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Literatura Brasileira

Mazé Torquato lança biografia sobre Lucy Citti Ferreira em Mato Grosso do Sul

Autora resgata a trajetória de uma das grandes artistas esquecidas do modernismo brasileiro; lançamento oficial terá debate mediado pelo doutor em Letras Alan Silus na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim

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Em um meticuloso trabalho de resgate histórico, a jornalista e escritora Mazé Torquato Chotil lança no dia 14, o livro “Lucy Citti Ferreira: A Pintora Esquecida do Modernismo”, biografia que ilumina a vida e a obra de uma das artistas mais talentosas e negligenciadas da história da arte brasileira.

A obra, pré-lançada em setembro do ano passado, ganha agora lançamento oficial na Biblioteca Pública Estadual Dr. Isaias Paim, unidade da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), às 19h. A mediação do debate será feita por Alan Silus, doutor em Letras (Estudos Literários), docente e pesquisador da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) em Campo Grande, escritor, ensaísta e membro do PEN Clube do Brasil – Região do Centro-Oeste.

A biografia aborda a vida e a trajetória da pintora modernista Lucy Citti Ferreira, que marcou a história da pintura brasileira nas décadas de 1930 e 1940 e que, como tantas outras artistas mulheres, acabou esquecida. Esta obra busca ajudar a “desenterrá-la”.

QUEM FOI LUCY?

Lucy Citti Ferreira (São Paulo, 1911 – Paris, 2008) foi pintora, desenhista, gravadora e professora, com uma trajetória que a levou dos salões modernistas brasileiros às galerias europeias. 

Nascida em São Paulo, Lucy passou a infância em Gênova, na Itália e em Le Havre, na França, onde iniciou seus estudos artísticos na Escola de Belas Artes, continuando-os depois em Paris.

Já formada e premiada como pintora, retornou ao Brasil em 1934, nos seus 23 anos, quando conheceu Mário de Andrade, que a colocou em contato com o pintor Lasar Segall – com quem trabalhou, foi musa e viveu uma história marcante.

Apesar de ter tido uma obra adquirida pelo Museu de Arte Moderna de Nova York (Moma) em 1942, Lucy permaneceu praticamente desconhecida do grande público, reduzida frequentemente ao epíteto de “musa de Lasar Segall”, com quem teve uma relação artística e afetiva intensa.

Seu patrimônio pictórico, incluindo seus arquivos, foi doado à Associação Pinacoteca Arte e Cultura (Apac), com o apoio de Marcelo Araújo, amigo da pintora, que, à época, depois de ter dirigido o Museu Lasar Segall, estava à frente da Pinacoteca de São Paulo.

Lucy viveu uma história artística relevante, assim como no plano afetivo: teve três homens importantes em sua vida e enfrentou numerosos desafios, tanto no plano pessoal quanto no profissional.

Lutou contra dificuldades financeiras e contra as barreiras impostas às mulheres artistas. Sua relação com Segall foi, ao mesmo tempo, fonte de inspiração e obstáculo ao reconhecimento de sua obra. 

De volta a Paris em 1947, trabalhou intensamente, sempre em busca de novos caminhos para sua arte, sem se preocupar com a divulgação de sua obra. Assim, apesar de seus méritos e conquistas, foi esquecida pela história da arte.

Sua história é marcada por desafios pessoais e profissionais, tendo enfrentado dificuldades financeiras, barreiras de gênero e o preconceito de uma sociedade que não estava preparada para aceitar uma mulher dedicada integralmente à sua arte. 

“Lucy não foi a única artista apagada da história da pintura e do modernismo brasileiro”, explica Mazé Torquato Chotil. “Tarsila do Amaral e Anita Malfatti também permaneceram por muito tempo no esquecimento, até que pesquisadoras as resgataram.

Muitas outras ainda virão à tona. Esta biografia lança luz sobre uma delas, Lucy, numa tentativa de ‘desenterrá-la’”, complementa a autora.

RESGATE

O processo de pesquisa para reconstruir a vida de Lucy demandou anos de investigação em arquivos dispersos e entrevistas com pessoas que conviveram com a artista. Mazé Torquato Chotil, doutora pela Universidade Paris 8 e pós-doutora pela Ehess, mergulhou em fontes como a Pinacoteca do Estado de São Paulo – que recebeu todo o acervo da pintora por meio da Apac – além do Museu Lasar Segall, Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), Museu Universitário de Arte da Universidade Federal de Uberlândia (Muna) e Pinacoteca de Bauru.

