Correio B

ARTE E CULTURA

Primavera dos Museus começa nesta segunda (18) com programações na Capital e no interior de MS

Tema deste ano busca evidenciar invisibilidade de negros, indígenas e comunidade LGBT+ nos museus

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A partir desta segunda-feira (18) será realizada a 17ª edição da Primavera dos Museus, cujo tema central é “Memórias e Democracia: pessoas LGBT+, indígenas, quilombolas”. O evento,idealizado pelo Sistema Estadual de Museus, irá acontecer em museus de Campo Grande, Corumbá e Costa Rica. 

Com encerramento no dia 24 de setembro, a semana será repleta de ações simultâneas tanto de forma presencial quanto on-line, cujo objetivo é oferecer oportunidade para que os participantes reflitam a respeito da construção da democracia no Brasil e o papel de seus agentes.

Para enriquecer o debate, esta edição ainda irá envolver o papel dos grupos ainda marginalizados na retomada e restituição da democracia. Assim, tanto instituições quanto pessoas que trabalham e frequentam museus serão convidados a analisar o lugar desses grupos nas ações promotoras de memória e cultura.

De acordo com a Gerente de Patrimônio Cultural da Fundação Cultural de Mato Grosso do Sul, Melly Senna, o objetivo é colocar em evidências as contribuições de pessoas e comunidades que sempre foram inviabilizadas nos museus existentes. 

“A primavera dos museus é um importante momento para discutir sobre temas importantes para a sociedade e sua ligação com os museus. Esse ano ao colocar em pauta os negros, indígenas e LGBTqi+, traz a cena grupos que foram invisibilizados dentro dos espaços museais”, afirmou. 

Ao que o coordenador do Sistema Estadual de Museus de Mato Grosso do Sul Douglas Alves da Silva, completa, afirmando que esta também é uma forma de reafirmar a presença de grupos indígenas, quilombolas e LGBT+ na história brasileira. 

“A temática busca tanto valorizar a memória dessa parcela da população quanto também demonstrar como suas lutas em busca de direitos civis, preservação de línguas, culturas, costumes, liberdade e dignidade se apresentam com relevância para a construção democrática de um país justo e igualitário”, explicou Silva.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

Campo Grande 

18/09/2023 – 18h00 às 21h00

  • ABERTURA – Mesa de abertura estadual sobre a temática da 17ª Primavera dos Museus. Local: Auditório do MIS

22/09/2023 – 18h00 às 21h30

  • ENCONTRO – VII Encontro da Rede de Educadores em Museus – REM/MS, com feira de artesanato Mesa Redonda; Noite no Museu e Observação do céu a noite (Etnoastronomia). Local: Museu das Culturas Dom Bosco (MCDB).

18/09/2023 a 20/10/2023 – 07h30 às 17h30

  • EXPOSIÇÃO – “Nasce um Novo Estado” (exposição alusiva à implantação do estado de Mato Grosso do Sul em 1979). Local: Sala Expositiva do Arquivo Público Estadual de MS

22/09/2023 – 18h00 às 21h30

  • ENCONTRO – VII Encontro da Rede de Educadores em Museus – REM/MS, com feira de artesanato, Mesa Redonda, Noite no Museu e Observação do céu noturno (Etnoastronomia) pelo clube de astronomia Carl Sagan. Local: Museu das Culturas Dom Bosco (MCDB).

20/09/2023 – 17h00 às 18h00

  • MESA REDONDA – “Experiências em Antropologia Forense e Ancestralidade no Patrimônio Arqueológico do Vale do Chicama – Peru“ / Pricila Lini – UFMS I Inventário de Geodiversidade da Trilha Rupestre / Sandra Gabas- UFMS. Local: Sala 404 – Unidade VI – Cidade Universitária/UFMS. 

