Correio B

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com a atriz Lorrana Mousinho destaque na novela "Três Graças" na TV Globo

"Faço teatro desde que criança. Foram muito anos construindo pedaço por pedaço do meu caminho, até que esse convite pra "Três Graças" apareceu".

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Atriz, professora de teatro e preparadora de elenco, Lorrana Mousinho está estreando nas novelas em “Três Graças”. Na trama, a artista dá vida a Cláudia, uma das cuidadoras de Josefa (Arlete Salles) que se revelou a espiã de Rogério (Eduardo Moscovis) na casa da vilã Arminda (Grazi Massafera).

Lorrana ainda é uma das fundadoras do Projeto Teatro Nômade, ao lado de Luísa Reis, em que oferece aulas de teatro gratuitamente para jovens estudantes de instituições públicas.

Mestre em Artes Cênicas pela UNIRIO - mesma instituição onde se graduou em Licenciatura em Teatro-, Lorrana Mousinho tem no currículo os espetáculos: "Roleta-Russa", baseada no livro "Suicidas", de Raphael Montes, e “Horácio", baseado no "Hamlet" de Shakespeare. Ela ainda atuou nos infantis “Em Casa", que usava a linguagem não-verbal, e “Peixe Vermelho”, projeto autoral que ela vai voltar a encenar em breve.

A atriz Lorrana Mousinho é a Capa eclusiva do Correio B+ desta semana, e em entrevista ao Caderno ela fala sobre estreia na TV, projetos e sua paixão pela profissão.
 

A atriz Lorrana Mousinho é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Marilha Galla - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Você está estreando na novela "Três Graças" na Globo. Como tem sido essa primeira experiência ao longo desses meses? Alguma curiosidade desse debut?
LM -
 Tem sido uma delícia. Um privilégio enorme poder criar uma personagem e a cada novo bloco de texto que sai descobrir mais coisas sobre ela, que fazem a gente sempre continuar colocando mais camadas nessa criação. Isso do não saber e também poder ser surpreendido traz uma temperatura diferente pra criação, deixa tudo mais arriscado. E sustentar essa energia por meses é onde mora o grande desafio.

CE - Cláudia, sua personagem, aliás, ganhou um destaque ao deixar de ser uma pacata cuidadora e se revelar espiã de Rogério (Eduardo Moscovis) na casa de Arminda (Grazi Massafera). Você esperava  esse plot twist ?
LM -
Sim, eu esperava. Na primeira leitura com elenco completo mais autores, eu estava tensa porque achava de bom tom na hora do intervalo ir cumprimentar o Aguinaldo Silva, afinal, né, é o Aguinaldo Silva. Mas não sabia como. Isso me gerou tanta tensão, ainda mais que eu sou tímida pra caramba, que eu pensei: “Deixei pra lá”.

Vai tomar seu cafezinho, vai. Você já sobreviveu ao seu momento na leitura, agora, relaxa. E eis que ele que me puxa num canto e rindo de orelha a orelha me conta que eu não era só uma cuidadora, não. Mas que eu era essa espécie de “espiã”, infiltrada na casa a mando do Rogério. Eu fiquei chocada na hora, feliz e com medo, um mix de sensações. Agora o como foi eu não esperava.

Acho que foi uma resposta também à maneira como o público abraçou a personagem na sua primeira fase, mesmo que tenha durado um curto período, as pessoas torciam demais pela Cláudia cuidadora e estudante de medicina. Acredito que essa identificação do público com ela e a indignação que a sua suposta morte gerou, ajudaram pra que seu retorno fosse bom daquele jeito. Pra mim todas essas reviravoltas foram como se eu estivesse recebendo um presente. 

