Economia

até 2020

Área de floresta plantada deve crescer 42,8%

Volume pode passar de 2 milhões de hectares em menos de uma década, consolidando MS como potência da bioeconomia

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Mato Grosso do Sul tem atualmente 1,4 milhão de hectares em área de floresta plantada. A projeção é que nos próximos sete anos o Estado chegue à marca de 2 milhões de hectares, crescimento de 42,8%.

Conforme representantes do setor florestal, somente neste ano, o acréscimo será de pelo menos 300 mil hectares, o que totalizará 1,7 milhão de hectares em extensão de floresta.

Diretor-executivo da Associação Sul-Mato-Grossense de Produtores e Consumidores de Florestas Plantadas (Reflore-MS), Dito Mário destaca que, contando com as empresas hoje presentes no Estado, é possível estimar um aumento positivo.

“Acredito que até 2030 podemos chegar a 2 milhões ou até mais. Isso vai depender dos investimentos que poderão estar vindo”, diz o representante.

Conjectura que também é apontada pelo presidente da Reflore, Júnior Ramires, que atribui a expectativa aos investimentos já anunciados, garantindo crescimento do setor por pelo menos os próximos 10 anos. 

“Com isso, as perspectivas que eu entendo para o setor daqui para frente são muito boas, uma vez que as fábricas do Estado precisarão ser abastecidas, daí a gente deve atingir os 2 milhões de hectares nos próximos cinco ou sete anos”, frisa.

O diretor da Reflore reforça alguns dos fatores que cooperaram para a expansão do setor.

“É um trabalho que vem sendo feito há alguns anos, mas, com a vinda das empresas de celulose, que já vêm com a cadeia formada, isso fez com que realmente tivéssemos um maior acerto entre produtores e consumidores, e isso fez com que fosse possível rentabilizar toda a cadeia”, detalha.

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AVANÇO

Comprovando o avanço da silvicultura, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, relata que a Arauco, fábrica de celulose chilena, que está sendo projetada na cidade de Inocência, interior do Estado, trabalha com base florestal de aproximadamente 200 mil hectares de terra arrendada. 

“São 60 mil hectares já plantados de eucalipto e praticamente 140 mil hectares já arrendados na região para fazer a base florestal para o próximo plano. Fase que nós estamos hoje”, revela.

Em uma projeção futura, o secretário ainda revelou, em matéria publicada em 21 de fevereiro no Correio do Estado, que a expansão em Mato Grosso do Sul será tão grande que a base econômica do Estado mudará. 

“Haverá mais eucalipto para celulose e menos soja no cenário de exportação a partir de 2025. A mudança tornará Ribas do Rio Pardo a capital mundial do eucalipto”. 

Último levantamento da secretaria, publicado no ano passado, aponta que o setor florestal de Mato Grosso do Sul é responsável pela geração de 27,2 mil empregos, sendo 14.901 diretos e 12.312 indiretos. Em 2021, o segmento gerou 6.266 empregos a mais em relação a 2020. 

O crescimento deve continuar nos próximos anos, com os investimentos já em curso no Estado, como o da nova fábrica de celulose da Suzano, em Ribas do Rio Pardo, no valor de 
R$ 14,7 bilhões, e também da chilena Arauco, com investimentos no valor de R$ 15 bilhões.

MS já conta com três fábricas de celulose em plena operação, todas no município de Três Lagoas, uma da Eldorado Brasil, com capacidade de produção de 1,8 milhão de toneladas de celulose por ano, e duas da Suzano, que produzem 3,25 milhões de toneladas por ano.

Dando continuidade ao legado de operação no segmento dentro do território sul-mato-grossense, a Suzano está com mais uma fábrica em construção, desta vez em Ribas do Rio Pardo, que será a maior planta industrial de celulose do mundo, produzindo 2,55 milhões toneladas/ano.

Com um futuro de promessas, somente o Projeto Cerrado, da Suzano, tem expectativa de aumentar a área plantada da empresa para 600 mil hectares de eucalipto na região de Ribas do Rio Pardo.

