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Nasi fala sobre religião, álbum solo e legalização da maconha

Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, vocalista do Ira! desde 1981 fala sobre religiões afro-brasileiras, anuncia seu sexto disco solo e defende a legalização da maconha no País

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O que o público pode esperar do show deste domingo na Praça do Rádio?

O público pode esperar um retrospecto dos nossos mais de 40 anos de história. Nós procuramos mostrar, além de todos os sucessos que o público sempre quer ouvir, músicas representativas de cada um de nossos 13 álbuns. Dá, como eu já falei, um panorama, um cenário bom de toda a nossa 
história.

O que diria de a banda estar representando o rock nesse evento?

Ficamos felizes de o Ira! representar o rock nesse show. Acho que o Ira! é uma banda muito representativa, não só da década de 1980, mas ganhamos prêmios nos anos 1990 e, em 2000, tivemos o “Acústico MTV”. Então, eu acho que o Ira! é uma das bandas mais representativas da história do rock no Brasil.

Se você tivesse que escrever sobre o Ira! para uma enciclopédia do rock brasileiro, qual seria a primeira frase?

Eu diria: uma das maiores bandas da história do rock no Brasil nasce em São Paulo, em um show em outubro de 1981. Como eu já falei: eu acho que o Ira!, no panorama do rock brasileiro, é uma das bandas mais representativas e uma das mais importantes 
da história.

Como se sente ao recorrentemente retomar o repertório dos dois primeiros álbuns?

Me sinto feliz, cara. Acho que cada show… Eu não tenho esse tipo de coisa, de [não querer] cantar “Envelheço na Cidade” até hoje ou “Núcleo Base”, porque cada vez que eu apresento ela ao vivo é um outro público, uma outra cidade. Vou ter lá na plateia muitas pessoas, a maioria delas até, eu diria, que vão ouvir, nessa apresentação, a gente tocando essas músicas antigas pela primeira vez. Então, isso me dá o frescor necessário para continuar. E para curtir!

Qual o seu top 5 do Ira!?

O top 5 do Ira!? É difícil de fazer, mas vamos tentar lá, vai. Os nossos dois primeiros álbuns, sem ordem de preferência, tá? Do que é melhor ou não é… Nossos três primeiros álbuns, eu diria: “Mudança de Comportamento” [1985], “Vivendo e Não Aprendendo” [1986] e “Psicoacústica” [1988]. Eu colocaria também o “Acústico MTV” [2004] e colocaria esse nosso [álbum] mais recente, o “Ira”, lançado em 2020. [Nota do repórter: a grafia Ira, isto é, sem o ponto de exclamação, é vista anteriormente só no primeiro compacto, de 1984, que trouxe faixas como “Pobre Paulista” e “Gritos na Multidão”. Posteriormente, também é encontrada no projeto “Demos 83-84”, lançamento em vinil de 2022, em edição com apenas um LP ou box duplo, que inclui ainda camiseta e outros itens].

Como lida com essa canonização da banda por um lado e, por outro, com as cobranças e as críticas da imprensa ou dos fãs?

Com relação a isso, sinceramente, tanto nós do Ira! quanto no meu trabalho solo, a gente faz o trabalho, faz os discos para, primeiramente, nós mesmos. Fazemos discos que a gente compraria se fôssemos o consumidor. E óbvio que, como tem muita gente que nos segue justamente por isso, se a gente agrada a nós mesmos, com certeza vamos agradar muita gente.

Dá para dizer que há um antes e um depois do “Acústico MTV”?

Eu não diria que existe um antes e um depois do “Acústico MTV” do Ira!. Mas, com certeza, esse disco fez com que a gente atingisse um público que fosse um pouco fora do rock. Os projetos acústicos, não só do Ira!, mas todos eles, atingem pessoas que gostam de MPB ou que gostam de outros gêneros musicais, não é? E acho que isso aconteceu com o Ira! como aconteceu com todas as bandas.