MUSEU DA IMAGEM E DO SOM DE MS

  • 19/09/2023 – 19h00: Abertura da Exposição “Delabasura: Arte-Resistência LGBTQIA+ Sul-mato-grossensse”.
  • 23/09/2023 – 19h00: 17ª Primavera de Museus – Amor Maldito(1984) de Adélia Sampaio: Exibição e Mesa Redonda.
  • 26/09/2023 – 19h00: 17ª Primavera de Museus – Mesa Redonda “Sucia Inmunda Delabasura: Democracia, Arte e corpos LGBTQIA+”.

MUSEU DAS CULTURAS DOM BOSCO

  • 19/09/2023 a 23/09/2023 – 09h00 às 17h00: OUTROS – Feira de produtos de Base Comunitária junto ao Projeto BRUACA, um negócio de impacto socioambiental que carrega a força das comunidades do Pantanal, onde residem as tradições e saberes ancestrais.
  • 19/09/2023 a 22/09/2023 – 08h00 às 16h30: VISITA MEDIADA – Educadores(as) museais realizam a mediação de grupos agendados nas exposições de ciências humanas e ciências naturais.
  • 22/09/2023 – 19h30 às 21h30: AÇÃO EDUCATIVA – Observação do céu a noite, um olhar para “etnoastronomia” com o Clube de Astronomia Carl Sagan (UFMS).
  • 22/09/2023 – 18h00 às 21h00: MESA REDONDA – “Memórias e Democracia: pessoas LGBTQIA+, Indígenas, Ribeirinhos e Quilombolas”, educadores(as) museais, Projeto BRUACA e convidados.
  • 22/09/2023 – 18h00 às 21h00: VISITAÇÃO – NOITE NO MUSEU – as exposições estarão abertas gratuitamente aos participantes inscritos no VII Encontro da Rede de Educadores em Museus de Mato Grosso do Sul REM MS.
  • 23/09/2023 – 14h00 às 17h30: VISITAÇÃO – Museu de Portas abertas. Em virtude do início da Primavera neste sábado dia 23 o museu tem entrada gratuita para todos os públicos.

MUSEU DE ARQUEOLOGIA DA UFMS

  • 19/09/2023 – 14h00 às 16h00: AÇÃO EDUCATIVA – Lançamento dos novos materiais lúdicos pedagógicos do MuArq.
  • 20/09/2023 – 19h00 às 21h00: EXPOSIÇÃO – de Ana Luísa Andrade.
  • 20/09/2023 – 20h00 às 20h30: LANÇAMENTO – Livro “Alcinópolis: uma galeria natural de arte rupestre” Org. Marcos Antônio dos Reis. Show musical do violonista Marcelo Fernandes (UFMS).
  • 20/09/2023 – 19h15 às 19h40: PALESTRA – Nilo Peçanha.

MUSEU DE ARTE CONTEMPORÂNEA DE MS – MARCO

  • 18/09/2023 a 24/09/2023 – 08h00 às 18h00: AÇÃO EDUCATIVA – Você sabia? – post no Instagram @marcomuseums sobre a vida e a obra do artista Galvão Pretto (acervo).
  • 19/09/2023 a 24/09/2023 – 08h00 às 18h00: AÇÃO EDUCATIVA – Exibição do vídeo “Acervo vivo” produzido pelo museu e gravado no atelier do artista Galvão Pretto sobre seu processo criativo e trajetória profissional. Disponível no link na bio do Instagram do museu @marcomuseums.
  • 21/09/2023 a 24/09/2023 – 08h00 às 18h00: AÇÃO EDUCATIVA – #TBT – post no Instagram @marcomuseums das exposições: Fundação Pierre Verger, Quilombolas e Orixás da artista Ilca Galvão já realizadas no museu.
  • 22/09/2023 – 15h00 às 17h00: OFICINA – oficina de assemblagem a partir da obra, “Cada Macaco no seu Galho”, do artista Galvão Pretto. A oficina gratuita é voltada para crianças de 08 a 12 anos (10 vagas).