O Estado também conta com florestas da Bracell, na região de Água Clara, e da Arauco, em Inocência. 

EXPORTAÇÕES

No primeiro quadrimestre do ano, os produtos florestais foram responsáveis por 16,62% do total das exportações de Mato Grosso do Sul, com montante de US$ 496,5 milhões. Os dados são do Boletim Casa Rural – Floresta Plantada, divulgado pela Famasul no mês de maio.

“Considerando o faturamento, a celulose foi o produto florestal mais exportado por Mato Grosso do Sul no primeiro quadrimestre de 2023, com participação de 99,44%. O segundo lugar ficou para o papel, com 0,40%, e para a madeira, com 0,16%”, destaca o boletim técnico.

Ainda conforme os dados da Famasul, houve crescimento de 10,7% no valor exportado, saindo de US$ 448,3 milhões em quatro meses de 2022 para US$ 496,5 milhões exportados no mesmo período deste ano.

Ao todo, nos primeiros quatro meses do ano, foram 36 países a importar insumos florestais de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o relatório, o Estado tem seu maior volume de floresta plantada situado na costa leste, onde o eucalipto é mais comum, seguindo o caminho geográfico que vai desde Campo Grande até as divisas com o estado de São Paulo.

A espécie é responsável pela maior concentração de floresta plantada do Estado, acumulando mais de 1,1 milhão de hectares cultivados em 71 municípios de MS. Três Lagoas é o município que apresenta maior área plantada, respondendo por 23,4%, seguido de Ribas do Rio Pardo e Água Clara, com 19% e 11,7%, respectivamente.

A segunda espécie mais cultivada no Estado é a seringueira, estando presente em 29 municípios de Mato Grosso do Sul. Segundo informações do relatório, a árvore é responsável por ocupar pouco mais de 22,6 mil hectares.

“A maior concentração de plantios está na região leste de MS. O município de Cassilândia é o que apresenta maior área plantada, respondendo por 31%, seguido de Aparecida do Taboado e de Paranaíba, com 16% e 9%”, destaca o boletim.

A Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), associação que representa a cadeia produtiva de árvores plantadas no País no âmbito industrial, ressalta, por meio do Sumário Executivo 2022, a pujança do setor, que tem como contrapartida cuidar do meio ambiente, ao mesmo tempo em que movimenta a economia.

“Cuidar do meio ambiente está no centro da estratégia de um setor que planta, colhe e replanta, comumente em áreas antes degradadas. Atualmente, são 9,93 milhões de hectares de áreas produtivas e mais 6,05 milhões de hectares conservados com vegetação nativa”, avalia a associação.

ECONOMIA

Preço da cesta básica de janeiro bateu R$783 em Campo Grande

Aumento foi observado em 24 capitais, com a Cidade Morena entre as três menores altas e abaixo de um ponto percentual neste começo de 2026

09/02/2026 12h18

Tomate apresentou uma variação acima de 40% do valor observado desde dezembro de 2025

Tomate apresentou uma variação acima de 40% do valor observado desde dezembro de 2025 Marcelo Victor/Correio do Estado

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Levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a análise mensal dos alimentos divulgada hoje (09) mostra que Campo Grande está entre as 24 capitais que registraram aumento no valor da cesta básica, porém, com uma alta menor que um ponto percentual, ficando em R$ 783,41 em janeiro deste ano.

Conforme balanço repassado pelo escritório regional do Dieese em Mato Grosso do Sul, enquanto a alta de Campo Grande ficou em 0,97%, de dezembro de 2025 a janeiro de 2026 as principais altas ocorreram em: 

  1. (4,44%) - Manaus
  2. (3,37%) - Palmas
  3. (3,22%) - Rio de Janeiro 
  4. (2,52%) - Fortaleza
  5. (2,47%) - Cuiabá
  6. (2,44%) - Aracaju
  7. (2,15%) - Vitória
  8. (2,02%) - Belo Horizonte

Cabe lembrar que, a partir de agosto de 2025, a parceria entre o Dieese e a Conab ampliou a coleta de preços de 17 para 27 capitais brasileiras, em contribuição à Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e à Política Nacional de Abastecimento Alimentar.