Além da turnê que chega a Campo Grande, o Ira! está fazendo apresentações em que toca o “Psicoacústica” (1988) na íntegra, para marcar os 35 anos do disco. Já há shows na agenda até o fim do ano. Fora o lançamento em vinil das gravações demo dos anos 1980. O que mais vem por aí?

Olha, no momento, projetos futuros… Eu estou mergulhando em um trabalho solo, tá? O primeiro single vai sair agora, em agosto, e o álbum cheio deve sair no começo de novembro.

O que levou o Ira! a lançar a coletânea de versões demos?

Na verdade, esse projeto [“Demos 83-84”] não foi nós que iniciamos. Foi uma iniciativa da Nada Nada Records, uma pesquisa deles, etc. e tal. Nós, obviamente, achamos legal, até demos entrevistas. Tem textos dentro da caixa que são fruto de entrevistas que nós demos, contextualizando as faixas. 
E também acompanhamos o processo de remasterização. Mas não foi algo que nós iniciamos como um projeto da banda. [Nota do repórter: o projeto “Demos 83-84” é uma realização conjunta do selo Três Selos e da gravadora Nada Nada Discos e traz o Ira! como “precursor da new wave e do pós-punk nacional”, com Dino Nascimento no baixo e Charles Gavin na bateria, esse último que depois integraria os Titãs, ao lado de Nasi e Edgard Scandurra na formação do quarteto].

Como está a sua relação com Edgard?

A minha relação com ele está excelente. Quando nós divergimos de algum assunto, de alguma posição, nós resolvemos da maneira mais democrática e mais consensual possível.

Ricardo Gaspa (baixo) e André Jung (bateria), da formação clássica, deixaram a banda em 2007. Poderia falar também sobre os dois?

A minha relação com o Gaspa é muito boa, sou padrinho do filho dele. O Gaspa só não voltou ao Ira! em 2014 porque não quis. Ele tinha outros projetos para a vida dele. Tanto que hoje ele mora em Pirenópolis, Goiás. Já o André nunca mais conversei com ele. Nunca mais o encontrei.

Poderia falar ainda sobre Johnny Boy e Evaristo Pádua?

O Johnny Boy e o Evaristo são excelentes músicos. O Evaristo já toca comigo antes do Ira!, desde 2009, 2010. E o Johnny é um dos maiores músicos que eu conheci em minha vida. É multi-instrumentista e canta muito. Eles não deixa nada a dever à formação anterior, muito pelo contrário. São músicos que também têm a formação musical que são as influências e as características do Ira!. E como tocavam comigo já algum tempo, foi… Não precisou de adaptação nenhuma. Eles já foram dando uma evolução no que o Ira! já era. O Ira! evoluiu com Vara – como a gente chama o Evaristo – e com o Johnny Boy.

Você arriscaria uma autodefinição? Um “Nasi por Nasi”?

Nasi por Nasi? Era um garoto que como outros amava os Beatles e os Rolling Stones.

E quem é Marcos Valadão Ridolfi (Nasi)?

Quem é o Marcos Valadão? Bom, eu diria que é um filho de Ogum com Exu, que enverga mas não quebra, balança mas não cai. 

Como você cuida da voz?

Bom, é melhor eu não falar como eu cuido da minha voz porque… [risos]. Eu sou o terror das fonoaudiólogas. Mas eu procuro ter, na medida do possível… Eu estudo canto. Agora, depois da pandemia, eu parei. Mas, desde o fim da década de 1980… [foi quando começou a estudar canto]. E procuro ter sono e hidratação suficientes. Mas sou um cara que fuma e bebe. Como a maior parte dos cantores de rock faz. Isso caracteriza a minha voz. Uma voz mais rouca, mais grave. Essa é uma característica do rock. Eu não sou cantor de bossa nova nem cantor de ópera.

Qual a maior voz de todos os tempos na sua opinião?

A maior voz, para mim, de todos os tempos foi James Brown.

Como a carreira solo dialoga com o Nasi do Ira!?

