As férias coincidem com o período de altas temperaturas, aumentando a chance de viagens, passeios e atividades ao ar livre. Crianças e idosos acabam ficando mais expostos a alguns riscos, como desidratação, insolação e infecções virais.
Por isso, é importante fazer um checklist cuidadoso para um recesso livre de problemas, seja dentro ou fora do ambiente doméstico ou durante passeios para outras cidades.
“Durante as férias, é preciso redobrar os cuidados e a supervisão das crianças, tanto em ambientes externos quanto dentro de casa”, alerta a médica pediatra Andrea Dambroski, que lista, a seguir, os principais riscos que podem atrapalhar férias mais seguras, especialmente para crianças com até 9 anos de idade.
Para uma devida atenção aos idosos, a geriatra Karoline Fiorotti diz que é importante revisar questões básicas de saúde antes de pegar a estrada ou embarcar no avião.
“A primeira etapa é conferir o uso correto dos medicamentos, garantindo que nada será esquecido e que as doses serão mantidas no horário habitual durante a viagem”, recomenda Karoline. Ela reforça que a rotina medicamentosa não deve ser interrompida, especialmente de idosos com doenças crônicas.
HIDRATAÇÃO
Manter a hidratação adequada é essencial, especialmente porque crianças pequenas perdem mais líquido pelo suor e, muitas vezes, esquecem de beber água enquanto brincam. “É importante oferecer água com frequência, mesmo que a criança não peça”, orienta Andrea Dambroski.
“O idoso muitas vezes não sente sede com tanta intensidade, mas precisa manter a hidratação para evitar tonturas, quedas de pressão e mal-estar”, diz Karoline Fiorotti.
Sinais como urina escura, sonolência, lábios secos ou diminuição das micções podem indicar desidratação. Em casos de vômitos ou diarreia, o soro de reidratação oral pode ser utilizado em pequenas quantidades várias vezes ao dia.
Se houver olhos fundos, apatia ou redução significativa da urina, é necessário buscar atendimento médico.
INSOLAÇÃO
A insolação é mais comum em dias muito quentes, especialmente após longos períodos de exposição solar. “Os responsáveis devem estar atentos aos riscos da exposição excessiva ao sol, principalmente sem a proteção adequada”, destaca a pediatra Andrea Dambroski.
O mesmo vale para quem tem mais idade. A recomendação é evitar o sol entre as 10h e as 16h e aplicar o protetor solar pelo menos 30 minutos antes da exposição.
Roupas leves, chapéu, pausas na sombra e moderação nas atividades físicas contribuem para a prevenção. Em casos de pele muito quente, vômitos persistentes, confusão mental ou desmaios, o atendimento deve ser imediato.
Para os idosos, a primeira etapa é conferir o uso correto dos medicamentos, garantindo que nada será esquecido e que as doses serão mantidas no horário habitual - Foto: DivulgaçãoQUEIMADURAS
A fotoproteção diária é indispensável no verão. As queimaduras solares, além de causarem dor, podem provocar bolhas e aumentar o risco de câncer de pele. Bebês menores de 6 meses ou adultos com mais de 60 anos devem ser protegidos principalmente com sombra, roupas adequadas e chapéu.
Para crianças maiores, o protetor solar deve ser indicado para a faixa etária, com FPS acima de 30, e reaplicado a cada duas horas ou após entrar na água.
“O uso do protetor solar deve sempre seguir orientação médica, pois existem produtos específicos para cada idade, o que reduz o risco de alergias e reações adversas”, explica Andrea.
VÍRUS
O calor e os ambientes coletivos favorecem a circulação de vírus gastrointestinais e respiratórios. Lavar as mãos com frequência, manter os ambientes arejados e evitar contato próximo com pessoas doentes são medidas essenciais de cuidado com a saúde.
Durante viagens e passeios, o consumo de alimentos fora de casa aumenta. Por isso, é importante escolher estabelecimentos confiáveis, priorizar alimentos bem cozidos e evitar aqueles que exigem refrigeração constante, como laticínios e ovos.
Antes de viajar, também é recomendável revisar a caderneta de vacinação (da criança e do idoso). Vacinas em dia ajudam a reduzir as complicações de doenças comuns no verão. Em viagens internacionais, é importante verificar as recomendações específicas do destino.
ACIDENTES
Traumas, queimaduras, quedas, afogamentos e ingestão de substâncias tóxicas estão entre os acidentes mais comuns durante as férias, e muitos deles podem ser evitados.
Medidas simples incluem proteger as tomadas, manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance, instalar telas em janelas e sacadas, evitar o manuseio de líquidos quentes perto das crianças, virar os cabos das panelas para dentro do fogão, manter baldes, tanques e vasos sanitários fechados, e nunca deixar a criança sem supervisão de um adulto.
POSTURA
A postura, especialmente dos idosos, merece cuidado durante trajetos mais longos. Inchaço nas pernas, dor lombar e até trombose são alguns dos riscos para quem passa períodos sentado, em pé ou em posições desconfortáveis.
PARADINHA
Planeje paradas para descanso e movimentação a cada uma ou duas horas de viagem. No avião, ônibus ou trem, estimule o idoso a se levantar e caminhar pelo corredor.
Isso ajuda a ativar a circulação. Escolher destinos e horários que reduzam o cansaço, evitando calor extremo e tráfego intenso, também contribui para uma viagem mais leve.
MEDICAMENTOS
Revise todos os medicamentos, organize-os em caixas semanais e leve tanto as medicações de uso diário quanto as sintomáticas, como analgésicos, antialérgicos e remédios para náuseas.
Garanta quantidade suficiente para toda a viagem, com uma pequena sobra para imprevistos. Transporte tudo na bagagem de mão, junto das receitas atualizadas, e inclua itens básicos de primeiros socorros, como curativos e antissépticos.
TONTURA
Fique atento a sinais de alerta como tontura, falta de ar e, uma vez mais, inchaço nas pernas. Idosos com demência podem ficar mais confusos e ansiosos fora do seu ambiente habitual.
Procure ajuda médica se necessário. Mantenha uma rotina o mais próxima do habitual possível para promover segurança e bem-estar.
HOSPEDAGEM
Atenção ao local de hospedagem. Durante a viagem, fique de olho no cômodo das crianças e dos mais velhos: evite tapetes soltos, fios pelo caminho e outros objetos que possam aumentar o risco de queda.
ROUPAS LEVES
Nos dias quentes, a escolha de roupas leves, arejadas e de tecidos naturais, como algodão e linho, ajuda a manter o corpo mais fresco, reduzindo o risco de superaquecimento.













Eduardo Riedel, Beto Pereira e Mauro Mendes
Dedé Ramenzoni