MUSEU DA HISTÓRIA DA MEDICINA DE MATO GROSSO DO SUL DR. FAUZI ADRI

  • 21/09/2023 – 19h30 às 21h30: APRESENTAÇÃO – Roda de Conversa/Oficina: A Atuação da Cruz Vermelha Brasileira MS junto às comunidades e pessoas em situação de vulnerabilidade em Mato Grosso do Sul.

MUSEU JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA

  • 19/09/2023 a 22/09/2023 – 09h00 às 17h00: VISITA MEDIADA – Serão oferecidas na semana inteira visitas monitoradas pelos mediadores do Museu que fazem o acompanhamento e contação da história do espaço.

Corumbá/MS

CASA DO DR. GABI – ESPAÇO DE MEMÓRIA

  • 22/09/2023 – 15h00 às 16h00: OUTROS – Live: “O protagonismo de tia Eva na ocupação do território sul-mato-grossense”, com Vânia Lúcia Baptista Duarte, Subsecretária de Políticas para a Igualdade Racial (SETESC). Local: Youtube do Museu Casa do Dr. Gabi – Espaço de Memória @CasadoDrGabi.
  • 23/09/2023 – 15h00 às 16h30: OUTROS – Roda de conversa com remanescentes quilombolas do município de Corumbá-MS.
  • 23/09/2023 – 18h00 às 19h30: PALESTRA – com Bruno Pinheiro Rodrigues a respeito de seu livro “Homens de ferro, mulheres de pedra: o itinerário de resistências entre a África-Centro Ocidental e América espanhola.” Local: Youtube da Casa do Dr. Gabi – Espaço de Memória

MEMORIAL DO HOMEM PANTANEIRO

  • 8/09/2023 – 08h30 às 08h45: ABERTURA – Diretor Presidente do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, 21 anos de Conservação e Produção de Natureza no Pantanal MS.
  • 18/09/2023 – 08h45 às 09h30: AÇÃO EDUCATIVA – “Modo de fazer a canoa de um pau só Guató” – transporte fluvial dos povos Guató e dos ribeirinhos do Pantanal, “Modo de fazer a viola de cocho pelos Guató”. Ministrante: indígena Guató.
  • 18/09/2023 – 09h45 às 10h30: AÇÃO EDUCATIVA – “Moradia vernacular dos povos Guató, o trançado da folha do Acuri na construção das moradias”. Ministrante: representante da etnia Guató.
  • 19/08/2023 – 08h30 às 09h30: LANÇAMENTO – Cartilha São João: Corumbá e o Banho de São João: História e Cultura. Orgs. Prof. Dr. Douglas Josiel Voks, Guilherme Augusto Oliveira e Leonardo Cuellar (alunos Escola Júlia Gonçalves Passarinho).
  • 19/08/2023 – 18h30 às 20h00: OFICINA – Oficina de Tocar Berrante (Cultura Pantaneira) – materialidade presente nas Comitivas Pantaneiras e Fazendas no Pantanal. Ministrantes: Sr. Renê Almeida e Artesão Agapito Manoel da Aquino.
  • 19/09/2023 – 09h45 às 10h30: EXIBIÇÃO DE FILME – Documentário “Patrimônio Cultural: Cururueiros”. Direção: Wanessa Rodrigues, Edivânia Freitas e Emmanuel Cavasana. Roteiro: Wanessa Rodrigues.

PANTANEURA DA ZONA

  • 24/09/2023 – 09h00 às 14h00: EXPOSIÇÃO – “A Mostra Fotoaldrávica Kixoku Komómoye Terenoe” que significa “Um modo de olhar Terena” tem como protagonistas crianças e adolescentes da Aldeia Aldeinha, de Anastácio (MS)”. Profa. Flavia Rohdt.