A carreira solo... Acho que posso dizer que, tanto a minha como a do Edgard [Scandurra, baterista do Ira!], ela serve para colocar coisas que são mais pessoais, coisas que ficariam estranhas talvez no Ira!. Por exemplo, a minha carreira solo não é exclusivamente de blues, mas tem muito blues. Eu acho que são coisas que não combinam com o Ira!.

Existe algum momento especialmente marcante em sua carreira solo?

Um momento marcante da minha carreira solo foi em 2010. O meu disco “Nasi – Vivo na Cena” foi um dos cinco indicados a Melhor Álbum de Rock no Grammy Latino.

Você curte fazer as letras das canções?

Sim. Curto escrever letras. Tenho muitas letras minhas. Tenho mais de 100 letras escritas. Muitas, inclusive, no Ira! também, como “Rubro Zorro”, “Advogado do Diabo”, “Correnteza” e “Milhas e Milhas”. Mas, para mim, como intérprete, o mais importante é eu encontrar uma letra que eu queira cantar. Independente de eu escrevê-la ou não.

O que te inspira a escrever? E a cantar?

As inspirações são as mais diversas possíveis. Coisas do cotidiano que eu estou vivendo. Algum sentimento, algum relacionamento que eu tive ou tenho. É difícil, é abstrato.

Só lembro de você empunhando o microfone. Tem alguma ambição em relação a algum instrumento?

Não. Não tenho, não. Mesmo porque cantar é muito mais difícil que tocar um instrumento. Não sou esse tipo de cantor que precisa botar uma guitarra na mão para se sentir à vontade no palco. Aliás, como eu já disse, é muito mais difícil cantar do que tocar. Porque cantar envolve mais coisas do que a técnica adquirida. Tanto que você vai encontrar muito mais instrumentistas do que cantores. Eu, quando era garoto, estudei piano, estudei violão. Mas a voz… Eu sempre estudei canto com regentes. Sei solfejar.

O que pensa sobre as drogas atualmente?

Penso que a maconha tinha que ser descriminalizada.

Qual a sua relação com a umbanda e com outras religiões?

Sim, eu sou [umbandista] já desde tenra idade. Sempre fui envolvido com a umbanda e, depois, com o candomblé. Hoje, há pelo menos 15 anos, eu sou iniciado no culto de Ifá [espécie de oráculo do povo iorubá, na Nigéria] pelo sacerdote Bàbá King. A cada dois anos fico recolhido na Nigéria. Então, levo isso muito a sério.

O que muda aos 61 anos?

O que muda aos 61 anos, cara, para mim, que sou um músico de rock... Você tem uma vida de muitas viagens e, às vezes, de muito cansaço. 

É mais a parte meio de sentir um pouco mais o cansaço da estrada, mesmo. Mas, de resto, o rock é algo que rejuvenesce a gente dia a dia.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli

Inspirado em seu livro Elis & Eu, documentário recupera a mãe, amiga e dona de casa além da cantora

23/08/2026 13h30

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli Foto: Reprodução

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É difícil imaginar que ainda exista uma Elis Regina a ser descoberta. Sua voz, seus discos, suas entrevistas, seus encontros históricos e até suas contradições foram revisitados tantas vezes que a impressão é de conhecermos tudo sobre uma das artistas mais importantes da música brasileira.

Elis & Eu parte justamente do que ficou fora desse registro: não tanto a cantora que o Brasil conhece, mas a mulher que existia quando o palco desaparecia.

O documentário, dirigido por André Bushatsky, estreia em 25 de agosto no Universal+ e foi inspirado em Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe, livro de João Marcello Bôscoli.

A produção combina imagens raras de arquivo, dramatizações e depoimentos de pessoas que atravessaram diferentes momentos da vida de Elis, entre elas Wanderléa, João Bosco e César Camargo Mariano, além de recuperar registros de Rita Lee, Tom Jobim, Milton Nascimento e Ronaldo Bôscoli.

A atriz Lílian Menezes interpreta Elis nas recriações, enquanto Antônio Menqui e Victor Constantino vivem João Marcello em diferentes idades.

