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ARTES CÊNICAS

Grávida de sete meses, Liz Nátali Sória fala sobre experiência de encenar espetáculo

"Aquele, Aquela, Menos Ela", hoje, às 14h, no Teatro Aracy Balabanian; para psicóloga, maternidade é o conjunto de enfrentamentos e "vitórias maravilhosas"

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Quando estreou “Aquele, Aquela, Menos Ela”, que também traz sua assinatura na dramaturgia e na direção, a atriz Liz Nátali Sória era mãe de um menino de mais ou menos um ano.

A primeira encenação da peça foi em setembro do ano passado, apresentando a Campo Grande um dos espetáculos mais estimulantes da temporada.

Sozinha em cena durante os 50 minutos da montagem – ou acompanhada de quem está na plateia, como ela mesmo gosta de dizer –, Liz se move de um jeito irrequieto, firme e dócil a um só tempo, para apresentar diferentes fases e experiências da infância e da vida adulta sob a condução da personagem.

Ela, um avatar dos sabores, das dúvidas e dos desafios, na vida real, tem tudo a ver com os aprendizados naturais do crescimento e da afirmação do indivíduo. E tudo isso sob o acompanhamento musical de Vitor Zan.

O arranjador e sonoplasta preparou uma canção para cada momento do espetáculo, um infanto-juvenil para todas as idades, fazendo da música uma parte substantiva do que se acompanha no palco. A equipe envolvida ainda traz Cris Lima e Pedro Paes (cenário e figurino), Maria Chiang (arte gráfica) e Luciana de Bem (acompanhamento artístico).

Após algumas poucas apresentações desde sua estreia, “Aquele, Aquela, Menos Ela” – com todo o seu existencialismo pontuado com muito humor – pode ser vista novamente hoje, às 14h, no Teatro Aracy Balabanian, pela programação da 15ª Mostra Boca de Cena – Semana do Teatro e do Circo de MS, com entrada gratuita.

Porém, dessa vez, Nuno, o primogênito da atriz, está com um ano e sete meses e Liz, grávida, já com sete meses de gestação.

“E agora como vai ser, Liz?” é a pergunta do repórter para a intérprete de 36 anos, formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo e com mais de duas décadas de experiência que envolvem, por exemplo, um mergulho na eutonia, técnica que trabalha com micromovimentos e que valoriza a criatividade corporal a partir de noções como “fisiologia consciente”.

Eis a resposta:

“A gestação, como algo que ocorre no corpo, é impossível de ser ignorada na cena. A começar pelo figurino, que já não cabe mais com a barriga de quase sete meses. Precisamos adaptar a roupa de base, e isso foi possível com a ajuda da parceira Luciana de Bem. A história começa com a gestação e o parto da menina Ela. Será uma sobreposição de barrigas”.

“O espetáculo tem um formato épico, em que narro, faço as personagens e canto. É algo que demanda respiro e água no meio da cena, mesmo sem estar grávida. Nessa apresentação, ainda que o teatro tenha boa acústica, vou contar com um microfone headset [preso à cabeça], uma vez que o [meu] diafragma divide espaço com esse serzinho que já está todo formado aqui dentro. Isso torna o controle da voz e do fôlego mais desafiante”, diz a intérprete.

“Na gestualidade do espetáculo, a intenção é visitar uma história e um imaginário direcionados ao público infanto-juvenil, a partir de uma estética simples, de atuação serena, apesar da demanda intensa da cena. Para isso, a platéia também é convidada a ‘segurar a cena’ quando preciso pausar, beber água, mover o cenário”, afirma.

“Acredito que a gestação radicaliza essa proposta, já que preciso preservar tempos mais prolongados de fôlego e escutar ainda mais o que o corpo pede e pode oferecer. Vejo como uma oportunidade de investigação de um estado de cena, com o desejo de cumplicidade do público”, avalia a encenadora.

“Essa apresentação no Boca de Cena se localiza entre dois puerpérios. Me sinto feliz de ter essa interlocução artística nas vésperas de suspender mais uma vez muitas das minhas atividades de criação para a dedicação desafiante que essa primeira fase de cuidado materno exige”, celebra a atriz.

