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Rionegro e Solimões: 35 anos de moda sertaneja

Marcada pela irreverência e um estilo versátil, dupla mineira radicada em Franca (SP) segue conquistando diferentes gerações e coleciona diversos clássicos desde o primeiro disco, lançado ainda na era do LP, em 1989

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Uma das duplas mais festejadas em todo o País completou 35 anos de estrada nesta semana. Contrariando as piadinhas que se costuma ouvir no primeiro dia de abril, Rionegro e Solimões gostam de brincar que são “aquela mentira que virou verdade”. Os sertanejos comemoraram aniversário de carreira exatamente no dia 1º, nesta segunda-feira. Eles chegam à marca de três décadas e meia colecionando números mais que satisfatórios.

A ligação deles com o dia 1° de abril é bem forte. Foi em 1989 que eles lançaram o primeiro LP, que levava apenas o nome da dupla. De lá para cá, a caminhada foi seguida de sucessos e glórias, conquistando assim o respeito e a admiração do público e de outros artistas do gênero, ao trilhar uma jornada regada com amor e dedicação.

Rionegro e Solimões é o tipo de dupla que agrada desde a criancinha que começa a descobrir as notas musicais até as pessoas que alcançam a melhor idade. Não tem uma faixa etária específica para curtir clássicos populares como “Peão Apaixonado”, “Frio da Madrugada”, “A Gente se Entrega”, “Bate o Pé”, “De São Paulo a Belém”, entre tantas outras canções que marcaram e ainda marcam a vida das pessoas. 

Quem nunca cantou uma melodia dos artistas em um karaokê que atire a primeira pedra. “Na Sola da Bota” é um desses clássicos do cancioneiro popular que está na boca do povo, de norte a sul do País. “A música foi lançada em 2003 e de lá para cá conquistou todos. É sucesso em festa de rodeio, festa de criança e até em velório eu já ouvi tocar”, diverte-se Solimões.

YOUTUBE E STREAMING

Um carimbo de todo esse sucesso são os números do YouTube – entre os diversos perfis que publicaram os clipes de “Na Sola da Bota”, a faixa ultrapassa a impressionante marca de 20 milhões de views. “O povo publica vídeo gravado ao vivo pelo celular de algum show nosso, de coreografia feita pelas criancinhas em festa infantil e até videoaula ensinando os acordes na gaita. Esse é o maior presente que um artista pode ter. Esse reconhecimento popular não tem preço”, comemora Rionegro.

Mas engana-se quem pensa que Rionegro e Solimões têm apenas esses grandes hits ao longo de seus quase 35 anos de carreira. Entre coletâneas e álbuns, eles somam 19 CDs e 6 DVDs. “Ultrapassamos três décadas de estrada. O artista precisa ter a percepção do que está acontecendo na atualidade e se reinventar quando for necessário. Graças a Deus, meu parceiro e eu conseguimos ter esse olhar crítico e, por isso, estamos na ativa até hoje”, analisa o primeira voz.

De uns anos para cá, os cantores também se tornaram referência na internet. Disponibilizando todos os discos nas plataformas de streaming e capitaneando um canal de sucesso no YouTube, a dupla chega próximo de 80 milhões de views em suas frentes digitais. Particularmente, quem entrou de cabeça na onda da internet foi Solimões. O sertanejo tem quase 500 mil seguidores no Instagram e não poupou esforços para conquistar novos fãs nessa plataforma. Ele é febre por lá, e diversas vezes viralizou na rede ao postar fotos e vídeos irreverentes.

“Virei até pauta no programa ‘Encontro com Fátima Bernardes’. Lá fui entrevistado pelo professor Pasquale, que debateu comigo o idioma caipirês, falado e escrito nas minhas redes. Vê se pode?”, brinca o segunda voz. 

 

Último registro da dupla foi gravado em Uberlândia (MG) em 2023Último registro da dupla foi gravado em Uberlândia (MG) em 2023

LIVES

Rionegro também é referência. Nas redes, o artista retrata seu cotidiano na fazenda, entre sua criação de cavalos e novas melodias compostas. Seu perfil atualmente conta com mais de 400 mil seguidores. E não é só. A dupla também tem seu Instagram oficial, que ultrapassa 1 milhão de seguidores, sendo retratado os bastidores dos shows e dos programas de TV, além de alguns recados exclusivos dos artistas direcionados aos fãs. 

Em 2020, a dupla se reinventou novamente e, de forma remota, lançou uma série de bons produtos no mercado fonográfico. Além das diversas lives executadas com maestria no canal oficial no YouTube, Rionegro e Solimões apresentaram os EPs “Só Lembranças 1, 2 e 3” – sendo a quarta parte do projeto lançada já em 2021.