É importante, porém, uma distinção que o próprio João Marcello faz questão de estabelecer: ele não realizou o documentário. Bushatsky leu o livro, procurou o autor e decidiu transformar aquelas lembranças em uma obra cinematográfica.

João não participou da elaboração do roteiro, das escolhas de depoimentos ou das decisões artísticas e só assistiu ao filme depois de pronto.

“A minha contribuição foi fazer o livro”, resume em um papo para o Caderno B+. Para ele, essa distância acabou tornando a experiência ainda mais inesperada. Memórias que durante décadas existiram apenas dentro de sua cabeça passaram a ter uma representação visual.

Não existe, por exemplo, registro da mãe encontrando o filho na praia ou do episódio em que, depois de roubar a carteira de Elis, o menino foi expulso de casa e acabou vivendo por algum tempo em uma barraquinha. Ver algo alusivo a essas lembranças transformado em cinema foi, segundo ele, profundamente emocionante.

O filme também acrescentou histórias que nem João Marcello conhecia. Ele cita o depoimento de Wanderléa, que reorganizou lembranças esparsas de sua infância, e relatos ligados a momentos da trajetória musical de Elis que ampliaram sua própria percepção. 

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello BôscoliO produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Ana Claudia Paixão 

É justamente essa soma de olhares que faz o documentário ultrapassar o livro sem tentar substituí-lo.

Mas o que mais interessa a João é aquilo que essa combinação permite revelar sobre a mãe. Elis Regina foi extensamente registrada como artista.

Existem entrevistas, apresentações, fotografias, gravações e relatos suficientes para reconstruir praticamente cada etapa de sua carreira. Dentro de casa, a documentação é muito menor.

E essa diferença importa porque, para João Marcello, a vida doméstica não era uma dimensão separada da artista. Era parte daquilo que alimentava sua criação.

Elis gostava, segundo ele, do termo “dona de casa”. Em determinado período, mesmo tendo condições financeiras para manter ajuda permanente, passou meses cuidando pessoalmente da casa na Serra da Cantareira: lavava roupa, limpava e se envolvia com a rotina doméstica.

Olhando para trás, João interpreta esse movimento não como uma interrupção da carreira, mas quase como um mergulho.

“A artista se alimenta muito da figura como um todo. A Elis é uma figura, é uma mãe, é uma amiga, tem o trabalho dela e tem a face pública. Essa face pública é a mais conhecida”, explica. A oposição entre a grande profissional e a mulher que cuidava da casa, portanto, talvez diga mais sobre a maneira como costumamos olhar para mulheres extraordinárias do que sobre Elis. Para ela, aparentemente, uma dimensão alimentava a outra.

Há ainda uma Elis que João Marcello gostaria particularmente de preservar: a mulher forte sem que força significasse necessariamente dureza.

Ele se lembra de episódios em que a mãe descobriu que amigos enfrentavam dificuldades financeiras e os ajudou sem transformar o gesto em notícia.

Recorda a história contada por Aldir Blanc de que Elis, antes de uma apresentação em um ginásio — quando toda a tensão estaria naturalmente concentrada no espetáculo — ainda encontrou tempo para passar pelo hospital, visitar a mãe do compositor, cantar e rezar com ela.

Já adulto, João ouviu de Lenine outra lembrança: em Recife, Elis reuniu compositores para conversar sobre a importância de protegerem seus direitos.

São histórias pequenas diante da dimensão pública de sua carreira, mas talvez justamente por isso sejam reveladoras. João cresceu em uma casa em que, como ele próprio descreve, “o poder todo estava na mão da Elis”. E o aprendizado que ficou não foi o de associar poder à violência ou à opressão.

A mãe podia ser firme, rígida, organizada, dizer palavrões e desconcertar quem estivesse perto dela, mas também era capaz de gestos de afeto enormes e inesperados. Ele encontrou uma definição especialmente bonita para essa combinação: “uma força quente”.

“Eu senti que você não precisa necessariamente ter força e essa força machucar as pessoas que estão ao lado”, diz. Na infância, aquela potência era tamanha que se transformava também em sensação de proteção.

