A Capivara Editora lançou recentemente “Pantanal: Origens de Um Paraíso” (240 páginas, R$ 100). A publicação escrita pelos historiadores Maria de Fátima Costa e Pablo Diener conta com o apoio da Documenta Pantanal e foi viabilizada com recursos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, a Lei Rouanet. O livro tem prefácio assinado pelo escritor e sociólogo Jorge Caldeira.
O autor de “Mauá, Empresário do Império” (1995), “A Construção do Samba” (2007), “História da Riqueza no Brasil” (2017), “Brasil, Paraíso Restaurável” (2020), entre outros títulos, ressalta no prefácio a “erudita e cuidadosa revisão das fontes”, além da “revisão dos dados antropológicos” e a oportunidade de “repensar e reavaliar a ruptura do equilíbrio milenar” que a região corre o risco de sofrer.
A obra toma o Pantanal, maior planície alagável do mundo e um dos biomas mais singulares do País, a partir de seus devidos – embora nem sempre bem compreendidos – atributos.
Um mundo de águas, terras férteis e vida vegetal e animal. A casa de povos originários de profunda riqueza cultural.
E, claro, o espaço onde se processam mudanças econômicas e sociais, cujos passos devem – aliás, mais do que nunca, precisam – considerar o cuidado com seu meio ambiente.
O território de aproximadamente 110 mil km² tem como eixo o Rio Paraguai, com seus 1.272 km de extensão e seus afluentes. O movimento das águas forma os mais diversos habitats e, assim, o conjunto mostra muitas fisionomias.
“É o mundo que conhecemos como os ‘Pantanais”’, afirmam Costa e Diener, ambos enfatizando o termo no plural, ou seja, a diversidade extraordinária do bioma. A planície tem uma pequena inclinação geográfica que faz com que as águas refluam muito devagar. Assim, imensas lagoas temporárias aparecem e desaparecem a cada ciclo.
Fartamente ilustrado pela produção de 10 fotógrafos, além de mapas e imagens históricas, o livro percorre a quase desconhecida ocupação original da região, trazendo inclusive os marcos rupestres que poucos já viram.
CORAÇÃO MOLHADO
No prólogo, em cinco capítulos e no epílogo da obra, Maria de Fátima Costa e Pablo Diener apresentam com detalhes tanto o espaço geográfico e suas especificidades – ciclos de enchentes e vazantes, vegetação, fauna, etc. – quanto a presença humana desde tempos imemoriais, passando pelo avanço dos bandeirantes na busca de gemas e metais preciosos.
A região, fabulosa usina natural, representa um verdadeiro “coração molhado do nosso subcontinente”, segundo as palavras dos autores. “A dinâmica das terras e das águas” do espaço pantaneiro, um “organismo único” ao mesmo tempo impactante e frágil, se revela como uma joia da natureza e da cultura a ser admirada, compreendida e protegida.
OS AUTORES
Maria de Fátima Costa é doutora em História pela Universidade de São Paulo (USP), professora titular aposentada da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e pesquisadora da Rede Internacional de Geopolítica Americana dos Séculos 16-19 (Geopam), desenvolvendo investigações sobre as expedições científicas que percorreram a América do Sul, entre outros temas.
A historiadora estuda expedições demarcadoras de limites do século 18, como a “Viagem Filosófica” de Alexandre Rodrigues Ferreira, a Expedição Langsdorff, a viagem de Spix e Martius ao Brasil e a expedição de Francis de Castelnau. Maria de Fátima também é autora de “História de Um País Inexistente: o Pantanal entre os séculos 16 e 18”
Doutor em História da Arte pela Universidade de Zurique, Pablo Diener é professor associado aposentado da UFMT. Tem publicado estudos sobre as viagens científicas e artísticas ao continente americano nos séculos 18 e 19 e é autor de “Rugendas 1802-1858 – Catálogo da Obra ‘Rugendas, su Viaje por Chile – 1834-1842” e “Os Viajantes Naturalistas do Século 19 e suas Contribuições para o Conhecimento Científico das Línguas e Culturas dos Povos Nativos das Américas”.
Diener também é o organizador de exposições como “Rugendas: América de Punta a Cabo – Los viajeros europeos del siglo 19 en México”,
“El Barón de Courcy: Ilustraciones de viaje” e “O Descobrimento da Natureza, de C. D. Friedrich a Humboldt, no Chile, no México e na Alemanha”.


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