Cenário local

Segundo o balanço divulgado, essa variação menor que um ponto percentual levou a cesta básica de Campo Grande ao valor de R$783,41, comprometendo mais da metade (52,25%) do salário mínimo do campo-grandense. 

Com isso, para custear uma cesta básica em janeiro, foi necessário que o campo-grandense trabalhasse pelo menos 106h19m. No acumulado de 12 meses, a elevação para a Capital do MS foi de 2,51%.

Lançado olhar sobre os itens que compõe a cesta básica, pelo menos 13 produtos subiram os preços, com o principal "vilão" neste início de ano sendo o tomate, que apresentou uma variação acima de 40% do valor observado desde dezembro de 2025, quando já comprometia mais da metade do salário mínimo na Capital.

Além desses, entre o último mês do ano passado e janeiro de 2025 o campo-grandense pôde sentir mais levemente no bolso o peso da variação da manteiga (1,42%) e da batata (0,49%), com queda no preço dos outros 10 itens que compõe a cesta básica, sendo: 

  • Leite integral (-8,00%),
  • Óleo de soja (-7,97%),
  • Arroz agulhinha (-6,50%),
  • Feijão carioca (-5,01%),
  • Farinha de trigo (-4,10%),
  • Café em pó (-3,81%),
  • Açúcar cristal (-3,37%),
  • Banana (-2,31%),
  • Pão francês (-0,78%) e
  • Carne bovina de primeira (-0,22%)

Se comparado com o início do ano passado, porém, o campo-grandense sente que pelo menos metade desses produtos ficaram mais caros, como bem mostra a variação percentual no acumulado dos últimos 12 meses. 

Nesse recorte anual, itens diários ainda tiveram um aumento "tímido", abaixo dos quatro pontos percentuais, como a carne bovina de primeira (3,95%) e farinha de trigo (3,74%). 

Enquanto o pão francês ficou 5,61% mais caro entre janeiro de 2025 e o primeiro mês deste ano, os principais vilões nesse acumulado dos últimos doze meses foram: o café em pó (31,47%) e o tomate (24,32%). 

E se o valor mais caro foi sentido até no preço da batata (5,67%) nesse intervalo de um ano, há aqueles produtos que ficaram, sim, mais baratos de um ano para cá, com destaque para as quedas observadas nos seguintes itens no acumulado de 12 meses: 

  • Arroz agulhinha (-39,87%),
  • Açúcar cristal (-16,30%),
  • Feijão carioca (-9,30%),
  • Leite integral (-9,26%),
  • Banana (-3,23%),
  • Manteiga (-2,06%) e
  • Óleo de soja (-0,67%)

Por fim, cabe também apontar que o tempo médio na jornada de trabalho para arcar com a cesta básica caiu de um ano para cá, de 110 horas e 46 minutos para 106 horas e 19 minutos.  

 

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AGRICULTURA

Produção do milho safrinha 2025/2026 deve ter queda de 21%

O cereal que já ocupou cerca de 75% da área cultivada com soja deve responder agora por 46% dessa área

09/02/2026 08h40

Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Mesmo com expansão da área cultivada, a segunda safra de milho em Mato Grosso do Sul deve registrar uma forte retração na produção em 2025/2026.

A estimativa mais recente do Sistema de Informações Geográficas do Agronegócio (Siga MS), desenvolvido pela Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja-MS), aponta que o Estado deve colher 11,139 milhões de toneladas, volume 21,6% inferior ao registrado no ciclo anterior, que registrou recorde com 14,226 milhões de toneladas.

A queda é atribuída principalmente à redução expressiva da produtividade média, reflexo de fatores climáticos e do próprio efeito estatístico da supersafra passada.

Segundo os dados técnicos, a área destinada ao milho da segunda safra deve alcançar 2,206 milhões de hectares, o que representa um crescimento de 3% em relação à safra 2024/2025.