“Tivemos a sacada de eternizar as lives de 2020 em um projeto concreto, ‘Só Lembranças – Acústico’. Pinçada com todo o cuidado e carinho, a transmissão escolhida para dar forma a este conteúdo foi a realizada no dia 25 de abril de 2020”, comenta Solimões.

“Entre todas, foi uma das que mais gostamos de fazer. Como o nome diz, reunimos os principais modões que ambientam o nosso universo. E todos foram executados no formato intimista e acústico. Nada mais justo do que carimbar para as futuras gerações esse momento tão atípico da nossa estrada”, analisa Rionegro.

 

“O artista precisa ter a percepção do que está acontecendo na atualidade e se reinventar quando for necessário”

TOP 5

O ano de 2021 também foi um marco na carreira dos sertanejos. Após 18 anos, Rionegro e Solimões gravaram mais um DVD: “A História Continua”, captado em Goiânia, contando com 18 faixas. O novo projeto reuniu músicas inéditas e sucessos de carreira, além de participações especiais de Gusttavo Lima, Jorge & Mateus e Henrique & Juliano. 

Com números estratosféricos, diversos hits ganharam a boca e a coração dos brasileiros, figurando por vários meses entre os mais ouvidos do sertanejo. “Saudade de Ex” atingiu mais de 45 milhões de views no YouTube. O mesmo aconteceu com “Saudade Atemporal” (42 milhões de views), “Frio da Madrugada” (28 milhões de views), “Vida de Cão” (26 milhões de views), tudo na mesma plataforma.

Inclusive, a ConectMix, uma das mais importantes empresas de audiência de rádio, carimba a canção “Saudade de Ex” como a segunda música mais executada nas emissoras do Brasil. Sua concorrente, a Crowley dá o mesmo dado e coloca a faixa como uma das três mais tocadas em território nacional, destacando que Rionegro e Solimões são um dos cinco artistas mais executados nas rádios nos últimos tempos. 

Em outubro de 2023, a dupla gravou o sexto DVD, “Rionegro e Solimões em Uberlândia”, que contou com 21 faixas, sendo 10 inéditas, e participações mais que especiais de Maiara e Maraisa, Bruno e Marrone e Luan Pereira. As músicas do novo trabalho estão sendo divulgadas gradualmente, mas não há como deixar de destacar “Cowboy Chora”, que contou com a participação de Luan Pereira e que caiu nos encantos do público, ultrapassando a marca de 46 milhões de views só no YouTube.

E a recentemente lançada “Isso É Coisa de Quem Quer Voltar”, com participação de Maiara e Maraisa, já tem quase 10 milhões de views só no YouTube.

Rionegro e Solimões – discografia completa (incluindo coletâneas, trabalhos ao vivo e DVDs)

1989 – Samba e Cachaça
1991 – Primeiro Vento
1993 – Meu Amor
1995 – Sonhei
1997 – Peão Apaixonado
1998 – O Amor Supera Tudo
1999 – De São Paulo À Belém
1999 – Bate o Pé
2000 – Bailão do Rionegro e Solimões
2000 – Bate o Pé – Ao Vivo
2001 – Só Alegria
2002 – Ensaio Acústico
2003 – Na Sola da Bota
2004 – De Bem com a Vida
2005 – O Grito da Galera
2005 – Clube do Batidão
2006 – Do Jeito da Gente
2008 – Arrastão
2011 – Virou Festa
2013 – O Cowboy Vai Te Pegar
2017 – Sucessos de Hoje
2018 – Deus Abençoou
2020 – Só Lembranças 1, 2 e 3
2021 – A História Continua
2023 – Rionegro e Solimões em Uberlândia

CHANEL

Ovelha pet tem vida de luxo com direito a babá, vestidos e passeio no shopping

Animal foi rejeitado pela mãe quando nasceu e hoje vive vida de "princesa" com sua família humana

04/03/2026 12h05

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolas MARCELO VICTOR

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Chanel, ovelha pet, nasceu no “berço de ouro”, vive como princesa e, possui várias regalias que um ser humano comum não tem acesso.

Mimada, o animal é de estimação e mora com sua tutora em um condomínio localizado em Campo Grande (MS).

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasOvelha Chanel e sua dona, a empresária Milaine Marçal. Foto: Marcelo Victor

Geralmente, ovelhas vivem em áreas rurais, fazendas, chácaras, ranchos e pastos. Mas, Chanel é diferenciada: domesticada, vive em casa e é considerada membro da família, como se fosse a filha caçula de Milaine Marçal, sua tutora.