Costa Rica – MS

MUSEU INTERATIVO NELSO SILVA SOARES

  • 19/09/2023 a 22/09/2023 – 09h00 às 17h00: EXPOSIÇÃO – Conhecendo nossos indígenas. Serão exibidos vídeos sobre os povos indígenas do Mato Grosso do Sul. Com apoio de escolas municipais.

A 17ª Primavera dos Museus será realizada por meio de parcerias com diversas entidades, são elas: Rede de Educadores de Museus de MS, Arquivo Público Estadual de MS, Museu Casa do Dr. Gabi – Espaço de Memória (Corumbá),Casa da Ciência e Cultura de Campo Grande, Laboratório e Estudos Interdisciplinares da Antiguidade (ATRIVM), Memorial do Homem Pantaneiro (Corumbá), Museu da Imagem e do Som (MIS), Museu de Arqueologia (MuArq/UFMS), Museu de Arte Contemporânea (MARCO), Museu das Culturas Dom Bosco (MCDB/UCDB), Museu de História da Medicina de Mato Grosso do Sul Dr. Fauzi Adri, Museu Interativo Nelso Silva Soares (Costa Rica), Museu José Antônio Pereira (Campo Grande) e Pantaneura da Zona (Corumbá).

A Primavera dos Museus é um evento idealizado pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), cuja organização e coordenação em nível estadual fica à cargo do Sistema Estadual de Museus de MS. O Sistema é ligado à Fundação de Cultura de MS e agrega os diversos museus instalados no estado de Mato Grosso do Sul.

 

Moda Correio B+

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida.

20/09/2026 16h00

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta? Foto: Divulgação

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Você provavelmente já encontrou uma mulher vestindo apenas camiseta branca, jeans e uma sandália simples e pensou: como ela consegue parecer tão elegante com tão pouco? Enquanto isso, outra pessoa pode estar usando peças caras, bolsa de grife e uma produção muito mais elaborada não consegue transmitir a mesma impressão.

A diferença está em algo que repito com frequência no meu trabalho: elegância não está necessariamente na roupa, mas na maneira como fazemos a roupa funcionar a nosso favor.

Existe uma tendência de associarmos sofisticação à formalidade. Como se fosse necessário um blazer, um salto ou uma peça especial para que uma mulher pareça bem-vestida. Mas, muitas vezes, são justamente as produções mais simples que revelam melhor o cuidado com a imagem.

Quando há menos elementos para chamar atenção, percebemos mais facilmente o caimento, a qualidade do tecido, os acabamentos, os acessórios e, principalmente, quem está usando aquela roupa.

Uma camiseta, por exemplo, parece a peça mais básica do mundo, mas existem enormes diferenças entre elas. A posição da manga, a abertura da gola, o comprimento, a gramatura do tecido e a maneira como ela acompanha o corpo interferem completamente no resultado.

E não existe uma modelagem universalmente perfeita: existe aquela que funciona melhor para o seu corpo, seu estilo e a mensagem que você deseja transmitir.

Aos detalhes da roupa soma-se algo que não compramos em nenhuma loja: postura. A maneira de caminhar, sentar, falar e ocupar um espaço participa da nossa imagem tanto quanto aquilo que vestimos.

Não adianta procurar a peça perfeita se ela está amassada, mal conservada ou se quem a veste parece desconfortável dentro dela. Elegância também tem relação com cuidado e naturalidade.

As mulheres que já entenderam isso,  não precisam acrescentar informação o tempo inteiro para construir uma imagem mais elegante e de presença. Existe coerência entre roupa, corpo, personalidade e ocasião. A roupa não tenta transformá-las em outra pessoa; apenas acompanha quem elas são.

Entre Costuras & CuLtura: Por que algumas mulheres parecem elegantes até de camiseta?Sabrina Sato - Divulgação

5 detalhes que deixam até a camiseta mais elegante

1. Observe o caimento antes da etiqueta

Veja onde a manga termina, como a gola se posiciona e se o tecido acompanha o corpo sem apertar ou criar volume onde você não deseja. Uma pequena alteração de modelagem pode mudar completamente uma peça básica.

