Correio B

NADA DE PÉ

Monumento segue sem restauração dois anos após Estátua de Manoel de Barros perder o pé esquerdo

Literatos de Campo Grande criticam o descaso do poder público

Continue lendo...

Começam a se multiplicar as efemérides do que não pode ser entendido de outra forma senão como um absurdo descaso. Agora já são dois anos, ou quase isso. Na virada do dia 18 para 19 de abril de 2021, o monumento dedicado ao poeta Manoel de Barros (1916-2014) foi depredado e amanheceu, entre outros danos, sem o pé esquerdo.

Sim. Mesmo produzida em cobre, e com toda a sua estrutura – pesando 400 quilos – fixada no chão com concreto, a obra assinada por Ique Woitschach teve o membro amputado e, de lá para cá, assim permaneceu: sem reparos e, não raro, tomada pela sujeira.

As bitucas de cigarro, por exemplo, são recorrentes no “estofado” do sofá que compõe o conjunto, ao lado do pássaro e do caramujo de bronze que convivem com as figueiras de verdade, além da figura do vate e de toda a fauna e flora urbana que deveriam tornar o cantinho do centro do Capital, onde está instalado o monumento, no cruzamento da Avenida Afonso Pena com a Rua Rui Barbosa, um lugar mais acolhedor em meio ao corre-corre da urbe.

Na falta de uma intervenção de ordem prática do poder público, ficam o registro do triste incidente criminoso e as críticas de quem admira o poeta ao mesmo tempo em que atua, de diferentes modos, pela preservação da obra de Barros no dia a dia de suas rotinas de trabalho.

TRISTEZA

“Quando o Ique levou um protótipo para a Dona Stella [Barros, viúva do autor, falecida em dezembro de 2020] aprovar, ou de presente, eu estava na casa. E justamente, quando viu a miniatura do que seria a estátua, ela reparou direto no pé. Ela falou assim: ‘O pé do Manoel é o que eu acho mais parecido com ele nessa escultura. É muito parecido o jeito dele repousar o pé’. Então tem ainda essa simbologia triste, que é tirar aquilo que era uma característica muito forte do poeta”, afirma Ricardo Câmara.

Produtor audiovisual, entre outras atividades que desenvolve no segmento cultural, Câmara é o principal idealizador da Casa-Quintal Manoel de Barros e está à frente da sociedade de amigos responsável pela instituição. Ele lamenta profundamente a falta de providências.

“É uma tristeza ver uma estátua como a do poeta Manoel de Barros danificada. Digo tristeza porque essa estátua foi acolhida muito rapidamente e com muito carinho pelo povo sul-mato-grossense. Foi uma coisa imediata. Quando foi instalada [em 2017], imediatamente se tornou um bem público”, relata o também jornalista.

“As pessoas começaram a visitá-la, a tirar fotos, os turistas começaram a procurá-la. Então, manter essa estátua danificada é também uma falta de inteligência com o turismo, com as questões identitárias do nosso estado. Porque Manoel é, sem dúvida, o maior nome das nossas artes. Não digo nem da nossa literatura, mas das nossas artes. E deixar essa estátua sem um pé é de muito mau gosto, muita falta de consideração”, avalia.

“O novo governo entrou faz pouco tempo. Eu espero que isso seja uma pauta que já esteja sendo discutida e providenciada na secretaria [estadual] de Cultura, Turismo e Cidadania. Inclusive essa estátua atinge todas essas pastas mesmo. E que providencie o mais rápido possível para que seja restaurado e que as pessoas possam novamente ter orgulho desse monumento da cultura sul-mato-grossense”, manifesta-se Câmara.

Indagada pelo Correio do Estado, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), que, dentro do organograma da atual Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania (Setescc), é a responsável pelo monumento dedicado ao poeta da terceira geração modernista, anunciou para hoje uma reunião de seu diretor-presidente, Max Freitas, para tratar do assunto. E que “está levantando os custos para que o restauro seja iniciado o mais rápido possível”.

