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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Rui Ricardo Diaz destaque na série "Impuros"

"Podem pensar que "Impuros" é uma série sobre o combate ao tráfico somente. Mas, para mim, ela é uma série, sobretudo, de personagens muito fortes".

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Rui Ricardo Diaz atravessa um dos momentos mais prolíficos da carreira em 2026. Presente em três produções que chegam ao público nos próximos meses, ele se divide entre o cinema e a televisão em personagens que transitam por universos distintos – da criminalidade do Rio de Janeiro ao narcotráfico no Pará.

Nos cinemas, Rui integra o elenco de dois longas que chegam em breve. Um dos destaques é “Cinco Tipos de Medo”, dirigido por Bruno Bini, no qual o ator assume um dos papéis centrais da trama.

O filme, vencedor de quatro Kikitos no Festival de Gramado — incluindo Melhor Filme —, acompanha a história de uma comunidade da periferia de Cuiabá que se mobiliza para libertar um líder local (Xamã), considerado peça-chave para manter a segurança do bairro. A produção estreou nos cinemas no dia 2 de abril.

Ainda nas telonas, Rui também está no elenco de “Rio de Sangue”, thriller amazônico dirigido por Gustavo Bonafé, que chega aos cinemas em 16 de abril. Ambientado no Pará, o filme aposta em uma narrativa de ação e suspense sobre narcotráfico. A produção é estrelada por Giovanna Antonelli e Alice Wegmann e conta ainda com nomes como Felipe Simas, Antônio Calloni e Ravel Andrade no elenco.

Na televisão, o ator retorna como um dos protagonistas da sexta temporada de “Impuros”, uma das séries brasileiras de maior repercussão internacional, que estreia em 1º de maio de 2026.

Com uma carreira marcada por escolhas intensas e personagens complexos, Rui Ricardo Diaz vem consolidando sua presença em produções de destaque.

No cinema, protagonizou títulos como “Aos Ventos Que Virão” e interpretou Luiz Inácio Lula da Silva em “Lula, o Filho do Brasil”, papel que lhe rendeu indicação a melhor ator pela ACIE. Também esteve em filmes como “De Menor”, premiado no Festival do Rio, e “A Floresta Que Se Move”.

Recentemente, o ator expandiu sua atuação para o mercado internacional com o filme “Anaconda”, lançado mundialmente no fim de 2025, ao lado de nomes como Jack Black, Paul Rudd e Selton Mello. E, neste ano, começou a filmar o longa “Amalia y El Diablo”, dirigido por Rodrigo Spagnuolo – uma coprodução de Espanha, Argentina, Uruguai e Brasil.

Na televisão e no streaming, Rui construiu uma trajetória consistente em produções como “Amar é Para os Fortes”, “Notícias Populares”, “Pedaço de Mim”, além de séries como “Sentença”, “Segunda Chamada” e “Irmãos Freitas”.

Com formação em teatro pela PUC-SP e especialização em mímica corporal em Londres, o ator também mantém uma forte ligação com os palcos, onde desenvolveu trabalhos autorais e adaptações, como o solo “A Hora e Vez”, elogiado pela crítica por sua abordagem poética da obra de Guimarães Rosa.

Rui é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ao fala sua carreira, estreias e também do sucesso de Impuros e Rio de Sangue.

O ator Rui Ricardo Diaz é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você faz parte do elenco do premiado filme “Cinco Tipos de Medo”. Conte mais sobre esse projeto.
RR -
 “Cinco Tipos de Medo” é um filme sobre justiça. São cinco personagens, figuras comuns do nosso dia a dia, onde suas vidas se entrecruzam por um fato trágico. E aí eles decidem fazer justiça com as próprias mãos. Todos eles vão ter que lidar com muitos dilemas, e um desses dilemas é a questão moral.

A moral que cada um carrega vai ser colocada em xeque em função da tragédia que envolve os cinco personagens. E o Ivan, meu personagem, lida com essa moralidade o tempo todo, ele é advogado. Construir isso é muito prazeroso porque são personagens complexos e profundos, características inerentes ao ser humano.

Quando o roteirista consegue trazer isso para o papel, ele joga para os atores a responsabilidade de construir e dar essa dimensão plural para o personagem, o que é o trabalho mais legal para qualquer ator. Tivemos uma preparação longa e para nós todos foi um prazer contar essas histórias.