“A figura materna é uma construção social”

Primeiro, a gente precisa falar sobre a figura materna como um papel social que é uma construção histórica e socialmente concebido. Nem todas as mães são iguais, e elas nunca foram iguais historicamente.

Fazer essa comparação com “a minha mãe” ou “a minha avó” ou com as mães de antigamente, como elas eram e como “eu” sou hoje, não faz sentido. Porque esse papel social só faz sentido quando a gente compara esse tempo histórico.

Se a gente pegar uma comparação de uma mãe do início do século 20, que seria, por exemplo, a minha avó, ela era uma mãe que casava jovem, que tinha filhos aos 13 anos – e tinha muitos filhos. A grande maioria tinha em torno de 10 filhos.

A função principal dessas mães era realmente a maternidade, mas também a sobrevivência. Estavam ali para tentar fazer com que todos fossem sobreviver. E muito dificilmente todos sobreviviam.

A gente tem as mães, já em meados do século 20, que seriam como a minha mãe. São aquelas que foram mães que precisavam olhar mais para a família, em que o núcleo familiar reduziu de tamanho. Era um entendimento em que a mulher era mais responsável pela criação e pela educação dos filhos.

E foi quando historicamente ela tomou toda a responsabilidade da criação, em que o homem vai para o trabalho ou para a vida pública e a mulher se fecha dentro da sua casa entre quatro paredes.

Porque agora é uma vida menor, com a família menor, e a família assume o papel da criação, mas ela (a mãe) sendo a responsável pela casa, pelos filhos, pela educação, pela saúde, pela vida privada do filho. Então tem um movimento.

Nesse momento, a mãe assume a responsabilidade. Ela é a criadora e a educadora do filho. O pai sai de cena.E nós temos as mães de hoje. Elas conseguem escolher mais. A maternidade já é uma escolha. Não que a minha mãe não tivesse essa escolha, mas era tão natural casar, ter filhos, etc.

Hoje, já existe uma discussão maior sobre se vai ter filhos ou não. E essa escolha é fundamental. Porque, a partir do momento em que você está mais ciente do que você precisa fazer ou quer fazer, essa escolha vai te trazer um resultado lá na frente.

As mães de hoje têm a possibilidade de ter uma escolha mais consciente. Elas têm uma diminuição da responsabilidade pela criação dos filhos, e socialmente isso já é bem mais dividido. 

Até porque quase todas as mães já estão no mercado de trabalho, já têm uma vida pública maior. 

A criação dos filhos precisa ser dividida com o cônjuge, com o pai da criação. Já existe muito conteúdo acessível para preparar essa mãe nesse cuidado com os filhos, uma característica que não existia antes.
Mas essa mãe que nós temos hoje, exatamente pelo fato de ela poder dividir, que é maravilhoso e correto, muitas vezes essa divisão acaba não sendo tão clara e conversada.

E quem sofre com isso são as crianças, em que historicamente é a mulher que cuida, mas agora a mulher já acha que ela não precisa mais cuidar sozinha. Mas isso também não ficou tão bem conversado na família, e essa mãe não se sente à vontade.

Mesmo se sentindo sobrecarregada, ela não consegue falar, dividir isso com seu cônjuge. E quem pode estar sofrendo nisso é a própria relação que ela tem com o filho. Nós temos muito conteúdo, mas nós nem sempre temos a mãe que está disposta a acessá-lo, pois ela acha que é uma maternidade que deveria ser instintiva.

“Ah, a minha mãe cuidava sem todo esse manual, sem todo esse conhecimento, 
e deu certo. Então por que eu preciso disso?”. Por isso que voltei nesse papel histórico. Porque eu não posso comparar.

Então, tem muito material, mas existe uma negação muito grande. É como se a maternidade fosse algo divino ou inato ou instintivo. E não é. É uma construção histórica, e eu preciso entendê-la como tal. 

