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SHOW GRATUITO

Guilherme & Santiago se apresentam no 17º Festival do Peixe, na Feira Central

O público também poderá aproveitar a culinária à base de peixe em condições especiais. O evento será entre os dias 1 e 5 de abril.

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A Feira Central de Campo Grande será palco de mais uma noite memorável de música, cultura e tradição. A dupla sertaneja Guilherme e Santiago será a atração principal do 17º Festival do Peixe, com apresentação marcada para o dia 1º de abril, às 20h.

A dupla já se apresentou na Feira Central em outras oportunidades, levando multidões com shows que ficaram gravados na memória do público. Nesta edição, prometem um espetáculo emocionante que reunirá fãs de todas as idades para uma noite especial de celebração.

“A Feira Central é um espaço de encontro, cultura e tradição. Trazer uma dupla do porte de Guilherme e Santiago é uma forma de valorizar o público e oferecer experiências inesquecíveis para a população e visitantes”, afirma a presidente da Feira Central CG, Alvira Appel.

O festival

O Festival do Peixe é um dos eventos mais aguardados do calendário da Feira Central, reunindo gastronomia, cultura e entretenimento em um ambiente familiar e acolhedor.

Além da programação musical, o público poderá aproveitar a rica culinária oferecida pelos feirantes, com destaque para pratos à base de peixe em condições especiais. O evento será entre os dias 1 e 5 de abril. Confira a programação e as atrações adicionais do Festival do Peixe:

  • Exposição de camping, pesca e náutica
  • Atrações culturais, regionais e educacionais
  • Preços especiais em pratos à base de peixe

Festival Cristão

Paralelamente à programação, outro evento ocorre na Feira Central: Festival Cristão. Com espaço dedicado à fé, cultura e convivência, o local reunirá expositores com artigos religiosos, música, literatura e produtos voltados ao público cristão.

A iniciativa reforça o compromisso da Feira Central em valorizar a diversidade cultural e espiritual, proporcionando um ambiente de acolhimento, reflexão e encontro para famílias e visitantes.

O Festival Cristão amplia as experiências oferecidas ao público, fortalecendo o caráter cultural e comunitário que marca a história da Feira Central de Campo Grande.

SERVIÇO

Evento: Show Gratuito com Guilherme & Santiago – 17º Festival do Peixe
Data do show: 1º de abril de 2026 (quarta-feira)
Período do Festival: 1 a 5 de abril (de seg. a qua. à partir das 16h e nos finais de semana à partir das 11h)
Horário: 20h
Local: Feira Central de Campo Grande
Endereço: Rua 14 de Julho, 3351 – Campo Grande (MS)
Entrada: Gratuita

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Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Lorrana Mousinho destaque na novela "Três Graças" na TV Globo

"Faço teatro desde que criança. Foram muito anos construindo pedaço por pedaço do meu caminho, até que esse convite pra "Três Graças" apareceu".

01/03/2026 21h00

Entrevista exclusiva com a atriz Lorrana Mousinho destaque na novela

Entrevista exclusiva com a atriz Lorrana Mousinho destaque na novela "Três Graças" na TV Globo Foto: Divulgação

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Atriz, professora de teatro e preparadora de elenco, Lorrana Mousinho está estreando nas novelas em “Três Graças”. Na trama, a artista dá vida a Cláudia, uma das cuidadoras de Josefa (Arlete Salles) que se revelou a espiã de Rogério (Eduardo Moscovis) na casa da vilã Arminda (Grazi Massafera).

Lorrana ainda é uma das fundadoras do Projeto Teatro Nômade, ao lado de Luísa Reis, em que oferece aulas de teatro gratuitamente para jovens estudantes de instituições públicas.

Mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO - mesma instituição onde se graduou em Licenciatura em Teatro-, Lorrana Mousinho tem no currículo os espetáculos: "Roleta-Russa", baseada no livro "Suicidas", de Raphael Montes, e “Horácio", baseado no "Hamlet" de Shakespeare. Ela ainda atuou nos infantis “Em Casa", que usava a linguagem não-verbal, e “Peixe Vermelho”, projeto autoral que ela vai voltar a encenar em breve.