CE - E como tem sido lidar com esse sucesso de Cláudia com o público e com a imprensa?
LM -
 Eu acho tudo surpreendente (risos). A palavra pra mim é “surpresa” pra muita coisa. Afinal, é o que você falou, a primeira novela e já comecei numa das 9, de grandes autores e ainda um sucesso. É um pacote muito grande de coisas boas e nem sempre a gente sabe receber, temos que desenvolver estrutura interna pra saber receber as coisas boas também.

E isso essa novela tem me ensinado muito, dia após dia, sobre merecimento e que é preciso desenvolver em mim essa capacidade.  Me sinto feliz com a abordagem das pessoas na rua, nas redes sociais, como também não sou nenhuma celebridade, essas abordagens são tranquilas, educadas, geralmente, bem-humoradas.

Muita gente vem no meu privado no Instagram espontaneamente pra falar sobre o meu trabalho. Lá no início, então, da novela, eu temia que ninguém na verdade estivesse me vendo ali ao lado (o que não faz sentido nenhum), foi o máximo ver as pessoas fazendo os recortes da Cláudia dando umas olhadas e botando nas redes, acordando com os sustos, vibrando por ela, torcendo.

Falando de suas próprias lutas e histórias. Depois quando ela virou o jogo, ainda se mantiveram na torcida, curiosos com o que está por vir. Muito engraçado também as pessoas me pedindo spoiler e também pra eu dar a dica x ou y para os autores (risos). Lidar com a imprensa também tem sido tranquilo. Chegaram até mim profissionais bem respeitosos que, de modo geral, mantém a integridade do que eu falo.

Com boas perguntas. Boas conversas. Eu também tenho uma assessora ótima que consegue me blindar de muita coisa, a Natasha Stein. Aos poucos também tenho aprendido o que funciona e o que não funciona de ser dito e pra quem, a gente vai conhecendo mais como esse meio funciona. 

CE - Pode considerar essa oportunidade um divisor de águas da sua carreira?
LM -
 Com certeza. Por mais que a nossa relação com as novelas tenha mudado muito nos últimos anos, ainda impacta um número enorme de pessoas. No nosso país sempre foram obras muito assistidas e celebradas, fazer parte de projetos assim, podem ter o potencial de redefinir a carreira de uma atriz, seja em grande ou pequena escala, contribui muito pra nossa construção de carreira.

Como eu já disse em outras entrevistas, eu não venho de uma família de artistas ou abastada, que tem conexões no meio. Faço teatro desde que criança. Foram muito anos construindo pedaço por pedaço do meu caminho, até que esse convite apareceu.

Um ator que faz novelas no Brasil tem mais oportunidades de fazer outros trabalhos no audiovisual e inclusive, de poder habitar o próprio teatro (onde sempre habitei) com muito mais conforto e estrutura de trabalho, casa cheia, acessos que, grande parte das vezes, quem está ali desde sempre nunca teve. Pode ser uma abertura de caminhos e espero que pra mim seja também, já está sendo, na verdade, de uma maneira ou de outra. 

CE - Aliás, você levou 18 anos pra fazer uma novela. A que atribui essa demora? Era uma vontade?
LM -
 Levei mais que 18 (risos). Atribuo a maneira como o mercado funciona mesmo e ao modo difícil, quase impossível que é operar dentro dessa profissão. Se você escolhe ser artista e vem de baixo, os obstáculos vão ser imensos. Um Everest quase. Obstáculos esses com os quais eu durmo toda a noite, inclusive, porque nada está dado, sei lá o que vai acontecer comigo depois dessa novela.

Vou apenas seguir, como fiz a vida toda. Obstáculos que outros artistas que vêm de outras realidades nem sabem que existem e podem até ter uma visão ilusória e pouco real de como a sua própria classe vive, te leva a nem saber que você pertence a uma classe, na verdade. Você sabe como você vive, mas não tem noção de como os artistas sobrevivem no nosso país, repare que eu não tô falando nem de viver, mas de sobreviver.

Vir dessa realidade e apesar das poucas conexões, ter tido acesso a muito estudo de qualidade, graças à minha família, me situou com muita reflexão crítica dentro do meu espaço de trabalho. De alienação eu não sofro. 

