semana, e nas manhãs de sábado e domingo. A disciplina, nesse caso, tornou-se aliada da sensibilidade.

Embora a dedicação sistemática à poesia seja recente – cerca de cinco anos –, o envolvimento com a literatura se intensificou com os cursos realizados durante a pandemia. O livro marca, assim, uma nova fase na trajetória do autor, que passou a se dedicar de forma mais metódica à escrita poética.

As referências literárias de Carlo são múltiplas e revelam um diálogo amplo com diferentes tradições. Entre os autores que o influenciam estão os chamados “poetas malditos” franceses, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire e Antonin Artaud, além de clássicos como Lord Byron e Walt Whitman.

Na literatura brasileira, ele cita nomes como Augusto dos Anjos, Sousândrade, Hilda Hilst, Cecilia Meireles, Manoel de Barros e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

“Em estilo e conteúdo, os autores e autoras que leio me influenciam bastante”, reconhece Carlo.

A diversidade de influências ajuda a compreender a amplitude temática e formal do livro, que não se prende a uma única vertente estética.

Uma das perguntas mais difíceis para qualquer escritor é saber quando a obra está pronta. Para Carlo, a sensação é de permanente inacabamento.

“Há sempre algo para melhorar. Mas chega uma hora que a gente é vencido pelo cansaço: ou publica, ou arquiva e não mexe mais”, afirma.

O processo de revisão foi, segundo ele, o maior desafio da produção: um trabalho minucioso realizado em conjunto com os editores, ajustando versos, ritmos e escolhas vocabulares.

A experiência profissional também atravessa, de alguma forma, a escrita. Para o autor, toda vivência contribui para a formação do olhar. “O essencial para escrever é, primeiro, observar e viver o mundo”, destaca.

Ele enxerga, inclusive, pontos de contato entre Direito e literatura. Embora o Direito esteja fundado em dogmas e respostas, há espaço para interpretação e criatividade, elementos que também são centrais na literatura.

Ainda assim, a poesia ocupa um território mais livre. “A literatura, e principalmente a poesia, é o campo da imaginação, do sonho, da fantasia e da liberdade, onde a cor tem cheiro e uma palavra não é somente uma palavra, ela contém o mundo. Devemos ir além do literal”, pontua Carlo. A escrita e a leitura funcionam, segundo ele, como “remédio contra a aspereza do cotidiano”.

LANÇAMENTO

O lançamento de “Como se Voassem os Peixes” será marcado por um bate-papo com o público, leitura de poemas e sessão de autógrafos. A conversa será mediada por Febraro de Oliveira, editor da Hámor, e por Oslei Bega.

A proposta é criar um espaço de diálogo aberto, em que os leitores possam compartilhar impressões e perguntas, prolongando em voz alta a experiência silenciosa da leitura.

>> Serviço

Lançamento de “Como se Voassem os Peixes”

Data: amanhã.
Horário: às 18h.
Local: Rua Amazonas, nº 1.080, Monte Castelo.

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Felpuda

Políticos acuados por consequências de malfeitos descobriram a "palavra...Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (4)

04/03/2026 00h03

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Ronald Reagan - estadista americano

"Não devemos julgar os programas sociais por quantas pessoas estão neles, mas quantas estão saindo”.

 

FELPUDA

Políticos acuados por consequências de malfeitos descobriram a “palavra mágica” na tentativa de salvar o pescoço: é a tal da “perseguição”. Quando a água está batendo na etiqueta da calça, os ditos-cujos acionam a “lâmpada maravilhosa” da imaginação para fazer surgir o “gênio”. Só que este anda um tanto cansado e está sugerindo essa palavra a torto e a direito. Resultado: há uma legião de “perseguidos” que nem sabe explicar quem são verdadeiramente os tais “perseguidores”. Essa tchurminha quer, na realidade, um salvo-conduto para poder continuar surfando nas benesses do poder.

Diálogo

Tensão

Pelo andar da carruagem, tudo indica que as pré-candidaturas no campo da direita em MS estariam começando a ser definidas para se concretizarem durante a janela partidária, de 6 de março a 5 de abril. As peças do quebra-cabeças eleitoral, porém, ainda não se encaixaram.

Mais

E a previsão é de que poderão ocorrer mudanças dos nomes que estão postos, principalmente, para o Senado. Outro detalhe: a oficialização dos “ungidos” acontecerá somente nas convenções partidárias, entre 20 de julho e 5 de agosto. Até lá, o clima ficará tenso.

DiálogoCarla Stephanini e Rozângela Tanaka
DiálogoPatricia Salles

 Quase...

A chapa da majoritária do grupo PL e União Progressista (União Brasil e PP) estaria definida em MS, em parte, segundo irônico político. Ele afirma que no campo da direita o nome é Flávio Bolsonaro como pré-candidato a presidente da República. Para governador Riedel; Azambuja para o Senado e “Especulação” como o segundo nome, para fazer “dobradinha” com ele. Afinal, não se pode esquecer que os partidos podem recorrer às prévias.