E aí cai muito no que é que é esse maternar. Porque o maternar não é o criar, que foi o criar voltado à sobrevivência, não é só o educar. Mas é o amar, o cuidar, o estar junto.

E não tem como você fazer isso tudo se você não olhar para você como mãe e partir do ponto mais importante de todos, que é o seu desejo de ser mãe. O ponto mais importante começa aí. A maternagem precisa ser um desejo acima de qualquer coisa.

Porque ser mãe é muito difícil. Talvez seja um dos trabalhos mais difíceis do ser humano. Ele é 24 horas por dia e é eterno. E (presume-se que) se ele não está sendo difícil, é porque você está fazendo errado.

O fazer sozinho não deveria ser uma possibilidade. O maternar não deveria ser sozinho. Não que necessariamente você precise ter um cônjuge. Mas você deveria ter uma aldeia para te ajudar. Precisa de uma rede de apoio.

Então, a sua escolha perpassa por aí também. Não pode ter um desejo só egoísta seu. Mas você está disposta a negociar, a pedir ajuda, a entender que você não vai dar conta sozinha? Estamos falando da vida de uma outra pessoa.

Tem isso de você entender as suas limitações também. Por isso que é tão grandioso. Porém, a partir do momento em que você entende se é o seu desejo, mesmo sendo o trabalho mais difícil e mais exaustivo, com certeza será a sua maior vitória. Porque passa a ser a sua maior realização. É grandioso o trabalho. 

O afeto que é gerado quando existe esse vínculo do filho com a mãe é um afeto de alegria, de amor. E um afeto que expande a “alma”. Alma entre aspas, porque é da energia vital do ser humano. Essa de amor é para multiplicar esse amor para o outro, para o filho, para a criança, para a sociedade de uma forma geral.

Para dividir, para você deixar de pensar só em você, para pensar no outro. É experimentar a expansão legítima desse amor.

Mas você só consegue isso e supera essa adversidade do cansaço, das dificuldades, da sua mudança, de todas as suas limitações, se você estava preparada para tanto, se você queria isso, se você sabia que você enfrentaria isso. E se você estava disposta. Porque, imagine, você enfrentar tudo isso e ainda sem querer, não tem como ter tanta felicidade.

Agora, se você está preparada, queria e conquista isso, não tem nada que pode ser melhor. Ou (ao menos) será uma realização muito grande.

O maternar pode ser uma possibilidade gigantesca nessa experiência maravilhosa que é a expansão da nossa alma por puro amor. Se a gente escolher ser mãe, que a gente saiba dos riscos. Mas que também saiba das vitórias que a gente vai ter. E que são vitórias maravilhosas.

*Depoimento da psicóloga e professora universitária Camila Torres Ituassú, de 44 anos.

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Moda Correio B+

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida.

20/09/2026 16h00

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta? Foto: Divulgação

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Você provavelmente já encontrou uma mulher vestindo apenas camiseta branca, jeans e uma sandália simples e pensou: como ela consegue parecer tão elegante com tão pouco? Enquanto isso, outra pessoa pode estar usando peças caras, bolsa de grife e uma produção muito mais elaborada não consegue transmitir a mesma impressão.

A diferença está em algo que repito com frequência no meu trabalho: elegância não está necessariamente na roupa, mas na maneira como fazemos a roupa funcionar a nosso favor.

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida. Mas, muitas vezes, são justamente as produções mais simples que revelam melhor o cuidado com a imagem.

Quando há menos elementos para chamar atenção, percebemos mais facilmente o caimento, a qualidade do tecido, os acabamentos, os acessórios e, principalmente, quem está usando aquela roupa.

Uma camiseta, por exemplo, parece a peça mais básica do mundo, mas existem enormes diferenças entre elas. A posição da manga, a abertura da gola, o comprimento, a gramatura do tecido e a maneira como ela acompanha o corpo interferem completamente no resultado.

E não existe uma modelagem universalmente perfeita: existe aquela que funciona melhor para o seu corpo, seu estilo e a mensagem que você deseja transmitir.

