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Entre Costuras e CuLtura: Entrevista exclusiva com o maior historiador de moda do país João Braga

João compartilha não apenas conhecimento, mas também inquietações, percepções e histórias que atravessam décadas de pesquisa como historiador de moda.

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Há nomes que, mais do que estudar a moda, ajudam a traduzir o seu significado no tempo. João Braga é um desses raros intérpretes. Historiador, professor e uma das vozes mais respeitadas quando o assunto é a leitura cultural do vestir, ele construiu uma trajetória que ultrapassa tendências e temporadas para alcançar algo mais profundo: a compreensão da moda como linguagem, memória e identidade.

Em um mundo marcado pela velocidade das imagens e pelo consumo imediato, olhar para a moda através da história é, também, um exercício de pausa. É nesse espaço de reflexão que João Braga se destaca. Com uma narrativa envolvente e didática, ele revela como roupas, tecidos e silhuetas são, na verdade, registros vivos de transformações sociais, políticas e comportamentais. Cada detalhe — do corte ao ornamento — carrega códigos de uma época, valores de uma sociedade e até mesmo desejos silenciosos de mudança.

Ao longo de sua carreira, Braga tem se dedicado a aproximar o público desse olhar mais sensível e crítico, desmistificando a ideia de que moda se resume ao efêmero. Para ele, vestir-se é um ato cultural, um gesto que comunica pertencimento, ruptura e expressão individual.

Sua fala, sempre generosa em referências e exemplos, convida o interlocutor a enxergar além da superfície, ampliando o entendimento sobre aquilo que usamos — e, sobretudo, sobre quem somos.

Nesta entrevista exclusiva consuzida pela nossa colunista e consultora de moda Gabriela Rosa, com o cuidado de quem reconhece a importância de escutar, João Braga compartilha não apenas conhecimento, mas também inquietações, percepções e histórias que atravessam décadas de pesquisa.

Entre memórias, análises e provocações, ele nos leva a refletir sobre o presente sem perder de vista o passado — e, quem sabe, a imaginar novos caminhos para o futuro da moda.

Abrir espaço para essa conversa é, portanto, mais do que apresentar um especialista: é oferecer ao leitor a oportunidade de revisitar o próprio olhar. Porque, como nos lembra João Braga, a moda nunca é apenas sobre roupas — é, antes de tudo, sobre pessoas, contextos e narrativas que se entrelaçam no tecido do tempo.

A consultora Gabriela Rosa ao lado do professor João Braga em evento na capital paulista - Foto: Arquivo pessoal

CE - Ao longo da sua carreira como professor e pesquisador, qual descoberta histórica mais lhe surpreendeu?
JB -
História significa “investigação”. Ter o conhecimento do passado para entender o presente e planejar um futuro melhor sem incorrer em erros pretéritos é fundamental para qualquer tipo de conhecimento. De um modo geral, as investigações históricas e as novas descobertas sempre me surpreenderam e ainda me surpreendem. Muitas delas são fascinantes.

CE - Na sua visão, o Brasil já construiu uma identidade na moda ou ainda busca referências externas.
JB -
 Somos um país colonizado e, portanto, é comum que busquemos referências extra muros e dialoguemos universalmente nesta “aldeia global”. No tange à moda, eu vejo que já construímos identidades próprias como o intenso uso de fibras naturais (especialmente o algodão); a prática artesanal; uma forte identificação com cores intensas; o uso de roupas mais justas entre outras referências, mas com a globalização ainda conversamos com as tendências da moda internacional, porém sempre adaptadas às nossas realidades.

CE - Como a moda moldou a percepção do corpo ideal em diferentes épocas?
JB - 
O padrão de beleza associado à moda em geral muda de época para época e, consequentemente, muda também o padrão corpóreo de beleza associando-se às novas descobertas científicas e tecnológicas; aos aspectos do gosto vigente de cada período e também às questões do padrão estético das artes visuais. Como disse o grande poeta português Luís Vaz de Camões: “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.

CE - O que a história do espartilho nos ensina sobre o controle do corpo?
JB - 
O espartilho muito estrangulou a cintura feminina entre o final do século XIX e o princípio do século XX. Com as vaidades  associadas à moda, o corpo da mulher sempre esteve mais vulnerável às mudanças e acaba sendo moldado de acordo com o gosto de cada época. O corpo, modificado por instrumentos, cirurgias ou exercícios, sendo moldado à cada gosto específico, torna-se um retrato de cada período; mas acho que ele mesmo nos ensina que cada padrão corpóreo também é passageiro. Fica o ensinamento que nem sempre será o mesmo gosto para outros tempos. A moda é impermanente.