2. Preste atenção ao estado da roupa

Bolinha, gola deformada, tecido transparente demais, manchas e peças excessivamente amassadas comprometem rapidamente uma produção. Básicos precisam estar especialmente bem conservados.

3. Use acessórios com intenção

Um bom brinco, um relógio, um colar, um cinto ou uma bolsa podem dar acabamento ao look. Não é preciso usar tudo ao mesmo tempo: muitas vezes, um único elemento bem escolhido é suficiente.

4. Cuide da postura e da presença

Ombros, maneira de caminhar, tom de voz e até a forma como você se senta interferem na leitura da sua imagem. Nenhuma roupa trabalha sozinha.

5. Busque coerência, não perfeição

A mulher elegante não é necessariamente aquela que está impecável o tempo inteiro. É aquela cuja imagem parece fazer sentido: para sua personalidade, para seu corpo, para sua rotina e para o ambiente em que está.

No fim, a pergunta mais importante é: quanto da elegância que admiramos realmente vem da roupa? A roupa pode ser a moldura, mas é a maneira como nos apresentamos ao mundo que completa a imagem.

Capa da semana Correio B+

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

"Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos"

20/09/2026 15h12

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em 'Ben Hur' da Record TV Foto: Divulgação

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Gustavo Falcão é um dos destaques do filme ‘Elize: Sombras de Uma Mulher’, que estreou no dia 22 de julho na Netflix. Dando vida a Heitor, melhor amigo de Marcos Matsunaga, ele mergulhou na complexidade emocional de seu personagem, um homem que caminha entre as sombras e a luz. Ele revela: “Heitor é um personagem que representa uma área cinzenta.

O maior desafio foi retratar seu lado animalesco e instintivo, mantendo sua humanidade. Ele é perigoso e sedutor, sempre observando ao seu redor, pronto para capturar novas oportunidades. É esse estranhamento que eu busquei transmitir ao público”.

Além do filme, Gustavo também está presente na nova adaptação de 'Ben Hur', que estreia em outubro na Univer, e em seguida na RecordTV. Nela interpreta Élio, o governador romano da Judeia. "Élio é extremamente hedonista e adora o poder. Ele é um político habilidoso, que sabe que a roda da política gira rapidamente, e esse conhecimento o torna ainda mais astuto e perigoso", comenta.

Ele descreve seu personagem como alguém que tem prazer em explorar os meandros do poder e que, por isso, se destaca em meio ao ambiente de tensões entre romanos e judeus. "A liberdade criativa que tive nesta produção foi uma experiência deliciosa, permitindo-me dar vida a um personagem sarcástico e multifacetado."

Natural de Recife, Falcão destaca a importância de sua terra natal em sua trajetória. "Cresci em um ambiente cultural rico, onde artistas como Ariano Suassuna e Francisco Brennand foram grandes influências. A cena artística pernambucana me moldou e me deu as bases para a carreira que tenho hoje", afirma. Ele começou sua trajetória profissional em 1995, com a peça "Os Biombos", de Jean Genet, dirigida por Antonio Cadengue. "Esse foi meu primeiro contato com o palco e uma experiência transformadora", relembra.

Com 31 anos de carreira, ele continua conectado com sua comunidade e está atualmente desenvolvendo um projeto especial lá. "Estou trabalhando na adaptação para o cinema da vida do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com meu irmão e a REC Produtores", compartilha. "Queremos filmar grande parte da história no Recife, trazendo à tona não só a figura de Cícero, mas também a riqueza cultural da nossa cidade", enfatiza.

Em novelas o ator de 50 anos deixou sua marca como Faísca em "As Filhas da Mãe", onde encarnou um surdo mudo com uma sensibilidade própria, além de interpretar Jonas em "Cobras & Lagartos", um jovem dividido entre a religiosidade e a malandragem de sua família. "Ambos os papéis exigiram um equilíbrio delicado entre drama e humor, e me permitiram explorar áreas muito diferentes da atuação", destacou.