João conta que, mesmo quando viu Elis sair de casa desacordada no dia de sua morte, sua primeira reação foi acreditar que nada poderia acontecer. “Elis Regina não morre”, pensou. A constatação posterior de que nem aquela força poderia torná-la invulnerável é uma das memórias mais dolorosas que carrega.

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello BôscoliO produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Ana Claudia Paixão 

Talvez seja por isso que, tantos anos depois, a preocupação com a permanência da mãe continue presente. João Marcello admite que uma de suas inquietações sempre foi impedir que Elis fosse esquecida.

O documentário, assim como o livro, é mais uma peça nessa transmissão de memória, agora alcançando também públicos que não viveram sua época.

E ele observa com especial entusiasmo quando artistas de gerações muito posteriores se aproximam de Elis. Na conversa, a recente homenagem da cantora espanhola Rosalía em seu show no Rio de Janeiro é recebida quase com euforia.

Para João, cada artista internacional que menciona ou canta sua mãe representa uma possibilidade de que aquela voz atravesse mais uma fronteira e encontre uma geração diferente.

“A Elis Regina é uma das últimas joias a serem descobertas pelo planeta no campo da música. E será, em algum momento”, afirma.

Depois de tantas Elis — a intérprete revolucionária, a estrela da televisão, a artista politicamente inquieta, a parceira de Tom Jobim, a voz que transformava uma canção assim que começava a cantá-la —, Elis & Eu propõe acrescentar outra sem diminuir nenhuma das anteriores.

A mãe. A amiga. A mulher que escrevia cartas, protegia compositores, lavava a própria casa, cuidava de quem amava e depois subia ao palco. Talvez não seja exatamente uma nova Elis. É a parte dela que o público teve menos oportunidades de conhecer.

Elis & Eu estreia em 25 de agosto, exclusivamente no Universal+, disponível por Prime Video, Claro TV+, Vivo TV, Meli+ e UOL Play.

 

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 24 e 30 de agosto. Nada como uma boa dose de ousadia e entusiasmo

Sob a regência do Cavaleiro de Paus, você pode se sentir mais carismático, expansivo, impulsivo e até um pouquinho egocêntrico nos próximos dias. E tudo bem!

23/08/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 24 e 30 de agosto. Nada como uma boa dose de ousadia e entusiasmo

A energia do Tarô da semana entre 24 e 30 de agosto. Nada como uma boa dose de ousadia e entusiasmo Foto: Divulgação

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O Cavaleiro de Paus é o grande motor do movimento para a frente no Tarô: a carta da ação ousada, da ambição inquieta e de uma energia que se lança antes mesmo de pensar em todos os detalhes — não por imprudência, mas por uma confiança instintiva no próprio impulso.

Ele não espera pelas condições perfeitas. Entende o próprio ato de avançar como aquilo que torna todo o resto possível, no melhor estilo: “primeiro você começa, depois você melhora.”

O Cavaleiro de Paus é puro ego. Ousado, impetuoso e cheio de autoconfiança, ele invade o centro das atenções como quem nasceu para estar ali, pronto para mostrar ao mundo o seu valor e a grandiosidade de suas ideias. Existe nele um charme sedutor, uma energia selvagem e magnética que torna difícil não se deixar contagiar por sua presença.

E isso pode ser muito divertido! É ótimo ter um Cavaleiro de Paus por perto. Ele anima as festas, movimenta os ambientes e sabe como colocar todo mundo para cima.

Também é estimulante estar perto de alguém com esse grau de confiança: o Cavaleiro de Paus não tem medo de dar o primeiro passo, correr riscos e fazer as coisas acontecerem. Sua coragem pode inspirar os outros a sair da inércia e embarcar em suas aventuras.

Mas, como todo cavaleiro, ele ainda está aprendendo a dominar o próprio poder. Sua energia pode se manifestar de maneira desajeitada, exagerada ou até impulsiva.

É alguém cheio de ideias e com um enorme desejo de agir, mas que nem sempre consegue parar para refletir, observar ou sentir antes de partir para a ação. A energia simplesmente corre solta, muitas vezes mais rápida do que sua capacidade de compreendê-la.