A atriz Lorrana Mousinho é a Capa eclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre estreia na TV, projetos e sua paixão pela profissão.
 

Entrevista exclusiva com a atriz Lorrana Mousinho destaque na novela "Três Graças" na TV GloboA atriz Lorrana Mousinho é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Marilha Galla - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você está estreando na novela "Três Graças" na Globo. Como tem sido essa primeira experiência ao longo desses meses? Alguma curiosidade desse debut?
LM -
 Tem sido uma delícia. Um privilégio enorme poder criar uma personagem e a cada novo bloco de texto que sai descobrir mais coisas sobre ela, que fazem a gente sempre continuar colocando mais camadas nessa criação. Isso do não saber e também poder ser surpreendido traz uma temperatura diferente pra criação, deixa tudo mais arriscado. E sustentar essa energia por meses é onde mora o grande desafio.

CE - Cláudia, sua personagem, aliás, ganhou um destaque ao deixar de ser uma pacata cuidadora e se revelar espiã de Rogério (Eduardo Moscovis) na casa de Arminda (Grazi Massafera). Você esperava  esse plot twist ?
LM -
Sim, eu esperava. Na primeira leitura com elenco completo mais autores, eu estava tensa porque achava de bom tom na hora do intervalo ir cumprimentar o Aguinaldo Silva, afinal, né, é o Aguinaldo Silva. Mas não sabia como. Isso me gerou tanta tensão, ainda mais que eu sou tímida pra caramba, que eu pensei: “Deixei pra lá”.

Vai tomar seu cafezinho, vai. Você já sobreviveu ao seu momento na leitura, agora, relaxa. E eis que ele que me puxa num canto e rindo de orelha a orelha me conta que eu não era só uma cuidadora, não. Mas que eu era essa espécie de “espiã”, infiltrada na casa a mando do Rogério. Eu fiquei chocada na hora, feliz e com medo, um mix de sensações. Agora o como foi eu não esperava.

Acho que foi uma resposta também à maneira como o público abraçou a personagem na sua primeira fase, mesmo que tenha durado um curto período, as pessoas torciam demais pela Cláudia cuidadora e estudante de medicina. Acredito que essa identificação do público com ela e a indignação que a sua suposta morte gerou, ajudaram pra que seu retorno fosse bom daquele jeito. Pra mim todas essas reviravoltas foram como se eu estivesse recebendo um presente. 

CE - E como tem sido lidar com esse sucesso de Cláudia com o público e com a imprensa?
LM -
 Eu acho tudo surpreendente (risos). A palavra pra mim é “surpresa” pra muita coisa. Afinal, é o que você falou, a primeira novela e já comecei numa das 9, de grandes autores e ainda um sucesso. É um pacote muito grande de coisas boas e nem sempre a gente sabe receber, temos que desenvolver estrutura interna pra saber receber as coisas boas também.

E isso essa novela tem me ensinado muito, dia após dia, sobre merecimento e que é preciso desenvolver em mim essa capacidade.  Me sinto feliz com a abordagem das pessoas na rua, nas redes sociais, como também não sou nenhuma celebridade, essas abordagens são tranquilas, educadas, geralmente, bem-humoradas.

Muita gente vem no meu privado no Instagram espontaneamente pra falar sobre o meu trabalho. Lá no início, então, da novela, eu temia que ninguém na verdade estivesse me vendo ali ao lado (o que não faz sentido nenhum), foi o máximo ver as pessoas fazendo os recortes da Cláudia dando umas olhadas e botando nas redes, acordando com os sustos, vibrando por ela, torcendo.

Falando de suas próprias lutas e histórias. Depois quando ela virou o jogo, ainda se mantiveram na torcida, curiosos com o que está por vir. Muito engraçado também as pessoas me pedindo spoiler e também pra eu dar a dica x ou y para os autores (risos). Lidar com a imprensa também tem sido tranquilo. Chegaram até mim profissionais bem respeitosos que, de modo geral, mantém a integridade do que eu falo.