Queda de braço

A direita conservadora, formada pelos bolsonaristas raiz, está brigando entre si para disputar uma das vagas ao Senado. As duas, evidentemente, não deverá conquistar, pois em eleição o “buraco é mais embaixo”, disse um político antenado que só. Afirmou que nesse campo estão os grupos que apoiam o deputado federal Marcos Pollon, o ex-deputado Capitão Contar e a vice-prefeita Gianni Nogueira. Não se pode, segundo ele, ignorar o cenário como um todo, senão...

e?...

Nos meios políticos, a grande pergunta é qual será o caminho a ser seguido pela vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira, que articulava para ser oficializada como pré-candidata ao Senado por Bolsonaro. A curiosidade é saber se deixará o PL ou se realmente migrará para o Novo em busca do seu sonho. Ela é esposa do deputado federal Rodolfo Nogueira. Em tempos passados, havia sido citada por Bolsonaro como nome para uma das vagas. Mas com a tal carta divulgada por Michelle Bolsonaro...

Aniversariantes

Regina Maura Pedrossian,
Valdir João de Oliveira Gomes,
Sérgio Dias Campos (Jacaré),
Hélio Fogolin,
Sérgio Cândia Scaffa (Paxá),
Celso Bejarano Junior,
Ednéia de Fátima Urzedo Costa,
Ezaldino Xavier,
Francisco Fernandes da Costa,
Graciela Simone de Souza,
Amauri Palmiro,
Dayane Higa Shinzato,
Joel Marques Gomes Dias,
Dr. Romeu Arantes Silva,
Elizete Vieira Carneiro,
Liana Helena de Souza Cury,
Vitória de Rosa Silva Dacal,
Andréia Castanheira,
Marise Cicalise Bossay,
Adriana Pereira,
Aline Ayoub,
Sérgio Antonio Braghim,
Guilherme Augusto Zan,
Patricia Reis Vendramin,
Dr. Cesar Augusto de Oliveira,
Fernanda Maciel Mendonça,
Dr. Casimiro Mendes,
Zuleica Maciel Oliveira,
Ligia Braga Hvala,
César Fróes,
Robson Rodrigues Arantes,
José Pereira Filho,
Lucimar Gonçalves,
Dalton Albuquerque,
José Barbosa Batista,
Leondina da Silva Soares,
Taís Alvarez Machado,
Waldir Ramires,
Eneida Maciel Chama,
Ayrton Bachi de Araujo Neto,
Paulo Cesar Bezerra Alves,
Edilon Rolim,
Fábio Moura Ribeiro,
Leandro Teixeira,
Mário Gonçalves da Costa Lima,
Vera Brandão de Souza,
Dr. Durval Batista Palhares,
Luiz Eduardo Rodrigues dos Reis,
Maria Aparecida Kuffner dos Anjos,
Olívio Zago,
Eva Rute de Souza Vaz Almoas,
Maria Madalena Godoy Amada,
Israel Rabelo Guimarães,
Badya Bourdokan,
Carolina Maria Heliodora de Góes
Araújo Feijó Braga,
Mahiele Gomes de Freitas Perondi,
Tâmara de Mattos,
Nereu Alamini,
Ana Maria Ribeiro da Rocha,
Cristiano de Sousa Carneiro,
José Maria Torres,
Ruth Gusmão Nunes,
Lindomar Silva de Souza,
Riverton Barbosa Nantes,
Gerson Hiroshi Yoshinari,
Átila de Mello Paleo,
Maria Helena Tourinho,
Luiz Alberto Miralles de Oliveira,
Fábio de Oliveira Camillo,
Marcelo Henrique de Mattos,
Jeferson Rivarola Rocha,
Evanir Serra Rodrigues,
Gerson Pereira,
Nauir Correa Amarilha,
Waldir Vargas,
Jeronymo Ivo da Cunha,
Daniel José de Josilco,
Luciene Dias Ferreira Dutra,
Ilário Hissashi Suematsu,
Marcela Mari Higahi Hirata,
Daniel Rezende e Silva,
Márcia Lúcia Clemente Neto Aleixo,
Maria Auxiliadora Pereira Martins,
Daniel de Almeida,
Rosa Maria Aquilino Lani,
Adair Hardmann,
Maki Aparecido Lanzarini,
Osmil Luiz Tonini,
Sidney Lopes Benites,
Marlene de Cerqueira Rodrigues,
Walter Ferreira Azambuja,
Pietra Escobar Yano,
Carlos Augusto de Pinho,
Ewerton Araújo de Brito,
Izabel Cristina dos Santos Peres,
Luiz Aurélio Adler Ralho,
Tarik Alves de Deus,
Wesley Lemes de Melo,
Helena Alves Ferreira,
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Mariza Dutra da Silva,
Silmara Luiza Ribeiro,
Ronaldo Vieira Moreira,
Mário Sérgio Rocha Vale,
Vânia Barbosa Mattos,
Jorge Luiz de Arruda,
Tânia Mara Dias Rodrigues,
Eduardo Martins de Almeida,
Carmem Lúcia da Cunha,
Luiz Henrique Cardoso,
Carla Dias Pereira.

COLABOROU TATYANE GAMEIRO 

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