Eu cresci vendo novelas, queria fazer novelas também, é claro, mas desde cedo fazendo teatro e entendendo como o mercado funcionava, que tinha suas preferências e claramente eu não era uma delas, foquei no teatro e tomei quase um horror à TV (risos). Mas com o tempo você entende que se você não ocupa aquele espaço, você fica à margem, muitas vezes, até do próprio teatro.

Esse que acontece, que tem público, que tem bons salários, onde os jurados de prêmios vão, do qual se pode viver (ou tentar que venha daí parte de sua forma de ganhar a vida). O meu teatro e de tantos artistas, a maior parte deles, funciona na margem. Gravava vídeos de cadastro, era elogiada, mandava material, recebia bons feedbacks e nada e seguia a vida.

Murros em ponta de faca que só confirmavam que meu lugar não era ali. Por isso agora eu me surpreendo o tempo todo e preciso me expandir internamente pra que todos esses acontecimentos possam caber.

Jurei pra mim que quando fizesse um trabalho assim seria convidada e entraria pela porta da frente, que o respeito dos outros pelo meu trabalho de atriz e pelas minhas capacidades abririam qualquer porta pra mim e não é que eu fui convidada? (risos).

A atriz Lorrana Mousinho é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Marilha Galla - Diagramação: Denis Felipe - Por: Flávia Viana

CE - Percebemos você bem presente nas redes sociais. Acha que, de fato, essa dedicação traz impacto na carreira de um artista, já que se fala muito hoje sobre número de seguidores?  
LM -
 Com certeza. Antes da novela eu postava muito pouco, um post, às vezes, em meses. E todas as minhas redes, antes Facebook, depois Instagram, eu só tive por conta de trabalho. Demorei a ceder pro WhatsApp. Acho tudo enlouquecedor e que tem grande potencial pra ser uma fonte de agonia, comparação, gatilhos. Só que percebi mesmo o mundo mudando, percebemos.

Passou a ser impossível não ter redes sociais se você quer divulgar o seu trabalho e precisa divulgá-lo. Quem não precisa, pode ter o privilégio de não ter. Passei a fazer um uso intenso nas minhas redes de professora como praticamente única forma de conseguir alunos. Passei a usar mais a minha pessoal pra divulgar o meu trabalho como atriz e isso foi realmente me ajudando a tornar visível o meu trabalho.

Agora com a novela, pra você ter uma ideia, eu conto com um profissional, o Ariel Moraes, grande amigo, ator também, que me ajuda a entender o momento e a gerir as redes e conteúdos da melhor maneira possível. É quase um segundo trabalho mesmo, que torna mais visível esse primeiro, de atuação. E eu sinto os resultados, você vai se tornando mais interessante aos olhos das pessoas, aos olhos do público e isso pode ser motivo de prospecção de novos trabalhos, apoios, patrocínios.

Eu sabia que seria um momento de grande visibilidade e que deveria intensificar isso, o famoso fazer do limão uma limonada. No início resistia mais, mas combinei comigo que iria fazer o todo o possível e necessário mantendo a minha ética, é claro.

E faço. O famoso “sem tempo, irmão!” (risos) tem que fazer, então, faz e faz bem feito. E acabou que me adaptei bem, tem mil coisas que não gosto de fazer, mas descobri as que gosto também, as que me divirto fazendo e o contato com o público, como falei, é a melhor parte. 

CE - Além de atriz, você é professora de teatro. O que tem aprendido como artista ao fazer uma novela das 21h?
LM -
 Acha que tem algo novo pra passar aos alunos agora fazendo TV?
Eu continuo dando aulas, né. Eu tenho levado já cinquenta mil novidades (risos). Eu dou aulas de teatro e de atuação p/ audiovisual (a partir da minha experiência como preparadora). 