Aos detalhes da roupa soma-se algo que não compramos em nenhuma loja: postura. A maneira de caminhar, sentar, falar e ocupar um espaço participa da nossa imagem tanto quanto aquilo que vestimos.

Não adianta procurar a peça perfeita se ela está amassada, mal conservada ou se quem a veste parece desconfortável dentro dela. Elegância também tem relação com cuidado e naturalidade.

As mulheres que já entenderam isso,  não precisam acrescentar informação o tempo inteiro para construir uma imagem mais elegante e de presença. Existe coerência entre roupa, corpo, personalidade e ocasião. A roupa não tenta transformá-las em outra pessoa; apenas acompanha quem elas são.

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?Sabrina Sato - Divulgação

5 detalhes que deixam até a camiseta mais elegante

1. Observe o caimento antes da etiqueta

Veja onde a manga termina, como a gola se posiciona e se o tecido acompanha o corpo sem apertar ou criar volume onde você não deseja. Uma pequena alteração de modelagem pode mudar completamente uma peça básica.

2. Preste atenção ao estado da roupa

Bolinha, gola deformada, tecido transparente demais, manchas e peças excessivamente amassadas comprometem rapidamente uma produção. Básicos precisam estar especialmente bem conservados.

3. Use acessórios com intenção

Um bom brinco, um relógio, um colar, um cinto ou uma bolsa podem dar acabamento ao look. Não é preciso usar tudo ao mesmo tempo: muitas vezes, um único elemento bem escolhido é suficiente.

4. Cuide da postura e da presença

Ombros, maneira de caminhar, tom de voz e até a forma como você se senta interferem na leitura da sua imagem. Nenhuma roupa trabalha sozinha.

5. Busque coerência, não perfeição

A mulher elegante não é necessariamente aquela que está impecável o tempo inteiro. É aquela cuja imagem parece fazer sentido: para sua personalidade, para seu corpo, para sua rotina e para o ambiente em que está.

No fim, a pergunta mais importante é: quanto da elegância que admiramos realmente vem da roupa? A roupa pode ser a moldura, mas é a maneira como nos apresentamos ao mundo que completa a imagem.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

"Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos"

20/09/2026 15h12

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV Foto: Divulgação

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Gustavo Falcão é um dos destaques do filme ‘Elize: Sombras de Uma Mulher’, que estreou no dia 22 de julho na Netflix. Dando vida a Heitor, melhor amigo de Marcos Matsunaga, ele mergulhou na complexidade emocional de seu personagem, um homem que caminha entre as sombras e a luz. Ele revela: “Heitor é um personagem que representa uma área cinzenta.

O maior desafio foi retratar seu lado animalesco e instintivo, mantendo sua humanidade. Ele é perigoso e sedutor, sempre observando ao seu redor, pronto para capturar novas oportunidades. É esse estranhamento que eu busquei transmitir ao público”.

Além do filme, Gustavo também está presente na nova adaptação de 'Ben Hur', que estreia em outubro na Univer, e em seguida na RecordTV. Nela interpreta Élio, o governador romano da Judeia. "Élio é extremamente hedonista e adora o poder. Ele é um político habilidoso, que sabe que a roda da política gira rapidamente, e esse conhecimento o torna ainda mais astuto e perigoso", comenta.

Ele descreve seu personagem como alguém que tem prazer em explorar os meandros do poder e que, por isso, se destaca em meio ao ambiente de tensões entre romanos e judeus. "A liberdade criativa que tive nesta produção foi uma experiência deliciosa, permitindo-me dar vida a um personagem sarcástico e multifacetado."

Natural de Recife, Falcão destaca a importância de sua terra natal em sua trajetória. "Cresci em um ambiente cultural rico, onde artistas como Ariano Suassuna e Francisco Brennand foram grandes influências. A cena artística pernambucana me moldou e me deu as bases para a carreira que tenho hoje", afirma. Ele começou sua trajetória profissional em 1995, com a peça "Os Biombos", de Jean Genet, dirigida por Antonio Cadengue. "Esse foi meu primeiro contato com o palco e uma experiência transformadora", relembra.