Com boas perguntas. Boas conversas. Eu também tenho uma assessora ótima que consegue me blindar de muita coisa, a Natasha Stein. Aos poucos também tenho aprendido o que funciona e o que não funciona de ser dito e pra quem, a gente vai conhecendo mais como esse meio funciona. 

CE - Pode considerar essa oportunidade um divisor de águas da sua carreira?
LM -
 Com certeza. Por mais que a nossa relação com as novelas tenha mudado muito nos últimos anos, ainda impacta um número enorme de pessoas. No nosso país sempre foram obras muito assistidas e celebradas, fazer parte de projetos assim, podem ter o potencial de redefinir a carreira de uma atriz, seja em grande ou pequena escala, contribui muito pra nossa construção de carreira.

Como eu já disse em outras entrevistas, eu não venho de uma família de artistas ou abastada, que tem conexões no meio. Faço teatro desde que criança. Foram muito anos construindo pedaço por pedaço do meu caminho, até que esse convite apareceu.

Um ator que faz novelas no Brasil tem mais oportunidades de fazer outros trabalhos no audiovisual e inclusive, de poder habitar o próprio teatro (onde sempre habitei) com muito mais conforto e estrutura de trabalho, casa cheia, acessos que, grande parte das vezes, quem está ali desde sempre nunca teve. Pode ser uma abertura de caminhos e espero que pra mim seja também, já está sendo, na verdade, de uma maneira ou de outra. 

CE - Aliás, você levou 18 anos pra fazer uma novela. A que atribui essa demora? Era uma vontade?
LM -
 Levei mais que 18 (risos). Atribuo a maneira como o mercado funciona mesmo e ao modo difícil, quase impossível que é operar dentro dessa profissão. Se você escolhe ser artista e vem de baixo, os obstáculos vão ser imensos. Um Everest quase. Obstáculos esses com os quais eu durmo toda a noite, inclusive, porque nada está dado, sei lá o que vai acontecer comigo depois dessa novela.

Vou apenas seguir, como fiz a vida toda. Obstáculos que outros artistas que vêm de outras realidades nem sabem que existem e podem até ter uma visão ilusória e pouco real de como a sua própria classe vive, te leva a nem saber que você pertence a uma classe, na verdade. Você sabe como você vive, mas não tem noção de como os artistas sobrevivem no nosso país, repare que eu não tô falando nem de viver, mas de sobreviver.

Vir dessa realidade e apesar das poucas conexões, ter tido acesso a muito estudo de qualidade, graças à minha família, me situou com muita reflexão crítica dentro do meu espaço de trabalho. De alienação eu não sofro. 

Eu cresci vendo novelas, queria fazer novelas também, é claro, mas desde cedo fazendo teatro e entendendo como o mercado funcionava, que tinha suas preferências e claramente eu não era uma delas, foquei no teatro e tomei quase um horror à TV (risos). Mas com o tempo você entende que se você não ocupa aquele espaço, você fica à margem, muitas vezes, até do próprio teatro.

Esse que acontece, que tem público, que tem bons salários, onde os jurados de prêmios vão, do qual se pode viver (ou tentar que venha daí parte de sua forma de ganhar a vida). O meu teatro e de tantos artistas, a maior parte deles, funciona na margem. Gravava vídeos de cadastro, era elogiada, mandava material, recebia bons feedbacks e nada e seguia a vida.

Murros em ponta de faca que só confirmavam que meu lugar não era ali. Por isso agora eu me surpreendo o tempo todo e preciso me expandir internamente pra que todos esses acontecimentos possam caber.

Jurei pra mim que quando fizesse um trabalho assim seria convidada e entraria pela porta da frente, que o respeito dos outros pelo meu trabalho de atriz e pelas minhas capacidades abririam qualquer porta pra mim e não é que eu fui convidada? (risos).