PONTAPÉ DO PODER

Henrique de Medeiros, presidente da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL), diz que o respeito a todos os marcos e monumentos históricos devem ser uma constante das administrações públicas. “É algo triste a gente constatar que uma obra de arte, um monumento da nossa cidade, não é restaurado. O respeito a todos os marcos e monumentos históricos deve ser uma constante das administrações públicas”, comenta o escritor.

“O monumento a Manoel de Barros chama ainda mais atenção por conta de sua localização de alta visibilidade. Foi um ato de vandalismo despropositado, mas mais despropositado ainda é não haver a restauração da obra, que é uma ode à sensibilidade. A ausência de restaurar um simples pé é um verdadeiro falso pontapé dos poderes públicos”, avalia o presidente da ASL, que transformou em poema a sua indignação “pelos dois da depredação e da imobilidade do não-consertar/restaurar um monumento com essa representatividade”.

Barros foi o primeiro ocupante da cadeira número 1 da Academia, nos anos 1970.

LITERATURA PENSANTE

A professora do curso de Letras da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Angela Guida pontua que, “infelizmente”, a agressão à estátua não é um ato restrito a Campo Grande. “Custa-me crer que leitores possam vandalizar monumentos de escritores que leem e conhecem, logo, tais atos revelam falta de apreço e intimidade com a leitura e, por conseguinte, com os autores”, observa a professora.

Angela faz uma breve avaliação para posicionar, no panorama da literatura brasileira, o autor que procurava azuis para encontrar pássaros e, assim, de “ignorãça em ignorãça”, publicou, desde 1937, 30 livros, ganhou prêmios como o Jabuti e o APCA e chegou a ser cotado para o Nobel de Literatura.

“Manoel de Barros é um poeta cuja obra permite a nós leitores várias portas de entrada. Para identificar sua obra, faço uso da mesma classificação que o professor Evando Nascimento fez para falar da obra de Clarice Lispector, ‘uma literatura pensante’, pois não se trata de filosofia no sentido escolástico e disciplinar do termo, mas de textos que estimulam nosso pensamento a cada virar de página, a cada verso lido”, discorre.

“No momento, a poética de Manoel de Barros tem me interessado pela possibilidade de diálogo com a ecocrítica, que, grosso modo falando, é uma proposta de reflexão que se dá na interface entre literatura e questões ecológicas”, completa a professora.

ALDRAVIAS?

“A Casa-Quintal [Manoel de Barros] está indo para a rua interagir com esses passantes, trazendo essa pouca importância para o pé e, sim, a grande importância para o poeta que desenvolve e transforma aqueles que dele se apropriam”, diz Lizandra Moraes, produtora da Casa-Quintal, convocando a população de Campo Grande a tomar parte na intervenção poética programada para hoje, às 10h, no entorno do monumento, para marcar o Dia Nacional do Livro Infantil.

“Serão dois varais de aproximadamente 13 metros que deixaremos para os expositores e o encantamento dos passantes. Neste movimento queremos estimular que levem a poesia para casa e provocar a criança interior de cada um, mesmo que não seja mais despertada pelas crianças [de fato]. Vamos encher os varais das aldravias das crianças”, anuncia Lizandra, que estará acompanhada de escritores no local, além de pedagogos e outros integrantes da Casa-Quintal, para estimular a participação do público.

Confira nesta página o poema de Barros que servirá de mote ao happening. Mas o que são “aldravias”, Lizandra? “Do livrinho ‘AldrAVEando Manoel de Barros em Língua de Ave e de Criança’, a aldravia são seis versos vocabulares. Ela não é uma frase, é um vocábulo em cada linha. Tem que colocar o máximo de poesia com o mínimo de palavras”, explica empolgada a produtora.

Lizandra afirma que “a escolha da data do livro infantil” está relacionada ao investimento na inclusão das crianças. “Buscamos esse diálogo com a sensibilização desse cidadão que existe dentro de uma possibilidade de subverter a realidade em que nós estamos”, aspira Lizandra.