Com 31 anos de carreira, ele continua conectado com sua comunidade e está atualmente desenvolvendo um projeto especial lá. "Estou trabalhando na adaptação para o cinema da vida do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com meu irmão e a REC Produtores", compartilha. "Queremos filmar grande parte da história no Recife, trazendo à tona não só a figura de Cícero, mas também a riqueza cultural da nossa cidade", enfatiza.

Em novelas o ator de 50 anos deixou sua marca como Faísca em "As Filhas da Mãe", onde encarnou um surdo mudo com uma sensibilidade própria, além de interpretar Jonas em "Cobras & Lagartos", um jovem dividido entre a religiosidade e a malandragem de sua família. "Ambos os papéis exigiram um equilíbrio delicado entre drama e humor, e me permitiram explorar áreas muito diferentes da atuação", destacou.

Gustavo também é um diretor ativo, tendo liderado montagens como "Partiu 90!" e a remontagem de "A Máquina". "Dirigir essas peças foi um processo enriquecedor que ampliou minha visão sobre a atuação e a colaboração entre os elencos", enfatiza ele. Além disso, dirigiu e roteirizo o curta metragem ‘30 Moedas’ ao lado de Marcos Arzua Barbosa, a produção narra um embate no meio do mar entre dois personagens de classes sociais distintas e orientações ideológicas deformadas pela corrupção política, religiosa e social sistêmica dos tempos atuais.

"Criar um ambiente onde a arte possa florescer e impactar a vida das pessoas é uma missão que me motiva profundamente", completa.

Gustavo é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno, ele fala sobre papéis, carreira e estreias.

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabí Souza - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Você tem 31 anos de carreira, como você vê sua trajetória até agora?
GF - 
Vejo minha trajetória profissional repleta de realizações, mas também olho em frente. Ao mesmo tempo, penso no passado e também no futuro. Percebo que construí uma carreira sólida e realizei trabalhos diversos e muito especiais em tantas frente, mais de uma centena de projetos em cinema, teatro, tv, audiolivros, arte e educação, atuando, produzindo, dirigindo, dando aulas e oficinas - mas também miro o que ainda desejo fazer.

Depois de tanto tempo de estrada - e o percurso de um artista é inevitavelmente dinâmico, repleto altos e baixos, de recomeços e redescobertas - tenho muita consciência do que já fiz e vivi, mas também do que ainda quero viver e fazer.

CE - Além de atuar em diferentes frentes do audiovisual, você tem um trabalho junto ao Lunático. Pode falar mais dele?
GF -
 O Lunático é um espaço cultural que fundei no Rio em 2007 com minha companheira e parceira Juliana Féres, dedicado ao ensino e difusão das mais diversas manifestações culturais, em vários formatos - cursos, oficinas, exposições, palestras, mostras, espetáculos…

Hoje estamos em 17 instituições de ensino do Rio de Janeiro com aulas de circo, tecido acrobático, cinema, teatro, stop Motion. É gratificante compartilhar continuamente vivências artísticas com quase trezentas crianças e adolescentes e promover a transformação que a arte provoca na vida delas.

CE - Fala mais sobre o seu personagem em 'Ben hur'?
GF -
 Élio é o governador romano da região que compreende a Judéia, cuja capital é Antioquia, uma das maiores cidades do Império Romano no oriente naquele tempo (séc. I). Devido às agitações provocadas pela resistência dos judeus, que não aceitam se submeter às regras de Roma - especialmente as religiosas - Élio se transfere para Jerusalém a fim de acompanhar mais de perto a questão.

Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos. A relação com Pôncio Pilatos, funcionário do império responsável pela região da Judeia, por exemplo, se sustenta em uma tensão constante de colaboração e rivalidade.

Élio é estratégico, astuto e gosta de ser sarcástico. Gosta de submeter seus antagonistas, gosta de levar vantagem e se dar bem em tudo que faz. Gosta também de aproveitar ao máximo os prazeres, inclusive os carnais, que advém de sua posição. 

