A partir deste sábado, com visitação aberta até o dia 29, o Museu da Imagem e do Som (MIS), em Campo Grande, será palco de uma experiência de imersão bem diferente no universo da arte educacional.
De autoria do artista colombiano Julián Vargas, o projeto Entre a Aula e a Escol(h)a, que, além de uma exposição, envolve um debate aberto ao público com a presença de educadores, propõe uma reflexão sobre a relevância das artes, desde a educação básica, na formação de crianças e jovens enquanto cidadãos.
A entrada é gratuita e a abertura do projeto será realizada neste sábado, a partir das 17h, com uma roda de conversa voltada para professores da rede municipal de ensino e com possibilidade de participação de qualquer interessado no assunto.
O evento contará com tradução em Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). A proposta é que, em seguida, tenha início a visitação ao espaço expositivo.
A mostra apresenta um conjunto de 12 obras em formatos e suportes variados, abrangendo desde as tradicionais pinturas em telas até criações eletrônico-digitais, vídeos e trabalhos interativos, de interface tecnológica.
A proposta geral da exposição é evidenciar que as aulas de artes merecem ser priorizadas, assim como as outras disciplinas, no currículo escolar.
ESTREIA
“Aulas de artes enriquecem a experiência educacional e a vida dos alunos, promovendo a apreciação estética, o pensamento crítico na sociedade e a compreensão das diferentes manifestações culturais e artísticas no mundo”, afirma o artista Julián Vargas, autor da exposição.
“Além de desenvolver habilidades como criatividade, empatia, comunicação e resolução de problemas”, complementa.
“E o interessante da exposição é que o público pode interagir em duas obras. Quem passar pelo MIS vai poder participar da realização dessas obras”, destaca o criador. Essa é a primeira exposição individual de Julián Vargas em Campo Grande.
Tanto no segmento cultural quanto na área de pesquisa, o criador coleciona outros feitos. Isso porque ele é arquiteto formado pela Faculdade de Bogotá (Colômbia) e mestre em estudos de linguagem pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).
Vargas também animou por sete anos a vida cultural de Mato Grosso do Sul com a efervescência e musicalidade da banda Projeto Kzulo, na qual atuou como percussionista.
Múltiplos conhecimentos técnicos e artísticos que, agora, dão forma e cor à sua primeira experiência com uma exposição individual de arte.
TEMAS E SUPORTES
Entre a Aula e a Escol(h)a oferecerá ao vislumbre e interação do público pinturas, em médio e grande porte, retratando a vida no ambiente escolar, escultura interativa com alto-falante e depoimentos, escultura cinética com servo motor (dispositivo eletromecânico que executa movimento proporcional a determinados comandos), vídeo-performance e fotografias de making-of com imagens do processo criativo de todo o projeto.
Já em termos de acessibilidade, uma vez mais, a exposição terá o aparato de audiodescrição das obras e legenda para o vídeo de making-of, além da tradutora de Libras na roda de conversa e durante a abertura da exposição.
IMERSÃO
“Estamos falando de um trabalho de vários processos, porque o Julian traz nessa exposição a experiência que teve em seus estágios obrigatórios nas escolas durante sua formação, como formação pedagógica. Depois tem o coletivo Entre Nós, da UFMS, do qual faço parte com ele, que é um grupo de pesquisa em arte, tecnologia e sociedade. Sem falar que ele é músico, arquiteto”, frisa Venise Melo, professora da UFMS.
“Então são muitas camadas dentro desse artista, que nos convida a pensar no papel da arte em nossas vidas, principalmente, nesse recorte da vida escolar, onde muitos indivíduos dão seus primeiros passos na vida em sociedade”, afirma a professora, que escreveu o texto curatorial da exposição e mediará o bate-papo de sábado.
Ao lado de Venise, na roda de conversa também estarão outras três docentes: Patrícia Rodrigues, Caroline Sousa e Thais Baez, que acompanharam Julián Vargas no processo de estágio obrigatório nas escolas.
A vivência escolar resultou em outra preocupação inserida no projeto: englobar o quarto Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), “Educação de Qualidade”, no escopo da exposição artística, como ressalta o próprio artista.
“Minha ideia é trabalhar diretamente com os atores envolvidos na educação. Daí a criação da roda de conversa. Paralelo a isso, as obras que assino propõem essa reflexão sobre as artes e o espaço de trabalho que estão sendo disponibilizados aos alunos, professores e corpo técnico. Também é preciso pensar em trabalho decente, com educação e qualidade”, milita Vargas.
Entre a Aula e a Escol(h)a é um projeto contemplado com recursos da Lei Paulo Gustavo (LPG), do Ministério da Cultura (Minc), por meio de edital da Secretaria de Cultura e Turismo de Campo Grande (Sectur). O projeto conta ainda com o apoio do MIS, da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) e do coletivo de pesquisa Entre Nós. Mais informações pelo Instagram @julianvargas_art ou pelo site entrenos.art.br/escolha.
TRAJETÓRIA
Julián Danilo Vargas Cubillos desenvolve projetos multilinguagens e interartes. Membro pesquisador e artista do grupo Entre Nós (UFMS), ele participou de eventos como o encontro internacional #22.ART, da Universidade de Brasília (UnB), no Distrito Federal, e a mostra The Wrong Biennale, assim como o Laboratório de Água da Plataforma Bogotá (Colômbia).
Vargas atuou como ativista de arte e transformação social no Panamá, em El Salvador e na Guatemala. Também já foi contemplado com o prêmio Arara Azul, na Capital, e tem participado de exposições coletivas em festivais e outros projetos de Campo Grande, Bonito e Corumbá.
SERVIÇO
Entre a Aula e a Escol(h)a – exposição de arte
- Período: do dia 11 ao dia 29.
- Horário: de segunda a sexta-feira, das 8h até as 17h50min;
- aos sábados, das 8h às 12h.
- Local: Museu da Imagem e do Som (MIS)
- Endereço: Avenida Fernando Corrêa da Costa, nº 559, Vila Carvalho, Campo Grande.
- Entrada gratuita.

Nádia Bana Povh e Miguel Povh Filho, que hoje comemoram 63 anos de casamento (Bodas de Sândalo). Foto: Arquivo Pessoal
Maisa Monseff. Foto: Arquivo Pessoal
Sabrina Sato - Divulgação