CE - E sobre “Rio de Sangue”, o que pode destacar?
RR -
 "Rio de Sangue” trata de uma questão muito importante e atual do nosso país, que é a questão da preservação das terras e da cultura dos povos originários. E eu tenho o privilégio de interpretar o Edenir, um indigenista que dedicou a sua vida — mudou de lugar, de Estado — para trabalhar na preservação das terras, da cultura desses povos.

Obviamente ele vai enfrentar ali um ambiente de garimpo ilegal, fazendeiros, que o veem como um inimigo. Esse personagem é a mola propulsora dentro do filme, pois é ele que promove o ato que vai escorrer no conflito central da trama. Então, é maravilhoso. Personagem bastante forte, contundente e contemporâneo.

CE - “Impuros” estreou sua sexta temporada, com uma sétima temporada já sendo gravada. Para você, o que explica o sucesso - nacional e internacional - dessa produção?
RR -
 Sempre que a gente se encontra — os atores, os produtores, os roteiristas, os diretores —, a gente discute como a série se tornou esse sucesso de público. Acho que, no audiovisual, não existe uma fórmula. Mas podemos pensar em pistas que explicam esse sucesso.

Podem pensar que “Impuros” é uma série sobre o combate ao tráfico somente. Mas, para mim, ela é uma série, sobretudo, de personagens muito fortes. Uma série que retrata figuras que estão à margem e que tem dificuldade de lidar com quem eles são essencialmente, o que dificulta a relação deles com suas esposas, seus maridos, seus filhos e etc.

A cada temporada, vamos nos aprofundando mais nesses dramas familiares dos personagens. Acho que isso cria uma conexão muito forte com o espectador, porque são figuras muito humanos. Não existe um maniqueísmo em “Impuros”, não tem o que é o bom, o que é o herói, o que é o bandido, está tudo misturado.

CE - Esse é um personagem que você interpreta já há alguns anos. Como é se relacionar com um mesmo papel há tanto tempo? 
RR -
 É um privilégio dar vida a um personagem tão profundo e complexo como o Vítor Morello por tantos anos. Creio que já são mais sete anos, uma das séries mais duradouras do Brasil. É um presente poder, anualmente, reencontrar-me com esse personagem, um dos protagonistas da série, e com seus inúmeros dilemas e dramas.

Construir um personagem ao longo dos anos é como participar de um projeto contínuo, semelhante ao filme “Boyhood" do diretor Richard Linklater. É um processo fascinante, pois o personagem amadurece, ganha novas camadas e envelhece, assim como eu que o interpreto. A cada ano, descubro novas nuances em mim e as empresto ao personagem. O tempo é um aliado fundamental na construção e criação do Morello.

CE - O que há em comum entre esses seus “novos” trabalhos é que todos carregam muita tensão e violência. Parece que há uma tendência a escalarem você para esse tipo de papel. O que acha disso?
RR -
 De fato, os personagens Vitor Morello, da série "Impuros", Edenir, do filme "Rio de Sangue", e Ivan, de "Os Cinco Tipos de Medo", são confrontados com a violência em suas histórias. Acredito que o audiovisual brasileiro, como qualquer arte, demonstra atenção às questões urgentes do mundo contemporâneo.

E a violência, infelizmente, é um tema recorrente, especialmente em um cenário global marcado por tantos conflitos. Essas três obras ilustram essa realidade, mostrando personagens diversos que enfrentam a violência em suas múltiplas facetas locais, de diferentes perspectivas e com características próprias.

O ator Rui Ricardo Diaz é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Helena Barreto - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você esteve recentemente em Anaconda. Como foi estar em uma superprodução como essa, ao lado de grandes astros? Onde foi filmado? Como era o clima das filmagens?
RR -
 “Anaconda” é filme dirigido por Tom Gormican. Ele também dirigiu "O Peso do Talento", estrelado por Nicolas Cage e Pedro Pascal, onde Cage interpreta a si mesmo, numa metalinguagem excepcional. E o Gormican traz isso da metalinguagem também para “Anaconda”. 

É uma mega produção. Estar em um set com uma infraestrutura grandiosa, de Hollywood, com diálogos em inglês e português, foi uma experiência fantástica. As filmagens ocorreram na Austrália por quase quatro meses e o clima era ótimo.

O Jack Black é um cara fascinante, um ator muito querido. Paul Rudd também. O elenco todo.  Então, foi um clima muito legal, não só nas filmagens, mas no backstage, no dia a dia, enfim, nos passeios, nos jantares. Foi um momento muito, muito legal, de uma troca muito especial e única na minha carreira.

