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Gastronomia

Nutricionista explica benefícios do consumo da tangerina e ensina como escolher a fruta

Rica em vitamina C, fibras, água e compostos bioativos, a fruta é uma das protagonistas do inverno brasileiro; nutricionista explica seus benefícios e ensina como escolher o alimento

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Com aroma marcante, casca fácil de remover e sabor que equilibra doçura e acidez, a tangerina é uma das frutas mais aguardadas do inverno.

Entre abril e setembro, período que concentra sua principal safra no Brasil, ela ganha espaço nas feiras, supermercados e mesas dos brasileiros, oferecendo não apenas praticidade, mas também uma combinação de nutrientes que favorecem a saúde.

Também conhecida como mexerica ou bergamota, dependendo da região do País, a tangerina pertence ao grupo Citrus reticulata, que reúne diferentes variedades, como poncã (ou ponkan), murcott, carioca, montenegrina e verona.

É o segundo grupo de frutas cítricas mais cultivado no planeta, ficando atrás apenas das laranjas e respondendo por aproximadamente 25% da produção mundial de citros.

Segundo a nutricionista Adriana Stavro, além do sabor agradável, a fruta apresenta uma composição nutricional bastante interessante.

Uma unidade média, com cerca de 88 gramas, fornece aproximadamente 47 calorias, cerca de dois gramas de fibras, vitaminas A e C, vitaminas do complexo B – como B1, B6 e folato –, potássio e diversos compostos bioativos responsáveis por grande parte dos seus efeitos benéficos.

Entre esses compostos estão flavonoides como hesperidina, narirutina, naringenina, nobiletina e tangeretina, além de carotenoides e outros compostos fenólicos que têm ação antioxidante e anti-inflamatória.

Outro destaque é o elevado teor de água. Cerca de 85% da composição da fruta é formada por água, tornando a tangerina uma aliada também na hidratação do organismo, especialmente durante dias secos, comuns em boa parte do inverno brasileiro.

BENEFÍCIOS

Um dos principais benefícios associados ao consumo da tangerina está na sua elevada capacidade antioxidante.

A vitamina C, com os flavonoides e carotenoides presentes na fruta, ajuda a neutralizar os radicais livres, moléculas produzidas naturalmente pelo organismo, mas que, em excesso, favorecem o envelhecimento precoce das células e aumentam o risco para diversas doenças crônicas.

Ao reduzir o estresse oxidativo, esses compostos ajudam a proteger tecidos e células, contribuindo para uma melhor manutenção da saúde ao longo da vida.

Os flavonoides presentes na tangerina também exercem importante papel na redução de processos inflamatórios.

De acordo com Adriana Stavro, essas substâncias auxiliam na diminuição da produção de citocinas inflamatórias e combatem o estresse oxidativo.

Além disso, embora nenhum alimento seja capaz de prevenir doenças isoladamente, uma alimentação equilibrada fortalece o sistema imunológico.

Nesse contexto, a vitamina C da tangerina desempenha papel importante ao participar da atividade das células de defesa do organismo, contribuindo para uma resposta imunológica mais eficiente.

Por isso, a fruta pode ser uma excelente opção para compor os lanches e sobremesas durante os meses mais frios do ano.

A vitamina C também participa diretamente da produção de colágeno, proteína responsável pela firmeza da pele, elasticidade dos tecidos e cicatrização.

Seu consumo adequado favorece ainda a manutenção da integridade dos vasos sanguíneos e auxilia nos processos naturais de reparação do organismo.

Cada tangerina também fornece aproximadamente dois gramas de fibras alimentares. Essas fibras ajudam a regular o trânsito intestinal, contribuem para prevenir a constipação e favorecem o equilíbrio da microbiota intestinal, conjunto de microrganismos essenciais para diversas funções do organismo.

Além disso, promovem maior sensação de saciedade, podendo auxiliar no controle da fome entre as refeições.

