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COVID-19

Esforço marca isolamento de famílias com autistas

Mesmo com o estresse causado pela mudança na rotina, famílias com autistas se esforçam e respeitam o isolamento social
06/04/2020 07:00 - Naiane Mesquita


 

Enquanto para alguns permanecer em casa por causa do isolamento social parece uma ideia absurda, muitas famílias se esforçam para cumprir as orientações do Ministério da Saúde, mesmo com crianças e adolescentes que sofrem extremamente com mudanças de rotina.  

Rosimeire da Silva, mãe dos adolescentes Mateus e Tiago, 13 anos, diagnosticados com autismo, evita ao máximo sair de casa desde que o isolamento social foi indicado. Hiperativos, os dois sofreram com as alterações na rotina – desde a paralisação das aulas até a presença do irmão mais velho em casa. “Meu marido é enfermeiro no Hospital Universitário, então, pela manhã está em casa. Nós nos dividimos. Eu faço atividades acadêmicas, terapêuticas e joguinhos com eles, para ocuparmos a manhã, enquanto meu marido faz o almoço”, explica Meire.  

Desde o ano passado, Meire tem um espaço de acolhimento para autistas (em reforma para adequações). Para distrair os meninos, ela vai todas as tardes até o local, que antes era reservado para os fins de semana. “Lá no espaço tem o parque, o balanço, a caixa de areia e a cama elástica. Meu marido dorme no período da tarde para trabalhar à noite, e eu os levo. É uma dedicação bem grande mesmo, para conseguir que eles superem esse tempo sem muito estresse e sem muitas sensações ruins para os dois”, aponta.

Na hora de distrair os meninos, a tecnologia ajuda. “Eles têm aquele skate elétrico, que eu disponibilizo bastante na área da minha casa. Deixo ligarem o computador, o celular. Mas, mesmo assim, chega uma hora em que eles querem sair, sentem a dificuldade de permanecer só dentro de casa”, frisa.

Quando os adolescentes ficam muito ansiosos, o jeito é dar uma volta de carro. “Saímos com eles no carro para dar uma volta, mas ninguém desce. Damos um passeio por onde eles mais gostam de sair, mostramos que o lugar está fechado ou que o supermercado está cheio. Os dois conseguem compreender e vamos embora. Esse é o único passeio que eles fazem”, frisa.

A rotina é um dos pontos mais importantes dos autistas, eles não gostam de mudanças, mesmo as pequenas. “Meu filho mais velho parou de ir para a faculdade e foi dispensado do trabalho por 15 dias. Só de ele ficar em casa, o Mateus e o Tiago ficaram nervosos. Simplesmente porque ele estava em casa, e não era para estar, não era o momento, a rotina familiar mudou. Mesmo gostando do irmão, isso atinge e causa muito sofrimento para eles”, indica.  

A confeiteira autônoma Helenice Duarte, mãe de Pedro Henrique Duarte Furtado, 10 anos, sentiu o baque da falta de rotina no cotidiano do filho, diagnosticado com autismo severo. “Foi um tanto difícil. A maioria dos autistas precisa de rotinas. Eles se equilibram com as rotinas e quando elas são quebradas ou interrompidas eles se desestabilizam. É necessário que a família os tire do foco, ofertem outras coisas para que eles se concentrem e estabilizem”, esclarece.  

Pedro é um desses garotos cheios de vida que adoram bater perna e aproveitar a escola. “Ele gosta de ir à escola, de ir à casa dos avós, sair aos sábados à tarde. Essa era uma rotina nossa, então essa mudança de hábito, de rotina, alterou, sim, o comportamento. Inicialmente ele se mostrou ansioso. Demonstrou desejo de ir para aula  – quando chegava o horário costumeiro dele ir para escola, ele pegava a mochila e enchia a garrafa dele com água”, explica.  

Helenice acredita que tudo em excesso cansa, não só para os autistas. Porém, mesmo com a dificuldade dos últimos dias, ela se mantém em casa, com o isolamento social recomendado para frear a transmissão do coronavírus. “Todos os dias exigem de nós uma criatividade a mais para não deixarmos os dias enfadonhos e cansativos. Por exemplo, em um determinado horário do dia ele sai com o pai para dar uma voltinha, volta mesmo, sem descer do carro, para distrair um pouco e dar a sensação de que passeou”, indica.

Pedro conta com o companheirismo da irmã, Ana Paula. “A rotina de Pedro Henrique está assim, pela manhã, ele assiste alguns desenhos pelo tablet revezando com o celular do pai. Após o almoço, no qual estaria na escola, pois estuda no período vespertino, nós fazemos atividades com ele: usamos papel, canetinhas, trabalhamos com desenhos dando-lhes nomes e praticamos a escrita. Depois a maninha pula um pouco na cama elástica com ele e finaliza o dia, ora usando computador, ora usando o tablet”, conta.  

Sempre sobra um tempo para o banho de mangueira e uma ajuda extra nas atividades domésticas. “Eu lavo a louça e ele a enxágua, eu seco e ele guarda”, diz. 

Felpuda


Devidamente identificadas as figurinhas que agiram “na sombra” em clara tentativa de prejudicar cabeça coroada. Neste segundo semestre, os primeiros sinais começarão a ser notados como reação e “troco” de quem foi atingido. Nos bastidores, o que se ouve é que haverá choro e ranger de dentes e que quem pretendia avançar encontrará tantos, mas tantos empecilhos, que recuar será sua única opção na jornada política. Como diz o dito popular: “Quem muito quer...”.