CE - O que a história da moda nos ensina sobre o consumo excessivo hoje?
JB - 
O consumo conspícuo e o acúmulo de bens materiais não é novidade alguma; são respostas cada vez mais rápidas a um sistema capitalista que favorece o lucro. A História Geral, independentemente da História da Moda, nos ensina que nada no mundo material é para sempre. Dever-se-ia ter uma maior preocupação maior com a absorção de conhecimentos e, quem sabe, especialmente da sabedoria. A vida passa e os bens materiais ficam… para os outros; ao passo que o saber e as práticas virtuosas te ajudam a evoluir espiritualmente.

CE - O formato atual das semanas de moda ainda faz sentido dentro do contexto histórico que as originou?
JB 
- Creio que sim. Não são exatamente como as foram ao tempo de suas respectivas fundamentações, mas acredito que ainda seja uma maneira sensata de reunir imprensa, compradores e consumidores num mesmo lugar durante um determinado intervalo de tempo. Por mais que haja outras variações de lançamentos de coleções de moda tais como performances, fashion filmes e outras possibilidades, as semanas de moda com seus desfiles presenciais continuam atraindo muitas pessoas e mídias, despertando curiosidades, visibilidades e interesses gerais na área de moda.

CE - Por que certas capitais de moda permanecem centrais mesmo com a globalização?
JB -
 Acredito que seja pelas boas estratégias de marketing de divulgação que geram visibilidades e divisas ao despertarem desejo de consumo e outras especulações; obviamente associadas à tradição dos respectivos pioneirismos destas mesmas semanas das grandes capitais da moda.

CE - Quando outras semanas de moda começaram a desafiar o eixo Europa-EUA? E sua opinião sobre isso.
JB - 
Não sei se seria “desafiar”, mas sim acrescentar, complementar, trazer novas visões, responsabilidades sociais e possibilidades, como é o caso da atual Semana de Moda de Copenhagen que  privilegia as referências de moda ecológica e sustentável; como é o caso, já há décadas, da SPFW que traz a importância de vislumbrar conceitos, criações e moda advindas do Hemisfério Sul entre outras leituras e atividades.

CE - Qual o período da História da Moda que o senhor considera mais revolucionário e por qual motivo?
JB -
Considero dois significativos períodos do século XX: os anos 1920 que foram muito revolucionários para a moda feminina ao legitimar a emancipação e participação da mulher no mercado de trabalho e, portanto, tendo a necessidade de novos padrões estéticos a serem adaptados às roupas e os anos 1960 com e revolução da postura jovem que trouxe novas prerrogativas comportamentais e, por extensão, na própria moda e que, de certa forma, estão entre nós ainda hoje.

CE - Que conselho o senhor daria a estudantes e profissionais de moda que desejam ir além das tendências e compreender o significado do vestir?
JB - 
O conselho aos estudantes é estudar mais, acreditar em si e aproveitar melhor o tempo para uma formação sólida e duradoura. Aos profissionais já atuantes é que estejam atentos ao ar dos tempos e às mudanças comportamentais que vão influenciar a moda. Termino como comecei: valorizar a tríade passado-presente-futuro que é o sentido investigativo da própria História.
 

Professor João Braga - Divulgação

Referência nos estudos de história da moda no Brasil, João Braga é autor de obras que ajudam a compreender o vestir para além da estética, revelando suas conexões com a história, a cultura e o comportamento.
Entre seus principais títulos, destacam-se:

  1. História da Moda
  2. História da Moda – Uma Narrativa
  3. Um Século de Moda
  4. A Moda no Brasil
  5. A História da Moda no Brasil

Com linguagem acessível e olhar apurado, suas publicações se tornaram leitura essencial para quem deseja entender a moda como expressão do tempo e da sociedade.