Princesa da mamãe e “filha” mais nova, tem uma vida de luxo inalcançável para muitos humanos:

  • passeia no shopping
  • passeia no rancho três vezes na semana
  • tem babá para cuidar dela, fazer companhia, trocar a fralda e dar comida e água
  • tem costureira particular
  • toma banho no petshop toda semana
  • possui vestidos personalizados, sob medida, de várias cores e estilos
  • dorme em uma cama confortável e quentinha
  • dorme oito horas de sono por noite
  • tira soneca durante o dia
  • tem alimentação balanceada
  • recebe água e comida na hora certa
  • possui milhares de seguidores no Instagram
Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel adora tirar uma soneca no sofá a tarde. Foto: Marcelo Victor

Chanel é privilegiada e tem a vida que muitas pessoas trabalham duro anos e anos para conquistar.

Tudo começou quando Milaine sentiu o desejo em seu coração de ter uma cabra. Com isso, pesquisou como era o comportamento do bicho e viu que não seria viável e, então, perceberam que uma ovelha seria melhor. Em seguida, estava decidida em comprar o animal.

Logo soube da história de Chanel, que foi rejeitada e abandonada pela mãe quando nasceu e quase morreu largada no pasto sozinha. Com isso, pegou a ovelha para criar e, até então, para morar no rancho com as outras ovelhas.

Mas, pegou carinho e afeto pelo animal e o levou para morar em sua casa, junto com sua família. Ela teve que se readaptar: antes, morava em um apartamento e teve que se mudar para uma casa, por conta da chegada da ovelha.

“Já estava combinado que iria ficar no rancho, a gente iria pagar a estadia dela no rancho assim como fazemos com os nosso cavalos, e iríamos visitar ela lá com frequência, mas quem diz que consegui? Me apeguei a ela e não consigo mais viver sem ela”, contou a tutora.

Hoje, após ser rejeitada pela mãe, vive uma vida de "dondoca" com tudo do bom e do melhor com sua família humana.

OVELHA CHANEL

A ovelha é da raça Santa Inês, tem 4 meses de vida e 20 quilos. Sua expectativa de vida é de 12 anos e pode

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel vestida de Branca de Neve para o Carnaval 2026. Foto: Marcelo Victor

chegar até 40 quilos.

Se alimenta de feno, alfafa peletizada, ração para ovinos e água. Quando era recém-nascida, tomava 1,5 litro de leite, por dia, na mamadeira.

Usa fralda geriátrica e troca pelo menos 10 vezes por dia. Ela tem babá, que dá água/comida e faz companhia, pois a ovelha não gosta de ficar sozinha.

De acordo com sua dona, os gastos de Chanel giram em torno de R$ 2 mil por mês.

Sua rotina é acordar às 6h, comer, tomar água, trocar a fralda, levar a “irmã” para a escola, almoçar, tirar uma soneca a tarde, passear pelo condomínio, jantar e dormir.

Toma banho no petshop toda quarta-feira e sua tutora ainda manda o lanchinho para não passar fome durante seu momento de beleza.

Passeia todos os dias no condomínio em que mora e vai para o rancho três vezes por semana, onde interage com outras ovelhas, pasta e se diverte.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel tem um armário só de vestidos e acessórios. Foto: Marcelo Victor

Frequenta shoppings, onde vai toda estilosa, com vestidinhos, óculos, colares e tiaras.

Chanel faz sucesso e para o shopping: várias pessoas ficam encantadas e querem tirar fotos com ela. O passeio rende vários cliques e vídeos.

Ela espalha fofura e conquista o coração de todos por onde passa: além de ser refinada, a ovelha ainda é dócil, simpática e possui vários fãs. Inclusive, já ganhou vários mimos (óculos e colar) durante os passeios no shopping.

Ela tem uma costureira particular, que faz seus vestidos temáticos, personalizados e sob medida, para cada evento que vai. Por exemplo, no Carnaval, vestiu uma fantasia de Branca de Neve. Em um evento country, foi de vestidinho xadrez acompanhada da dona.

Possui 2 mil seguidores no Instagram (@ovelhachanelcg). Sua tutora garante que nunca usou a imagem dela para parcerias ou publicidade.

Ovelha Chanel com vestidinho verde e colar de pérolasChanel de fralda. Foto: Naiara Camargo

Mila, sua tutora, passou por algumas fases difíceis em sua vida e Chanel se tornou o apoio emocional dela. Ela tem laudos psicológicos que garantem que a ovelha contribui para seu bem-estar e suporte emocional.