E, claro, ele pode ocupar muito espaço, grandes egos costumam fazer isso. O Cavaleiro de Paus pode ser aquela pessoa que domina os ambientes com sua necessidade de atenção, que fala alto, exige muito e, às vezes, pode soar arrogante.

Ele se afirma com confiança, mas, por trás dessa segurança toda, pode existir uma grande necessidade de reconhecimento e validação para manter a chama acesa.

Ainda assim, essa é uma figura inspiradora, que gosta de liderar e abrir caminhos. Pode ser aquela pessoa do seu círculo de amigos que parece estar sempre vivendo uma aventura, com uma vida movimentada e cheia de histórias, ou alguém cuja presença desperta em você a vontade de estar por perto.

Sua energia é contagiante, seu entusiasmo é difícil de ignorar e seu carisma natural faz com que as pessoas sejam atraídas por ele quase sem perceber.

Na prática, o Cavaleiro de Paus aparece quando uma ação ousada é necessária: lançar um projeto, perseguir uma oportunidade com rapidez e confiança, dar o passo que vem sendo construído há algum tempo, viajar em direção a algo novo.

Ele também pode representar uma pessoa que entra na sua vida trazendo essa energia: carismática, ágil, cheia de convicção e genuinamente empolgante de se ter por perto.

O que diferencia o Cavaleiro de Paus da imprudência é a qualidade do seu fogo: ele é genuíno. Ele não está fingindo confiança. De fato, acredita no caminho que escolheu, mesmo quando o mapa ainda está incompleto. É essa autenticidade que o torna tão cativante para os outros e tão eficaz no mundo.

A sombra que se esconde por trás do Cavaleiro de Paus é a velocidade. Incendiário por natureza, ele tem mais força para começar do que para sustentar, mais talento para acender uma chama do que para mantê-la viva.

Seu impulso é tão intenso que pode fazê-lo partir antes mesmo de saber exatamente onde quer chegar. E isso acontece porque o fogo é o elemento mais difícil de conter: a água pode ser dragada, represada e engarrafada; o ar pode ser bloqueado por uma parede ou expelido pela boca; a terra pode ser moldada com facilidade. Mas o fogo queima...ou se apaga.

A carta pergunta: o fogo está sendo direcionado para algo que realmente merece essa energia? E mais: existe um plano para quando o primeiro impulso começar a diminuir?

Cavaleiro de Paus no Amor e nos Relacionamentos

Se você está em um relacionamento: O Cavaleiro de Paus, em uma leitura amorosa, costuma refletir uma energia de conquista e intensidade que é genuinamente empolgante, mas que pode ter dificuldade para se aprofundar em uma intimidade duradoura.

O fogo é real. A questão é saber se ele consegue desacelerar o suficiente para construir algo que permaneça. A carta também pode falar de um período de paixão e aventura renovadas dentro de um relacionamento — o retorno da faísca, o impulso para viver algo novo e realizar ações ousadas a dois.

Se você está solteiro(a): O Cavaleiro de Paus aparece com frequência quando a atração é forte, rápida e carregada de possibilidades. A conexão tem a qualidade do fogo: intensa, vibrante, calorosa, capaz de consumir.

A carta convida você a aproveitar esse calor, mas também a se perguntar com honestidade se existe substância suficiente por trás de toda essa empolgação para sustentar algo verdadeiro.

Se você passou por uma desilusão amorosa: O Cavaleiro de Paus pode surgir depois de uma perda como o retorno do desejo e do movimento para a frente: a disposição para voltar a se movimentar, buscar, desejar e direcionar o fogo para algo novo.

A carta pede apenas que essa nova direção seja escolhida com um pouco mais de cuidado do que seria se você seguisse apenas o impulso.

Cavaleiro de Paus na Carreira e nas Finanças

Carreira: O Cavaleiro de Paus, em uma leitura profissional, é um forte sinal de ação ousada: o lançamento, a apresentação de uma ideia, a mudança de rota, o movimento que vinha sendo considerado e que agora está pronto para acontecer.