“Apoiei-me no que descobri sobre sua trajetória por meio das fontes encontradas. O restante precisei imaginar, levantar perguntas, deduzir”, revela a biógrafa sobre os desafios de preencher as lacunas deixadas pelo tempo. 

Entre as revelações mais impressionantes da pesquisa está a qualidade excepcional da produção artística de Lucy, reconhecida desde muito cedo. Aos 16 ou 17 anos, ela já produzia telas impressionantes como “Quai – Le Havre” e “Olympio”, que atestam seu talento precoce.

RELAÇÕES

A biografia revela que Lucy circulou entre as principais figuras do modernismo brasileiro, além de sua conhecida relação com Mário de Andrade e Lasar Segall. Tarsila do Amaral, por exemplo, 15 anos mais velha que Lucy, levou um jornalista para conhecer a obra da amiga no sobrado-ateliê de uma pequena casa no Bairro do Cambuci, em São Paulo.

Lucy também expôs ao lado de Iberê Camargo, Di Cavalcanti, Heitor dos Prazeres, Portinari, Lívio Abramo, Noêmia, Carlos Prado, Vieira da Silva, Alfredo Volpi e Mario Zanini, entre outros. No entanto, diferente de muitos de seus contemporâneos, não era de muitas amizades, mantendo um perfil mais reservado e introspectivo.

INTRANSIGENTE

A trajetória de Lucy Citti Ferreira ilustra dramaticamente os obstáculos enfrentados por mulheres artistas na primeira metade do século 20. 

A biógrafa destaca que Lucy “sempre manteve essa linha, sem concessões, nunca se moldando para agradar a um comprador. Defendia, acima de tudo, a postura de mulher artista, o direito de todo ser humano de se expressar como deseja”. 

Essa postura intransigente pode ter contribuído para seu relativo isolamento no mercado artístico da época, dominado por homens e por critérios que frequentemente marginalizavam produções femininas.

LEGADO

O lançamento da biografia coincide com a preparação de uma grande exposição na Pinacoteca de São Paulo prevista para janeiro de 2027 (originalmente marcada para setembro, mas adiada), em que um número significativo de obras de Lucy Citti Ferreira poderá ser apreciado pelo público.

Para Mazé Torquato Chotil, mais importante do que simplesmente “desenterrar” a história de Lucy é permitir que o público redescubra a qualidade excepcional de seu trabalho e a força de vontade que demonstrou enquanto artista. 

“Oriunda de uma família burguesa que perdeu recursos, vivia com pouco, fazia do pouco o suficiente. Na maior parte do tempo foi seu próprio modelo, produzindo diversos autorretratos”, destaca Mazé.

IMERSÃO

Escrever uma biografia é sempre uma jornada de imersão e descoberta, que cria laços peculiares entre biógrafo e biografado. Mazé Torquato Chotil descreve seu relacionamento com Lucy durante o processo. “Durante a pesquisa e escrita, ‘a personagem’ – neste caso, Lucy – eu a imaginava comigo, em um canto, observando e se perguntando como eu me sairia com as informações que ela não deixou”, relata a autora.

A autora brinca com essa relação de cumplicidade e tensionamento. “Eu ia brigando com ela em pensamento, tentando reunir todas as peças do quebra-cabeça para dar vida à sua verdadeira personagem”, comenta.

Esse processo íntimo de diálogo com o passado resulta em uma biografia que transcende o relato factual para se tornar uma conversa vibrante entre duas mulheres separadas pelo tempo, mas unidas pela paixão à arte e à memória.

A AUTORA

Mazé Torquato Chotil é jornalista e autora. Doutora pela Universidade Paris VIII e pós-doutora pela Ehess, nasceu em Glória de Dourados, morou em Osasco (SP) e vive em Paris desde 1985, dividindo seu tempo entre a capital francesa, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Mazé Torquato Chotil traz em sua trajetória 15 livros publicados (cinco em francês), entre romances, biografias e ensaios. Entre eles, destacam-se “Lucy Citti Ferreira: a Pintora Esquecida do Modernismo”, “Maria d’Apparecida: Negroluminosa Voz” e “Lembranças do Sítio”.

É fundadora e primeira presidente da União Europeia de Escritores de Língua Portuguesa (Ueelp) e foi editora da 0h0 min (catálogo lusófono). Escreve para a imprensa brasileira e para sites europeus.

