“Feriadão, aí vou eu!”. Muitos devem estar neste clima. Como a próxima terça-feira é Dia de Finados, enforcar a segunda é opção de alguns, tornando o período propício para descansar ou acompanhar novidades culturais. Não pode ser esquecido: a época também serve para entrar em contato com obras relegadas a segundo plano por causa da correria diária. A seguir, um guia para quem quer aproveitar bem o tempo.
Na área cinematográfica, as novidades nas salas de exibição da Capital são boas opções. O cinema nacional continua em alta depois do sucesso de “Tropa de elite 2” e “Nosso lar”. Duas novidades chegam buscando a atenção dos espectadores. O primeiro marca a volta do cineasta Arnaldo Jabor depois de 20 anos afastado da direção – ele fez um especial para a TV francesa no início da década de 1990.
As novas gerações somente o conhecem como comentarista de televisão, colunista de jornal e não tiveram contato com o realizador surgido a reboque do Cinema Novo e que concebeu obras significativas como “Toda nudez será castigada”, “Eu te amo” e “Eu sei que vou te amar”, que possibilitou a Fernanda Torres ganhar o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, em 1986.
A volta do diretor acontece com “A suprema felicidade”. O roteiro recorre à memória do cineasta para recriar o Rio de Janeiro do final dos anos 40, boa parte dos 50 e o início dos 60. Numa espécie de “Amarcord” carioca – referência ao filme de Fellini que mostra situações de pessoas comuns da Itália pré-fascista. Segundo o diretor, muitos elementos são biográficos. Na trama, um jovem percebe a crise no casamento dos pais, inicia-se sexualmente e percebe as contradições dos períodos que viveu. O filme dividiu opiniões quando apresentado pela primeira vez no Festival de Cinema do Rio de Janeiro. No papel principal foi escalado o ator Jayme Matarazzo, conhecido do grande público pela atuação na novela “Escritos nas estrelas”.
Infantil
A outra novidade do cinema brasileiro aposta em gênero que tinha público garantido no passado com os filmes dos Trapalhões, mas que hoje não tem um substituto à altura.
Trata-se do segmento infantojuvenil. A aposta atual é uma produção elogiada nos locais onde foi exibido. “Eu e meu guarda-chuva”, de Tony Vanzolini, é baseado em livro do músico Branco Mello e do ator Hugo Passolo. O filme conta a saga de um grupo de amigos que tem um guarda-chuva mágico. Filmado em São Paulo, Suécia e República Tcheca, a produção conta com Daniel Dantas, Leandro Hassum e Arnaldo Antunes no elenco.
Saindo das produções nacionais, também aparece para o público infantojuvenil “Garfield 3D – um super-herói animal”, que marca o retorno do personagem dos quadrinhos às telas grandes. Desta vez, o gato mais preguiçoso do mundo precisa ajudar a salvar o planeta.
Fechando as estreias, aparecem “As múmias do faraó”, do francês Luc Besson, conhecido por produções de sucesso como “Quinto elemento” e “Joana D’arc”. Agora, ele ataca de aventura que mistura maldição de antigos habitantes do Egito, animal pré-histórico, suspense e tensão. A trama destaca uma destemida repórter que precisa encontrar um medicamento que possa salvar o irmão doente. Para obter a fórmula, precisará enfrentar terríveis inimigos no Egito e na França.
Livro
Sem muita pressa, possibilidade que surge no período do feriado é conhecer um clássico da literatura americana da década de 1970, que reaparece em edição caprichada da Geração Editorial. Trata-se de “A escolha de sofia”, de William Styron (1925/2006). Muitos conhecem a trama por causa da versão cinematográfica feita pelo cineasta Alan J. Pakula, que deu o Oscar de Melhor Atriz, em 1983, a Meryl Streep.
A trama se desenvolve a partir da tragédia enfrentada pela polonesa Sofia, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz. Ela precisou fazer uma escolha que marcou para sempre sua vida. Longe do campo, nos Estados Unidos, passa a se relacionar com dois americanos. Mas as lembranças do passado sempre a acompanham.
Com 3 milhões de exemplares vendidos e considerado pela crítica um dos romances mais polêmicos depois da Segunda Guerra Mundial, o livro mostra o domínio da narrativa feito pelo autor e apresentado de forma direta, tornando a leitura acessível. Ao mesmo tempo, a trama apresenta discussão filosófica sobre a natureza do mal, a partir das ideias de Simone Weil – filósofa francesa que lutou na Guerra Civil Espanhola e na II Guerra Mundial – e da pensadora judia de origem alemã Hannah Arendt.
Dico
Se há alguém que teve uma trajetória espetacular dentro da história do pop é o inglês Phil Collins. De baterista de uma banda ícone do rock progressivo a rei das FMs e, atualmente, programas de flashback, o cara marcou época, seja por sua técnica nas baquetas, seja por seu arsenal de belas melodias. O feriadão é o momento certo para conhecer o novo álbum, “Going back”. Longe das canções inéditas, preferiu registrar aquelas que marcaram sua adolescência.
No caso, a atenção recaiu sobre o acervo da fundamental gravadora americana Motown, aquela que estabeleceu o padrão musical da música black nos anos 60 e 70. No repertório canções como “Girl (why you wanna make me blue)”, “Some of your lovin’”,
“Papa was a rolling stone”, “Standing in the shadows Of love”, “Love is here and now you’re gone”, “Going to a go-Go”, entre outros. Para saudosistas e novatos do pop bem feito.