De acordo com a empresária, Milaine Marçal, até hoje, nenhuma pessoa se queixou ou se incomodou com a presença da ovelha no condomínio, shoppings ou lugares públicos.

“Pessoal sempre recebe ela super bem, com o maior amor. Todos ficam admirados, acham diferente uma ovelha de estimação e querem tirar foto com ela. Quando ela vai no shopping, ela para o shopping. Todo mundo quer pegar, abraçar, fazer carinho e tirar fotos”, disse.

Chanel convive com uma gatinha em sua casa. As duas se dão bem juntas e até brincam uma com a outra.

* Fotos: Marcelo Victor 

LITERATURA

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança o livro de poemas "Como se Voassem os Peixes"

Procurador do Estado Carlo Fabrizio lança livro de poesias nascido na pandemia, com poemas que transitam entre o lúdico e o social, apostando na liberdade do leitor e na força da imaginação

04/03/2026 10h30

Divulgação

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Em meio à angústia coletiva provocada pela pandemia de Covid-19, enquanto o mundo aprendia a conviver com o isolamento e a incerteza, o procurador do Estado Carlo Fabrizio encontrava na poesia uma forma de atravessar o tempo suspenso.

O que começou como exercício em cursos de escrita criativa, iniciados em 2021, transformou-se, aos poucos, no livro “Como se Voassem os Peixes”, que será lançado amanhã, em Campo Grande, em evento organizado pela Editora Hámor.

“Ele foi sendo construído aos poucos, desde 2021. Essencialmente, foi um resultado dos cursos de poesia e de prosa que fiz durante a pandemia e que mantenho até hoje. Na verdade, foi uma resposta íntima à angústia que a pandemia me causou”, afirma o autor.

A obra nasce, portanto, de um tempo histórico específico, mas não se limita a ele. O livro reúne poemas que transitam entre o social e o subjetivo, entre o lúdico e o crítico, entre o sonho e o incômodo, sempre apostando na potência da palavra como experiência sensível.

METÁFORA

O título “Como se Voassem os Peixes” carrega uma imagem que provoca estranhamento e curiosidade. A escolha não foi imediata. Segundo Carlo, inicialmente, tanto o livro quanto o poema que o inspirou tinham outro nome. A mudança ocorreu durante o processo editorial.

“Foi baseado na primeira poesia de temática infantojuvenil que fiz. Tanto o título como a poesia são uma brincadeira com os sonhos de uma criança para seu futuro”, explica.

A imagem do peixe que voa desloca o leitor da lógica habitual. Peixes não voam, ao menos não na realidade cotidiana, mas na poesia, sim. E é justamente nesse deslocamento que o livro parece encontrar uma de suas chaves: a liberdade de imaginar o impossível como possibilidade simbólica.

TEMÁTICA

Os temas que atravessam a obra são variados. Há poemas com viés social, de tom mais crítico e até cínico. Em outros momentos, o autor mergulha em reflexões íntimas, transformando pensamentos e sensações em versos. Também há espaço para o lúdico, especialmente nas poesias de temática infantil e nos haicais.

“Às vezes, têm uma temática social, de viés mais crítico e cínico, às vezes, simplesmente são pensamentos em forma de poesia, sobre o que penso e sinto, mas também tem alguma coisa de lúdico”, resume Carlo.

Essa pluralidade temática reflete uma compreensão ampla da poesia como campo aberto, não restrito a uma única estética ou preocupação. O livro não se fecha em um manifesto, tampouco se limita a um único tom emocional. Ele oscila, provoca e acolhe.

Entre os textos que compõem o livro, dois foram especialmente desafiadores. Ambos abordam temas sensíveis: a tortura e o Holocausto.

Tratar de dores históricas e traumas coletivos em poesia exige equilíbrio entre respeito, sensibilidade e densidade estética.

O desafio, nesse caso, não é apenas técnico, mas ético. Ao abordar esses assuntos, o autor amplia o escopo do livro, que não se restringe à intimidade do eu lírico, mas também dialoga com a memória e a violência inscritas na história.

UMA BIOGRAFIA FICCIONAL

Carlo Fabrizio, procurador do Estado e autor de “Como se Voassem os Peixes” - Foto: Divulgação

Questionado se a obra é autobiográfica, ficcional ou híbrida, Carlo responde com cautela. “Toda escrita tem algo de biográfico, seja do próprio autor, do que ele experienciou, seja da vida em si, da vida de outras pessoas ou de situações observadas”, reflete.