CE - Atualmente, você está filmando “Amalia y El Diablo”, que é todo em espanhol. Como está sendo essa experiência?
RR -
 Eu acabei de voltar da viagem de “Amalia y El Diablo”. Depois desses quatro meses na Austrália filmando “Anaconda”, fui para o Uruguai rodar essa coprodução Argentina, Espanha, Brasil e Uruguai. E acho que é uma quebra de paradigma.

Porque a gente tem cultuado a ideia de que é difícil esse intercâmbio entre países da América Latina em função da língua, e eu acho que a gente tem que fazer mais isso. Esse era um desejo meu e foi uma experiência incrível.

Estávamos uma pequena Torre de Babel latina, com atores espanhóis, argentinos, uruguaios, brasileiros e a gente se entendendo super bem. É um filme bastante forte, introspectivo, com personagens muito densos, e que se passa no século XIX.

CE - O que te motiva quando escolhe um personagem?
RR -
 O que mais me motiva é justamente a complexidade humana do personagem. Gosto de personagens que me desafiem, que tenham muitas camadas, contradições, conflitos interno, que nos coloquem pra refletir.

Como disse, acho interessante quando o personagem não é nem “bom”, nem “mau”, mas alguém atravessado por dilemas morais, emocionais e sociais. Me atraem projetos que tenham histórias fortes pra contar, que tratem do nosso tempo, das relações humanas, que tratem do mundo que estamos vivendo.

No fim, o que me move é a possibilidade de mergulhar em universos diferentes e construir personagens que sejam sensíveis, divertidos e profundos. Está tudo ligado. São camadas.. e meu trabalho é preenche-las. 

CE - Tem algum papel que você ainda sonha em fazer?
RR -
 Ah, eu acho que um personagem Shakespeareano, um Hamlet, um Ricardo III, eu adoraria. São figuras muito complexas, né? Esses personagens são sensacionais e para qualquer ator é um presente, eu adoraria.

CE - Quais são os próximos planos?
RR - 
Atualmente, estou rodando a sétima temporada de "Impuros", que deve estrear ano que vem. Recentemente terminei de gravar em uma série da Netflix, sob a direção de Mauro Mendonça, com José de Abreu, Luciana Paes, Marieta Severo, Alice Wegmann, Nanda Costa e tantos atores queridos.

A data de lançamento dessa série ainda não está definida. Além de “Amalia y El Diablo”, tem a estreia de "Makunaima XXI", dirigida por Filipe Bragança, uma adaptação contemporânea da obra de Mário de Andrade, também com previsão para final desse ano ou início do próximo.

 

Diálogo

Pelo andar da carruagem, a Justiça Eleitoral terá trabalho redobrado nas... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta quarta-feira (5)

05/08/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Isabel Allende - escritora chilena

"A vida é puro ruído entre dois silêncios abismais. Silêncio antes de nascer, silêncio após a morte”.

FELPUDA 

Pelo andar da carruagem, a Justiça Eleitoral terá trabalho redobrado nas próximas eleições. Adversários estarão de olho em cada movimento dos concorrentes, munidos de binóculos de alta precisão. Qualquer detalhe poderá ganhar dimensão de denúncia, dependendo do olhar de quem estiver do outro lado. E a ironia corrre solta. Tipo: Atenção! Bebeu água gelada e deu mau exemplo, afetando a garganta dos idosos? Na disputa eleitoral, até o que parece irrelevante começa a ganhar importância. E desse jeito, logo vão precisar fiscalizar até quem espirrou fora de hora. Afe!

Diálogo

Unha e dedo

Os adversários do PT estão se divertindo com a aproximação entre Fábio Trad e Zeca do PT, principalmente porque a memória política tem dessas coisas: não costuma respeitar alianças de ocasião. Foi Trad quem ajudou  a derrubar a aposentadoria para ex-governadores.

Mais

A medida atingiu diretamente Zeca, que na época não economizou nos adjetivos contra, digamos, o seu algoz. Hoje, porém, os dois aparecem lado a lado. O tempo cura feridas, dizem. Em ano eleitoral, parece que também fornece esparadrapo, porque os dois estão grudados que só.

Diálogo Gleda Brandão Martins de Araújo, que comemora idade nova hoje - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoBarbara Guedes Nespoli - Foto: Arquivo Pessoal

Quem te viu...