Apesar do sabor adocicado, a tangerina apresenta baixo índice glicêmico quando consumida inteira.

Isso acontece porque suas fibras reduzem a velocidade de absorção dos carboidratos.

Estudos experimentais também sugerem que alguns flavonoides presentes na fruta, especialmente a naringenina, podem contribuir para melhorar a sensibilidade à insulina e favorecer o metabolismo da glicose.

Entretanto, esses efeitos ainda dependem de mais pesquisas em humanos para serem plenamente confirmados.

Outro benefício importante está relacionado com a absorção de ferro. A vitamina C potencializa o aproveitamento do ferro não heme – aquele encontrado em alimentos de origem vegetal, como feijão, lentilha, espinafre e couve.

Consumir uma tangerina após refeições ricas nesses alimentos pode favorecer a absorção do mineral e contribuir para prevenir a deficiência de ferro.

Os flavonoides presentes na fruta, especialmente a hesperidina e a nobiletina, vêm sendo associados à melhora da função dos vasos sanguíneos.

Aliados a uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes, esses compostos podem contribuir para reduzir processos inflamatórios e o estresse oxidativo relacionados com as doenças cardiovasculares.

Embora não substituam hábitos saudáveis nem tratamentos médicos, representam mais um motivo para incluir a fruta na alimentação diária.

COMO ESCOLHER

Na hora da compra, alguns detalhes ajudam a identificar frutas de melhor qualidade.

A orientação da nutricionista é escolher unidades firmes, pesadas para o tamanho e com casca íntegra.

A cor, entretanto, nem sempre indica o grau de maturação, já que varia conforme a variedade cultivada.

Depois da compra, elas podem permanecer alguns dias em temperatura ambiente. Para aumentar sua durabilidade, basta armazená-las sob refrigeração.

pexels rahimegul 30216029Suco de tangerina anti-inflamatório - Foto: Pexels

SUCO DE TANGERINA ANTI-INFLAMATÓRIO

Ingredientes:

  • 1 tangerina descascada e sem sementes;
  • Suco de 1 limão;
  • 1 pedaço pequeno de gengibre (cerca de 2 cm x 2 cm);
  • 100 ml de água filtrada ou água de coco;
  • Gelo a gosto.

Modo de Preparo:

> Bata todos os ingredientes no liquidificador ou mixer até obter uma bebida homogênea. Sirva imediatamente. Se preferir, não coe o suco para preservar as fibras.

SALADA DE FOLHAS COM TANGERINA E CASTANHAS

pexels lorencastillo 9218764Salada de folhas com tangerina e castanhas - Foto: Pexels

Ingredientes:

  • 2 xícaras (chá) de folhas verdes;
  • 2 tangerinas em gomos;
  • 1/4 de xícara (chá) de castanhas picadas;
  • Queijo branco em cubos (opcional);
  • Azeite de oliva, limão, sal e pimenta-do-reino a gosto.

Modo de Preparo:

> Misture as folhas, acrescente os gomos de tangerina, as castanhas e o queijo. Tempere com azeite, limão, sal e pimenta. Sirva imediatamente.

Diálogo

Tem muita gente suando em bicas depois que vieram à tona os diálogos da... Leia na coluna de hoje

Leia a coluna desta sexta-feira (31)

31/07/2026 00h02

Diálogo

Diálogo Foto: Arquivo / Correio do Estado

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Allan Kardec - escritor francês

"A vida nem sempre é como sonhamos, mas nem sempre sonhamos o que queremos viver”.

FELPUDA 

Tem muita gente suando em bicas depois que vieram à tona os diálogos da quadrilha investigada por trocar vagas na saúde por livros, em esquema que teria causado prejuízo superior a R$ 27 milhões aos cofres públicos. Os nomes citados são conhecidos da política e alguns já ensaiavam discursos de pré-campanha. Agora, a prioridade parece ser outra: encontrar uma explicação que convença eleitores e, principalmente, a Justiça. Tem pré-candidato estourando mais que pipoca em óleo quente. E, pelo visto, o barulho da panela ainda está longe de acabar.