A carta favorece velocidade e confiança em vez de cautela. A oportunidade pode não permanecer disponível indefinidamente, e o Cavaleiro de Paus diz: vá agora, ajuste o caminho enquanto avança. É como diz a expressão: “trocar o pneu com o carro em movimento”.

A carta também pode apontar para um padrão de começar com muita força, mas ter dificuldade para sustentar o ritmo como, por exemplo, projetos iniciados com grande entusiasmo e depois abandonados quando a empolgação inicial desaparece.

A pergunta profissional que esta carta faz é se existe um plano para o percurso, e não apenas para a largada.

Muitas vezes, esta carta surge associada a novas propostas de trabalho, oportunidades que chegam para movimentar a vida profissional e convidar você a sair da zona de conforto. É uma energia de novidade, iniciativa e coragem para apostar em um caminho diferente. Aproveite!

Finanças: No aspecto financeiro, o Cavaleiro de Paus pode indicar decisões impulsivas — gastar ou investir movido pela empolgação, e não pela análise.

O fogo do momento pode fazer uma oportunidade parecer mais sólida do que realmente é. A carta pede pelo menos uma breve pausa para verificar se a direção é de fato segura antes de comprometer recursos com tanta rapidez.

Conselhos para a semana

Faça o movimento. Se você vem se preparando para um lançamento, uma apresentação ou alguma ação ousada, esta carta indica que as condições estão favoráveis o suficiente. Não espere pelo momento perfeito. Mova-se agora. Se jogue!

Confira a direção antes de acelerar. O maior risco do Cavaleiro de Paus é a velocidade sem propósito. Antes de colocar toda a sua energia em movimento, reserve um momento para confirmar a direção.

Não para ficar questionando a decisão indefinidamente, mas apenas para ter certeza de que toda essa força está sendo canalizada para onde você realmente quer chegar.

Reconheça o que você está deixando para trás. Partidas rápidas têm um custo. O Cavaleiro de Paus pode seguir em frente tão depressa que acaba deixando na poeira coisas que mereciam ser encerradas com cuidado.

Antes da próxima arrancada, pergunte a si mesma o que — ou quem — merece um fechamento adequado, em vez de uma saída abrupta.

Encontre uma maneira de manter o fogo aceso. Começar é a parte fácil. Crie uma estrutura, assuma um compromisso ou encontre uma forma de se manter responsável pelo que começou, para que o impulso sobreviva à explosão inicial de entusiasmo.

O Cavaleiro de Paus precisa descobrir como transformar o fogo do começo em uma chama mais constante, capaz de sustentar aquilo que está sendo construído.

Conclusão

Agosto chega ao fim deixando a sensação de que muita coisa mudou de lugar. Foi um mês de viradas e revelações. Depois do eclipse solar do dia 12, a semana termina sob a influência de um poderoso Eclipse Lunar em Peixes, na sexta-feira (28), convidando-nos a olhar para dentro e reconhecer o que precisa ser encerrado.

O Eclipse Lunar em Peixes encontra o impulso do Cavaleiro de Paus: uma combinação que pede desapego, mas também movimento. Primeiro, solte. Depois, avance. Afinal, o fogo do Cavaleiro fica mais potente quando não precisa carregar o peso do passado.

Ação ousada está sendo exigida agora. O Cavaleiro de Paus não fica sentado pensando. Ele age! Ele convida você a romper com a rotina, sair do lugar conhecido e se abrir para o novo. O mundo é vasto, cheio de possibilidades e está esperando para ser vivido e descoberto por você.

Em seus “Quatro Quartetos”, T. S. Eliot escreveu: “Não cessaremos de explorar, e ao final de toda a nossa exploração chegaremos ao ponto de partida e conheceremos esse lugar pela primeira vez.”

Talvez seja esse o convite do Cavaleiro de Paus para esta semana: avançar, experimentar, descobrir novos caminhos e, quem sabe, voltar ao ponto de partida com um novo olhar.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

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