“Uma realidade insensível, bruta, que não está dialogando com o diferente. Quem faz isso? Manoel, e com crianças. E aí veio essa necessidade da provocação artística dentro de um monumento que não é tão valorizado quanto deveria. Esse olhar para as memórias, para as importâncias de Mato Grosso do Sul, e aí também essa provocação de atingir populares, as pessoas que possivelmente não estão sabendo que o poeta tem uma casa-museu”, detalha.

“Te confesso que o tema danificação não era o mote, porém, fiquei sabendo que ocorreu na madrugada do dia 18 para 19. Então, como não questionarmos o poder público?”, responde e pergunta Lizandra Moraes.
Sobre a interface do poeta cuiabano, e campo-grandense por adoção mútua, com o universo e o público infantojuvenil, a professora Angela Guida afirma: “Manoel de Barros, a exemplo de escritores como Mia Couto, Valter Hugo Mãe e Clarice Lispector, produz obras que, mesmo com um rótulo de infantil ou infantojuvenil, colocam seus leitores em constante exercício de pensamento”.

Poesia do não-consertar

a literatura não tem pé nem cabeça
é assim para que pés e cabeças
encontrem caminhos pela vida
nos encontros do pensamento
na cristalização dos azuis dos céus
para as asas do viver
que nos fazem querer voar
mas os corpos dos homens 
ainda não tem esse poder
e para levantar voo 
precisam caminhar
na falta do pé
poesia deixa de pensar
por não conseguir andar 
na coragem do consertar

Henrique Alberto de Medeiros Filho, em poema inédito

 

O menino que carregava água na peneira

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino
que carregava água na peneira.

A mãe disse que carregar água na peneira
era o mesmo que roubar um vento e
sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.

A mãe disse que era o mesmo
que catar espinhos na água.
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces
de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino
gostava mais do vazio, do que do cheio.
Falava que vazios são maiores e até infinitos.

Com o tempo aquele menino
que era cismado e esquisito,
porque gostava de carregar água na peneira.

Com o tempo descobriu que
escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.

No escrever o menino viu
que era capaz de ser noviça,
monge ou mendigo ao mesmo tempo.

O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor.

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta!
Você vai carregar água na peneira a vida toda.

Você vai encher os vazios
com as suas peraltagens,
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos!

Manoel de Barros, do livro “Exercícios de Ser Criança”, 
     de 1999

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli

Inspirado em seu livro Elis & Eu, documentário recupera a mãe, amiga e dona de casa além da cantora

23/08/2026 13h30

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli Foto: Reprodução

Continue Lendo...

É difícil imaginar que ainda exista uma Elis Regina a ser descoberta. Sua voz, seus discos, suas entrevistas, seus encontros históricos e até suas contradições foram revisitados tantas vezes que a impressão é de conhecermos tudo sobre uma das artistas mais importantes da música brasileira.

Elis & Eu parte justamente do que ficou fora desse registro: não tanto a cantora que o Brasil conhece, mas a mulher que existia quando o palco desaparecia.

O documentário, dirigido por André Bushatsky, estreia em 25 de agosto no Universal+ e foi inspirado em Elis e Eu: 11 anos, 6 meses e 19 dias com minha mãe, livro de João Marcello Bôscoli.

A produção combina imagens raras de arquivo, dramatizações e depoimentos de pessoas que atravessaram diferentes momentos da vida de Elis, entre elas Wanderléa, João Bosco e César Camargo Mariano, além de recuperar registros de Rita Lee, Tom Jobim, Milton Nascimento e Ronaldo Bôscoli.

A atriz Lílian Menezes interpreta Elis nas recriações, enquanto Antônio Menqui e Victor Constantino vivem João Marcello em diferentes idades.

É importante, porém, uma distinção que o próprio João Marcello faz questão de estabelecer: ele não realizou o documentário. Bushatsky leu o livro, procurou o autor e decidiu transformar aquelas lembranças em uma obra cinematográfica.

João não participou da elaboração do roteiro, das escolhas de depoimentos ou das decisões artísticas e só assistiu ao filme depois de pronto.