Com as chapas definidas, algumas candidaturas chamam mais atenção que outras. Uma delas pertence à quem, tempos atrás, distribuiu críticas aos deputados com mais de 60 anos e chegou a dizer que a Assembleia não era “casa de repouso”. Agora, disputa vaga na Câmara Federal por um partido que abriga alguns dos veteranos que eram alvos de suas alfinetadas. Desde então, o discurso sobre renovação entrou em discreto silêncio. 

Realidade

O recuo de Nelson Trad Filho também enterrou o plano do MDB de indicar o ex-ministro Marun para a suplência ao Senado. Sem espaço na chapa majoritária, o partido oficializou apoio à reeleição do governador Riedel e voltou suas atenções para a eleição de deputados estaduais. Lideranças admitem que o cenário para a Câmara Federal é pouco favorável. O contraste evidencia a perda de protagonismo de um partido que já foi uma das maiores forças políticas de MS.

Confirmadas

O Republicanos homologou o nome do vice-governador Barbosinha para disputar a reeleição na chapa de Eduardo Riedel. A decisão confirma cenário antecipado pelo Correio do Estado ainda em julho de 2025, quando a permanência do vice na chapa já era tratada como provável. Na mesma reportagem, também foram apontadas a saída de Reinaldo Azambuja do PSDB para o PL e a reorganização do grupo governista. As previsões acabaram se confirmando um ano depois. Como se vê...

ANIVERSARIANTE 

  • Gleda Brandão Martins de Araujo, 
  • Joana Carvalho, 
  • Guilherme Ferreira de Brito,
  • Solange Regis Wanderley, 
  • Luciana Rodrigues, 
  • Cristiane Ramos Rodrigues Palacios, 
  • Conceição Nogueira Silva, 
  • Robson Jara Ottano,
  • Elbio Afonso Meneghel,
  • Fatima Regina Silva Correa,
  • Irene Corrêa Nogueira Marques Machado,
  • Jorge Massamori Miura,
  • Marco Antônio Casadei,
  • Pedro Isao Costa Muta,
  • Magnólia D’ Mó Domelles Bordignon Tokikawa,
  • Cleunir Tadeu Florêncio,
  • Juvenal Valentim,
  • Leonardo Planez Diniz,
  • Gilberto Emanoel da Silva,
  • Sílvio Colombelli,
  • Lídio Nogueira Lopes, 
  • Diva Maria Atallah, 
  • Wellighton Fernandes Varela,
  • Gervasio Tadashi Karimata,
  • Marlene Vicente da Silva,
  • Wesley Neres da Silva Campos,
  • William Rodrigo Rechimbach Paim,
  • Lucia Cristina Morel Fai,
  • Eliane Teixeira de Almeida,
  • Matheus Martelli, 
  • Zany Pereira de Castilho,
  • Eduardo Crivellente Neto, 
  • Mirna Sandra Di Giacomo Adri, 
  • José Carlos Manhabusco, 
  • Alvaro Coelho de Paula, 
  • Fauze Antônio Moaccar Orro,  
  • Aparecida Borgo,
  • Leila Mansur Saad,
  • Ésio Vicente de Matos, 
  • Gilson Alves de Souza,
  • Jéssica Monteiro Ferzeli, 
  • Zenilda dos Santos Alcântara,
  • Loacir da Silva,
  • Marcelo Câmara Rasslan, 
  • Dr. Leandro Pedro de Melo,  
  • Dra. Livia Maria de Souza,
  • Ruth dos Santos Pires,
  • Dr. Roberto Tambelini, 
  • Tomaz Soares Aragão,
  • Eluanyr de Lara e Souza,
  • Sandra de Abreu Marques,
  • Adélia Paredes Pacheco,
  • Tânia Maria Albuquerque,
  • Arituza Corrêa Alvarenga,
  • Wolmer Tardin Filho,
  • Iracema Amâncio Bezerra,
  • Edimilson Malangoli,
  • Luciene Estevão de Andrade,
  • José Franzini,
  • Sonia Maria de Andrade,
  • Ítalo Borges,
  • Aparício Rodrigues de Almeida Junior,
  • Renato de Souza Coelho,
  • Dr. Onofre Cândido Rosa, 
  • César Antonio Guazzelli,
  • Daniela Vieira Perez, 
  • Dra. Emmanuella Nunes da Costa,
  • Maria Helena Charbel, 
  • Telmo Verão Farias,
  • Cândido Ottoni,
  • Jeferson dos Santos Souza,
  • Celeido Carlos Vargas,
  • Celsomilio dos Reis Fraga,
  • Maria Rita Ferreira de Almeida,
  • Vicente Custódio da Silva,
  • Idaici Simão Kehdy Nascimento,
  • Maria Cleide Espíndola da Cunha,
  • Lorena Assis,
  • Maria José Carvalho,
  • Paula Rodrigues Lima,
  • Rosa Maria Vieira,
  • Meire Oliveira Bandeira, 
  • Eliane Cristina Junqueira Nelli,
  • Anderson Barbosa Passos,
  • Débora Maciel,
  • Osvaldo Consalter,
  • Marcelo Crepaldi Dias Barreira,
  • Soraya de Oliveira da Costa,
  • Dr. Alberto Kenzi Arakaki, 
  • José Benedito Martins,
  • Eda Maria Furlani Piedade,
  • Sandra Câmara Martins e Souza,
  • Magno Pereira Ozório,
  • Antonio dos Santos de Almeida Filho,
  • Vanessa Fuchs Loureiro,
  • Fábio Santos Ascenço,   
  • Erik Nascimento Sativa,
  • Marcio Kalat Mayer,
  • Eneida de Araujo Schneider,
  • Teresinha Roseli Borelli 
  • Del Guerra,
  • Marcos Andre Egami,
  • Karen Miriam Ide,
  • Eder Marcelo Mochiuti,
  • Luiz Felipe Viegas Josgrilbert,
  • Viviane Sayuri Ogura Arashiro,
  • Ana Carolina Fregonese Barros.