Ainda assim, a produtividade média projetada é de 84,2 sacas por hectare, número 22,4% menor do que o obtido no ciclo anterior, quando o rendimento chegou a 108,42 sacas por hectare.

De acordo com o assessor técnico da Aprosoja-MS, Flávio Aguena, a metodologia utilizada para a projeção da safra explica, em parte, a magnitude dessa diferença.

“A expectativa inicial para a segunda safra de milho 2025/2026 considera uma área de 2,206 milhões de hectares, uma produtividade de 84,2 sacas por hectare, o que corresponde a um volume de produção de 11,139 milhões de toneladas”, explica.

Ele detalha que a estimativa de área leva em conta o comportamento médio das últimas safras. “A metodologia utilizada considera a média de aumento de área das últimas cinco safras, que foi de 3%. Por isso, projetamos esse crescimento em comparação ao ciclo passado”, afirma.

Já a produtividade, segundo Aguena, segue uma lógica mais conservadora. “Ela é estimada com base na média das últimas cinco safras. Quando comparamos com a safra 2024/2025, que teve produtividade de 108,42 sacas por hectare, há uma redução de 22,4%. Ou seja, a média histórica é bem inferior à produtividade excepcional do ciclo passado”, pontua.

Além da base de comparação elevada, o milho safrinha deste ano enfrenta um cenário climático mais adverso. O plantio avança em ritmo mais lento do que o observado na temporada passada.

Até o fim de janeiro, apenas 2% da área prevista havia sido semeada, 5,6 pontos porcentuais abaixo do registrado no mesmo período da safra 2024/2025.

O atraso reduz a janela ideal de desenvolvimento da cultura e aumenta a exposição das lavouras ao período de estiagem que costuma se intensificar a partir de março, sobretudo na região sul do Estado.

Outro fator estrutural destacado pelos técnicos é a mudança no uso das áreas agrícolas. O milho da segunda safra, que já ocupou cerca de 75% da área cultivada com soja em Mato Grosso do Sul, deve responder agora por 46% dessa área.

A redução indica maior cautela dos produtores, que têm direcionado parte das áreas para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens, consideradas menos arriscadas do ponto de vista climático.

SOJA

Embora o milho concentre as maiores revisões negativas, a soja também deixou de sustentar o cenário de otimismo que marcou o início do ciclo.

A expectativa inicial para a safra 2025/2026 da oleaginosa aponta uma área de 4,794 milhões de hectares, produtividade média de 52,82 sacas por hectare e produção estimada em 15,195 milhões de toneladas.

Segundo Flávio Aguena, o panorama mudou significativamente desde janeiro. “Havia um otimismo até dezembro de 2025, devido ao bom volume de chuvas, principalmente na região sul do Estado, onde está a maior área plantada de soja”, afirma.

No entanto, a situação climática se deteriorou rapidamente. “O mês de janeiro de 2026 foi marcado por uma seca severa nas regiões centro e sul, com algumas áreas ficando mais de 20 dias sem chuvas”, relata.

Na safra 2024/2025 foram colhidas 14,2 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso do Sul - Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

O problema se agravou porque a estiagem coincidiu com uma fase crítica da cultura. “Essa situação é ainda mais preocupante porque ocorreu durante o período reprodutivo da soja, quando a planta precisa, em média, de 5 a 7 milímetros de água por dia para expressar todo o seu potencial produtivo”, explica o assessor técnico.

Diante desse cenário, a Aprosoja-MS já descarta a manutenção do discurso de supersafra. “Hoje, o cenário para a soja em Mato Grosso do Sul não é mais de otimismo. O impacto da seca só será mensurado com a evolução da colheita”, ressalta Aguena.

A associação realiza atualmente levantamentos de campo para avaliar os danos efetivos. “Nossa equipe está fazendo o levantamento de produtividade e, após uma amostragem mínima de 10% das áreas, será feita uma nova estimativa para a safra de soja no Estado”, conclui.

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