“A minha contribuição foi fazer o livro”, resume em um papo para o Caderno B+. Para ele, essa distância acabou tornando a experiência ainda mais inesperada. Memórias que durante décadas existiram apenas dentro de sua cabeça passaram a ter uma representação visual.

Não existe, por exemplo, registro da mãe encontrando o filho na praia ou do episódio em que, depois de roubar a carteira de Elis, o menino foi expulso de casa e acabou vivendo por algum tempo em uma barraquinha. Ver algo alusivo a essas lembranças transformado em cinema foi, segundo ele, profundamente emocionante.

O filme também acrescentou histórias que nem João Marcello conhecia. Ele cita o depoimento de Wanderléa, que reorganizou lembranças esparsas de sua infância, e relatos ligados a momentos da trajetória musical de Elis que ampliaram sua própria percepção. 

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello BôscoliO produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Ana Claudia Paixão 

É justamente essa soma de olhares que faz o documentário ultrapassar o livro sem tentar substituí-lo.

Mas o que mais interessa a João é aquilo que essa combinação permite revelar sobre a mãe. Elis Regina foi extensamente registrada como artista.

Existem entrevistas, apresentações, fotografias, gravações e relatos suficientes para reconstruir praticamente cada etapa de sua carreira. Dentro de casa, a documentação é muito menor.

E essa diferença importa porque, para João Marcello, a vida doméstica não era uma dimensão separada da artista. Era parte daquilo que alimentava sua criação.

Elis gostava, segundo ele, do termo “dona de casa”. Em determinado período, mesmo tendo condições financeiras para manter ajuda permanente, passou meses cuidando pessoalmente da casa na Serra da Cantareira: lavava roupa, limpava e se envolvia com a rotina doméstica.

Olhando para trás, João interpreta esse movimento não como uma interrupção da carreira, mas quase como um mergulho.

“A artista se alimenta muito da figura como um todo. A Elis é uma figura, é uma mãe, é uma amiga, tem o trabalho dela e tem a face pública. Essa face pública é a mais conhecida”, explica. A oposição entre a grande profissional e a mulher que cuidava da casa, portanto, talvez diga mais sobre a maneira como costumamos olhar para mulheres extraordinárias do que sobre Elis. Para ela, aparentemente, uma dimensão alimentava a outra.

Há ainda uma Elis que João Marcello gostaria particularmente de preservar: a mulher forte sem que força significasse necessariamente dureza.

Ele se lembra de episódios em que a mãe descobriu que amigos enfrentavam dificuldades financeiras e os ajudou sem transformar o gesto em notícia.

Recorda a história contada por Aldir Blanc de que Elis, antes de uma apresentação em um ginásio — quando toda a tensão estaria naturalmente concentrada no espetáculo — ainda encontrou tempo para passar pelo hospital, visitar a mãe do compositor, cantar e rezar com ela.

Já adulto, João ouviu de Lenine outra lembrança: em Recife, Elis reuniu compositores para conversar sobre a importância de protegerem seus direitos.

São histórias pequenas diante da dimensão pública de sua carreira, mas talvez justamente por isso sejam reveladoras. João cresceu em uma casa em que, como ele próprio descreve, “o poder todo estava na mão da Elis”. E o aprendizado que ficou não foi o de associar poder à violência ou à opressão.

A mãe podia ser firme, rígida, organizada, dizer palavrões e desconcertar quem estivesse perto dela, mas também era capaz de gestos de afeto enormes e inesperados. Ele encontrou uma definição especialmente bonita para essa combinação: “uma força quente”.

“Eu senti que você não precisa necessariamente ter força e essa força machucar as pessoas que estão ao lado”, diz. Na infância, aquela potência era tamanha que se transformava também em sensação de proteção.

João conta que, mesmo quando viu Elis sair de casa desacordada no dia de sua morte, sua primeira reação foi acreditar que nada poderia acontecer. “Elis Regina não morre”, pensou. A constatação posterior de que nem aquela força poderia torná-la invulnerável é uma das memórias mais dolorosas que carrega.