Gustavo também é um diretor ativo, tendo liderado montagens como "Partiu 90!" e a remontagem de "A Máquina". "Dirigir essas peças foi um processo enriquecedor que ampliou minha visão sobre a atuação e a colaboração entre os elencos", enfatiza ele. Além disso, dirigiu e roteirizo o curta metragem ‘30 Moedas’ ao lado de Marcos Arzua Barbosa, a produção narra um embate no meio do mar entre dois personagens de classes sociais distintas e orientações ideológicas deformadas pela corrupção política, religiosa e social sistêmica dos tempos atuais.

"Criar um ambiente onde a arte possa florescer e impactar a vida das pessoas é uma missão que me motiva profundamente", completa.

Gustavo é a Capa do Correio B+ desta semana, e em entrevista exclusiva ao Caderno, ele fala sobre papéis, carreira e estreias.

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Gabí Souza - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - Você tem 31 anos de carreira, como você vê sua trajetória até agora?
GF - 
Vejo minha trajetória profissional repleta de realizações, mas também olho em frente. Ao mesmo tempo, penso no passado e também no futuro. Percebo que construí uma carreira sólida e realizei trabalhos diversos e muito especiais em tantas frente, mais de uma centena de projetos em cinema, teatro, tv, audiolivros, arte e educação, atuando, produzindo, dirigindo, dando aulas e oficinas - mas também miro o que ainda desejo fazer.

Depois de tanto tempo de estrada - e o percurso de um artista é inevitavelmente dinâmico, repleto altos e baixos, de recomeços e redescobertas - tenho muita consciência do que já fiz e vivi, mas também do que ainda quero viver e fazer.

CE - Além de atuar em diferentes frentes do audiovisual, você tem um trabalho junto ao Lunático. Pode falar mais dele?
GF -
 O Lunático é um espaço cultural que fundei no Rio em 2007 com minha companheira e parceira Juliana Féres, dedicado ao ensino e difusão das mais diversas manifestações culturais, em vários formatos - cursos, oficinas, exposições, palestras, mostras, espetáculos…

Hoje estamos em 17 instituições de ensino do Rio de Janeiro com aulas de circo, tecido acrobático, cinema, teatro, stop Motion. É gratificante compartilhar continuamente vivências artísticas com quase trezentas crianças e adolescentes e promover a transformação que a arte provoca na vida delas.

CE - Fala mais sobre o seu personagem em 'Ben hur'?
GF -
 Élio é o governador romano da região que compreende a Judéia, cuja capital é Antioquia, uma das maiores cidades do Império Romano no oriente naquele tempo (séc. I). Devido às agitações provocadas pela resistência dos judeus, que não aceitam se submeter às regras de Roma - especialmente as religiosas - Élio se transfere para Jerusalém a fim de acompanhar mais de perto a questão.

Ele é uma personagem que tem fascínio pelo poder, e um gosto particular pelos jogos políticos. A relação com Pôncio Pilatos, funcionário do império responsável pela região da Judeia, por exemplo, se sustenta em uma tensão constante de colaboração e rivalidade.

Élio é estratégico, astuto e gosta de ser sarcástico. Gosta de submeter seus antagonistas, gosta de levar vantagem e se dar bem em tudo que faz. Gosta também de aproveitar ao máximo os prazeres, inclusive os carnais, que advém de sua posição. 

CE - Você também estará em 'Lá na minha terra', próxima trama das 18h. O que pode falar do seu personagem (sem dar spoilers).
GF -
 Ainda não posso revelar muito, mas aqui vai uma breve apresentação: Josias é um dos vilões da trama de Mário Teixeira, dirigida por Allan Fiterman. Comparsa de Celestina (Lilia Cabral), inicia na novela trabalhando no Jóquei paulistano, onde conhece Ismalia (Camila Morgado). Nascido em São Paulo, sempre teve de se virar pra sobreviver, nem sempre de forma lícita ou legal. 