Entrevista exclusiva com a atriz Lorrana Mousinho destaque na novela "Três Graças" na TV GloboA atriz Lorrana Mousinho é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Marilha Galla - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Percebemos você bem presente nas redes sociais. Acha que, de fato, essa dedicação traz impacto na carreira de um artista, já que se fala muito hoje sobre número de seguidores?  
LM -
 Com certeza. Antes da novela eu postava muito pouco, um post, às vezes, em meses. E todas as minhas redes, antes Facebook, depois Instagram, eu só tive por conta de trabalho. Demorei a ceder pro WhatsApp. Acho tudo enlouquecedor e que tem grande potencial pra ser uma fonte de agonia, comparação, gatilhos. Só que percebi mesmo o mundo mudando, percebemos.

Passou a ser impossível não ter redes sociais se você quer divulgar o seu trabalho e precisa divulgá-lo. Quem não precisa, pode ter o privilégio de não ter. Passei a fazer um uso intenso nas minhas redes de professora como praticamente única forma de conseguir alunos. Passei a usar mais a minha pessoal pra divulgar o meu trabalho como atriz e isso foi realmente me ajudando a tornar visível o meu trabalho.

Agora com a novela, pra você ter uma ideia, eu conto com um profissional, o Ariel Moraes, grande amigo, ator também, que me ajuda a entender o momento e a gerir as redes e conteúdos da melhor maneira possível. É quase um segundo trabalho mesmo, que torna mais visível esse primeiro, de atuação. E eu sinto os resultados, você vai se tornando mais interessante aos olhos das pessoas, aos olhos do público e isso pode ser motivo de prospecção de novos trabalhos, apoios, patrocínios.

Eu sabia que seria um momento de grande visibilidade e que deveria intensificar isso, o famoso fazer do limão uma limonada. No início resistia mais, mas combinei comigo que iria fazer o todo o possível e necessário mantendo a minha ética, é claro.

E faço. O famoso “sem tempo, irmão!” (risos) tem que fazer, então, faz e faz bem feito. E acabou que me adaptei bem, tem mil coisas que não gosto de fazer, mas descobri as que gosto também, as que me divirto fazendo e o contato com o público, como falei, é a melhor parte. 

CE - Além de atriz, você é professora de teatro. O que tem aprendido como artista ao fazer uma novela das 21h?
LM -
 Acha que tem algo novo pra passar aos alunos agora fazendo TV?
Eu continuo dando aulas, né. Eu tenho levado já cinquenta mil novidades (risos). Eu dou aulas de teatro e de atuação p/ audiovisual (a partir da minha experiência como preparadora). 

Tudo o que eu descubro, aspectos técnicos, os dias fáceis, os dias desafiadores, as qualidades que percebo nos trabalhos dos outros atores, as dificuldades que passei (uma coisa é estar atrás das câmeras, outra é estar na frente delas) vou levando tudo.

uando somos artistas e docentes tudo o que a gente experiencia entra dentro do nosso bojo, do nosso processo de colagem, montagem pra que a gente dê nossas aulas. Todas as interferências que passam pela sua vida influenciam as demais, então, você está sempre dando uma aula diferente e mais engajada. As minhas aulas de hoje já são diferentes das do ano passado e das do mês passado, com certeza. 

CE - Você ainda é uma das fundadoras do Projeto Teatro Nômade, ao lado de Luísa Reis, em que oferece aulas de teatro gratuitamente para jovens estudantes de instituições públicas. Fale mais disso.
LM - 
Eu amo falar sobre o Nômade. Quando estou naqueles dias ruins, onde penso que nada tem sentido. O Nômade sempre aparece como algo que tem. E eu sou muito grata por isso. O projeto foi fundado em 2016, vamos fazer aniversário de 10 anos esse ano!

Esse projeto vem desde a época da faculdade de teatro, onde conheci a Lu, ambas nos formamos em Licenciatura em Teatro na UNIRIO. Trabalhamos com teatro como prática de transformação social. O Nômade sempre funcionou a partir de trabalho voluntário, conseguimos patrocínio por um ano, apenas, até hoje, e isso foi há pouco tempo.

