O público das 18h já tem um novo motivo para sorrir. Após conquistar os telespectadores com sua poesia e carisma em Mar do Sertão e No Rancho Fundo, o ator e poeta paraibano Lucas Queiroga está de volta à tela da TV Globo. Na nova trama de Duca Rachid, Júlio Fischer e Elísio Lopes Jr., Lucas dá vida a Ciço, um sanfoneiro cheio de malandragem que promete ser o coração das festas locais.
Funcionário da fazenda do Coronel Casemiro (Cássio Gabus Mendes), Ciço não domina apenas o fole da sanfona, mas também a arte da persistência amorosa. Seu grande objetivo? Conquistar o coração de Mundica (Samantha Jones) e, finalmente, subir ao altar.
Para o ator, o personagem é um encontro com suas próprias raízes e ele não esconde a alegria de retornar ao gênero da "fábula nordestina" que tanto domina.
"Dar vida ao Ciço é como voltar para casa, mas com uma trilha sonora nova. Ele é a alma das festas, aquele cara que traz a alegria no som da sanfona e a sabedoria de quem conhece a terra. Estou feliz demais em emprestar minha veia do improviso para esse personagem que, além de músico, é um eterno apaixonado. O Ciço é um presente que une minhas grandes paixões: atuar e a música e a poesia que é ser nordestino".
Aos 35 anos, Lucas Queiroga é o que podemos chamar de artista completo. Além de marcar presença na teledramaturgia, ele brilha na música e na literatura. compositor de peso, já teve canções gravadas por nomes como Elba Ramalho e Juliette. Em sua discografia, conta com o álbum Lukete Me e o EP Visse & Verso. Nos palcos, roda o país com o show de poesia A Rima me Deu Rumo.
Com Ciço, Lucas reafirma seu lugar como um dos rostos mais autênticos da nova geração da TV brasileira, garantindo que o humor e a sensibilidade nordestina continuem brilhando no horário nobre.
A Rima Me Deu Rumo
Com o espetáculo “A Rima me Deu Rumo”, o artista transcende o status de "fenômeno do Instagram" (onde seu poema Pantim já ultrapassa 10 milhões de visualizações) para entregar uma performance visceral que mistura poesia falada, sanfona, percussão e uma boa dose de teatralidade.
Longe de ser um recital estático, o show é uma viagem sensorial. Lucas é acompanhado por dois destaques da música brasileira: Gledson Meira e Helinho Medeiros. Conhecidos por rodarem o mundo na banda de Chico César, os “doutores em música” criam a moldura sonora perfeita para que os versos de Lucas dancem entre o riso, a memória e a reflexão existencial. "É um espetáculo que brinca com ritmos e visita temas profundos com a leveza de quem conversa na calçada de casa", define o artista.
O roteiro é um passeio pela trajetória do ator, incluindo: “Pantim”, hit das redes sociais; "Tu soi", homenagem ao mestre Jessier Quirino, além de "Mascote" e "Prisão", que revelam a maturidade lírica do ator e poeta. A prova de que a rima realmente deu o rumo certo são os palcos por onde o projeto já passou.
Da reinauguração do histórico Theatro Santa Roza, em João Pessoa (PB), ao aclamado Festival de Inverno de Garanhuns, em Pernambuco, passando pela FLIFS (BA) e Fliparaíba (PB), Lucas prova que a poesia paraibana é pop, contemporânea e necessária.
Lucas é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ele fala de carreira, escolhas e atuais trabalhos e estreias.
O ator e músico Lucas Queiroga é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - Lucas, o Ciço chega com uma energia diferente dos seus papéis anteriores. Como você define a "malandragem" dele e o que o público pode esperar desse sanfoneiro?
LQ - A malandragem do Ciço vem da sobrevivência. É a maneira que ele tem de agir para se safar do que não gosta. Na minha interpretação, ele não gosta de cortar cana e de pegar no pesado, o interesse dele está na sanfona, é onde ele sorri, é quando ele encontra Mundica, por quem é apaixonado.
Ela, que tem essa atitude também de não aceitar o que foi imposto, de querer explorar o mundo. Acho que Ciço também tem isso e, na verdade, ele queria tocar sanfona e passear com Mundica.
CE - Quais características do Lucas você mais emprestou para o Ciço?
LQ - Eu acho que ser espirituoso, sou assim também. Eu empresto ao Ciço o meu estudo da linguagem do interior, nossas expressões, nossas gírias. Ciço, por trabalhar em um engenho e ser um homem de campo, cabe demais tudo isso e eu ando floreando os textos dele com coisinhas do tipo.
CE - Você sente que existe uma responsabilidade maior em representar o Nordeste sem cair em estereótipos?
LQ - Sim, existe essa responsabilidade de não cair em estereótipos ao mesmo tempo que a gente se enquadra nesse lugar, do personagem, por ser um nordestino do campo e tudo mais. Estou amando fazer o Ciço, amei fazer Mar do Sertão e No Rancho Fundo, com personagens que estão nesse lugar também. Existe uma responsabilidade quando a gente assume esses papéis, eu me sinto no conforto, no lugar certo.
