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Qualidade de vida

Ronco frequente pode ser sintoma de problema grave de saúde

Médica explica que sintomas noturnos aparentemente comuns podem estar ligados à apneia e a outras alterações que prejudicam a qualidade do descanso e impactam a saúde cotidiana

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Dormir bem é essencial para a manutenção da saúde física e mental. Ainda assim, sinais aparentemente comuns durante a noite, como o ronco constante ou pausas na respiração, costumam ser ignorados por muitas pessoas.

O alerta ganha destaque no Dia Mundial do Sono, celebrado no dia 13 de março, data que busca conscientizar a população sobre a importância do descanso adequado e da identificação de distúrbios que podem comprometer o organismo.

Embora o ronco seja frequentemente tratado como algo inofensivo, muitas vezes alvo de brincadeiras entre familiares ou parceiros, especialistas alertam que o sintoma pode indicar problemas mais complexos relacionados à qualidade do sono.

Em alguns casos, ele pode estar associado à apneia do sono, um distúrbio caracterizado por interrupções repetidas da respiração durante a noite.

De acordo com a otorrinolaringologista Raquel Rodrigues, o ronco frequente deve sempre ser observado com atenção. Segundo ela, quando ocorre de forma constante, pode indicar uma obstrução parcial das vias aéreas superiores enquanto a pessoa dorme.

“O ronco constante nunca deve ser ignorado. Ele pode indicar uma obstrução parcial das vias aéreas durante o sono e, em alguns casos, estar ligado à apneia do sono, que é caracterizada por pausas respiratórias repetidas ao longo da noite”, explica a médica.

Essas interrupções respiratórias fazem com que o organismo precise “despertar” diversas vezes para retomar a respiração, ainda que o paciente não perceba esses episódios.

Como consequência, o sono se torna fragmentado e o corpo não consegue atingir adequadamente as fases mais profundas do descanso, fundamentais para a recuperação física e mental.

SINAL DE ALERTA

Durante o sono, os músculos do corpo relaxam, inclusive os da garganta. Em algumas pessoas, esse relaxamento provoca o estreitamento das vias respiratórias, dificultando a passagem de ar e causando vibrações nos tecidos da garganta, 
o que gera o som característico do ronco.

Embora muitas pessoas ronquem ocasionalmente, o problema passa a exigir investigação quando ocorre de forma frequente, intensa ou acompanhado de outros sintomas.

Segundo a médica, além do barulho noturno, alguns sinais podem indicar que o ronco está associado a um distúrbio respiratório do sono. Entre eles estão:

Sonolência excessiva durante o dia

Dor de cabeça ao acordar, sensação de cansaço mesmo após várias horas de sono, dificuldade de concentração, irritabilidade ou alterações de humor.

Sensação de sono não reparador

“Muitas vezes, o próprio paciente não percebe o problema. Quem costuma notar as pausas respiratórias é alguém que divide o quarto ou a casa, como o parceiro ou algum familiar”, afirma Raquel Rodrigues.
Essas pausas na respiração podem durar alguns segundos e se repetir diversas vezes ao longo da noite, prejudicando significativamente a qualidade do sono.

IMPACTOS NO ORGANISMO

Quando não diagnosticada e tratada adequadamente, a apneia do sono pode trazer consequências importantes na saúde. Isso acontece porque a interrupção repetida da respiração reduz a quantidade de oxigênio no organismo, sobrecarregando diferentes sistemas do corpo.

De acordo com a especialista, ao longo do tempo esse processo pode provocar alterações cardiovasculares e metabólicas.
“A interrupção repetida da respiração reduz a oxigenação do corpo e pode provocar alterações cardiovasculares ao longo do tempo. Existe relação com aumento da pressão arterial, maior risco de doenças cardíacas e impacto significativo na qualidade de vida”, destaca a médica.

Entre os problemas associados à apneia do sono estão:

Hipertensão arterial

Maior risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC), alterações no metabolismo, aumento do risco de diabetes, deficits cognitivos e dificuldades de memória, queda no rendimento profissional e acadêmico.

Além disso, a sonolência excessiva durante o dia pode aumentar o risco de acidentes de trânsito e de trabalho, já que a capacidade de atenção e reação fica prejudicada.

DIAGNÓSTICO

A investigação de distúrbios do sono começa com uma avaliação clínica detalhada, na qual o médico analisa os sintomas relatados pelo paciente e seus hábitos de sono. Caso haja suspeita de apneia ou de outros distúrbios, podem ser solicitados exames específicos.

O principal deles é a polissonografia, considerado o exame padrão para diagnóstico de alterações respiratórias durante o sono.
Durante o procedimento, o paciente passa a noite dormindo em um laboratório ou clínica especializada, enquanto diversos parâmetros são monitorados.

Alguns deles são: atividade cerebral, movimentos oculares, frequência cardíaca, padrão respiratório, nível de oxigenação do sangue, movimentos corporais.

Com base nos resultados, o médico consegue determinar a gravidade do problema e indicar o tratamento mais adequado.