Inclusive: Oi, patrocinadores! Estamos aqui! Mas como sempre, continuamos seguindo, com muita convicção sobre a importância do que fazemos. Temos turmas nas regiões centrais do Rio e na Baixa Fluminense, que também é meu lugar de origem.

Nosso foco são os jovens ditos periféricos. Ao longo do ano, os alunos e alunas fazem aulas de teatro e no final do ano as turmas se apresentam. Já impactamos centenas de jovens até hoje, muitos deles trabalham hoje com a gente, então, o Nômade não é mais apenas a Lu e eu, mas um grupo grande de pessoas que fazem com ele aconteça todos os dias. 

CE - Agora que estreou numa novela, quais seus sonhos profissionais ainda não realizados?
LM - 
Zilhões. Toda hora a ideia de um projeto, de uma história a ser contada passa pela minha cabeça. Meus sonhos profissionais se resumem a poder contar essas histórias que me habitam agora e as que vão habitar. Poder seguir fazendo isso com mais estrutura, mais dignidade, do jeito que todos os artistas e eu merecemos.

Todos nós que não estamos por fama, mas pelo ofício. Agora, sendo mais específica, gostaria de circular pelo Brasil com o meu infantil, vamos fazer uma circulação nesse momento pelo interior do Rio pelo Sesc. A peça se chama “Peixe Vermelho”, é um infantil que fala sobre a raiva e a importância de saber manejar essa emoção tão controversa.

A direção é da Fabianna de Mello e Souza e no elenco está a minha irmã, Raisa Mousinho, Bruno Paiva e eu. Eu amo teatro infantil. Pra mim não é lugar de passagem. Espero nunca dizer “quando eu fazia teatro infantil”. Espero sempre ter a possibilidade de fazê-lo e cada vez melhor.

Tenho esse sonho de poder rodar pelo país fazendo peças e gostaria agora também de poder continuar fazendo novelas, aprofundando essa primeira experiência, trabalhando personagens ainda mais complexas e estimulantes. E eu nunca fiz um filme ou uma série. Seria incrível. Seria, não. Vai ser!

CE - Você já contou em entrevistas que começou a fazer teatro ainda adolescente quando morava na Baixada Fluminense, no Rio. O que a Lorrana de hoje diria pra Lorrana que sonhava em viver de arte? 
LM -
 Comecei na infância, na verdade, aos dez anos. Acho que eu diria “Minha irmã, você vai comer o pão! (risos) Seja forte. Comece a fazer terapia antes pra saber manejar melhor as suas emoções. Tira da sua cabeça isso de que você é fraca porque tem sensibilidade, essa é a sua maior qualidade nessa vida.

Você é inteligente, talentosa e tem um bom coração. Foca nas suas qualidades. E vão aparecer uns babacas na sua vida. Não sai com eles! Com o passar do tempo, as coisas vão acontecendo. Podem demorar, mas elas vão acontecendo. Então, agora que você já sabe disso, aproveita mais o caminho e não fique tão ansiosa. Aproveita o caminho.”

Marcante

Diretor e ator, Dennis Carvalho ajudou a dar forma à TV brasileira

O artista chegou a ficar 20 dias em coma em 2023

01/03/2026 20h00

Foto: Reprodução

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A lista de trabalhos de Dennis Carvalho se mistura à história da televisão brasileira. Dancin' Days, Pecado Capital, Vale Tudo, Roque Santeiro - como ator e, mais tarde, diretor, ele construiu uma trajetória ímpar, que se encerrou neste sábado, dia 28, quando o artista morreu em um hospital do Rio de Janeiro, após um longo período com problemas de saúde.

A família não autorizou a divulgação da causa da morte.

O artista chegou a ficar 20 dias em coma em 2023. À época, ele teve uma septicemia, um quadro de infecção generalizada. Ele também apresentou embolia pulmonar e teve que realizar uma cirurgia para a colocação de um marca-passo.