Entrevista exclusiva com o produtor musical e empresário João Marcello BôscoliO produtor musical e empresário João Marcello Bôscoli é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Divulgação - Diagramação: Denis Felipe - Por: Ana Claudia Paixão 

Talvez seja por isso que, tantos anos depois, a preocupação com a permanência da mãe continue presente. João Marcello admite que uma de suas inquietações sempre foi impedir que Elis fosse esquecida.

O documentário, assim como o livro, é mais uma peça nessa transmissão de memória, agora alcançando também públicos que não viveram sua época.

E ele observa com especial entusiasmo quando artistas de gerações muito posteriores se aproximam de Elis. Na conversa, a recente homenagem da cantora espanhola Rosalía em seu show no Rio de Janeiro é recebida quase com euforia.

Para João, cada artista internacional que menciona ou canta sua mãe representa uma possibilidade de que aquela voz atravesse mais uma fronteira e encontre uma geração diferente.

“A Elis Regina é uma das últimas joias a serem descobertas pelo planeta no campo da música. E será, em algum momento”, afirma.

Depois de tantas Elis — a intérprete revolucionária, a estrela da televisão, a artista politicamente inquieta, a parceira de Tom Jobim, a voz que transformava uma canção assim que começava a cantá-la —, Elis & Eu propõe acrescentar outra sem diminuir nenhuma das anteriores.

A mãe. A amiga. A mulher que escrevia cartas, protegia compositores, lavava a própria casa, cuidava de quem amava e depois subia ao palco. Talvez não seja exatamente uma nova Elis. É a parte dela que o público teve menos oportunidades de conhecer.

Elis & Eu estreia em 25 de agosto, exclusivamente no Universal+, disponível por Prime Video, Claro TV+, Vivo TV, Meli+ e UOL Play.

 

Astrologia Correio B+

A energia do Tarô da semana entre 24 e 30 de agosto. Nada como uma boa dose de ousadia e entusiasmo

Sob a regência do Cavaleiro de Paus, você pode se sentir mais carismático, expansivo, impulsivo e até um pouquinho egocêntrico nos próximos dias. E tudo bem!

23/08/2026 12h00

A energia do Tarô da semana entre 24 e 30 de agosto. Nada como uma boa dose de ousadia e entusiasmo

A energia do Tarô da semana entre 24 e 30 de agosto. Nada como uma boa dose de ousadia e entusiasmo Foto: Divulgação

Continue Lendo...

O Cavaleiro de Paus é o grande motor do movimento para a frente no Tarô: a carta da ação ousada, da ambição inquieta e de uma energia que se lança antes mesmo de pensar em todos os detalhes — não por imprudência, mas por uma confiança instintiva no próprio impulso.

Ele não espera pelas condições perfeitas. Entende o próprio ato de avançar como aquilo que torna todo o resto possível, no melhor estilo: “primeiro você começa, depois você melhora.”

O Cavaleiro de Paus é puro ego. Ousado, impetuoso e cheio de autoconfiança, ele invade o centro das atenções como quem nasceu para estar ali, pronto para mostrar ao mundo o seu valor e a grandiosidade de suas ideias. Existe nele um charme sedutor, uma energia selvagem e magnética que torna difícil não se deixar contagiar por sua presença.

E isso pode ser muito divertido! É ótimo ter um Cavaleiro de Paus por perto. Ele anima as festas, movimenta os ambientes e sabe como colocar todo mundo para cima.

Também é estimulante estar perto de alguém com esse grau de confiança: o Cavaleiro de Paus não tem medo de dar o primeiro passo, correr riscos e fazer as coisas acontecerem. Sua coragem pode inspirar os outros a sair da inércia e embarcar em suas aventuras.

Mas, como todo cavaleiro, ele ainda está aprendendo a dominar o próprio poder. Sua energia pode se manifestar de maneira desajeitada, exagerada ou até impulsiva.

É alguém cheio de ideias e com um enorme desejo de agir, mas que nem sempre consegue parar para refletir, observar ou sentir antes de partir para a ação. A energia simplesmente corre solta, muitas vezes mais rápida do que sua capacidade de compreendê-la.

