A decisão do Copom de elevar para 12,50% ao ano a taxa básica de juros, a Selic, não agradou nenhum segmento da economia, da indústria ao comércio e os sindicatos, que consideraram a elevação injusta, negativa, inadequada e equivocada.
Indústria: perda de postos de trabalho
O presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Paulo Skaf, repudiou a decisão. “Precisamos refletir sobre o futuro que queremos para Brasil. O quinto aumento consecutivo da taxa de juros vai acelerar a desindustrialização e poderemos ter perdas de postos de trabalho, agravando os sérios problemas que já enfrentamos com a competitividade brasileira. Em vez de elevar os juros, o governo deveria adotar medidas que efetivamente reduzam a carga tributária, equilibrem a taxa de câmbio, melhorem a infraestrutura, diminuam o custo da energia e garantam isonomia entre a produção nacional e a estrangeira”, afirma.
A Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro) também condenou o aumento dos juros, que classificou como incompatível com o cenário atual. “Desde a última reunião do Copom, há 45 dias, todos os indicadores disponíveis ratificaram a desaceleração da atividade econômica e o arrefecimento da inflação com os índices negativos ao produtor apontando para a continuidade deste movimento”.
Ainda de acordo com a Firjan, os ajustes fiscais europeus também devem ser considerados. “Além disso, o significativo – e inevitável – ajuste fiscal nos países europeus deve ser considerado como elemento-chave nas decisões de política monetária, uma vez que seus efeitos depressivos sobre a atividade econômica mundial devem coincidir com os efeitos defasados do recente ciclo de alta da taxa Selic sobre a economia brasileira”.
Comércio: precipitação e repasse para o consumidor
Para a Fecomercio-SP (Federação do Comércio do Estado de Saõ Paulo), os aumentos anteriores já foram excessivos. No terceiro mês de redução da inflação, de acordo com a Federação, aumentar a Selic merece a crítica veemente do setor privado e dos consumidores, vítimas dos custos da elevação dos juros.
Segundo a Fecomercio, o valor do financiamento das pessoas físicas e jurídicas soma hoje cerca de R$ 1,1 trilhão. Cada ponto percentual de juros, portanto, custa para empresas e consumidores R$ 11 bilhões a mais ao ano. Entre novembro de 2010 e o atual momento, a taxa média de juros subiu cinco pontos. Dessa maneira, o setor produtivo e o consumidor vão pagar, em média, R$ 55 bilhões a mais de juros somente como efeito da política monetária do Banco Central.
Conforme o presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), Roque Pellizzaro Junior, ao decidir elevar pela quinta vez consecutiva o juro básico, os diretores do BC demonstraram ter pouca fé nas informações que tinham à mão e que apontam para a perda de força da inflação, o principal motivo de elevação da Selic. “Ainda pela manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) já havia divulgado que o IPCA-15 de julho havia recuado para o menor patamar desde agosto de 2010. A cautela foi desmedida”, afirma.
Pellizaro também avalia que os ajustes na política monetária têm provocado efeitos colaterais na taxa de câmbio, com o dólar recuando frente ao real para a menor patamar desde 1999, em função da maior atratividade para o capital especulativo. “Como resultado, no ano, o fluxo cambial, que mede as entradas e saídas de recursos do País, já é praticamente o dobro do de 2010”, completa.
Sindicato: trabalhadores são prejudicados
Na mesma linha dos demais setores da economia, para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, a estratégia de aumentar a taxa Selic sob o argumento de que tal iniciativa mantém a estabilidade da economia, traz "lucros vultosos aos especuladores em detrimento da maioria".
De acordo com Silva, “para nós trabalhadores, no entanto, esta política impede que o País tenha um desenvolvimento necessário para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, gerar empregos e distribuir a renda”.