TRATAMENTO

O tratamento da apneia do sono depende de diversos fatores, incluindo a gravidade do distúrbio, a causa da obstrução das vias aéreas e as características individuais de cada paciente.

Nos casos mais leves, mudanças de hábitos podem trazer melhora significativa. Entre as principais recomendações estão: controle do peso corporal, prática regular de atividade física, evitar bebidas alcoólicas antes de dormir, evitar o uso de sedativos sem orientação médica, manter horários regulares de sono.

Em algumas situações, também podem ser indicados dispositivos intraorais (semelhantes a placas dentárias) que ajudam a manter a mandíbula em posição adequada durante o sono, facilitando a passagem de ar.

Já nos quadros moderados ou graves, o tratamento pode incluir o uso de equipamentos específicos ou até procedimentos cirúrgicos.

Um dos recursos mais utilizados é o CPAP (sigla em inglês para pressão positiva contínua nas vias aéreas). O aparelho funciona por meio de uma máscara conectada a um dispositivo que envia fluxo contínuo de ar, mantendo as vias respiratórias abertas durante a noite.

Embora algumas pessoas tenham dificuldade de adaptação inicial ao equipamento, ele é considerado um dos tratamentos mais eficazes para a apneia do sono.

SINAIS DO CORPO

Especialistas ressaltam que muitas alterações do sono passam despercebidas por anos, principalmente porque acontecem durante a noite. Por isso, a observação de sinais persistentes é fundamental para buscar ajuda médica.

De acordo com Raquel Rodrigues, ampliar a conscientização sobre o tema e incentivar a população a olhar com mais atenção para a qualidade do descanso é de extrema importância.

“Dormir bem não é apenas descansar, é um processo essencial para o funcionamento do organismo. Quando o sono é constantemente interrompido, todo o corpo sofre as consequências”, afirma.

A médica reforça que sintomas aparentemente simples, como ronco frequente ou sensação constante de cansaço, não devem ser ignorados.

“Qualquer alteração persistente durante a noite deve ser investigada por um profissional. Identificar o problema e iniciar o tratamento adequado pode melhorar significativamente a qualidade de vida e prevenir complicações futuras”, conclui Raquel.

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Moda Correio B+

Coluna: Entre Costuras e CuLtura: O retorno de Miranda Priestly e aquilo que o tempo nos ensinou

Quase vinte anos depois, O Diabo Veste Prada volta aos cinemas com seu segundo filme, com estreia marcada para 1º de maio, e eu não consigo enxergar essa continuação apenas como entretenimento.

15/03/2026 15h30

Coluna: Entre Costuras e CuLtura: O retorno de Miranda e aquilo que o tempo nos ensinou

Coluna: Entre Costuras e CuLtura: O retorno de Miranda e aquilo que o tempo nos ensinou Foto: Divulgação

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Eu lembro exatamente onde eu estava quando assisti O Diabo Veste Prada pela primeira vez. Estava na Asia iniciando a minha carreira internacional como modelo, descobrindo o mundo e principalmente a mim mesma, quando comecei a ouvir falar de um filme sobre moda que só pelo nome já causava curiosidade em assistir.

Depois que assisti, descobri que na verdade não era apenas um filme sobre moda, mas sim, um espelho ambicioso para quem queria ocupar espaços que pareciam inalcançáveis.

Quase vinte anos depois, ele volta aos cinemas com estreia marcada para 1º de maio. E eu não consigo enxergar essa continuação apenas como entretenimento, para mim, é quase um reencontro com a mulher que eu era e com tudo o que eu acreditava sobre sucesso.

Em 2006, a indústria da moda ainda tinha aura de império intocável. As redações eram templos, as editoras divindades. Miranda Priestly não era só uma personagem, ela era a representação máxima de poder feminino dentro de um sistema que exigia dureza para sobreviver, e nós admirávamos aquilo.

Hoje, revisitando essa história, percebo como romantizamos certas violências sutis: o excesso de cobrança, o orgulho pelo cansaçoe e a ideia de que suportar tudo fazia parte do crescimento, talvez por isso o retorno de Miranda seja tão simbólico. A moda mudou, e nós mudamos também.

O mundo editorial já não é o mesmo, a autoridade descentralizou, a influência mora nos algoritmos, a estética virou linguagem política. Falamos de diversidade, sustentabilidade, inclusão, ainda que nem sempre com a profundidade necessária.

E eu me pergunto: quem é Miranda nesse novo cenário? E, principalmente, quem somos nós?

Porque se antes Andy representava a jovem que precisava se adaptar para pertencer, hoje muitas de nós questionamos se vale a pena pertencer a qualquer custo.

Essa continuação, inspirada na sequência literária de Lauren Weisberger, traz de volta Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt e Stanley Tucci, mas, para mim, o que mais retorna não são os personagens, mas a conversa sobre ambição.

Coluna: Entre Costuras e CuLtura: O retorno de Miranda e aquilo que o tempo nos ensinouCena de O Diabo Veste Prada 2 - Divulgação

Ambição feminina sempre foi um tema delicado. Ou éramos “boazinhas demais” ou “duras demais”. O filme original expôs essa tensão com elegância e ironia. Agora, quase duas décadas depois, temos maturidade para discutir o que antes apenas aceitávamos.