Colaborou com Tatyane Gameiro. 

crônica

Todo mundo sabe...

04/08/2026 09h15

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Sabe o que exatamente o que você deveria fazer, o que deveria pensar, como deveria reagir, que remédio tomar, que caminho seguir, onde errou e, naturalmente, como consertar a própria vida. Tudo isso antes mesmo de você terminar a primeira frase.

Ainda outro dia comecei a comentar porque prefiro viajar de um determinado jeito. Não consegui chegar ao ponto principal. Vieram logo as explicações, os conselhos e as soluções. “Você precisa relaxar.” “Está complicando demais.” “Faz assim que dá certo.”

Ninguém perguntou por que eu pensava daquela forma.

Tenho a impressão de que estamos vivendo a era dos especialistas em tudo. Há quem saiba como você deve educar os filhos, cuidar da saúde, administrar o dinheiro, enfrentar um luto, escolher um restaurante, votar, viajar e até envelhecer. Tudo em poucos segundos e sem fazer uma única pergunta.

A internet, claro, ampliou esse fenômeno. Antes, o palpiteiro de plantão ficava restrito à mesa do bar ou ao almoço de domingo. Hoje ganhou plateia, seguidores e algoritmos. Nunca foi tão fácil distribuir opiniões. Nunca foi tão difícil encontrar alguém disposto a ouvir.

O filósofo francês Michel de Montaigne escreveu que “a palavra é metade de quem fala e metade de quem ouve”. Fico pensando se não estamos perdendo justamente essa segunda metade. Já não escutamos para compreender. Escutamos apenas o suficiente para formular uma resposta.

No outro extremo estão os eternamente ofendidos. Uma opinião diferente, uma frase mal colocada, uma brincadeira que não agrada e instala-se o tribunal. Discordar virou ofensa. Contradizer passou a ser falta de respeito. Parece que desaprendemos uma das habilidades mais importantes da convivência: aceitar que o outro pense diferente de nós.

Confesso que percebo esse comportamento com mais frequência desde que entrei na terceira idade. Parece que os cabelos brancos conferem aos outros uma curiosa autoridade para nos explicar a vida. Não é exatamente desrespeito. É uma condescendência apressada, como se experiência tivesse prazo de validade. Como se envelhecer apagasse tudo o que aprendemos pelo caminho.

Curiosamente, quando eu era mais jovem, gostava de ouvir as pessoas mais velhas. Nem sempre concordava, mas havia uma curiosidade sincera sobre o que elas tinham vivido. Hoje tenho a impressão de que muita gente prefere ensinar a aprender.

Talvez o filósofo estoico Epicteto tivesse razão ao lembrar que temos dois ouvidos e apenas uma boca. A natureza parecia saber alguma coisa que nós esquecemos. E talvez seja esse o verdadeiro problema do nosso tempo. 

Não é que todo mundo fale demais. Como lembrava Rubem Alves em seus escritos sobre a arte de escutar, o grande problema é que muita gente não ouve para compreender; apenas espera a vez de falar. 

É que todo mundo já sabe.
 

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