Tudo o que eu descubro, aspectos técnicos, os dias fáceis, os dias desafiadores, as qualidades que percebo nos trabalhos dos outros atores, as dificuldades que passei (uma coisa é estar atrás das câmeras, outra é estar na frente delas) vou levando tudo.

uando somos artistas e docentes tudo o que a gente experiencia entra dentro do nosso bojo, do nosso processo de colagem, montagem pra que a gente dê nossas aulas. Todas as interferências que passam pela sua vida influenciam as demais, então, você está sempre dando uma aula diferente e mais engajada. As minhas aulas de hoje já são diferentes das do ano passado e das do mês passado, com certeza. 

CE - Você ainda é uma das fundadoras do Projeto Teatro Nômade, ao lado de Luísa Reis, em que oferece aulas de teatro gratuitamente para jovens estudantes de instituições públicas. Fale mais disso.
LM - 
Eu amo falar sobre o Nômade. Quando estou naqueles dias ruins, onde penso que nada tem sentido. O Nômade sempre aparece como algo que tem. E eu sou muito grata por isso. O projeto foi fundado em 2016, vamos fazer aniversário de 10 anos esse ano!

Esse projeto vem desde a época da faculdade de teatro, onde conheci a Lu, ambas nos formamos em Licenciatura em Teatro na UNIRIO. Trabalhamos com teatro como prática de transformação social. O Nômade sempre funcionou a partir de trabalho voluntário, conseguimos patrocínio por um ano, apenas, até hoje, e isso foi há pouco tempo.

Inclusive: Oi, patrocinadores! Estamos aqui! Mas como sempre, continuamos seguindo, com muita convicção sobre a importância do que fazemos. Temos turmas nas regiões centrais do Rio e na Baixa Fluminense, que também é meu lugar de origem.

Nosso foco são os jovens ditos periféricos. Ao longo do ano, os alunos e alunas fazem aulas de teatro e no final do ano as turmas se apresentam. Já impactamos centenas de jovens até hoje, muitos deles trabalham hoje com a gente, então, o Nômade não é mais apenas a Lu e eu, mas um grupo grande de pessoas que fazem com ele aconteça todos os dias. 

CE - Agora que estreou numa novela, quais seus sonhos profissionais ainda não realizados?
LM - 
Zilhões. Toda hora a ideia de um projeto, de uma história a ser contada passa pela minha cabeça. Meus sonhos profissionais se resumem a poder contar essas histórias que me habitam agora e as que vão habitar. Poder seguir fazendo isso com mais estrutura, mais dignidade, do jeito que todos os artistas e eu merecemos.

Todos nós que não estamos por fama, mas pelo ofício. Agora, sendo mais específica, gostaria de circular pelo Brasil com o meu infantil, vamos fazer uma circulação nesse momento pelo interior do Rio pelo Sesc. A peça se chama “Peixe Vermelho”, é um infantil que fala sobre a raiva e a importância de saber manejar essa emoção tão controversa.

A direção é da Fabianna de Mello e Souza e no elenco está a minha irmã, Raisa Mousinho, Bruno Paiva e eu. Eu amo teatro infantil. Pra mim não é lugar de passagem. Espero nunca dizer “quando eu fazia teatro infantil”. Espero sempre ter a possibilidade de fazê-lo e cada vez melhor.

Tenho esse sonho de poder rodar pelo país fazendo peças e gostaria agora também de poder continuar fazendo novelas, aprofundando essa primeira experiência, trabalhando personagens ainda mais complexas e estimulantes. E eu nunca fiz um filme ou uma série. Seria incrível. Seria, não. Vai ser!

CE - Você já contou em entrevistas que começou a fazer teatro ainda adolescente quando morava na Baixada Fluminense, no Rio. O que a Lorrana de hoje diria pra Lorrana que sonhava em viver de arte? 
LM -
 Comecei na infância, na verdade, aos dez anos. Acho que eu diria “Minha irmã, você vai comer o pão! (risos) Seja forte. Comece a fazer terapia antes pra saber manejar melhor as suas emoções. Tira da sua cabeça isso de que você é fraca porque tem sensibilidade, essa é a sua maior qualidade nessa vida.