CE - Você também estará em 'Lá na minha terra', próxima trama das 18h. O que pode falar do seu personagem (sem dar spoilers).
GF -
 Ainda não posso revelar muito, mas aqui vai uma breve apresentação: Josias é um dos vilões da trama de Mário Teixeira, dirigida por Allan Fiterman. Comparsa de Celestina (Lilia Cabral), inicia na novela trabalhando no Jóquei paulistano, onde conhece Ismalia (Camila Morgado). Nascido em São Paulo, sempre teve de se virar pra sobreviver, nem sempre de forma lícita ou legal. 

CE - Você também teve um personagem no filme sobre Elize Matsunaga que estreou na Netflix em julho. Como foi a recepção do público a sua participação?
GF -
 Foi surpreendente a resposta de público ao meu personagem e ao filme. Sabia do potencial pelos apelos da história, o projeto tinha uma equipe e elenco incríveis e a havia uma boa expectativa. O filme ficou incrível, mas ainda assim fiquei surpreso.

O sucesso foi gigantesco. O longa ficou 3 semanas no primeiro lugar como filme mais assistido no mundo inteiro em língua não inglesa dentro da Netflix. A repercussão em torno de meu trabalho foi muito positiva, e fiquei feliz com isso, já que busquei construir um personagem complexo - denso, torpe e com um humor perverso. 

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Record TV - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - O teatro tem um papel bem importante na sua carreira. O que você destaca nesses anos?
GF -
 O teatro é fundamental pra mim. Preciso voltar a ele sempre. É o começo de tudo, e é também recomeço, me nutre de uma forma muito particular. Não dá pra ficar muito tempo longe. Ano passado tive a felicidade de fazer dois espetáculos, e completamente distintos: ‘O Pequeno Circo de Mediocridades’, uma crítica ácida à mesquinhez humana, e o ‘De Perto Ninguém é Normal’, uma comédia divertidíssima inspirado no clássico cinematográfico Arsênico e Alfazema.

CE - Além disso, você também tem uma ligação muito forte com sua terra natal e vai produzir projetos lá. O que pode adiantar deles?
GF -
 Estou o tempo inteiro pensando em maneiras de realizar projetos no Recife e em Pernambuco. No momento estou desenvolvendo um projeto sobre episódios da vida extraordinária do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com uma produtora pernambucana. Espero que possamos produzir o filme nos próximos anos.

CE - Como você vê esse ano de 2026 na sua carreira?
GF - 
Este tem sido um ano de muito movimento. Filmei a série ‘Ben Hur’, estou começando a novela ‘Lá na minha Terra’, lancei o audiolivro ‘Odisseia’ pela Cia das Letras, participei de uma mesa da FLIP como convidado pela primeira vez, dirigi diversas práticas de montagem, além da coordenação do projeto com o Lunático, meu espaço cultural, que segue em expansão.

CE - Você menciona a importância do longa 'Arido Movie' na sua carreira e como ele te levou para diferentes públicos. Pode falar mais dessa experiência?
GF - 
O ‘Arido Movie’ foi minha primeira experiência em longa-metragem, que rodamos em 2003. Então foi algo especial em minha vida e um marco em minha carreira. Até ali só tinha feito em cinema alguns curtas e tinha experiência em TV, com a novela As Filhas da Mãe, da Globo, de 2001. O Arido foi marcante, era um roteiro sensacional, primorosamente bem dirigido por Lírio Ferreira, com um super elenco.  

CE - Com tantos novos trabalhos chegando no final de 2026, o que você espera de 2027?
GF -
 Espero que 2027 seja um ano de ainda mais trabalho e que a gente siga com o crescimento do setor cultural, tanto em termos das políticas públicas quanto da conexão do público brasileiro com a arte que fazemos no Brasil. É para e pelas pessoas que nos assistem que fazemos o que fazemos e a arte é uma forma de um povo construir sua identidade, se conhecer e entender melhor, como indivíduo e em sua coletividade.

 

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