Diálogo

Fora

A insistência do PT em manter Bolsonaro como alvo principal dos ataques, mesmo com o ex-presidente fora da campanha e enfrentando condenação pesada, parece estar produzindo mais irritação do que votos nos rincões de Mato Grosso do Sul. 

Mais

Durante uma reunião com um candidato do PT à reeleição, dois participantes não gostaram nada de ouvir o lulista chamar Bolsonaro de “canalha” e a conversa quase terminou em vias de fato. Pelo jeito, tem chute político que continua passando longe do gol.

DiálogoEloisa Caiado e Sarah Genta - Foto: Arquivo Pessoal

 

DiálogoPaula Saric - Foto: Divulgação

Prontos

As convenções estaduais do Progressistas (PP) e do Partido Liberal (PL), marcadas para 1º de agosto, em Campo Grande, vão oficializar as principais candidaturas da base governista em Mato Grosso do Sul. O PP deverá homologar a candidatura do governador Eduardo Riedel à reeleição, além das chapas para deputados federal e estadual. Os eventos também servirão para consolidar a aliança entre os partidos que sustentam o atual governo estadual na disputa de 2026. Riedel reúne a maior base política nas eleições deste ano.

Sacramentados

O PL aproveitará a convenção estadual para confirmar sua participação na coligação de apoio à reeleição de Eduardo Riedel e homologar seus candidatos ao Senado. A expectativa é de que sejam lançados o ex-governador Azambuja e o Capitão Contar para as duas vagas em disputa. Marcos Pollon já teria jogado a toalha e deverá tentar a reeleição. 

Na sombra

O que deveria ser um quarteto de lideranças da direita em MS poderá virar trio. No palanque, deverão aparecer Riedel, Tereza Cristina e Azambuja. Adriane Lopes, por sua vez, dizem, deverá ficar com participação bem mais discreta. Nos bastidores, o argumento é que a prefeita não teria acumulado resultados suficientes para ganhar lugar de destaque e, assim, a vitrine parece não estar tão iluminada. Em política, até o palanque tem seus lugares disputados e alguns ficam, literalmente, na sombra.