No livro, há poemas que assumem explicitamente esse tom mais pessoal. Ainda assim, o autor evita rotular a obra. A poesia, nesse sentido, funciona como território de atravessamentos, onde vivências, memórias, leituras e imaginação se misturam em um mesmo fluxo criativo.

ESTRANHAMENTO

O incômodo e o prazer convivem na mesma expectativa. A literatura, especialmente a poesia, não precisa ser confortável. Ela pode provocar fissuras, deslocar certezas, tensionar percepções. Ao mesmo tempo, pode oferecer beleza, ritmo, musicalidade e emoção.

Não há, segundo o autor, uma mensagem fechada ou moral explícita. “Creio que na poesia o mais importante é apostar no leitor, confiar nele e na sua liberdade de interpretar”. A obra, assim, se completa na leitura, na experiência singular de cada pessoa que a percorre.

“Gostaria que gerasse reflexão, algum estranhamento e incômodo em algumas poesias, e também o prazer de ler algo que de alguma forma toque o sentimento do leitor”.

A ESCRITA

Conciliar a produção literária com a rotina como procurador do Estado não foi tarefa simples para Carlo. O cotidiano jurídico, marcado por prazos e responsabilidades, exige concentração e energia.

“Às vezes fica complicado, pois no dia a dia é muito difícil ter um espaço de tranquilidade para pensar a poesia. Geralmente preciso de um ambiente sossegado”, relata o autor.

A solução foi encontrar brechas no tempo: escrever à noite, durante a semana, e nas manhãs de sábado e domingo. A disciplina, nesse caso, tornou-se aliada da sensibilidade.

Embora a dedicação sistemática à poesia seja recente – cerca de cinco anos –, o envolvimento com a literatura se intensificou com os cursos realizados durante a pandemia. O livro marca, assim, uma nova fase na trajetória do autor, que passou a se dedicar de forma mais metódica à escrita poética.

As referências literárias de Carlo são múltiplas e revelam um diálogo amplo com diferentes tradições. Entre os autores que o influenciam estão os chamados “poetas malditos” franceses, como Arthur Rimbaud, Charles Baudelaire e Antonin Artaud, além de clássicos como Lord Byron e Walt Whitman.

Na literatura brasileira, ele cita nomes como Augusto dos Anjos, Sousândrade, Hilda Hilst, Cecilia Meireles, Manoel de Barros e os irmãos Augusto de Campos e Haroldo de Campos.

“Em estilo e conteúdo, os autores e autoras que leio me influenciam bastante”, reconhece Carlo.

A diversidade de influências ajuda a compreender a amplitude temática e formal do livro, que não se prende a uma única vertente estética.

Uma das perguntas mais difíceis para qualquer escritor é saber quando a obra está pronta. Para Carlo, a sensação é de permanente inacabamento.

“Há sempre algo para melhorar. Mas chega uma hora que a gente é vencido pelo cansaço: ou publica, ou arquiva e não mexe mais”, afirma.

O processo de revisão foi, segundo ele, o maior desafio da produção: um trabalho minucioso realizado em conjunto com os editores, ajustando versos, ritmos e escolhas vocabulares.

A experiência profissional também atravessa, de alguma forma, a escrita. Para o autor, toda vivência contribui para a formação do olhar. “O essencial para escrever é, primeiro, observar e viver o mundo”, destaca.

Ele enxerga, inclusive, pontos de contato entre Direito e literatura. Embora o Direito esteja fundado em dogmas e respostas, há espaço para interpretação e criatividade, elementos que também são centrais na literatura.

Ainda assim, a poesia ocupa um território mais livre. “A literatura, e principalmente a poesia, é o campo da imaginação, do sonho, da fantasia e da liberdade, onde a cor tem cheiro e uma palavra não é somente uma palavra, ela contém o mundo. Devemos ir além do literal”, pontua Carlo. A escrita e a leitura funcionam, segundo ele, como “remédio contra a aspereza do cotidiano”.

LANÇAMENTO

O lançamento de “Como se Voassem os Peixes” será marcado por um bate-papo com o público, leitura de poemas e sessão de autógrafos. A conversa será mediada por Febraro de Oliveira, editor da Hámor, e por Oslei Bega.

A proposta é criar um espaço de diálogo aberto, em que os leitores possam compartilhar impressões e perguntas, prolongando em voz alta a experiência silenciosa da leitura.

>> Serviço

Lançamento de “Como se Voassem os Peixes”

Data: amanhã.
Horário: às 18h.
Local: Rua Amazonas, nº 1.080, Monte Castelo.

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