Recebeu o Prêmio da Ailb, categoria Romance, em 2025, com “Mares Agitados: na Periferia dos Anos 1970”, e o de Biografia, em 2022, pela obra “Maria d’Apparecida: Negroluminosa Voz”, outro resgate fundamental de uma artista brasileira negra que enfrentou as barreiras do racismo e do sexismo em sua trajetória.

diálogo

Adversários dos petistas estão dizendo que alguém precisa avisar Lula... Leia na coluna de hoje

Confira a coluna Diálogo desta segunda-feira (6)

06/04/2026 00h02

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Aldous Huxley - escritor britânico

"Dá tanto trabalho escrever um livro mau como um bom; ele brota com igual sinceridade da alma do autor”.

Felpuda

Adversários dos petistas estão dizendo que alguém precisa avisar Lula e seus marqueteiros que o pré-candidato à Presidência é Flávio Bolsonaro, e não Jair Bolsonaro. Ironicamente, dizem que mais um pouco a dita figurinha do PT estará até contando carneirinhos vendo o ex-presidente. Para a turma da direita, o povo só observa a estratégia da esquerda em desancar Bolsonaro pai, que governou o País por apenas quatro anos e é tido como responsável pelos quase 18 anos de problemas criados pela esquerda. E olha que o horário gratuito nem começou, hein?!...

Previsão

Na análise de alguns políticos sobre o cenário geral, a disputa pelo governo de MS deverá ficar polarizada entre o governador Eduardo Riedel, pré-candidato da direita e da centro-direita, e Fábio Trad, do PT, da esquerda. Segundo eles, tem mais.

Mais

As pré-candidaturas que mais parecem que foram improvisadas para atender a interesses pessoais, e não de grupo político, tendem a não deslanchar, principalmente porque “andorinha só não faz verão”. E mais: acreditam que a eleição para governador deverá terminar no primeiro turno.

Dra. Elizabeth Shinohara e Sônia Nogueira
André Ramos e Gabriel Monteiro de Castro

Separada

Por enquanto, a direita em MS tem três pré-candidaturas lançadas para oficialização nas convenções, em julho. Como tudo indica que os partidos sacramentarão os nomes para o embate de outubro, não há como dizer que vão para campanha eleitoral “rachados”. No tabuleiro político estarão direita, direita conservadora e centro-direita, e essa divisão poderá contribuir para que a esquerda consiga forçar o segundo turno, fase que é uma nova eleição, pois ficam apenas dois candidatos.

Falatório

Durante o troca-troca de partidos na janela partidária, muitas foram as especulações, fazendo com que os bastidores ficassem ainda mais agitados. Um dos comentários foi que Rose Modesto, presidente estadual do União Brasil, estaria sendo cogitada para ocupar a vaga de vice na chapa de reeleição do governador Riedel. Mas ela mesma acabou com o diz que me diz, afirmando que em nenhum momento teve qualquer conversa nesse sentido

Consequências

Na federação União Progressista, formada pelo Progressistas e o União Brasil, ocorreram duas mudanças de “última hora”, diante da entrada de Geraldo Resende e, anteriormente, do também deputado federal Dagoberto Nogueira. Duas pré-candidaturas à Câmara dos Deputados, diante do “peso” da chapa que poderia comprometer seus objetivos, tomaram outro rumo. O deputado estadual Roberto Hashioka pulou fora do União Brasil e a ex-secretária Viviane Luiza deixou o PP e foi para o PSDB. Já Jaime Verruck teria mesmo desistido do PP.