CE - Você também teve um personagem no filme sobre Elize Matsunaga que estreou na Netflix em julho. Como foi a recepção do público a sua participação?
GF -
 Foi surpreendente a resposta de público ao meu personagem e ao filme. Sabia do potencial pelos apelos da história, o projeto tinha uma equipe e elenco incríveis e a havia uma boa expectativa. O filme ficou incrível, mas ainda assim fiquei surpreso.

O sucesso foi gigantesco. O longa ficou 3 semanas no primeiro lugar como filme mais assistido no mundo inteiro em língua não inglesa dentro da Netflix. A repercussão em torno de meu trabalho foi muito positiva, e fiquei feliz com isso, já que busquei construir um personagem complexo - denso, torpe e com um humor perverso. 

Entrevista exclusiva com o ator Gustavo Falcão destaque em O ator Gustavo Falcão é a Capa exclusiva do Correio B+ desta semana - Foto: Record TV - Diagramação: Denis Felipe
Por: Flávia Viana

CE - O teatro tem um papel bem importante na sua carreira. O que você destaca nesses anos?
GF -
 O teatro é fundamental pra mim. Preciso voltar a ele sempre. É o começo de tudo, e é também recomeço, me nutre de uma forma muito particular. Não dá pra ficar muito tempo longe. Ano passado tive a felicidade de fazer dois espetáculos, e completamente distintos: ‘O Pequeno Circo de Mediocridades’, uma crítica ácida à mesquinhez humana, e o ‘De Perto Ninguém é Normal’, uma comédia divertidíssima inspirado no clássico cinematográfico Arsênico e Alfazema.

CE - Além disso, você também tem uma ligação muito forte com sua terra natal e vai produzir projetos lá. O que pode adiantar deles?
GF -
 Estou o tempo inteiro pensando em maneiras de realizar projetos no Recife e em Pernambuco. No momento estou desenvolvendo um projeto sobre episódios da vida extraordinária do pintor pernambucano Cícero Dias, em parceria com uma produtora pernambucana. Espero que possamos produzir o filme nos próximos anos.

CE - Como você vê esse ano de 2026 na sua carreira?
GF - 
Este tem sido um ano de muito movimento. Filmei a série ‘Ben Hur’, estou começando a novela ‘Lá na minha Terra’, lancei o audiolivro ‘Odisseia’ pela Cia das Letras, participei de uma mesa da FLIP como convidado pela primeira vez, dirigi diversas práticas de montagem, além da coordenação do projeto com o Lunático, meu espaço cultural, que segue em expansão.

CE - Você menciona a importância do longa 'Arido Movie' na sua carreira e como ele te levou para diferentes públicos. Pode falar mais dessa experiência?
GF - 
O ‘Arido Movie’ foi minha primeira experiência em longa-metragem, que rodamos em 2003. Então foi algo especial em minha vida e um marco em minha carreira. Até ali só tinha feito em cinema alguns curtas e tinha experiência em TV, com a novela As Filhas da Mãe, da Globo, de 2001. O Arido foi marcante, era um roteiro sensacional, primorosamente bem dirigido por Lírio Ferreira, com um super elenco.  

CE - Com tantos novos trabalhos chegando no final de 2026, o que você espera de 2027?
GF -
 Espero que 2027 seja um ano de ainda mais trabalho e que a gente siga com o crescimento do setor cultural, tanto em termos das políticas públicas quanto da conexão do público brasileiro com a arte que fazemos no Brasil. É para e pelas pessoas que nos assistem que fazemos o que fazemos e a arte é uma forma de um povo construir sua identidade, se conhecer e entender melhor, como indivíduo e em sua coletividade.

 

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