Dennis Carvalho iniciou sua carreira como ator: seu primeiro trabalho foi na primeira versão da novela Roque Santeiro, que acabou censurada pela ditadura militar (1964-1985) - ela ganharia uma versão definitiva em 1985, da qual também fez parte do elenco.

Carvalho trabalhou ainda nas novelas O Meu Pé de Laranja Lima, Ídolo de Pano, Pecado Capital, O Casarão, Brilhante e Brega & Chique, entre outras. A curiosidade sobre como fazer o trabalho artístico o levou a estrear como diretor em 1977, com Sem Lenço, Sem Documento.

Foi o início de uma longa carreira atrás das câmeras, que incluiu novelas como Eu Prometo, Corpo a Corpo, Roda de Fogo, Vale Tudo, Fera Ferida, Explode Coração, Celebridade e Paraíso Tropical, além de minisséries como Anos Rebeldes e Dalva e Herivelto - Uma Canção de Amor e dos seriados Malu Mulher, Amizade Colorida e A Justiceira. Também foi um dos diretores do programa semanal de grande êxito Sai de Baixo, que marcou época no humor na TV brasileira.

Carvalho enfrentou ainda problemas com a censura, como no seriado Malu Mulher, que trazia Regina Duarte como uma mulher que cuidava da própria vida e da filha sem a ajuda de um marido ou namorado. Tratava de questões polêmicas, como aborto, drogas, homossexualidade, problemas reais, que as pessoas não estavam acostumadas a ver retratados na televisão.

Com Malu Mulher, Carvalho firmou-se como diretor, revezando-se com Paulo Afonso Grisolli e Daniel Filho, que dirigiu os episódios iniciais da produção.

O artista participou da criação e também atuou na série. "Tinha uma cena forte, uma briga violenta entre a Regina Duarte, a protagonista Malu, e eu, o ex-marido. O episódio ganhou sete prêmios internacionais, nos deu muito orgulho", contou em uma entrevista.

Carvalho teve diversos parceiros na criação, mas seu mais fiel foi o autor Gilberto Braga (1945-2021), com quem dirigiu a maioria de seus trabalhos na televisão, inclusive sua penúltima novela, Babilônia, em 2015, que não conquistou o sucesso de público e crítica de outros de seus trabalhos.

Ele também exerceu durante anos a função de dublador, sendo a voz de Roger "Race" Bannon, de Jonny Quest, Capitão Kirk, em Jornada nas Estrelas, e Jerry, em O Túnel do Tempo. Era dele também a voz do cabo Rusty, o amigo inseparável do cachorro Rin-tin-tin, no seriado de mesmo nome.

"Minha voz começou a mudar e comecei a pegar papéis maiores. Aí me entusiasmei pela dublagem e também comecei a dirigir por uns dois anos trabalhos de dublagem. Havia atores como Lima Duarte e outros conhecidos na época realizando esse tipo de trabalho", lembrou ao programa Memória, da TV Globo.

Missão

"Ser diretor, além de ser uma profissão gratificante e com a qual eu sempre sonhei, significava a missão de contribuir com o próximo, com o meio em que trabalhamos, de lançar novos talentos, formar diretores e atores", explicou ele ao site da Globo.

Com o tempo, Carvalho desenvolveu artimanhas própria com os diversos elencos com os quais trabalhou.

No programa Lady Night, comandado por Tata Werneck, ele revelou, em 2019, curiosidades dos bastidores de gravação. Entre elas, o fato de gostar de pregar peças nos atores. "Faço cenas falsas a novela inteira, só de sacanagem com os elencos. Combino com um ator e o outro colega não sabe. Daí o ator regrava, falava absurdos e o outro não entendia nada. Tem uma fita na minha casa que não pode sair do cofre", divertiu-se.