Aniversariantes

  • Regina Lourdes Jorge Rangel Torres Rimoli,
  • Paulo Roberto Neves de Souza,
  • Alaene Peres,
  • Renê Miguel Filho,
  • Alicio Cabreira Aristimunho,
  • Dormevil Calazaes de Salles,
  • Luiz Carlos Pais,
  • Edison de Jesus da Cruz,
  • Rosilene de Oliveira Rosa,
  • Mario Rodrigues Zanatta,
  • Maria do Carmo Escobar de Oliveira,
  • Alda Alves de Oliveira Ristow,
  • Pedro Efonsio de Farias,
  • Luiz Hermozil Correa de Lima,
  • José Afonso Wolf,
  • Manuel Amaral de Jesus,
  • Euripedes Pinheiro da Silva Junior,
  • Marcelino Duarte,
  • Dr. Divoncir Schreiner Maran,
  • Dácio Queiroz Silva,
  • Marcelo de Campos Haendchen,
  • Helena Echeverria de Lacerda Costa,
  • Alvaro Francisco Martins Borges,
  • Maria Eugênia Teixeira Machado,
  • Cecilia Peralta Caceres,
  • Sidney Ferreira de Queiroz,
  • Nanci Lopes Gomes,
  • Angela Maria da Silva,
  • Fred Lucarelli Rodrigues,
  • Eliza Nunes Fernandes,
  • Gilmar Damião da Silva,
  • Ilda Garcia,
  • Dr. Aliomar Coelho Pereira,
  • Decio Coldebella,
  • Jaderson dos Santos Gonçalves,
  • Carlos Tiago Bellin,
  • Dr. José Rodrigues de Almeida,
  • Dr. Nereu Fontes,
  • Danielle Zambra,
  • Jaime Yoshinori Oshiro,
  • Herany Lobo Dias Neres de Lima,
  • Ana Caroline Cintra Ramos,
  • Renata Nogueira e Silva,
  • Dr. Danilo Nakao Odashiro,
  • Dra. Itsume Murakami,
  • Amarildo Sanches da Silva,
  • Heitor Romero Marques,
  • Ivana Staval Oliveira,
  • Rubens Izidorio,
  • Inaia Martins Carli,
  • Angela Mascarenhas,
  • Maria Hilda da Silva,
  • Edevaldo Borges de Mendonça,
  • Mariza Rego Mejia Rios,
  • Irene Matto Grosso Pereira,
  • Milma Maria de Oliveira Santos,
  • Edvandro Lameo,
  • Aurildo Piagetti,
  • José Eduardo Duenhas Monreal,
  • Jorge Braga Passos,
  • Marco Aurélio Ferro,
  • José Luiz Aladares.
  • Amauri Penze Neto,
  • Alberto Barbosa de Almeida Júnior,
  • Osmar Bearari,
  • Karina Reis de Andrade,
  • Dr. Marcelo Sakamoto,
  • Sueli Antunes Ribeiro,
  • Severino Ramos Vieira Xavier,
  • Marcelo Eduardo Battaglin Maciel,
  • Erico Rodrigo de Souza Pereira,
  • Arlete Calves,
  • Maria Aparecida dos Santos Garcia,
  • Ticiana Tiveron Tannous,
  • Maria Serra Carvalho,
  • Carlos Eduardo Inácio,
  • José Carlos Kolesk,
  • Wilson Roberto Gonçalves,
  • Sarah Abrão Contar,
  • Geraldo José de Souza,
  • Bruna Silva,
  • Rivalda de Souza Vilela,
  • Celestino Fantin,
  • Luiz Pereira,
  • Gerson Luiz Gass Brandão,
  • Rosângela Maria Santos Pereira,
  • Wilson Ferreira Mendes,
  • Hudson Ferreira de Assis,
  • Milton da Costa Pereira,
  • Caroline Mansour Echeverria,
  • Emmanuel Ormond de Souza,
  • Eneas Garcia Filho,
  • Camilo de Lellis Chagas Junior Zanata,
  • Maria Margarida Cabral Nicácio,
  • Michel Defendi Moses,
  • Orlando Fruguli Moreira,
  • Rita de Cassia Ladislau Ferreira,
  • Marlene Alves Pereira,
  • Ataíde Gonçalves,
  • Dalvelyn Menezes Kalachi,
  • Andréssa Nayara de Matos Rodrigues,
  • Igor Del Campo Fioravante Ferreira,
  • Antonio Pionti,
  • Rames Ally,
  • Adriana Cavalcante de Araújo,
  • Wescley Cavner Espassa,
  • Maria de Lurdes da Silva Santos.

* Colaborou Tatyane Gameiro

Dança Correio B+

Primeira Ocupação Itaú Cultural de 2026 homenageia a primeira bailarina Ana Botafogo em São Paulo

No ano em que a artista celebra 50 anos de carreira 45 deles como primeira-bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro , sua memória, seu legado, sua disciplina e trajetória atravessam a exposição para revelar sua vida e obra.

05/04/2026 18h00

Ela se tornou uma das mais emblemáticas bailarinas clássicas do país, Ana contribuiu para a popularização do balé e hoje se dedica também à educação.

Ela se tornou uma das mais emblemáticas bailarinas clássicas do país, Ana contribuiu para a popularização do balé e hoje se dedica também à educação. Foto: Divulgação

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A trajetória da bailarina Ana Botafogo está profundamente ligada à história do balé clássico no Brasil. Nascida no Rio de Janeiro, em 1955, ela iniciou seus estudos ainda na infância e, ao longo das décadas, construiu uma carreira marcada pela disciplina, elegância e excelência técnica.

