Depois de quatro anos figurando entre os estados de maior crescimento econômico do País, Mato Grosso do Sul deve atravessar este ano em ritmo bem mais lento.
As projeções da Resenha Regional do Banco do Brasil colocam o Estado entre aqueles com menor expansão do Produto Interno Bruto (PIB) no ano, puxado principalmente pela queda expressiva da agropecuária, setor que historicamente sustenta a economia sul-mato-grossense.
De acordo com o levantamento, o PIB de Mato Grosso do Sul deve crescer apenas 1,4% neste ano, desempenho inferior à média nacional, estimada em 1,7%, após ter crescido o dobro da média nacional nos últimos quatro anos.
No ranking nacional, o Estado aparece na parte inferior da tabela, superando apenas unidades da federação que enfrentam cenários ainda mais adversos.
O resultado marca uma inflexão relevante na trajetória recente da economia estadual. Nos últimos anos, Mato Grosso do Sul vinha se beneficiando de safras recordes, expansão da fronteira agrícola, valorização das commodities e ampliação da base industrial ligada ao agronegócio. Para este ano, no entanto, o cenário é de ajuste.

RECUO
A Resenha Regional indica recuo de 3,8% do PIB agropecuário em Mato Grosso do Sul, reflexo da combinação entre acomodação dos preços, queda de produtividade em algumas culturas e normalização após ciclos excepcionalmente favoráveis.
Como o setor tem peso elevado na composição do PIB estadual, o impacto negativo acaba se sobrepondo ao crescimento observado em outras atividades. Mesmo com esse freio imposto pelo campo, a economia de MS não entra em retração.
A indústria aparece como um dos principais vetores de sustentação do crescimento neste ano. O setor deve avançar 3,2% acima da média nacional (1,5%), impulsionado por cadeias já consolidadas no Estado, como celulose, alimentos, bioenergia e processamento agroindustrial.
O desempenho industrial ajuda a amortecer a desaceleração do agronegócio, mas não é suficiente para manter o Estado entre os líderes nacionais de crescimento.
O setor de serviços também contribui para evitar uma desaceleração mais intensa. As projeções indicam crescimento moderado de 2,6%, sustentado por um mercado de trabalho mais formalizado, renda ainda elevada e pela consolidação do Estado como polo logístico e de distribuição no Centro-Oeste.
Atividades ligadas a transporte, armazenagem, comércio e serviços corporativos seguem como destaque.
O mestre em Economia Eugênio Pavão ponderou que o ciclo de juros altos começa a esfriar a economia nacional. “A alta de juros, usada desde a metade do ano passado para convergir o índice de inflação para abaixo do teto, o que começou a interferir na economia, com leve queda, esfriando assim a demanda por bens e serviços”.
REGIÃO
No contexto regional, Mato Grosso do Sul perde protagonismo dentro do Centro-Oeste neste ano e aparece com o pior desempenho. Conforme o levantamento, Goiás deve crescer 1,9%, seguido do Distrito Federal (1,8%), Mato Grosso (1,6%) e Mato Grosso do Sul na lanterna com 1,4%.
O desempenho superior dos estados vizinhos é justificado pelo maior peso relativo da indústria e dos serviços ou com recuperação mais intensa da agropecuária. Ainda assim, o Estado mantém crescimento positivo e segue entre as economias mais organizadas da região.
“Na região Centro-Oeste, o cenário segue otimista. Serviços ligados ao transporte e à armazenagem devem continuar sendo beneficiados pelo escoamento da produção agrícola, mantendo a região como um polo estratégico para logística e comercialização. No entanto, o ritmo tende a ser mais moderado em relação a 2025 diante de uma expectativa na redução da safra na região”, detalha o documento.
No cenário nacional, a Resenha Regional aponta crescimento moderado do PIB brasileiro em 1,7%, com fortes diferenças entre as regiões. O Sul deve liderar a expansão, impulsionado pela recuperação do agronegócio após eventos climáticos adversos, enquanto Norte e Centro-Oeste crescem em ritmo mais contido.
A projeção elaborada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) é bem mais otimista e aponta para crescimento de 5,7%. Procurado pelo Correio do Estado, o titular da Pasta não respondeu à equipe até o fechamento da reportagem.