Gabriela Rosa - João Braga em evento na capital paulista - Divulgação

 

Pet Correio B+

Hamster: Veja 7 cuidados para ter com o roedor

Veja dicas para manter a saúde e bem-estar do animal dentro de casa

11/04/2026 14h30

Hamster: Veja 7 cuidados para ter com o roedor

Hamster: Veja 7 cuidados para ter com o roedor Foto: Divulgação

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No dia 12 abril é o Dia do Hamster, data que celebra a existência destes roedores e promove a conscientização dos cuidados adequados e bem-estar do animal.  Os hamsters são amigáveis, fofos, higiênicos e podem ser uma ótima opção para quem não quer ter um pet tão tradicional.

Para manter a saúde e o bem-estar desse animal, é importante manter uma rotina de cuidados.
Confira abaixo algumas dicas da Gerente Técnica da Petz, Mariana Pestelli para o Correio B+:

Reserve um espaço para o pet 

Os hamsters não devem ficar livres pela casa sem supervisão, pois eles podem andar atrás dos eletrodomésticos e roer os fios, móveis e provocar incidentes. “É importante providenciar um local seguro e aconchegante para o pet viver.

Também é necessário deixar o roedor longe das janelas para evitar que ele pegue sol forte ou correntes de vento”, afirma Mariana.  

A gerente técnica também lembra que a gaiola precisa ter um tamanho adequado para que o roedor possa comer, brincar, se exercitar e fazer as necessidades. As gaiolas com andares são uma boa alternativa, mas é preciso ter cuidado, pois as grades podem machucar o hamster. O ideal é forrar o andar com papelão ou cartolina.

Limpeza da gaiola  

A gaiola deve ser limpa uma vez por semana para garantir a saúde e o bem-estar do pet. Para fazer a higienização, transfira o pet para um local seguro e com alguns brinquedos. Depois, retire os brinquedos e o granulado de madeira.

Em seguida, lave toda a estrutura com água e detergente neutro. Por fim, espere a gaiola secar completamente. Também é importante manter o comedouro e o bebedouro limpos e cheios, pois o pet não irá comer além do necessário.  

Alimentação

O hamster precisa de uma alimentação de qualidade. Além da ração, é possível variar a dieta oferecendo pequenas porções de frutas e legumes. “O mercado também conta com uma variedade de petiscos próprios para hamsters e oferecer como recompensa é uma ótima opção. No entanto, é importante que o tamanho e a quantidade sejam adequados”, explica. 

Mastigadores

Os dentes dos hamsters crescem constantemente e os brinquedos ajudam a gastá-los. O objeto também é fundamental para aliviar o tédio e evitar que a gaiola seja roída. Entre as opções disponíveis de brinquedos estão os de madeira natural, de sisal, rolinhos de papelão e petiscos duros, que são materiais atóxicos e seguros. 

Cama

As opções mais adequadas de substratos e materiais para hamsters são aquelas que oferecem segurança e possibilitam comportamentos naturais, como escavar e construir ninhos. Entre as alternativas recomendadas estão a serragem de pinus ou álamo (desde que livre de pó), granulados de papel, papel toalha picado e forrações à base de celulose.

No caso das estruturas físicas, como casinhas, é importante priorizar materiais que garantam conforto e não representem riscos, como madeira, cerâmica ou tecidos macios, como a camurça, por exemplo.

Exercícios físicos

Hamsters possuem uma necessidade elevada de atividade física, já que, na natureza, podem percorrer até 10 km por noite em busca de alimento. Por isso, a presença de uma roda de exercício é fundamental para simular esse comportamento, contribuindo diretamente para a saúde física e mental do animal.

Esse acessório permite que o hamster gaste energia, evitando o sedentarismo, reduzindo o tédio e o estresse, além de ajudar na prevenção da obesidade, especialmente em ambientes confinados. 

“Apesar do tamanho pequeno, trata-se de um animal bastante ativo, que pode se exercitar por horas, assim, é importante oferecer uma gaiola espaçosa, que possibilite a movimentação, e complementar o ambiente com outros brinquedos que estimulem sua atividade e bem-estar”, explica Mariana. 

Esconderijo

Hamsters necessitam de esconderijos, como tubos, casinhas ou estruturas semelhantes, que funcionem como refúgio dentro do ambiente. Essa necessidade está diretamente relacionada ao seu instinto natural de sobrevivência, já que, na natureza, são presas e buscam locais escuros, fechados e protegidos para se sentirem seguros diante de possíveis ameaças.

Assim, a presença de tocas no habitat é fundamental para promover o bem-estar físico e mental do animal, contribuindo para a redução do estresse e proporcionando uma sensação de segurança.