Você é inteligente, talentosa e tem um bom coração. Foca nas suas qualidades. E vão aparecer uns babacas na sua vida. Não sai com eles! Com o passar do tempo, as coisas vão acontecendo. Podem demorar, mas elas vão acontecendo. Então, agora que você já sabe disso, aproveita mais o caminho e não fique tão ansiosa. Aproveita o caminho.”

GASTRONOMIA

Fim de uma era? BK troca Pepsi por Coca-Cola e surpreende clientes

Mudança já começou em unidades da Capital e deve levar máquinas de autoatendimento liberado por até 30 minutos aos restaurantes da rede

14/05/2026 12h10

Transição para produtos Coca-Cola já começou em unidades do Burger King em Campo Grande e inclui free refil

Transição para produtos Coca-Cola já começou em unidades do Burger King em Campo Grande e inclui free refil Divulgação

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Quem nunca imaginou aquele combo clássico de hambúrguer na brasa, batata frita crocante e um copo bem gelado do refrigerante mais famoso do mundo? Em Campo Grande, esse desejo dos fãs de fast-food começou a virar realidade. O Burger King iniciou a troca das bebidas da antiga parceria pelos produtos da Coca-Cola.

A mudança começou pelas unidades administradas pelo Grupo Conforti e, nesta primeira etapa, os refrigerantes estão sendo vendidos em lata. Entre as opções disponíveis estão Coca-Cola, Coca-Cola Zero, Fanta Guaraná, Fanta Laranja e Sprite.

Segundo a empresa, a comercialização em lata faz parte de uma fase de adaptação operacional necessária antes da instalação das máquinas de autoatendimento no salão, modelo já conhecido pelos clientes da rede. Após esse período, os clientes terão de volta o consumo à vontade por até 30 minutos, agora com bebidas da Coca-Cola.

A transição acontece gradualmente em todo o Brasil e, por enquanto, nem todas as lojas de Campo Grande já concluíram a troca. As unidades localizadas na Avenida Zahran e na Avenida Afonso Pena seguem operando temporariamente com bebidas da antiga parceria, incluindo Pepsi e demais produtos da Ambev.

Já outras lojas da Capital passaram a oferecer os novos refrigerantes tanto no atendimento presencial quanto no delivery. É o caso das unidades dos shoppings Bosque dos Ipês e Norte Sul Plaza, além dos restaurantes localizados nas avenidas Gunter Hans, Mascarenhas de Moraes, Mato Grosso, Fernando Corrêa da Costa, Spipe Calarge e no Comper Itanhangá.

A expectativa é que todas as unidades avancem para a próxima fase da mudança nos próximos meses, consolidando o retorno do free refil, agora acompanhado da clássica Coca-Cola bem geladinha.

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Brasil Sabor

Festival gastronômico valoriza a culinária brasileira e regional e reúne mais de 400 restaurantes

Festival gastronômico valoriza a culinária brasileira e regional e reúne mais de 400 restaurantes com pratos promocionais em edição comemorativa

14/05/2026 08h30

Filé canavial, do Espaço Primazia, em Rio Brilhante

Filé canavial, do Espaço Primazia, em Rio Brilhante Arquivo

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Entre receitas tradicionais, releituras criativas e ingredientes regionais, o festival Brasil Sabor chega à sua 20ª edição este ano, celebrando a diversidade gastronômica do País. Com o tema “A Seleção da Cozinha Brasileira”, o evento transforma bares e restaurantes em representantes oficiais dos sabores nacionais, com uma proposta que mistura identidade cultural, turismo, economia e experiências gastronômicas.