Carvalho recordou também uma cena icônica da TV brasileira que dirigiu: o assassinato de Odete Roitman (Beatriz Segall) na novela Vale Tudo (1988). Ele teve que lidar com imprevistos nas gravações e mudou o assassino da vilã de última hora. "Na versão original, os autores tinham decidido que Marco Aurélio (Reginaldo Faria) seria o assassino de Odete. No entanto, eles tiveram que alterar o desfecho depois que o segredo foi revelado pela imprensa. À época, também havia um concurso promovido por uma marca de alimentos, que sortearia 5 milhões de cruzados entre os participantes que acertassem a identidade do assassino "

Foi então que decidiram que Leila, vivida pela atriz Cássia Kiss, seria a responsável pela morte. Ela matou a vilã por engano, acreditando que se tratava de Maria de Fátima (Glória Pires), que tinha um caso com Marco Aurélio. "Uma semana antes do final, o Gilberto Braga me perguntou: quem é que tem cara de louca no elenco? A Cássia (Kiss), claro, eu respondi. Então é ela que vai matar, ele me disse", contou Carvalho em entrevista ao jornal O Globo em 2024. "A gente só gravou no dia em que o capítulo foi ao ar, para que o desfecho não vazasse novamente. Gravamos por volta de uma da tarde, para ir ao ar às oito da noite."

No ano passado, um remake da novela, escrito por Manuela Dias, foi ao ar e mudou o destino de Odete. Interpretada por Débora Bloch, a vilã continuou viva depois de Marco Aurélio (Alexandre Nero) tentar matá-la. O último trabalho de Dennis Carvalho na televisão foi na novela Segundo Sol, de 2018. Escrita por João Emanuel Carneiro, a produção teve nomes estelares como Giovana Antonelli, Emílio Dantas, Deborah Secco e Adriana Esteves no elenco.

Iniciantes

Carvalho começou cedo na vida artística, aos 11 anos, quando fez um teste na antiga TV Paulista para participar da novela Oliver Twist. Quem ficou com o papel principal foi outro iniciante, Osmar Prado. E Carvalho ficou com o papel do amigo de Oliver Twist. "A novela era ao vivo, não havia VT. Era fascinante ver o empenho das pessoas, fazendo televisão com as mínimas condições possíveis. Foi uma experiência muito bacana, que me marcou", recordou o ator e diretor ao Memória, em depoimento gravado em 2008.

Em 1968, ele entrou na TV Tupi, na qual participou de vários teleteatros e principalmente da novela Antônio Maria, na qual contracenou com uma lenda da atuação brasileira, Sérgio Cardoso, e também com outros nomes importantes, como Aracy Balabanian, Tony Ramos e Paulo Figueiredo. Em Ídolos de Pano (1974), ainda na Tupi, interpretou o papel do vilão, contraponto para o mocinho Tony Ramos.

Em vez de apenas fazer maldades, sugeriu ao autor Teixeira Filho um passado, questões não resolvidas que justificassem o comportamento do personagem, que, a partir daí, cresceu e ganhou bastante importância na trama.

"Fui indicado ao prêmio de melhor ator pela Associação Paulista de Críticos de Televisão", lembrou. Após a novela, recebeu um convite de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, para se mudar para a Globo. O que pesou na balança foi a promessa de mais tarde poder atuar como direção. Em 1975, assinou com a emissora.

Também nos anos 1970, Dennis Carvalho pisou pela primeira vez no palco no musical Hair, em 1970. Por intermédio de Aracy Balabanian, que participava do elenco, fez teste para a peça e passou. "Estreei ficando pelado em cena. Nem preciso dizer que a peça foi o maior sucesso. E eu, aos 20 e poucos anos, já trabalhava feito louco, fazendo televisão e teatro ao mesmo tempo", lembrou.

Ele estreou como diretor de teatro em 2013, no espetáculo Elis - A Musical, sobre a cantora Elis Regina. E, em 2022, dirigiu O Clube da Esquina, sobre a criação do grupo musical mineiro no qual se destacou Milton Nascimento. Em 2024, ele voltou a dirigir Elis - A Musical em uma versão comemorativa em São Paulo, que comemorava os 10 anos da estreia.
 

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