A participação de apenas um consórcio no leilão do campo de Libra, e a entrega de uma proposta com o mínimo estipulado de retorno de petróleo para o governo foi considerado "um sucesso difícil de imaginar" pela diretora-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Magda Chambriard, e "nem um pouco frustrante", pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
O campo de Libra, na bacia de Santos, é a maior descoberta de petróleo do país e tem recursos recuperáveis entre oito e 15 bilhões de barris de petróleo, quase toda a reserva do Brasil após 60 anos de atuação da Petrobras.
Quando foi anunciada sua venda este ano, a ANP previa o interesse de cerca de 40 empresas e uma grande disputa pela área.
Apenas 11 empresas se habilitaram e duas não chegaram a depositar garantias, a japonesa Mitsui e a malaia Petronas. Das nove empresas habilitadas para o leilão, cinco formaram o único consórcio que apresentou proposta, com o percentual mínimo de 41,65% da produção de petróleo em retorno para o governo.
O único consórcio foi formado pela Petrobras, que já tinha 30% e ficou com 40%, oferecendo mais 10% no leilão; Shell, com 20%; Total, 20%; CNPC, 10%; e CNOOC, 10%.
Magda admitiu que o resultado poderia ter sido melhor se houvesse concorrência, mas destacou a qualidade das empresas que formaram o consórcio, que estão entre as maiores do mundo. "Com essas empresas estamos seguras que Libra terá o melhor desenvolvimento possível", avaliou.
Segundo Lobão, o governo atingiu seu objetivo. "Nós precisávamos que tivesse um consórcio vencedor, e tivemos. Vamos receber R$ 15 bilhões e até 70% de rendimentos para o governo federal", disse Lobão.