E, claro, ele pode ocupar muito espaço, grandes egos costumam fazer isso. O Cavaleiro de Paus pode ser aquela pessoa que domina os ambientes com sua necessidade de atenção, que fala alto, exige muito e, às vezes, pode soar arrogante.

Ele se afirma com confiança, mas, por trás dessa segurança toda, pode existir uma grande necessidade de reconhecimento e validação para manter a chama acesa.

Ainda assim, essa é uma figura inspiradora, que gosta de liderar e abrir caminhos. Pode ser aquela pessoa do seu círculo de amigos que parece estar sempre vivendo uma aventura, com uma vida movimentada e cheia de histórias, ou alguém cuja presença desperta em você a vontade de estar por perto.

Sua energia é contagiante, seu entusiasmo é difícil de ignorar e seu carisma natural faz com que as pessoas sejam atraídas por ele quase sem perceber.

Na prática, o Cavaleiro de Paus aparece quando uma ação ousada é necessária: lançar um projeto, perseguir uma oportunidade com rapidez e confiança, dar o passo que vem sendo construído há algum tempo, viajar em direção a algo novo.

Ele também pode representar uma pessoa que entra na sua vida trazendo essa energia: carismática, ágil, cheia de convicção e genuinamente empolgante de se ter por perto.

O que diferencia o Cavaleiro de Paus da imprudência é a qualidade do seu fogo: ele é genuíno. Ele não está fingindo confiança. De fato, acredita no caminho que escolheu, mesmo quando o mapa ainda está incompleto. É essa autenticidade que o torna tão cativante para os outros e tão eficaz no mundo.

A sombra que se esconde por trás do Cavaleiro de Paus é a velocidade. Incendiário por natureza, ele tem mais força para começar do que para sustentar, mais talento para acender uma chama do que para mantê-la viva.

Seu impulso é tão intenso que pode fazê-lo partir antes mesmo de saber exatamente onde quer chegar. E isso acontece porque o fogo é o elemento mais difícil de conter: a água pode ser dragada, represada e engarrafada; o ar pode ser bloqueado por uma parede ou expelido pela boca; a terra pode ser moldada com facilidade. Mas o fogo queima...ou se apaga.

A carta pergunta: o fogo está sendo direcionado para algo que realmente merece essa energia? E mais: existe um plano para quando o primeiro impulso começar a diminuir?

Cavaleiro de Paus no Amor e nos Relacionamentos

Se você está em um relacionamento: O Cavaleiro de Paus, em uma leitura amorosa, costuma refletir uma energia de conquista e intensidade que é genuinamente empolgante, mas que pode ter dificuldade para se aprofundar em uma intimidade duradoura.

O fogo é real. A questão é saber se ele consegue desacelerar o suficiente para construir algo que permaneça. A carta também pode falar de um período de paixão e aventura renovadas dentro de um relacionamento — o retorno da faísca, o impulso para viver algo novo e realizar ações ousadas a dois.

Se você está solteiro(a): O Cavaleiro de Paus aparece com frequência quando a atração é forte, rápida e carregada de possibilidades. A conexão tem a qualidade do fogo: intensa, vibrante, calorosa, capaz de consumir.

A carta convida você a aproveitar esse calor, mas também a se perguntar com honestidade se existe substância suficiente por trás de toda essa empolgação para sustentar algo verdadeiro.

Se você passou por uma desilusão amorosa: O Cavaleiro de Paus pode surgir depois de uma perda como o retorno do desejo e do movimento para a frente: a disposição para voltar a se movimentar, buscar, desejar e direcionar o fogo para algo novo.

A carta pede apenas que essa nova direção seja escolhida com um pouco mais de cuidado do que seria se você seguisse apenas o impulso.

Cavaleiro de Paus na Carreira e nas Finanças

Carreira: O Cavaleiro de Paus, em uma leitura profissional, é um forte sinal de ação ousada: o lançamento, a apresentação de uma ideia, a mudança de rota, o movimento que vinha sendo considerado e que agora está pronto para acontecer.