Cinema Correio B+

Mulheres Imperfeitas e as pequenas grandes mentiras que se repetem

Adaptação do livro do mesmo nome, a série transforma um estudo delicado de amizade feminina em um thriller elegante.

11/04/2026 13h00

Mulheres Imperfeitas e as pequenas grandes mentiras que se repetem

Mulheres Imperfeitas e as pequenas grandes mentiras que se repetem Foto: Divulgação

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Há um prazer imediato em entrar no universo de The Imperfect Women, a série da Apple TV que caminha para a reta final na próxima semana. O elenco é forte (Kerry Washington, Kate Mara e Elisabeth Moss), o acabamento visual é sofisticado e a narrativa se ancora em um dos dispositivos mais eficazes do
suspense contemporâneo: uma morte, um grupo de mulheres e uma rede de segredos que começa a se desfazer.

É um tipo de história que o streaming aprendeu a fazer muito bem e que o público também aprendeu a decifrar. Talvez por isso a experiência seja dupla. De um lado, funciona. É envolvente, bem conduzida, sustentada por performances que dão peso emocional ao que poderia facilmente escorregar para o clichê. De outro, há uma familiaridade que, para quem devora o gênero, se aproxima da previsibilidade.

O “whodunit” (quem matou?) não me pareceu impossível de identificar, uma vez que os roteiros gostam mais de surpreender do que de construir possibilidades. Dito isso, o “porquê”, demora um pouco mais a ser revelado e é justamente aí que a série encontra sua camada mais interessante.

O ponto de partida vem diretamente do  livro de Araminta Hall, que constrói menos um mistério tradicional e mais uma investigação sobre memória, ressentimento e as fissuras das relações de longa duração. No romance, a morte é um gatilho, mas não o centro. O que importa é como cada personagem reescreve o passado para conseguir viver com ele.

Na adaptação da Apple TV, há um leve deslocamento. A série se aproxima mais do suspense clássico. Organiza melhor as pistas, estrutura o enigma, cria uma progressão mais clara. Isso torna tudo mais acessível, e também um pouco mais previsível. É o preço de transformar ambiguidade em narrativa audiovisual
contínua: o que no livro era dúvida, aqui precisa ganhar forma. Ainda assim, há algo que merece ser destacado.

Em um momento em que o true crime domina o interesse do público, The Imperfect Women aposta em uma história original, ficcional, construída a partir de personagens e não de casos reais.
E isso faz diferença.

Há mais liberdade, mais espaço para trabalhar nuances, mais possibilidade de errar sem o peso ético de reencenar tragédias reais. A recepção crítica tem caminhado nesse equilíbrio. Há elogios consistentes ao elenco e à atmosfera, à maneira como a série constrói tensão emocional antes mesmo de depender do mistério.

Mas também aparece, com frequência, a observação de que a narrativa não escapa completamente das convenções do gênero. Que entrega o suficiente para prender, mas raramente o
suficiente para desestabilizar.

E talvez essa seja a melhor forma de entendê-la. Como um suspense sólido, bem executado, que cumpre o que promete, mas que dificilmente vai surpreender quem já percorreu
esse caminho outras vezes.

A comparação com Big Little Lies é inevitável, e ajuda a esclarecer onde cada uma se posiciona. As duas partem de estruturas semelhantes: mulheres, segredos, uma morte que reorganiza tudo. Mas enquanto Big Little Lies constrói, ao longo do percurso, uma espécie de aliança emocional entre suas personagens, The
Imperfect Women permanece mais fragmentada.

Menos interessada em solidariedade, mais inclinada a explorar as zonas de atrito. Se a série da HBO ainda acreditava na possibilidade de uma verdade compartilhada, aqui o que se impõe é a coexistência de versões. E talvez seja justamente isso que sustenta o interesse até o final. Mesmo quando o “quem” se revela cedo, o “por quê” continua ecoando.

Não como um grande twist, mas como uma pergunta mais incômoda — sobre o que essas mulheres fizeram umas às outras, e sobre o que escolheram esquecer para seguir em frente. No fim, não é uma série que reinventa o gênero.

Mas também não é pouco, hoje, encontrar um suspense que funcione, que tenha boas atuações e que ainda aposte em personagens, em vez de crimes reais, para construir sua tensão.

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