Realizado entre os dias 14 e 31 deste mês, o festival acontece em formato híbrido, permitindo que o público prove os pratos tanto presencialmente quanto por delivery. A iniciativa reúne centenas de estabelecimentos em diferentes regiões do Brasil, com menus exclusivos e preços promocionais definidos por cada restaurante participante.

Criado em 2006, o Brasil Sabor se consolidou ao longo das últimas duas décadas como um dos maiores festivais gastronômicos do País.

A proposta nasceu a partir da união de eventos culinários municipais já existentes em diferentes cidades brasileiras, em um movimento liderado pela Abrasel, Sebrae e Ministério do Turismo para fortalecer a gastronomia como diferencial turístico e cultural do Brasil.

Neste ano, a temática inspirada no universo esportivo busca destacar a cozinha brasileira como símbolo de orgulho nacional. Cada restaurante participante assume o papel de “convocado” para representar sua região, apostando em ingredientes típicos, técnicas locais e combinações autorais que revelam a riqueza da culinária brasileira.

Segundo José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo e Inteligência da Abrasel, o festival vai além da experiência gastronômica e movimenta diferentes setores da economia.

“O Brasil Sabor tem um papel relevante para movimentar as economias locais. Ao valorizar a gastronomia regional, o festival estimula a circulação de pessoas, gera oportunidades para diferentes elos da cadeia produtiva e contribui para o desenvolvimento do setor de forma ampla”, afirma.

A expectativa para este ano é ampliar ainda mais o alcance do evento. Em 2025, o festival reuniu mais de 600 restaurantes distribuídos em 89 cidades de 18 estados e do Distrito Federal. Neste ano, a organização destaca a presença em 19 estados, mais de 40 cidades e mais de 400 restaurantes participantes.

Além de fortalecer a gastronomia regional, o festival também se tornou uma ferramenta estratégica para os estabelecimentos participantes. Para muitos empresários do setor, o evento funciona como uma vitrine para apresentar novos pratos, atrair clientes e ampliar a visibilidade dos negócios.

“Para os proprietários de bares e restaurantes, o festival é uma oportunidade de ampliar a visibilidade dos negócios, atrair novos públicos e fortalecer o relacionamento com os clientes. Além disso, o evento estimula a inovação nos cardápios e contribui para posicionar os estabelecimentos de forma mais competitiva no mercado”, completa José Eduardo Camargo.

TRANSFORMAÇÃO

Ao longo de 20 anos, o Brasil Sabor acompanhou mudanças importantes no comportamento do consumidor e também no próprio setor gastronômico. Desde a primeira edição, o evento passou por reformulações, expandiu formatos e incorporou novas tendências.

Em 2006, quando foi realizado pela primeira vez, o festival já demonstrava força nacional. Foram 1.057 restaurantes participantes em 24 estados brasileiros, consolidando o chamado “Movimento Brasil Sabor” como uma estratégia de promoção do turismo gastronômico.

Nos anos seguintes, o evento passou a apostar em temas específicos e ações promocionais. Em 2012, por exemplo, a edição foi dedicada à culinária italiana e utilizou o slogan “Quem tem boca vai a Roma”, oferecendo aos consumidores a possibilidade de concorrer a uma viagem para a Itália.

Em 2015, o festival celebrou seus dez anos reafirmando a posição de um dos maiores eventos gastronômicos do Brasil. Já em 2020, em razão da pandemia da Covid-19, o Brasil Sabor precisou se reinventar e realizou sua primeira edição totalmente voltada ao delivery.

A experiência acabou mudando definitivamente o formato do evento. Desde 2021, o festival acontece de maneira híbrida, unindo atendimento presencial, delivery e também take away. Naquele ano, a adesão chegou a 901 estabelecimentos – o maior número já registrado pelo festival.

CULINÁRIA REGIONAL

Em Mato Grosso do Sul, dezenas de estabelecimentos aderiram ao Brasil Sabor 2026 com pratos que passeiam entre referências pantaneiras, culinária italiana, receitas nordestinas, gastronomia contemporânea e clássicos reinventados.