Reconhecida como uma das maiores referências da dança no país, tornou-se primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro em 1981, posição de destaque que ocupou por muitos anos e que consolidou sua imagem como símbolo do balé brasileiro.

Sua formação internacional, especialmente na companhia Les Ballets de Marseille, contribuiu para ampliar seu repertório e fortalecer sua presença artística, permitindo que ela atuasse como ponte entre a tradição europeia e o público brasileiro. “A dança me trouxe controle sobre minhas emoções, especialmente as emoções dos personagens, além da vontade de sempre me desafiar e a confiança pessoal”, afirma Ana. “Trouxe a alegria de ver que o trabalho não é em vão; de que, quando a gente se dedica e se empenha, os resultados vêm e, junto com eles, o reconhecimento”, conclui.

Ao longo de quase cinco décadas de carreira, Ana Botafogo não apenas se destacou nos palcos, mas também teve papel fundamental na popularização do balé no Brasil. Sua atuação ultrapassou o universo restrito da dança erudita, alcançando diferentes públicos e contribuindo para democratizar o acesso a essa arte. Além de intérprete, tornou-se também educadora e difusora da dança, dedicando-se à formação de novos bailarinos e à transmissão de conhecimento. 

É nesse contexto que surge a exposição “Ocupação Ana Botafogo”, realizada no Itaú Cultural, em São Paulo. A mostra integra o tradicional programa “Ocupação”, que desde 2009 homenageia artistas brasileiros de destaque, promovendo um diálogo entre suas trajetórias e o público contemporâneo. 

A exposição, em cartaz de março a junho de 2026, celebra os 50 anos de carreira da bailarina e apresenta um amplo panorama de sua vida e obra. Com cerca de 200 itens provenientes de seu acervo pessoal, o visitante é convidado a percorrer diferentes momentos de sua trajetória por meio de fotografias, vídeos, figurinos, cadernos e objetos de cena. Entre os destaques estão sapatilhas e tutus originais utilizados em apresentações marcantes, que revelam a materialidade e a memória do fazer artístico. 

A curadoria organiza a exposição em três atos, inspirados na estrutura de um espetáculo de balé. O primeiro ato apresenta a infância e a formação da artista, destacando suas influências iniciais e o início de sua carreira.

O segundo ato mergulha no cotidiano da bailarina, evidenciando o rigor técnico, a disciplina e o processo de construção de sua excelência artística. Já o terceiro ato enfatiza sua consagração e legado, com um ambiente imersivo que remete ao palco do Theatro Municipal, utilizando projeções e cenografia para recriar a experiência do espetáculo. 

Ela se tornou uma das mais emblemáticas bailarinas clássicas do país, Ana contribuiu para a popularização do balé e hoje se dedica também à educação.A curadoria organiza a exposição em três atos, inspirados na estrutura de um espetáculo de balé - Divulgação

“Ana é uma bailarina nata. Disciplinada e, ao mesmo tempo, extremamente sensível. Sua grandeza como artista se soma a seu papel com novas gerações do balé clássico e na popularização da dança no Brasil”, diz Galiana Brasil, gerente do núcleo de Curadorias e Programação Artística do IC. “Essa atuação entra em simbiose perfeita com os propósitos da série Ocupação”, completa ela.

A exposição reúne registros que vão das primeiras imagens e recordações da artista quando era criança até a atualidade: fotos, vídeos – alguns com depoimentos dela e de pessoas próximas, produzidos pelo próprio Itaú Cultural –, cadernos, rascunhos e outros. 

Entre as obras expostas estão uma antiga sapatilha customizada e um tutu original – a clássica saia de camadas de tule ou tarlatana –, que Ana Botafogo usava quando atuava como convidada especial em apresentações do balé Dom Quixote, realizadas em eventos fora do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Além do caráter expositivo, a mostra propõe uma experiência sensorial e interativa, aproximando o público do universo do balé. Elementos como barras de ensaio, espelhos e ambientações cenográficas recriam o espaço de trabalho da bailarina, permitindo que o visitante compreenda não apenas o resultado final apresentado no palco, mas também o processo intenso de preparação que sustenta cada performance. 

Dessa forma, a “Ocupação Ana Botafogo” vai além de uma simples retrospectiva biográfica. Trata-se de uma celebração da dança como linguagem artística e da trajetória de uma artista que ajudou a transformar a percepção do balé no Brasil. Ao revisitar sua carreira, a exposição reafirma a importância de Ana Botafogo como intérprete, educadora e ícone cultural, evidenciando seu legado duradouro na história da dança brasileira.

 

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