Sim, eu posso fazer isso, eu consigo, eu tenho propriedade para isso. Mas também quero buscar outros caminhos, quero fazer um advogado, um médico que mora em São Paulo e é um grande profissional, sem a trama precisar explicar como ele chegou até ali. Sim, quero fazer um bandido, quero desafios onde a minha linguagem, meu sotaque esteja ali, sem ser nesse lugar do homem do campo. Poder retratar o Nordeste das diversas formas que ele é.
CE - Desta vez, o foco sai um pouco do repente e vai para a sanfona. Como foi sua preparação técnica para passar essa verdade de um músico de fazenda no vídeo?
LQ - Caramba, a sanfona foi um grande desafio! Eu nunca tinha tocado sanfona na vida e é um avião. São três instrumentos em um: um fole, um piano e um baixo. Os três ao mesmo tempo. É como acelerar, pisar na embreagem e passar a marcha.
No começo foi muito difícil, mas eu vejo essa evolução como um grande presente que o personagem me deu e eu tenho melhorado, tenho gravado cenas com a sanfona, gravando no orgânico mesmo e estou muito feliz por ter aceitado esse desafio, assustador a princípio, mas que estou aprendendo. Eu toco sanfona todos os dias, para que Ciço tenha uma familiaridade maior com esse instrumento. Até o final da novela, vou estar fazendo meus forrós por aí.
CE - Trabalhar com nomes como Cássio Gabus Mendes e sob o texto de Duca Rachid é um peso enorme.
LQ - Como é a troca de experiências nos bastidores da fazenda do Coronel Casemiro?
É uma grande responsabilidade está ao lado de Cássio Gabus, em texto de Duca e ao lado de grandes atores e atrizes. Na preparação da novela, olhei ao redor e me assustei com o tanto de gente incrível que tinha ali, lembro que pensei: caramba, olha onde você está, você vai aprender muito nessa novela, ao redor dessas pessoas incríveis.
E é exatamente isso que tem acontecido, eu tenho aprendido, estou sempre atento e observando essas pessoas em cena, é um grande presente. Eu tenho contracenado muito com Cyria Coentro, que é uma rainha do que faz. Com Samantha Jones, que também é uma atriz incrível, espirituosa, de expressões espontâneas e jogar com ela está muito gostoso e vai dar muito caldo. Estou muito feliz com isso.
O ator e músico Lucas Queiroga é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Sergio Baia - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia VianaCE - O improviso é uma marca registrada do seu trabalho na poesia. Você tem liberdade para improvisar falas nos roteiros de A Nobreza do Amor?
LQ - Os textos são maravilhosos, não precisa a gente inventar. Porém, eu sou do improviso, eu carrego esse estudo e essa bandeira da nossa linguagem, do nosso sotaque, através da poesia que eu faço em paralelo à novela.
Então, sim, vou floreando algumas falas, colocando expressões, colocando alguma sacada, alguma piadinha, sem fugir da intenção do texto que é maravilhosa, mas eu tenho feito isso e estou recebendo esse abraço de toda a equipe.
CE - Aos 35 anos, você é visto como um artista completo (música, literatura, TV). Em qual dessas frentes você se sente mais vulnerável e qual é o seu "porto seguro"?
LQ - Eu me sinto vulnerável em todas as frentes. Na música, na poesia e na atuação, porque respeito muito esses lugares e esse sentimento não é me colocando para baixo e sim dentro do respeito e no interesse, na vontade de melhorar sempre, a todo momento. Ganhar mais experiência, crescer com tudo isso para que eu possa oferecer mais em todas essas frentes.
Receber um título de poeta é uma coisa que eu respeito muito. O músico, o compositor, respeito muito. O ofício de ator, respeito muito. Então, estou dentro desse cercado, desses três caminhos, com muito respeito e com muita vontade de ser melhor a cada dia e explorar o melhor de mim.
CE - Depois de Mar do Sertão e No Rancho Fundo, o público desenvolveu um carinho muito grande por você. Como lida com esse assédio nas redes sociais e nas ruas?
LQ - É uma alegria muito grande quando me deparo com mensagens de carinho, quando alguém me reconhece na rua e fala sobre o trabalho desenvolvido. Lava a alma, sabe? É muito gratificante ouvir a pessoa dizendo como aquilo chegou nela, como bateu, como contagiou, o que gerou de emoção. Eu me interesso muito em saber disso e fico muito feliz.
Esse carinho é um pontapé, um empurrão. Mostra que o que eu faço interessa, contagia, tem função, tem fundamento. O artista precisa disso, ainda mais quando se carrega esse respeito a todo momento. Então, é um combustível, é uma lenha que se coloca e eu adoro esse carinho, sou muito feliz por esse trajeto, reflete o que conquistei até o momento.
Para quem era engenheiro ambiental e largou tudo para ser artista, com 28 anos, isso importa muito. O meu ofício, a minha função é em prol da sociedade e a comunicação com ela muito me interessa.