ANIVERSARIANTES 

  • Elza Maria Verlangieri Loschi (Tai),
  • Dr. José Ivan Albuquerque Aguiar, 
  • Priscila Virginia Schneider Sanches,
  • Dr. Wilson Sami Saauma Ibrahim, 
  • Ledir Marques Pedrosa,
  • Dr. Andrew Robalinho da Silva Filho,
  • Edna Graciliano Arguello Nunes,
  • Fernando Luis Aono,
  • Júlia Orikassa Noguchi,
  • Aparicio Ramão Silveira,
  • Michel Issa Filho,
  • Dr. Odair Rodrigues de Barros,
  • Paulo Takamura,
  • Dra. Itaneide Cabral Ramos, 
  • Alécio Antônio Tamiozzo,
  • Noemi Leite de Barros,
  • Willian Tapia Vargas,
  • Fernando Orue,
  • Daniel Regis Rahal, 
  • Roberto Santos Durães, 
  • Luiz Carlos Iunes Monteiro,
  • Maria Aparecida Cano Lopes,
  • Marcello Massao Izeki Mendes,
  • Augusto dos Santos Ayres, 
  • Fatima Gomes Santana,
  • Heico Tsuha,
  • Janaína Mecchi, 
  • Roberto Alves Vieira,
  • Marcos Antônio Moura Cristaldo,
  • Rilton Silva Durães Junior,
  • Newton Marcos Galache,
  • Altino Lima da Silva,
  • Camila Pereira Pacheco,
  • Leodir Antonio da Cunha,
  • Vanildo Bovolin,
  • Ancelmo Tasoniero,
  • Dr. Marcelo de Souza Pedro, 
  • Paulo de Oliveira,
  • Analice Lopes Moraes,
  • Cleide Teles,
  • Sílvio Oliveira Nunes,
  • Urania Motti Gate,
  • Ildo Furtado de Oliveira,
  • José Elodir Bender, 
  • William Brias Umar,
  • Jamir Nedeff,
  • Dra. Maria do Socorro Medeiros 
  • de Freitas Abrão, 
  • Dr. Stéfferson Almeida Arruda,
  • Luiz Antônio Franco,
  • Marcelo Bertoni,
  • Olga Therezinha Bianchi Zacarias,
  • Jorge Alberto Lezeu,
  • Dr. Clóvis Emílio Santiago,
  • Paulo Roberto Teixeira Lacerda,
  • Laurianníe de Souza Faria, 
  • Elce André Silveira Leite,
  • Venício Rodrigues Ferreira,
  • Rosana dos Santos Zorato,
  • Luiz Fabiano Coelho de Oliveira,
  • Geny Nogueira Cubel,
  • Teresa Maria Vieira,
  • Ana Cristina Fontoura Corrêa,
  • Adilson Moreira Moura,
  • Carolina Saraiva,
  • Eudes Beirão Rodrigues,  
  • Maria Gorete Militão,
  • Sandi Cristina Fernandes Moreira Senna,
  • Carolini Satiko Tanaka,
  • Elaine Lima Yule,
  • Carlinda Silva,
  • Keila Pontes de Almeida,
  • Neiva Teixeira,
  • Hudson Mendes,
  • Maria Auxiliadora Lima,
  • Mara Lúcia Cardoso,
  • Humberto Vieira,
  • João Venâncio Lopes,
  • Victor Souza de Almeida,
  • Renata Teixeira Gomes,
  • Geisa Vieira,
  • Cleuza Santos da Silva,
  • Carolina da Silva Pereira,
  • Maria Lúcia Nantes,
  • Lorena Ferreira,
  • Célia Regina Nogueira,
  • Jorge Ullony,
  • Mercio Antonio Milanetti,
  • Najla Barbieri Gomes Catarineli,
  • José Inácio Branco, 
  • Alexandre Pierin de Barros,
  • Regina Eleusis Silveira dos Santos, 
  • Paula Mayumi Yamakawa Takamura, 
  • Sônia de Freitas Barbosa Figueiredo,
  • Ana Lucia Carducci Gouvea Mancuso,
  • Luiz Humberto Fernandes,        
  • Rogério Monteiro de Barros,
  • Elizabeth Marques Coelho,
  • Fernanda Maria Bosso Pinheiro,
  • Iunes Tehfi,
  • Fabiana Silva da Cunha,
  • Márcia Luiza Aparecida Paterlini,
  • Sandra Megumi Kato Kuchida,
  • Jacinto Rodrigues da Cunha,  
  • Helena Britto Bacchi de Araújo,
  • Fabricio Collares,
  • Kellyne Laís Laburú Alencar de Almeida.

Colaborou com Tatyane Gameiro

DANÇA

Espetáculo de dança transforma a inquietação de Lídia Baís em poesia corporal

Inspirado na vida e na obra da pintora sul-mato-grossense, "L'Existence Lídia Baís" estreia na terça-feira propondo uma experiência sensível que une memória, imaginação e liberdade

30/07/2026 08h30

Linguagem corporal do espetáculo foi desenvolvida a partir das pinturas de Lídia Baís

Linguagem corporal do espetáculo foi desenvolvida a partir das pinturas de Lídia Baís Milena Yuka

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Antes de contar a história de Lídia Baís, o espetáculo “L’Existence” prefere fazer outra pergunta: o que permanece de um artista depois que sua vida termina?