Não é só nostalgia.

Existe uma camada de nostalgia, claro, mas existe algo mais profundo: a oportunidade de revisitar nossos próprios parâmetros de sucesso.

Eu já não enxergo poder da mesma forma, já não confundo exaustão com excelência, já não romantizo ambientes que exigem que você diminua sua humanidade para caber neles. Talvez essa seja a grande beleza desse retorno. Miranda volta, mas o mundo não é mais o mesmo, e nós também não!

Se antes aprendemos que “não é apenas um suéter azul”, talvez agora estejamos prontas para entender que também não é apenas uma carreira, é sobre escolhas, limites e propósito.

Entre Costuras e CuLtura, sigo acreditando que moda nunca foi só sobre roupa, mas sempre foi sobre o que vestimos para enfrentar o mundo.

E talvez este novo capítulo nos convide justamente a despir aquilo que já não faz sentido carregar.

Coluna: Entre Costuras e CuLtura: O retorno de Miranda e aquilo que o tempo nos ensinouGabriela Rosa - Divulgação

 

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Reforma tributária: empresas enfrentam dificuldades em sua transição; especialista detalha gargalos

Falta de preparação em sistemas corporativos e instabilidades nos programas públicos responsáveis pela emissão das notas fiscais são principais desafios.

15/03/2026 15h00

Reforma tributária: empresas enfrentam dificuldades em sua transição; especialista detalha gargalos

Reforma tributária: empresas enfrentam dificuldades em sua transição; especialista detalha gargalos Foto: Divulgação

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O primeiro mês de transição da reforma tributária foi marcado por desafios técnicos e operacionais. Desde 1º de janeiro, as empresas precisam informar dados referentes aos novos tributos em documentos fiscais. Entretanto, ainda enfrentam o desafio de atualização de ERPs (softwares de gestão empresarial), além de instabilidades nos programas de emissão de notas.

“As dificuldades são, em grande parte, de ordem sistêmica. A nova regra exige que as empresas informem os novos impostos nos documentos fiscais eletrônicos, o que requer uma parametrização dos ERPs. A estimativa é que mais da metade das companhias de médio e grande porte não tenham conseguido concluir esse trabalho a tempo”, explica Thiago Leda, diretor tributário do Grupo IRKO.

Outra dificuldade, segundo o especialista, é a instabilidade dos sistemas emissores de documentos fiscais, principalmente nos sistemas de algumas prefeituras que não aderiram ao Sistema Nacional da NFS-e. Os programas apresentam problemas que vão da alteração ou desativação de códigos de serviços à lentidão e à falta de padronização das informações.

Diante desse cenário, a Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) suspenderam as penalidades por notas emitidas sem IBS e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) até 1º de abril – as multas previstas são de 1% do valor da transação. De acordo com o ato conjunto das entidades, o objetivo é garantir uma transição gradual e segura. A presença desses impostos nos documentos fiscais tem caráter informativo ao longo de 2026, sem exigência de recolhimento.

“A suspensão das multas é um alívio momentâneo, mas se não houver prorrogação, a partir de abril as empresas estarão sujeitas a penalidades se não estiverem em conformidade. É fundamental usar esse período para regularizar as parametrizações e evitar contingências fiscais”, orienta Leda.

De acordo com ele, as organizações lidam ainda com dificuldades adicionais em razão da falta de regulamentação de determinados pontos da reforma. Algumas atividades, por exemplo, passarão a exigir a emissão de nota fiscal com a nova legislação. No entanto, ainda faltam diretrizes sobre o momento exato em que isso será obrigatório para atividades como locação de imóveis, máquinas e equipamentos.

Adequação imediata

Os negócios que ainda não prepararam suas operações fiscais e tributárias para a nova legislação deverão fazê-lo o quanto antes para evitar sanções a partir de abril. O diretor do Grupo IRKO lembra que, a partir de 2027, a CBS, que substituirá PIS (Programa de Integração Social) e Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social), já começará a valer.

“Se a empresa não se adequar agora, além dos riscos de multas a partir de abril, ela poderá enfrentar problemas mais graves no ano que vem. Aquelas que não estiverem em dia com as novas diretrizes, com ERPs parametrizados e equipes preparadas, não conseguirão apurar e recolher o novo tributo corretamente”, destaca.

Já as micro, pequenas e médias empresas optantes pelo Simples Nacional têm até setembro para definir como recolherão os novos tributos a partir de 2027, podendo escolher continuar no regime unificado ou aderir ao modelo regular – com apuração separada de IBS e CBS.

“Essa deve ser uma decisão pensada estrategicamente, já que, a depender da cadeia logística em que a empresa está inserida, pode ser mais vantajoso fazer o recolhimento fora do Simples Nacional para gerar créditos para o cliente, o que pode aumentar a competitividade em alguns casos. Vale lembrar que não haverá nenhuma alteração da carga tributária”, detalha Leda.

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