A carta favorece velocidade e confiança em vez de cautela. A oportunidade pode não permanecer disponível indefinidamente, e o Cavaleiro de Paus diz: vá agora, ajuste o caminho enquanto avança. É como diz a expressão: “trocar o pneu com o carro em movimento”.

A carta também pode apontar para um padrão de começar com muita força, mas ter dificuldade para sustentar o ritmo como, por exemplo, projetos iniciados com grande entusiasmo e depois abandonados quando a empolgação inicial desaparece.

A pergunta profissional que esta carta faz é se existe um plano para o percurso, e não apenas para a largada.

Muitas vezes, esta carta surge associada a novas propostas de trabalho, oportunidades que chegam para movimentar a vida profissional e convidar você a sair da zona de conforto. É uma energia de novidade, iniciativa e coragem para apostar em um caminho diferente. Aproveite!

Finanças: No aspecto financeiro, o Cavaleiro de Paus pode indicar decisões impulsivas — gastar ou investir movido pela empolgação, e não pela análise.

O fogo do momento pode fazer uma oportunidade parecer mais sólida do que realmente é. A carta pede pelo menos uma breve pausa para verificar se a direção é de fato segura antes de comprometer recursos com tanta rapidez.

Conselhos para a semana

Faça o movimento. Se você vem se preparando para um lançamento, uma apresentação ou alguma ação ousada, esta carta indica que as condições estão favoráveis o suficiente. Não espere pelo momento perfeito. Mova-se agora. Se jogue!

Confira a direção antes de acelerar. O maior risco do Cavaleiro de Paus é a velocidade sem propósito. Antes de colocar toda a sua energia em movimento, reserve um momento para confirmar a direção.

Não para ficar questionando a decisão indefinidamente, mas apenas para ter certeza de que toda essa força está sendo canalizada para onde você realmente quer chegar.

Reconheça o que você está deixando para trás. Partidas rápidas têm um custo. O Cavaleiro de Paus pode seguir em frente tão depressa que acaba deixando na poeira coisas que mereciam ser encerradas com cuidado.

Antes da próxima arrancada, pergunte a si mesma o que — ou quem — merece um fechamento adequado, em vez de uma saída abrupta.

Encontre uma maneira de manter o fogo aceso. Começar é a parte fácil. Crie uma estrutura, assuma um compromisso ou encontre uma forma de se manter responsável pelo que começou, para que o impulso sobreviva à explosão inicial de entusiasmo.

O Cavaleiro de Paus precisa descobrir como transformar o fogo do começo em uma chama mais constante, capaz de sustentar aquilo que está sendo construído.

Conclusão

Agosto chega ao fim deixando a sensação de que muita coisa mudou de lugar. Foi um mês de viradas e revelações. Depois do eclipse solar do dia 12, a semana termina sob a influência de um poderoso Eclipse Lunar em Peixes, na sexta-feira (28), convidando-nos a olhar para dentro e reconhecer o que precisa ser encerrado.

O Eclipse Lunar em Peixes encontra o impulso do Cavaleiro de Paus: uma combinação que pede desapego, mas também movimento. Primeiro, solte. Depois, avance. Afinal, o fogo do Cavaleiro fica mais potente quando não precisa carregar o peso do passado.

Ação ousada está sendo exigida agora. O Cavaleiro de Paus não fica sentado pensando. Ele age! Ele convida você a romper com a rotina, sair do lugar conhecido e se abrir para o novo. O mundo é vasto, cheio de possibilidades e está esperando para ser vivido e descoberto por você.

Em seus “Quatro Quartetos”, T. S. Eliot escreveu: “Não cessaremos de explorar, e ao final de toda a nossa exploração chegaremos ao ponto de partida e conheceremos esse lugar pela primeira vez.”

Talvez seja esse o convite do Cavaleiro de Paus para esta semana: avançar, experimentar, descobrir novos caminhos e, quem sabe, voltar ao ponto de partida com um novo olhar.

Uma ótima semana e muita luz,

Ana Cristina Paixão

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).