Em vez de seguir uma cronologia ou reconstituir episódios biográficos, a montagem, que estreia na terça-feira, no Teatro Glauce Rocha, em Campo Grande, aposta na força da dança para revisitar a memória, a imaginação e o legado de uma das artistas mais importantes da história de Mato Grosso do Sul.

Inspirado na trajetória da pintora campo-grandense, “L’Existence – Lídia Baís” propõe uma experiência sensível, na qual personagens inspirados em suas pinturas surgem como fragmentos de uma existência que continua ecoando.

O espetáculo tem sessão única, às 20h, e é realizado com recursos do Fundo de Investimentos Culturais (FIC) do governo de Mato Grosso do Sul.

Mais do que contar quem foi Lídia Baís, a criação convida o público a sentir sua inquietação, sua coragem e a liberdade que marcaram sua produção artística e forma de viver. É um mergulho poético na vida de uma mulher que escolheu fazer da arte a própria existência.

LINGUAGEM DA MEMÓRIA

A riqueza de camadas de Lídia Baís foi o que inspirou a diretora artística e coreógrafa Monique Paes durante o processo de criação de “L’Existence”.

Segundo ela, a montagem nasceu de uma longa imersão na vida e na produção artística da pintora, envolvendo pesquisas históricas, observação de suas obras e experimentações corporais.

“A criação de ‘L’Existence’ nasceu de um mergulho profundo no universo de Lídia Baís. Estudei sua história, contemplei suas obras, ouvi inúmeras trilhas e, acima de tudo, aprendi a me escutar. Cada escolha coreográfica surgiu desse diálogo entre a pesquisa e aquilo que sua trajetória despertava em mim”, explica.

Monique também integrou a equipe do longa-metragem sobre Lídia Baís, atualmente em produção em Mato Grosso do Sul. A experiência ampliou sua compreensão sobre a artista e acabou influenciando diretamente a construção da linguagem cênica do espetáculo.

“Algumas de suas pinturas tornaram-se ponto de partida para a linguagem corporal do espetáculo. Em nenhum momento quisemos biografar sua vida. A intenção sempre foi de revelar ao público o quanto sua trajetória é rica, cheia de camadas, contrastes e perguntas que continuam ecoando no tempo”, afirma.

A proposta, segundo a coreógrafa, é permitir que cada espectador encontre seu próprio caminho dentro da obra.

“Acredito que a arte ganha força quando nos permite sentir antes de compreender. Mais do que contar uma história, buscamos criar uma experiência sensível. Com respeito, admiração e licença poética, apresentamos ‘L’Existence’”, conclui.

INTERPRETAR SEM PALAVRAS

Linguagem corporal do espetáculo foi desenvolvida a partir das pinturas de Lídia BaísToda a narrativa do espetáculo se dá a partir da morte de Lídia Baís e da repercussão póstuma de sua obra - Foto: Milena Yuka

No centro dessa experiência está a bailarina e diretora artística Ana el Daher, responsável por interpretar Lídia Baís em cena.

Ela conta que conhecia apenas superficialmente a artista antes de iniciar o projeto. A pesquisa transformou completamente sua percepção.

“Lídia se tornou para mim uma mulher muito à frente do seu tempo. Ela não aceitava viver dentro das regras impostas pela sociedade, pela família e pelo lugar onde estava. Ela queria muito mais. Foi uma mulher ousada, que foi atrás dos próprios sonhos e das próprias vontades. Hoje, vejo alguém que talvez tenha inspirado muitas outras mulheres na forma de pensar e de agir”, declara.

Levar uma personagem histórica ao palco sem recorrer às palavras foi um dos maiores desafios enfrentados durante o processo criativo.

“A dança não tem o poder da fala. A gente precisa mostrar tudo com a alma. Pouco se sabe exatamente sobre como Lídia era, então, tivemos muito cuidado para construir uma personagem respeitosa e, ao mesmo tempo, sensível. Foi um processo baseado em pesquisas, nos diários, nas pinturas, em relatos e também na orientação de uma historiadora profundamente dedicada ao universo da Lídia”, destaca.