As cidades de Bonito, Campo Grande, Corumbá, Dourados, Ponta Porã e Rio Brilhante participam da edição deste ano com opções que destacam ingredientes típicos e combinações criativas.

Em Bonito, os pratos participantes exploram sabores regionais e referências locais. O Beco da Arte apresenta a pizza pantaneira, enquanto o Pantanal Grill aposta no jacaré ao coco. Já o Raízes Restaurante participa com o prato raiz do Norte, e o Cantinho da Vovó leva ao festival o filé do poeta.

Campo Grande concentra o maior número de participantes no Estado e reúne uma diversidade de propostas gastronômicas. Há desde pizzarias e hamburguerias até restaurantes especializados em culinária regional, massas artesanais e pratos fitness.

Entre os destaques está a Pizzaria Dom Pauligi, que aposta em uma pizza de avestruz, enquanto o Poiá leva ao festival o tradicional cupim soleado. O Restaurante Lagoa Morena participa com o pacu à Morena, valorizando um dos peixes mais consumidos na região.

Também chamam atenção pratos como o sobá pantaneiro, do Jardim Secreto, o risoto de carne seca com banana-da-terra, do Restaurante Grattugia, e o pantaneiro, do Manjê Burger.

A criatividade aparece ainda em combinações inusitadas, como o paulistinha blue cheese, de O Paulistinha Sanduíches, as empanadas de ossobuco, da Steak Store, e o capivara parmê, da CapivaS Cervejaria.

O festival também contempla sobremesas e cafés especiais. Entre as opções estão os bolos da Cheiro d’ Bolo, a torta de maçã holandesa, da Doce Lembrança, e o combo memória de elefante, do Juna Café e Restaurante.

Em Corumbá, o Restaurante Migueis participa com uma coxinha de jacaré, reforçando a presença da culinária pantaneira no evento.

Já em Dourados, os restaurantes apostam em pratos sofisticados e fusões gastronômicas. O Restaurante Mandhi Cozinha Autêntica apresenta um filé de pirarucu grelhado com risoto de palmito pupunha orgânico, enquanto o Utida Sushi Bar participa com o combo do chef Utida. O Tapioca Nordestina leva ao festival a tapioca virada Lampião.

Ponta Porã participa com o filé Alfredo Flamboyant, do Flamboyant Restaurante Bar, e Rio Brilhante marca presença com o filé canavial, do Espaço Primazia.

IDENTIDADE CULTURAL

Além de ajudar a promover restaurantes, o Brasil Sabor ajuda a contar histórias por meio da comida. Ingredientes típicos, receitas afetivas e tradições culinárias se transformam em elementos de valorização cultural e pertencimento.

No caso de Mato Grosso do Sul, o festival evidencia a força da culinária pantaneira e das influências culturais que moldam a gastronomia regional. Peixes de água doce, carnes típicas, receitas de influência paraguaia e técnicas tradicionais aparecem lado a lado com propostas contemporâneas.

Ao mesmo tempo, o evento estimula chefs e cozinheiros a experimentarem novas combinações e releituras, criando um diálogo entre tradição e inovação.

A gastronomia também ocupa um papel importante no turismo. Em cidades como Bonito e Corumbá, por exemplo, a experiência culinária se tornou parte fundamental do roteiro turístico, atraindo visitantes interessados em conhecer sabores regionais, além das paisagens naturais.

O crescimento dos festivais gastronômicos no Brasil acompanha justamente essa valorização da comida como experiência cultural. Hoje, provar um prato típico deixou de ser apenas uma refeição e passou a integrar a forma como turistas conhecem cidades, tradições e modos de vida.

>> Serviço

Festival Brasil Sabor – 20ª edição

Datas: de 14 a 31 de maio.
Mais informações: www.brasilsabor.com.br.

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