A construção da personagem exigiu um delicado equilíbrio entre fidelidade histórica e liberdade artística. Em vez de reproduzir gestos ou comportamentos documentados, o espetáculo procura traduzir sentimentos, inquietações e estados de espírito presentes na obra da pintora.

CORAGEM

Durante a pesquisa, um aspecto chamou especialmente a atenção da intérprete: a coragem com que Lídia enfrentou as limitações impostas às mulheres de sua época.

“O que mais me marcou foi perceber que ela não se rendia às obrigações impostas para ela. Mesmo sabendo das consequências, ela escolhia viver do jeito que acreditava. Em uma época em que isso era quase proibido para uma mulher, ela teve coragem de romper padrões e seguir o próprio caminho”, pontua Ana.

Essa dimensão da artista ultrapassa a biografia e dialoga com questões ainda muito presentes na sociedade contemporânea. Liberdade, pertencimento, autonomia e identidade aparecem como temas centrais da montagem, que pretende provocar reflexões sem oferecer respostas prontas.

Para Ana, esse talvez seja o maior legado deixado por Lídia. 

“Espero que o público saia curioso para conhecer mais sobre Lídia, mas também sobre si mesmo. Que cada pessoa se pergunte se está vivendo no lugar ao qual realmente pertence. Lídia era inquieta, e gostaria que essa inquietude também permanecesse com quem assistir ao espetáculo”, deseja a artista.

REALIDADE E IMAGINAÇÃO

A estrutura dramatúrgica parte de um ponto simbólico: o último suspiro de Lídia Baís.

A partir desse instante, memória, imaginação e criação passam a se entrelaçar em uma narrativa não linear, em que personagens inspirados em suas pinturas surgem como fragmentos de uma existência que continua viva.

Em vez de apresentar fatos históricos em sequência, o espetáculo cria imagens poéticas que dialogam diretamente com o universo visual da artista. A fronteira entre realidade e fantasia desaparece, permitindo que o público caminhe por um espaço onde as obras parecem ganhar corpo e movimento.

Essa escolha estética também dialoga com a produção de Lídia, marcada por figuras enigmáticas, atmosferas oníricas e uma permanente busca espiritual. Assim como suas telas nunca entregam todas as respostas, “L’Existence” convida cada espectador a construir sua própria interpretação.

ALÉM DE SEU TEMPO

Nascida em Campo Grande em 22 de abril de 1900, Lídia Baís ocupa um lugar singular na história da arte brasileira.

Dona de uma produção marcada por simbolismos, elementos surrealistas, expressionistas e forte espiritualidade, ela rompeu padrões sociais em uma época em que poucas mulheres conseguiam construir uma trajetória artística independente.

Ainda jovem, convenceu o pai a permitir que estudasse pintura no Rio de Janeiro, onde teve aulas com mestres como Henrique Bernardelli e Osvaldo Teixeira.

Na década de 1920, também passou uma temporada na Europa, especialmente em Berlim e Paris, cidades que ampliaram seu contato com movimentos artísticos modernos e influenciaram profundamente sua produção.

Ao longo da vida, Lídia construiu uma obra repleta de simbolismos, personagens misteriosos e reflexões existenciais. Também protagonizou escolhas que desafiaram convenções sociais. Casou-se apenas aos 38 anos, alterando sua idade para parecer mais jovem, e desfez o casamento apenas 15 dias depois.

Mais tarde, voltou-se aos estudos religiosos e filosóficos, adotando o nome de Irmã Trindade e dedicando seus últimos anos à espiritualidade.

SERVIÇO

Espetáculo “L’Existence – Lídia Baís”

Data: na terça-feira (4 de agosto).
Horário: às 20h.
Local: Teatro Glauce Rocha, na UFMS.
Ingressos: à venda na bilheteria do teatro e pelo link disponível na bio do Instagram @ciaselmazambuja.

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